Cataratas do Iguaçu

Confesso, pequei. Pecado mortal na ordem celestial dos mochileiros levados à breca, dos estrangeiros descolados e dos brasileiros que sabem dar valor ao próprio país. O delito: conheci as Cataratas do Niágara em 2004 – quando visitei Toronto – mas sequer ventilava a possibilidade de passear por Foz do Iguaçu, que fica a 650 quilômetros da minha casa. But, ladies and gentlemen… neste fim de semana consegui minha redenção! Só não desci de joelhos a trilha que leva às quedas d’água porque somente o fato de decidir ir já me livrou da penitência.

Não é novidade para ninguém: mato, água e bicho não combinam comigo. Não faço trekking, não sou adepta a esportes náuticos e animais, apenas no zoológico… por favor. Mas longe da pequenez das minhas considerações pessoais estou, com uma certa dedicação, tornando-me uma pessoa melhor e aberta a novos desafios. A proposta de conhecer Foz num roteiro apertado – mas intenso – me motivou a passar um mês pesquisando o lugar. Não que aqui será possível encontrar alguma informação inusitada ou espetacular. Tudo o que já tinha para ser dito e escrito sobre as Cataratas do Iguaçu – Patrimônio Natural da Humanidade – você encontra num clique de mouse em qualquer googlada rápida.

Além disso, o site do Parque Nacional do Iguaçu é completíssimo: informa e tira dúvidas. Cabe a mim, então, tentar passar o que significa chegar tão perto do que eu jamais consegui imaginar que poderia ser… sem antes estar lá. Foi tudo muito mais, muito melhor e muito maior do que o esperado. A chegada ao centro de visitantes já impressiona. A estrutura é dos grandes parques europeus e parece que existem mais estrangeiros do que brasileiros por ali. Aliás, nunca vi tanta gente importada em uma cidade patropi. Nem no Rio, nem em Salvador, nem em Manaus. Eu mesma conversei (ou troquei informações) durante as duas horas de caminhada com uma israelense, depois com um francês, em seguida com um casal de alemães e, de quebra, gastei meu castelhano com um grupo de espanhóis.

A porta de entrada do centro é bonita, limpa e bem sinalizada. Tem loja de souvenir e balcão de informações. Compramos as entradas – que têm preços diferenciados para brasileiros e gringos – e embarcamos em um dos ônibus coloridos (e decorados com a fauna do lugar) que levam os turistas à trilha mais próxima das Cataratas. São 11 quilômetros e o trajeto dura 15 minutos. Quando você desce do ônibus descobre que tem mais 1200 metros e 500 degraus para chegar lá. Já comecei a chamar Jesus de Genésio e urubu de meu louro. Qualquer escada com mais de 10 lances me paralisa. Fiquei cansada só de pensar.


Por outro lado, eu tinha que me redimir. Estava ali para isso. Para provar para mim mesma que posso, que sou capaz de ter um contato feliz com a natureza. Trilha vai, trilha vem e aparecem umas quedinhas de água lááá longe, ralinhas, ralinhas. Estamos na época da seca e víamos mais rocha do que cascata. Êita, decepção! Não é possível, serão as Cataratas esse visu mais chocho do mundo? Mas graças ao meu anjo da guarda, mochileiro da gema, alguns metros mais e aparece a Garganta do Diabo, a maior de todas as quedas e a top dos cartões postais.



Em cinco minutos, de desenxabida passei a tiritar. De bitolada passei a considerar a minha inteligência. E a super queda d’água, de bagaceira, se transformou no velho chavão, mas muito apropriado: um espetáculo da natureza! O bochicho começa, porém, quando alguém – nós, por exemplo – resolve conhecer também as Cataratas no lado argentino. E sai falando que lá é melhor.


Não é bem assim. Sendo diplomata e muito puxa-saco do Brasil eu diria que um lado não vive sem o outro. A visão do lado brasileiro é ampla e panorâmica. Não há dúvida, aqui é melhor para fazer fotos gerais e apreciar todos os saltos. Mas foi no lado argentino que eu quase desmaiei. Não é força de expressão, estou falando de desmaio mesmo, falta de ar, medo, emoção, taquicardia. Depois de pegar um trenzinho dentro do Parque Nacional Iguazu desembarcamos na passarela de 1100 metros de distância que nos leva à cabeceira de la Garganta del Diablo.


