quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Buenos Aires: qual o melhor bairro para se hospedar

Onde ficar em Buenos Aires

Pela minha experiência com o guia O Barato de Buenos Aires, a capital portenha continua sendo o primeiro destino internacional da maioria dos brasileiros. E assim como Londres, Paris, Lisboa, Madri e Nova York, a cidade tem bairros bem definidos com características próprias.

Onde ficar em Buenos Aires vai depender de muitas variáveis como estilo e objetivo da viagem. Preparei um apanhado bem completo bairro a bairro com vantagens e desvantagens de cada um. Fique à vontade para escolher aquele que combina mais com você ou aquele que você considerar o melhor bairro para se hospedar aqui!

SAN TELMO

Espremido entre o operário La Boca e o central Monserrat, San Telmo é um bairro bem-apanhado, do tipo boa-praça. Dos antiquários às principais casas de tango, forma uma das mais antigas áreas de Buenos Aires.

São inúmeros casarões dos séculos 18 e 19 que se transformaram ao longo dos anos em charmosos albergues, pequenos hotéis, restaurantinhos e um sem-fim de lojas de antiguidades.

São mais de 500 antiquários — pequenos museus com entrada franca — vendendo toda a sorte de móveis e objetos de decoração. Mesmo quem não gosta de antiguidades ou do movimento tangueiro, San Telmo é uma opção charmosa para um passeio descompromissado ou uma hospedagem bem-sucedida.

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Onde ficar em Buenos Aires San Telmo

Principais atrativos | Feira de San Telmo, Calle Defensa, Igreja Ortodoxa Russa, Casa Mínima, Distrito de Balcarce e El Zanjón de Granados

Vantagens | É bairro histórico, tem casarões coloniais e ruas de pedra. Por aqui viveu Quino, o célebre cartunista argentino, criador da sapeca e boca-dura Mafalda. Na esquina da Calle Defensa com a Chile é possível levar uma foto ao lado da escultura da famosa personagem. Está próximo de Puerto Madero, região de restaurantes e embarque para Colonia del Sacramento e Montevidéu, no Uruguai.

Desvantagens | Não dá para andar muito tranquilo à noite.  Algumas ruas ficam desertas depois de determinada hora. Mas essa sensação de insegurança eu teria em qualquer setor histórico de uma grande cidade. Aliás, já fiquei hospedada em San Telmo, num hostel baratérrimo e fuleiro que nem existe mais. Se pudesse voltaria com certeza, mas desta vez, seguindo a dica da minha amiga Julia Costa, eu me hospedaria aqui. 😀

+ Veja aqui meu post completo sobre o que fazer, onde comer, onde comprar e como chegar a San Telmo.

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CENTRO E MONSERRAT

Se é sua primeira vez na cidade e você não se importa com certa muvuca, talvez esta seja a região ideal para você. Com fácil acesso aos principais pontos turísticos, o centro está coalhado de lugares para comer e comprar.

A área central, na verdade, é formada por microbairros (Monserrat, San Nicolás e Congresso) que se aglutinam formando a parte mais ruidosa de Buenos Aires. O coração político da cidade está em Montserrat. Aqui fica a emblemática Plaza de Mayo, onde mães (hoje avós) há mais de 30 anos saem em protesto contra o governo, exigindo a volta do seus filhos desaparecidos nos porões da ditadura militar. Em frente à plaza está a Casa Rosada.

Entrando no miolinho do centro propriamente dito você cai na sovaqueira da Calle Florida, uma espécie de calçadão com trânsito exclusivo para pedestre. São 10 quarteirões de comércio popular e ambulante. Um refresco logo aparece com as Galerias Pacífico, uma mistura da galeria Lafayette de Paris com a Vittorio Emmanuele de Milão.

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Onde ficar em Buenos Aires Monserrat

Principais atrativos | Plaza de Mayo, Casa Rosada, Manzana de las Luces, Catedral, Congresso, Teatro Colón, Obelisco, Café Tortoni e Calle Florida.

Vantagens | É uma região bem indicada para quem tem pouco tempo na cidade, vai passar o dia inteiro fora e só voltar para dormir. Dá acesso a tudo de forma rápida e sem muita complicação.

