terça-feira, 18 de outubro de 2011

Buenos Aires bairro a bairro: La Boca

É inevitável. Você compra seu pacotinho para Buenos Aires e o primeiro city tour despeja você no bairro La Boca, onde está o ponto turístico mais famoso e fotografado da cidade: o Caminito. O que não significa que seja o melhor nem o mais bonito lugar da capital argentina – mas, com certeza, é o mais tradicional. O próximo passo é voltar falando mal da região, o que inclui os restaurantinhos safados e os tangueiros mequetrefes que cobram para que você tire aquela foto-jacu no colo deles. É assim mesmo. Um dia eu tirei. Um dia você vai tirar.

Certo, o La Boca não é um bairro arborizado e sofisticado como a Recoleta, muito menos passou por qualquer revitalização à la Puerto Madero. Mas eu gosto desse pedacinho de Buenos Aires. Não entendo porque apedrejar tanto um lugar superfotogênico que aglomera diversos ateliês e exposições ao ar livre, além de oferecer showzinhos de tango (ordinários, eu sei) de graça! Sem contar aquelas figuras sinistras que imitam Carlos Gardel ou fingem ser Maradona. Divertido, no mínimo.

De fato, o La Boca era o bairro que tinha tudo para dar errado: está na boca do porto, foi centro de prostituição e as casas eram (algumas ainda são) casebres improvisados com chapas de aço e zinco para abrigar os imigrantes e a pobreza. Até hoje é um bairro marginalizado e, por conta disso, mais perigoso. Mas não deixou de ser menos turístico. Assim como você enfrenta uma certa muvuca nos clássicos de qualquer país e paga de turista-bocó, aqui não será diferente. Simplesmente faz parte do jogo. Quer queira quer não, somos um deles – tentando levar aquela fotinho manjada para casa!

Até que apareceu Benito Quinquela Martín, um dos mais populares pintores argentinos. O artista, que viveu até os seis anos em um orfanato e morreu na década de 70, adotou o bairro La Boca quando adulto. Sem imaginar que ali criaria o principal – pelo menos o mais visitado – cartão-postal da cidade, Quinquela Martín e alguns amigos saíram pintando uma pequena rua de várias cores, transformando em arco-íris o cinza dos antigos cortiços.


Minha mãe no momento-rodízio: “agora é sua vez de carregar a Mariana no colo.”

Na parte que eles chamam de Calle Museo Caminito há representativas obras e esculturas (permanentes e ao ar livre) de artistas portenhos, entre elas o “Herrero Boquense” e “Las tejedoras” – que retratam algumas das principais profissões do início do século 20. E ao lado das casinhas coloridas, está a Fundação Proa, um dos principais centros de arte contemporânea de Buenos Aires. Só não se arrisque: evite se afastar da região turística e cuide bem da sua máquina fotográfica.


Fundación Proa: centro cultural renova o ponto mais turístico da cidade.

O QUE FAZER

Caminito | Uma rua pitoresca com enorme valor histórico, embora a turistagem excessiva por ali tenha apagado esse lado importante do bairro. Circule também pela Calle Magallanes, uma quadra megaturística cheinha de lojas de recuerdos portenhos.

La Bombonera | É o estádio do Boca Júniors. Aproveite para visitar o Museo de la Pasión Boquense – com mais de 100 anos de história sobre o clube que revelou Maradona.

Fundación Proa | Além das exposições, aprecie o Café Proa – com ótima vista para o Rio Riachuelo.

Museo Quinquela Martín | Abriga a casa-ateliê do artista que ajudou a renovar o bairro La Boca, além de obras de importantes pintores argentinos. Oferece visitas guiadas nos fins de semana.

ONDE COMER

El Obrero | Considerado a parrilla cult da região, já recebeu astros da música e até o rei da Espanha. Mas não se engane, é um bodegón típico – que oscila entre a decoração brega e o atendimento amigo.

ONDE COMPRAR

Não saberia indicar uma única lojinha. Uma das atividades inerentes deste passeio é entrar e sair dos pequenos estabelecimentos que quase sempre vendem a mesma coisa: camisetas, quadros, imãs, peças com fileteado e objetos com as fotos do Maradona, da Evita, do Carlos Gardel e da Mafalda.

MOMENTO-EXTRAVAGÂNCIA

Patagônia Sur | Instalado num antigo casarão boquense, este restaurante estrelado está a uma quadra do Caminito. Para provar as receitas descoladas do famoso chef Francis Mallmann paga-se 510 pesos (R$ 206,00) pelo menu degustação (couvert, entrada, prato e sobremesa) – um dos mais caros e, dizem, saborosos da cidade. Preço por pessoa.

COMO CHEGAR

Ônibus: 25, 29, 33, 64, 152. Não é servido por metrô. Táxi do centro até aqui: 21 pesos ou R$ 8,50. (Valores aproximados).

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Fotos: Raul Mattar e Sílvia Oliveira 

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