É muito barulho, muita água (e ainda se fala em estiagem!), uma força estranha, excêntrica, inexplicável. Nenhuma foto consegue retratar o tamanho desse passeio. Talvez tenha sido por isso que me surpreendi tanto. Por mais que você leia, veja imagens… não é possível imaginar a delícia que é estar ali. A roupa encharca, os óculos embaçam. Mas nada que impeça de ver o arco íris que vai e vem. De olhar lá para baixo e ver o fim do mundo. Ou um mundo sem fim. Literalmente, debaixo dos seus pés.

Fotos: Raul Mattar
SERVIÇO:
Parque Nacional do Iguaçu
Horário: aberto diariamente, das 9h às 17h (ou até às 18h no horário de verão)
Ingresso: R$ 13,65 para brasileiros. Estrangeiro paga um pouco mais e quem vive nas redondezas paga um pouco menos. Veja tabela completa de preço aqui.
Parque Nacional Iguazu
Horário: no verão, das 9h às 19h (01 de outubro a 28 de fevereiro) e no inverno das 9h às 18h (01 de março a 30 de setembro)
IMPORTANTE: pra entrar na argentina é necessário fazer imigração apresentando passaporte válido ou carteira de identidade com até 10 anos. E na hora de comprar a entrada só aceitam pesos.