Desvantagens | Não é bairro para hospedagem-contemplação. Para isso dirija-se à Recoleta.

+ Veja aqui meu post completo sobre o que fazer, onde comer, onde comprar e como chegar ao Centro/Monserrat.

PUERTO MADERO

A intervenção do gigante designer francês Phillippe Starck por aqui (ele reprojetou boa parte do bairro) deu resultado: Puerto Madero já tem um dos metros quadrados mais caros da Argentina. Toda a região foi restaurada. Docas se transformaram em bares, restaurantes, cinemas, escritórios e até residências. Há inúmeros restaurantes de parrillas libres (mais ou menos um churrasco rodízio).

Ganhou um marco arquitetônico, a Puente de la Mujer — obra do arquiteto espanhol Santiago Calatrava, o mesmo que projetou a Cidade das Artes e das Ciências de Valência e o Complexo Olímpico de Atenas.

Quase sempre é associado pelos nativos a restaurantes turísticos e baladas para estrangeiros. Mas quer queiram quer não, Puerto Madero hoje é área nobre, moderna e centro financeiro da capital do país. A beira do canal tem uma espécie de calçadão que permite caminhadas ao ar livre.

Para os endinheirados, Puerto Madero abriga três hotéis cinco estrelas como o Hilton, o Faena Hotel e o Hotel Madero (antigo Sofitel), sem contar enormes áreas verdes totalmente dedicadas ao lazer.

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Onde ficar em Buenos Aires Puerto Madero

Principais atrativos | Museu Fortabat, Reserva Ecológica Costanera Sur, Puente de la Mujer

Vantagens | A parte mais turística fica numa região intermediária, entre San Telmo e o Centro. Embora não acolha os restaurantes mais badalados da capital, ainda assim tem boa oferta gastronômica para um turista não muito exigente. Aqui fica o porto de onde zarpam os barcos para Colonia del Sacramento (Uruguai), o bate e volta mais tradicional para quem visita Buenos Aires.

Desvantagens | Tirando os hotelaços de ponta, Puerto Madero tem pouca oferta no quesito hospedagem. Como está rodeado por longas avenidas não é muito fácil fazer as coisas a pé por ali. (De qualquer maneira, querendo muuuito ficar aqui é só apostar no táxi e investir em hospedagens mais caras.)

+ Veja aqui meu post completo sobre o que fazer, onde comer, onde comprar e como chegar ao Puerto Madero.

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RECOLETA

A Recoleta traduz na íntegra os clichês que aproximam a capital portenha da Europa. Com construções no estilo belle époque, avenidas arborizadas e um conglomerado de lojas de grifes internacionais, acabou se transformando num dos bairros mais agradáveis para caminhar sem nenhuma obrigação turística.

A região mais aristocrática da cidade está numa área estratégica. Recoleta é um bairro central, mas está longe da histeria do Obelisco da Av. 9 de Julio.  Fica a 30 minutos de caminhada (ou a 10 de táxi) da Casa Rosada. Já fiquei duas vezes aqui. Na primeira aluguei um apartamento (contei aqui) e depois no Loi Suites, quando vim para dar uma palestra na cidade.

Apesar de ser um bairro sofisticado, está longe de ser arrogante. A Recoleta oferece opções de restaurantes que vão dos estrelados aos bodegões que servem simplórias empanadas. Até a pracinha mais famosa do bairro se transforma em um encontro patropi-sei-lá-entende  com a feira de artesanato nos fins de semana.

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Onde ficar em Buenos Aires Recoleta

Principais atrativos | Cemitério da Recoleta, Centro Cultural Recoleta, Museu Participativo de Ciencias (Prohibido no Tocar), Museu Nacional de Belas Artes, El Ateneo Grand Esplendid, Avenida Alvear.

Vantagens | É minha região preferida. Não que isso seja uma vantagem para você. Rá! Mas é justamente meu bairro favorito em Buenos Aires por ser central, mas sem decadência. É agradável e com fácil acesso de táxi e metrô a outros bairros mais descoladinhos como Palermo SoHo. Inclusive, fica bem próximo ao Aeroparque (um dos aeroportos que recebem voos do Brasil).

