Basílica do Bom Jesus de Matosinhos: a obra-mestra de Aleijadinho está em Congonhas | Minas Gerais

Qualquer visita às Cidades Históricas de Minas Gerais deve incluir, como ponto alto, uma parada no município de Congonhas. Não sou eu que digo. Mas todo e qualquer especialista em arte ou com um mínimo interesse em patrimônios da humanidade. A cidade em si não reserva muitos atrativos. De fato, quem chega aqui vai direto ao cume: o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos – um complexo arquitetônico e artístico que reúne uma igreja, adro com esculturas e seis capelas ao redor.

Considerada uma das grandes obras-primas de Antônio Francisco de Lisboa (o Aleijadinho), a basílica abriga no adro 12 profetas esculpidos em pedra sabão. Mesmo com meu passeio parcialmente comprometido por uma quermesse (ao redor da igreja diversas barraquinhas impediam uma boa foto geral do santuário) é absolutamente arrebatador presenciar todo o conjunto da obra. Cada um dos profetas está numa posição diferente, fazendo gestos distintos. Parece que conversam entre si. Todos trazem características que constituem o traço da escultura de Aleijadinho como olhos espaçados, lábios entreabertos e queixo pontiagudo.

Na parte externa, já fora do adro, estão as seis Capelas dos Passos, pequenos templos com cenas da Paixão de Cristo. As imagens, talhadas em cedro, foram totalmente restauradas de acordo com o projeto inicial de Aleijadinho. A visita guiada é fundamental. Com ela, você consegue descobrir detalhes importantes que tornam a Basílica do Bom Jesus de Matosinhos um marco na história da arte barroca brasileira. Um deles, por exemplo, são as botas trocadas dos soldados nas cenas da Paixão – uma suposta tentativa de ridicularizar os algozes de Jesus.


A Basílica do Bom Jesus de Matosinhos foi declarada Patrimônio Mundial em 1985 por unir um belíssimo conjunto arquitetônico a um acervo artístico único no Brasil. A parte de dentro da igreja não deixa por menos. Tem decoração rococó, relicários atribuídos a Aleijadinho e pintura de teto com a assinatura de Mestre Ataíde – outro artista ilustre das cidades históricas mineiras. Mas é do lado de fora que você deve investir mais tempo.


Cada uma das esculturas dos 12 profetas tem uma historinha para contar. Dizem os guias que a figura de Amós – por exemplo – seria um autorretrato de Aleijadinho. Lamentavelmente, a obra sofre com o desgaste do tempo e com a ação de vândalos. Sempre há um espírito de porco medíocre para deixar uma inscrição do nome em volta de um coraçãozinho em alguma parte dos profetas. Já foi até cogitado levar as peças para um museu e colocar réplicas no adro. Mas a população local, por medo de perder turistas, sempre reage contra. Vá enquanto é tempo!

SERVIÇO
Basílica do Bom Jesus do Matosinhos
Local: Praça da Basílica, s/n.
Tel.(31) 3731.1590
Visitação: terça a domingo, das 6h às 18h.
Agende sua visita guiada oficial pelo telefone (31) 9987.4261 – falar com o Warley, presidente da Associação de Guias. A partir de R$ 50 por pessoa. Grupos pagam menos.
Congonhas combina com:
Fotos: Raul Mattar 




8 comentários
Congonhas é um grande exemplo de falta de visão turística do governo municipal e do empresariado. Você vai, é uma experiência incrível, mas passa, sei lá, duas horas e o que te resta é ir embora pra outra cidade, porque todo o atrativo acabou ali.
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Estive há mais de 15 anos em Congonhas..e todo essa discussão sobre a falta de preservação e cuidado com a obra já existia! Você está certa, Silvinha, em recomendar: vá enquanto é tempo!
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Silvia, se elogio desse dinheiro, você estaria mais que rica, aposto. Aqui vai mais uma moedinha de ouro pra sua caixa-forte de Tio Patinhas: adorei o blog. Entrei pra ver dicas da alemanha e já vi dicas de comida, documentação, de Minas…rsrsrsr
beijos
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Hohohohoho, obrigadão Thaís!!
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Nossa!
Mesmo tendo “só isso” em Congonhas eu voltaria lá quantas vezes fosse preciso para ver “isso”.
É lindo demais!!!
E as fotos do Raul, então… nem se fala!
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A questão da preservação de Congonhas permanece, o que é uma pena… De qualquer forma, o lugar é lindo, vale mesmo a visita!
Bjs
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Lu, queremos voltar a Congonhas! Quando fomos havia uma quermesse, chegamos ao meia-dia, o sol estava de rachar… a Mariana começou a chorar porque tinha fome, aí não achava lugar para comer! hahahaha! Foi uma correria, quero voltar com calma longe de feriados, do fim de semana…
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Oi, meus queridos.
Essas fotos do Raul, fazem Minas ficar mais bonita
Estou preparando para ir, junho, para Polonia, aceito sugestão.
Beijo pros TRÊS.
Fernanda..
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Ishhh, num conheço nada nada de Polônia! Fico devendo!
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Fotos belíssimas.. Mas essa quarta foto, com o fundo esfumado não foi feita com uma automática, né?
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Todas as fotos deste post foram feitas com a máquina profissional do meu marido, o Raul!
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Também peguei um dia de (fúria) Quermesse, como você falou, em Congonhas do Campo, mas era funcão da Romaria que acontece todo mês de Setembro na cidade. Estava levando meu marido para conhecer a Basílica e os Passos e até hoje ele me zomba por conta desse dia… um fiasco! Trânsito interrompido, não tinha lugar para estacionar, a rua lotada de barracas (algumas inclusive anunciando banho de 5 min por 1 Real). Um show de horrores. E a cidade, tirando a Basílica, até que tem outras atrações interessantes, como a Romaria (hospedagem onde os peregrinos ficavam acomodados) e umas outras igrejas do outro lado da cidade. É incrível mesmo como não estão preparados para o turismo, mesmo num evento que acontece anualmente desde 1770!!
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Pois é, eu fui bem em setembro na época desta festa!
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