41 comentários
Silvinha, que fantástico. Quanto tempo dura a trilha para chegar até as cataratas? Eu pensei que era só entrar no parque e já se via as quedas. Pelo que entendi você disse que o lado argentino é mais legal? rsrsrsrs. Bejim
(Responder)
Que coisa mais liiiiinda! Talvez nada se compare com estar lá e ver tudo isso d eperto, mas eu consegui viajar com você!
(Responder)
Eu estou de acordo contigo, tem que ir nos dois lados, até porque muitos serviços só se oferecem do lado brasileiro, como o Macuco Safari, e do lado argentino, você fica praticamente cara a cara com a Garganta do Diabo!
Beijos
(Responder)
Marcia: depende do seu ritmo, em uma hora fizemos a trilha toda, mas com as paradas nos mirantes pode chegar a duas horas e meia!
(Responder)
Priscila: é mesmo difícil descrever o que se sente estando ali do lado daquele aguaceiro! Só indo mesmo para saber o que é… mas que bom que você pOde embarcar com a gente!
(Responder)
Pati: um lado não vive sem o outro! O passeio deve incluir os dois, com certeza! Bjs!
(Responder)
Você sempre inventando moda! Agora a Sirlene que é ir para lá! E ficar no Mabu Resort ainda por cima!
(Responder)
Adoro seu blog! Ele tem informação, diversão e muito, muito entreteRimento! Hehehe!! Besos!!
(Responder)
Não tenho a menor dúvida que o lado argentino é melhor!!! É realmente emocionante!!!!
PS: se sobrar tempo, passem aqui em Cascavel…eu levo vocês para uma tour de fotos: têm as torres gêmeas, a mão que segura a santa, o dedão huahuahuahuahua
Olha só, no fim de semana depois da páscoa, se der certo, irei para Curitiba e quero conhecer a Mariana…
A gente se fala! Beijos!!!!
(Responder)
Silvia!!
Pura verdade! Acho que a gente só tem noção da "dimensão e força" da natureza, quando dá de cara com aquela água toda caindo. Nós, quando fomos recusamos a proteção daqueles jalequinhos de plástico. E fomos então "batizados" pela Maravilha do Mundo. Parabéns mais uma vez, pelos posts. Estão fenomenais…
bjs
Nair
PS. Feliz páscoa! e muitos ovinhos pra Mariana…hehe!
(Responder)
Murilo: HAHAHAHAHA! Sobrô! Agora guenta!
(Responder)
Zero! Pô, escrevi para você umas duas vezes, mas você me iNgnorou! Que bom que apareceu aqui! Puxa, essa do entreteRimento é minha cruz… vou levar pra sempre! hahahaha! Bjs!
(Responder)
ANÔNIMO "que não tem a menor dúvida que o lado argentino é melhor", por um acaso você é a ALESSANDRA (já que você menciona Cascavel)? É que não assinou o comentário… Pois então, o lado argentino é muito impactante, pulsa na veia… mas as melhores fotos estão do lado de cá. hohohoho. SE VIER A CURITIBA, POR FAVOR, ENTRE EM CONTATO! Bjs!
(Responder)
Nair, não tinha ninguém distribuindo jalequinho de plástico, em nenhum dos lados. Não sei se as coisas mudaram (faz tempo que você foi???) ou se não tinha muito vazão e por isso não molhava tanto! Feliz Páscoa procêis também! Bjs!
(Responder)
Meu marido ficou babando aqui!
(Responder)
Sílvia, eu só conheci o lado argentino, mas você já definiu bem: só estando lá pra sentir a magnitude do lugar! Também saí impressioanada!
Beijos!
(Responder)
Mulher, somos muito parecidas, também detesto acampamento, banheiro coletivo, sou muquirana, somos iguais. Exceto…
Não me enrolo com os temperos!
Adorei seu blog e vou lê-lo com detalhes durante a semana.
Bijos.
(Responder)
SÍLVIA, que matéria bacana, fresquinha, recém saída do forno! Puxa, você estava viajando sexta-feira e já publicou TUDO ISSO! Que dias pegou! Que céu, que fotos. Sabe, sempre que posso faço um vôo de helicóptero turístico. Já fiz no Havaí (Oahu) e na África do Sul (Cape Town), também no Rio de Janeiro. Esse vôo está dez! parabéns;
(Responder)
Valeu pela visitinha.
(Responder)
que lindos os bichinhos, que espécie são? Não conheço as Cataratas ainda, mas já mostrei para minha namorada seu blog e ela ficou entusiamsda. Quem me indicou aqui foi a Lilian, sua aluna, para ver as dicas de Buenos Aires! Muito legal!
(Responder)
Malu, tem que trazer o maridão para cá logo… lembrando que ele vai pagar mais caro por todos os ingressos. hehehe!
(Responder)
Camila, volte para conhecer o lado brasileiro. Não é tão pulsante, mas completa a visão do outro!
(Responder)
Nilda! Você é minha ídola… afinal compartilhamos a mesma filosofia… mas você ainda por cima sabe diferenciar o alecrim do orégano!
(Responder)
Arnaldo! Ossos do ofício… quando viajei já tinha muita informação pronta, depois é só descrever o ponto de vista! Mas de fato, dá certo trabalho, ser blogueira em tempo real NÃO é fácil!
(Responder)
Luis, acho que você se refere aos quatis… são a marca registrada do parque! Apareça mais vezes!
(Responder)
Lindíssimo mesmo! Estive em Curitiba ano passado e pensei em ir. Mas o tempo era curto e resolvi esticar até Floripa pra não "perder" muito tempo em viagem. Mas um dia ainda volto pra conhecer. E os dois lados!
(Responder)
Olá! Se não for incomodar preciso de indicações de hotéis. É melhor ficar no centro ou perto das cataratas? Obrigado
(Responder)
Menina , estivemos no mesmo lugar e nos mesmos dias !!
( esqueci meu pin desta vez )
(Responder)
Rê: volte mesmo! Vale a pena!
Luis: estou preparando um post sobre hospedagem… aguarde novidades!
Sylvia: uia, que coincidência! Bom, talvez você tenha me visto: uma baixinha, de óculos embaçado, tendo vertigem nas cataratas. hahahaha!
(Responder)
Foz é um dos lugares que mais me surpreendeu no Brasil! O fator "Uau" lá é imenso!
