-  Atualizado 23/03/2012

Cinco roteiros cênicos de carro pelo Brasil

Publicado por: Silvia Oliveira Descubra Brasil

Existem tantas vantagens em viajar de carro que eu nem sei por que abandonei este gênero de passeio há anos. Estou falando daquelas expedições com tempo, cheias de contemplação em que a gente empaca onde quer, quando dá, do jeito que for.

 Talvez a facilidade dos pacotes nacionais, a entrada de companhias aéreas low-cost nos país ou ainda o acúmulo de milhas me levaram mais aos aeroportos do que às estradas. Concordo, o que cobram pelo combustível é uma deselegância e há regiões com pedágios de valores indignos.

 Mas viagens de carro costumam ser mais econômicas. É justamente a forma de transporte (para duas, três ou quatro pessoas peregrinando juntas) que barateia o custo final. O Brasil tem dezenas de roteiros cênicos – um mais charmoso do que o outro. Algum deles vai caber direitinho no seu bolso.

 BELO HORIZONTE – OURO PRETO | Minas Gerais

Bem perto da capital mineira, você encontra um dos maiores e mais importantes conjuntos arquitetônicos e artísticos do Brasil. A viagem passa por Sabará que guarda inúmeras relíquias do período colonial. Mais adiante, em Caeté, a atração é a serra da Piedade – onde há um santuário no alto que proporciona uma suntuosa vista. Para chegar a Barão de Cocais são 30 quilômetros de estrada de terra, mas bem conservada. Uma espécie de Toscana brasileira. De Mariana – que abriga uma das catedrais mais ricas em ouro do Brasil – chega-se ao auge, em Ouro Preto, que dispensa apresentações. Dali para Tiradentes é um pulinho. Ao todo, são 167 quilômetros, num trajeto que deve ser percorrido em três ou quatro dias.

ESTRADA DA GRACIOSA | Paraná

É uma antiga trilha traçada pelos tropeiros para abrir um caminho entre planalto e litoral. Para chegar às cidades históricas do Paraná não é preciso descer, necessariamente, pela BR 277 – pagando R$ 12,70 de pedágio. A melhor opção é curtir esse pequeno e fofo trajeto. A estrada – de 33 quilômetros – passa por um trecho preservadíssimo da Mata Atlântica. É cheia de riachos, cachoeiras, bichinhos, flores e quiosques. Parte dela foi declarada Reserva da Biosfera pela UNESCO. A Estrada da Graciosa pode fazer parte de um bate-volta ou estar incluída numa viagem maior, passando por Morretes (onde você prova o prato típico do Paraná, o Barreado) e Antonina (que além do casario tem o melhor pastel de siri do estado) até chegar ao porto de Paranaguá.

LINHA VERDE | Bahia

Quem vem de Salvador deve pegar a Estrada do Coco (BA-099) até Itacimirim. Aqui começa a Linha Verde. Logo se chega a Arembepe – uma comunidade hippie que pouco mudou seu modo de vida desde que foi fundada na década de 60. A próxima parada, Praia do Forte, é um dos ápices do roteiro. Com uma vila sedutora, abriga o Projeto Tamar, um centro com vários tanques cheios de tartarugas. Ótimo para crianças. Dali até Imbassaí, um afinado vilarejo agreste cheio de coqueiros e hospedagens rústicas, são 10 quilômetros. Ao lado está o Costa do Sauípe, o primeiro resort da região. Já quem prefere o naturismo vai encontrar sua praia em Massarandupió, em Sítio do Conde. A sossegada Mangue Seco é a última parada da Linha Verde, já na divisa com o Sergipe. Foi aqui a filmagem da novela Tieta. Tem pouca estrutura, mas para os aficionados do gênero é a antecâmara do céu. Todo o percurso tem pouco mais de 200 quilômetros, mas a viagem exige pelo menos sete dias.

PARATI – RIO DE JANEIRO | Rio de Janeiro

O trecho fluminense da Rio-Santos é um dos mais harmônicos atrativos para quem se deleita com viagens cênicas. Baías, ilhas e cachoeiras serpenteiam 250 quilômetros da rodovia que forma o caminho. Depois de passar pelo centro histórico de Parati (onde é proibido circular de carro) aparece a baía de Angra dos Reis e suas mais de 300 ilhas. A 1h30 de barco de Angra está Ilha Grande, uma bem-sucedida parada antes de voltar à estrada. A região é montanhosa, com poucos trechos de ultrapassagem. Ao chegar próximo à capital, o trânsito fica mais intenso. Antes, faça uma paradinha em Grumari, uma das praias mais preservadas do Rio de Janeiro. Quatro dias de viagem, no mínimo.

VITÓRIA – ALTO DO CAPARAÓ | Espírito Santo a Minas

Pouco conhecido pela maioria dos brasileiros, este trecho pela serra capixaba revela uma parte do país que mistura paisagem, agroturismo e imigração. Já na BR-262 – em direção a Belo Horizonte – os 25 quilômetros até Domingo Martins são lentos e cheios de curva. A cidade, colonizada por alemães e italianos, está cheia de casinhas de madeira e restaurantes típicos. Mais adiante está o distrito de Pedra Azul, com uma rocha de mesmo nome que muda de cor conforme a posição do sol. O Parque Estadual da Pedra Azul é uma das principais atrações do roteiro. A 15 quilômetros do parque está Venda Nova do Imigrante, italianíssima cidade serrana. Pule para a Rodovia Pedro Cola (ES-166), onde há fazendas de agroturismo, vendendo produtos típicos. Mais 110 quilômetros e já está na estrada mineira que leva até o Alto do Caparaó, para a famosa caminhada ao Pico da Bandeira. Os 250 quilômetros rendem melhor se feitos calmamente em quatro dias.

Foto: Estrada da Graciosa, roteiro cênico no Paraná. (Raul Mattar)

 Texto originalmente publicado na minha coluna “Viagens econômicas e inteligentes”, que sai  toda semana no portal Descubra Brasil.



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