Desvantagens | Para mim, nenhuma! Até poucos meses atrás quem ficava hospedado na região mais legal da Recoleta (perto do chiquérrimo Hotel Alvear e do Cemitério da Recoleta ou ali entre as Calles Posadas e Callao) tinha que andar quase um quilômetro até a estação de metrô mais próxima (isso, sim, era uma baita desvantagem!). Mas agora o metrô finalmente chegou à Recoleta! Ipi-ipi hurra! A novíssima Estação Las Heras (linha H, amarela — inaugurada em dezembro de 2015) fica na esquina da Avenida Las Heras e Avenida Pueyrredon,  perto do Cemitério da Recoleta, o centro nevrálgico do bairro.

+ Veja aqui meu post completo sobre o que fazer, onde comer, onde comprar e como chegar à Recoleta.

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PALERMO CHICO, PALERMO SOHO E PALERMO HOLLYWOOD

Palermo é o maior bairro de Buenos Aires. Com o passar dos anos foi dividido em sub-áreas. Palermo Chico é a região que forma o Parque Tres de Febrero, chamado também de Bosques de Palermo. É uma enorme área verde com pracinhas e atrações pra toda a família.

Outro pedaço do bairro ganhou novos apelidos e foi “tecnicamente” dividido em dois: o que vem antes e o que fica depois da linha de trem. Agora, o must da cidade está em algum destes Palermos, denominados Soho e Hollywood.

Na minha primeira vez em Buenos Aires fiquei em Palermo Hollywood, que recebeu este nome porque abriga alguns canais de televisão e muitas produtoras de comerciais e filmes. Nossa opção foi o Solar Soler, um dos Bed & Breakfast mais charmosos da região, instalado num casarão do século 19 totalmente reformado. A hospedagem em si foi ótima. O detalhe é que Palermo Hollywood, na minha concepção, fica no fim do mundo. E eu só me dei conta disso quando cheguei lá.

Já no SoHo portenho é onde Palermo “acontece”. Nesta porção do bairro estão as lojas moderninhas, os estilistas de vanguarda, os designers da hora, pubs temáticos, cafés literários, os descolados dos descolados e alguns dos melhores restaurantes da cidade. Numa viagem de fim de semana ficamos no SoHo Point, um apartamento clean e espaçoso (contei aqui).

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Onde ficar em Buenos Aires Palermo SoHo

Principais atrativos | Plaza Julio Cortazar, MALBA, Museu Evita, Jardim Zoológico, Jardim Japonês, Hipódromo, Jardim Botânico, Barbie Store (quem for mãe de menina – presente! – sabe que é ponto imperdível!). Já o afamado escritor argentino Jorge Luís Borges viveu alguns anos por aqui, na Calle Serrano, 2135.

Vantagens | De todos os bairros deste post, Palermo é o que está mais próximo do Aeroporto Jorge Newbery (Aeroparque). Uma corrida de táxi do aeroporto até aqui fica em torno de 60 pesos (R$ 16) ou míseros US$ 4. (Valores de fevereiro de 2016). Eu gosto do clima festivo e modernex de Palermo Soho. Circulando por ali me sinto num filme da década de 70 – tudo meio hippie, coloridinho e despojado (até demais para meu gosto).

Desvantagens | Por experiência própria não indico Palermo Hollywood, principalmente se for sua primeira vez na cidade. Estava longe de tudo o que eu queria ver na minha estreia portenha e a palavra “táxi” – mesmo já sendo barato naquela época – estava banida do meu caderninho mão-de-vaca-muquirana. Sem contar que, apesar de ter bons lugares para comer, achei o local meio morto tanto de dia quanto à noite. Já em Palermo SoHo, dependendo de onde você se hospedar o metrô fica longe.

+ Veja aqui meu post completo sobre o que fazer, onde comer, onde comprar e como chegar a Palermo.

ABASTO E BALVANERA

Nunca ouviu falar? Eu já dei a dica do Abasto para você há quase cinco anos. O curioso é que ele não é considerado um bairro “oficial” de Buenos Aires. Mas por causa do forte vínculo com o tango e a história de Carlos Gardel (que viveu aqui) acabou criando uma identidade própria.