Acho que é pq ninguém fala muito de Foz aqui no Brasil e nem é tão caro assim! Alias, dependendo da onde vc está pode ser uma viagem bem barata, com um ótimo custo benefício!
A infra estrutura do parque é maravilhosa! Não é por menos que foz é um dos destinos mais visitados por estrangeiros aqui no Brasil!
O passeio de barco é indescritível! Alias amei a foto que mostra o barco bem embaixo da cascata! E o pior que é assim mesmo! Não recomendado p quem tem pavor de água!
Um dia, se der, volto p lá!Tenho ainda uma longa lista de lugares p ir!eheh! Ai, ai!
Boa páscoa!
bjus
(Responder)
Incrível lugar!!!
O texto e as fotos invitan a ir a esse lugar tão maravilhoso! Eu quero visitar as Cataratas do Iguaçú.
Parabéns a Raul pelas fotos.
Carmen
(Responder)
Guta: como eu sou mão-de-vaca muquirana assumida, achei muita coisa cara, na verdade, os preços são europeus! Ou seja, o circuito especial da Itaipu custa R$ 30,00 mangos! Mas isso seriam mais ou menos uns 10 euros… menos que a Torre Eiffel ou os Museus do Vaticano. Mas sendo criativo… dá para fazer uma excelente viagem sem gastar os tubos! Bjs!
(Responder)
Carmen! Quando você vier, avise-nos! Podemos ser seu guia!
(Responder)
Gostei da foto do óculos!
(Responder)
Silvia, eu sou suspeitíssima (nascida e criada na fronteira), mas mesmo assim tenho que dizer que o passeio das Cataratas é realmente "um espetáculo da natureza" (he he he). Estive 12 dias por lá esse mês de férias e fui duas vezes nas Cataratas.
Concordo plenamente que os dois lados se completam e além disso, tem o passeio noturno da lua cheia (que infelizmente não estava tendo agora), que é indescritível, tem arco-íris com a luz da lua. Fe-no-me-nal!!!
(Responder)
Oi, Silvia !!!
Estive esta semana em Foz e utilizei várias dicas suas!!
Acho imperdível a ida ao cassino de Puerto Iguazú !!!Pode-se participar de um mini torneio de poquer ,para os jogadores amadores !!
Mas a programação deve incluir um jantar a francesa no restaurante do cassino !!!Você será recebido com um maravilhoso espumante , o atendimento é primoroso , e a comida é divina !!!Jamais um jantar desta categoria em nosso país seria possível pelo mesmo valor , e você escolhe se quiser pagar em dolares, reais ou em pesos argentinos !!!
(Responder)
Msilvianeuro: quando voltar a Foz vou fazer esse passeio, adorei a dica. Quando estive lá, deixamos para ir ao Casino depois da visita às Cataratas do lado argentino… mas voltamos ao hotel por causa do cansaço… e só acordamos no outro dia, na hora de voltar para casa! hahahaha! Valeu pelas informações!
(Responder)
Sil, tudo bem?
Seu blog está nos meus favoritos faz bastante tempo, mas acho que nunca deixei um comentário por aqui…
Estou com uma super dúvida:
Quand vc foi pra Foz vc ouviu falar do passeio até as Missões Jesuitas?
Eu vi uma indicação no site de Itaipu. Eles dizem que é um passeio de um dia inteiro e vc conhece alguns pontos entre Paraguai, Argentina e Brasil. Mas é preciso contratar uma agência. Pesquisando agências que fazem esse passeio, só encontrei passeios que duram no mínimo 3 dias
Pedi para minha agente cotar e ela disse que só conseguiu esse passeio de um dia por 570 reais por pessoa. Puutz muito salgado.
Será que é melhor pedir alguma indicação no hotel ou tentar achar alguma agencia quando chegar lá?
Costumo viajar com tudo programado e reservado. Tomara que de tudo certo e faça sol.
Obrigada pela atenção.
Beijos
Natalie
(Responder)
Oi Natalie! Sei, sim, desse passeio. É super longe, são quase 280 quilômetros da fronteira para chegar até os primeiros sinais das ruinas, em Encarnación (Paraguay). Então é super cansantivo fazer em um dia… por isso algumas agências oferecem três dias (mas a maioria promete em um dia, são quase 15 horas de passeio-estrada-paradas). De Foz do Iguaçu, é possível conhecer as missões paraguaias, cruzar a fronteira entre Encarnación e Posadas (já na Argentina) e visitar as 14 missões no território argentino. Vale uma viagem SÓ para essa região, mas não um bate-volta desde Foz. na minha opinião, claro.
(Responder)
Sil,
Muito obriga pela resposta tão atenciosa!
Pensando bem é meio cansativo optar por esse passeio longo em apenas um dia. Acho que são lugares que merecem um pouco mais de tempo e dedicação. Conversei com a minha mãe e ela falou que tudo bem… é melhor fazer o passeio mais completo em Itaipu
(Responder)
Cheguei de Foz na semana passada! Em primeiríssimo lugar, quero agradecer por todas as dicas! Foram imprescindíveis para o sucesso da viagem!
Troquei o Macuco Safari (Brasil R$ 140,00) pelo Aventura Nautica (AR R$ 52,00), que literalmente dá um banho (mais emocionante), a gente fica embaixo (mesmo) das quedas dos 3 Mosqueteiros e chega mto próximo à Garganta del Diablo, área que os brasileiros não chegam. Adorei o lado argentino!
No lado brasileiro, fiz o rapel de 55m de altura – INCRÍVEL!!! Fiz o rafting pelo Rio Iguaçu com os barquinhos do Macuco passando pela gente. O visual é fantástico e banhar-se no Rio Iguaçu olhando as Cataratas ao fundo é indescritível. Valeu mto à pena!
Não consigo nem dizer qual o meu lado preferido, pois definitivamente um completa o outro! É divino!
(Responder)
Aventura náutica? Rapel? Menina, você precisa fazer um relato pra eu publicar aqui!
(Responder)
Será uma honra!!!!!! Vou fazer e lhe mando ok? =))
(Responder)
Uêêêêba!!!!
(Responder)
Vou em Foz no próximo janeiro….. estamos ansiosos para acrescentar Foz do Iguaçú em lugares visitados no nosso site: http://www.verdejava.com.br.
Parabéns, um abraço à todos
Muriaé-MG
(Responder)