O que a gente chama hoje de Abasto, na verdade, é uma área que fica dentro do bairro Balvanera, formando um grande quadrilátero com boas opções de hospedagem, comida e passeios tradicionais.  Carlos Gardel era figurinha fácil no Mercado Abasto, hoje transformado no maior shopping da cidade.

Por não ter tantos atrativos como o Centro, Palermo e Recoleta sempre foi meio deixado de lado pelos turistas. Mas a localização privilegiada (faz fronteira com Monserrat, Recoleta e está próximo de muitas estações de metrô) acabou gerando uma boa oferta de albergues e hotéis. E melhor: é uma das regiões de boa localização mais baratas para ficar em Buenos Aires.

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Onde ficar em Buenos Aires Abasto

Principais atrativos | Museo de los Niños, Pasaje Zelaya, Paseo del Tango, Museu Carlos Gardel e Mercado Abasto. Na altura da Calle Zelaya, algumas casas têm as fachadas pintadas com letras de música, caricaturas ou fileteado, técnica artística portenha. O Palacio de Aguas Corrientes (já fora da zona tangueira) tem lindíssima arquitetura e está a 3 quadras da livraria El Ateneo Grand Splendid.

Vantagens | O contorno que leva o nome Abasto tem uma vibe muito tangueira. Eu, particularmente, gosto. Se você se embrenhar mais por Balvanera vai encontrar  um bairro pulsante com muitas lojinhas e cafés cheios de argentinos da gema. Não tem os atrativos do Centro, mas o metrô (existem muitas estações espalhadas por aqui) deixa você lá rapidinho em questão de minutos.

Desvantagens | Eu tô aqui me perguntando por que eu nunca me hospedei em Abasto/Balvanera? Está perto do centro, mas não tem a balbúrdia típica da região. Embora não possua um ar aristocrático, é bem mais barato do que a Recoleta. #MatracaPensativa

+ Veja aqui meu post completo sobre o que fazer, onde comer, onde comprar e como chegar ao Abasto.

+ Viagens e excursões de um dia saindo de Buenos Aires

VILLA CRESPO

É a região dos outlets. Mas não se iluda. Buenos Aires já não é mais a pechincha de bons anos atrás. Há inflação no país e — mesmo com o peso ainda muito desvalorizado — os produtos e serviços subiram de forma surpreendente por lá. E isso vai de bons restaurantes a roupas bacanas. Mas nada que valha uma viagem única e exclusiva à capital argentina somente para encher as sacolas. Para isso, prefira Miami!

Por outro lado, se você quer aproveitar sua estada aqui para vasculhar os outlets da cidade e sair do bolsão turístico, seu destino é Villa Crespo,  bairro vizinho a Palermo. A região está pinhocada de lojinhas de grifes nacionais e internacionais.

A maioria das lojas fica na Avenida Córdoba e na Calles Aguirre e Gurruchaga. Muitas delas, principalmente as de marcas grã-finas, têm lojas nos principais shoppings da cidade, onde oferecem a coleção nova. Já nos outlets, geralmente, estão peças de coleções passadas ou com pequenos defeitos.

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Onde ficar em Buenos Aires Villa Crespo

Principais atrativos | As lojas. Veja aqui alguns endereços dos principais outlets do bairro.

Vantagens | Preço. Por estar longe da maioria dos atrativos turísticos costuma ter boa hospedagem a preços convidativos.

Desvantagens | Não há atrativos turísticos na região e o bairro não está colado no centro. (O que para você pode ser uma vantagem até!) Ficar aqui sem ter um único objetivo em compras talvez seja interessante só se for sua terceira ou quarta vez na cidade, tipo, “não quero turistagem”. Para os restaurantes legais da região (e são vários) vale a pena pegar um táxi, mas não necessariamente dormir aqui para conhecê-los!

+ Veja aqui meu post completo sobre o que fazer, onde comer, onde comprar e como chegar à Villa Crespo.

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Fotos: Raul Mattar | Todos os direito reservados.

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