Silvia Oliveira

Na categoria Amazonas

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Cinco atrações grátis e estreladas em Manaus

Manaus: taí uma capital brasileira onde não é tão fácil economizar. A começar pela passagem aérea que custa um pequeno absurdo se comparada com algumas cidades latino-americanas. Em algumas ocasiões fica mais em conta ira para Lima, no Peru, do que desembarcar no Amazonas. Mas como você não quer – nem pode  perder – o Encontro das Águas e muito menos a fartura gastronômica do estado conheça algumas atrações gratuitas da cidade. Com exceção do Teatro Amazonas, algumas galerias e prédios históricos têm entrada livre.

1. Palacete Provincial | Depois de uma bem sucedida obra de restauro, o antigo prédio da polícia se tornou um dos principais centros culturais da cidade. Tem Pinacoteca, museus temáticos e um café que serve o tradicional X-Caboclinho, o sanduíche de tucumã.

2. Palácio Rio Negro | O edifício é um dos remanescentes do glorioso Ciclo da Borracha. Alguns móveis e fachada foram preservados. Cada sala faz homenagem a um ex-governador do estado. O local é bem interessante para conhecer um pouco da história política e econômica da região.

3. Centro Histórico | O centrinho de Manaus reúne monumentos históricos e diversos prédios da Bélle Époque. Estão por ali o Palácio da Justiça, o Palácio Rio Negro, o Teatro Amazonas e a Catedral.

4. Palácio da Justiça | A construção, de 1900, tem estilo renascentista. Está rodeada por um enorme muro com balaustradas. Abriga cinema e exposições de arte. Tem lojinha de souvenirs e um café. Oferece visita guiada bilíngue.

5. Parque Ponta Negra | A orla da praia de Ponta Negra tem uma enorme estrutura turística com pistas de caminhada, ciclovia, bares, restaurantes e espaço para shows. Dali é possível apreciar um lindo pôr do sol no Rio Negro.

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Manaus: Palecete Provincial

Encontro das Águas | Parte 1

Encontro das Águas | Parte 2

As comidinhas de Manaus

Galeria de imagem: Teatro Amazonas

Foto: Palacete Provincial (Sílvia Oliveira | Matraca’s Image Bank)

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sábado, 15 de outubro de 2011

Galeria de imagem: Teatro Amazonas

Fotos internas com minha maquininha tômática, nem pensar. Não salvou uma. Mas você pode ver as que eu fiz neste meu primeiro post sobre o Teatro Amazonas, quando eu tinha uma canonzinha – mas também não lembrei de levar o tripé – ainda nos tempos da analógica. Para saber mais sobre a construção histórica mais importante de Manaus, corre lá!


O Teatro Amazonas é a representação emblemática do Ciclo da Borracha.


O prédio foi tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional.


A cúpula do teatro foi feita com quase 40 mil escamas de cerâmica nas cores da bandeira do Brasil.

 


Esta foto é feita do terraço do hotel que fica em frente. Tem que pedir autorização. Ou comer no restaurante que fica lá.

SERVIÇO

Teatro Amazonas
Local: Praça São Sebastião, s/nº | Centro | Manaus
Tel.: (92) 3232.1768
Funcionamento: segunda à sábado, 9h às 17h.
Entrada: R$ 10 (a visita é guiada).

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Encontro das Águas | Parte 1

Encontro das Águas | Parte 2

As comidinhas de Manaus

Fotos: Sílvia Oliveira | Matraca’s Image Bank

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domingo, 02 de outubro de 2011

Palacete Provincial: obra de restauro recupera patrimônio histórico de Manaus e inaugura importante centro cultural na cidade

Era uma área degradada e totalmente desamparada pelo poder público. Com um pouco de vontade política, a antiga sede da polícia militar do Amazonas – que estava, literalmente, caindo aos pedaços – foi restaurada e voltou a ter o pomposo nome de origem: Palacete Provincial.


Foto da foto: tirada no salão que mostra o antes e o depois da reforma.

O local virou um extraordinário centro cultural que abriga uma pinacoteca e diversos museus, entre eles o da imagem, do som, de história, de arqueologia e o de numismática – com quase 18 mil moedas. Um dos salões mais interessantes, no entanto, é aquele que mostra o antes e o depois da reforma do palacete. É chocante ver o “antes”. É maravilhoso ver o “depois”. Uma cela-memória foi mantida nos fundos para mostrar onde ficavam alguns criminosos na época em que o prédio era um quartel.

A secular praça Heliodoro Balbi, que fica em frente ao palacete, também foi toda repaginada. Por aqui já passou boa parte da história de Manaus, assim como foi ponto de encontro para debates políticos, boêmios e intelectuais. Com o passar dos anos, e completamente abandonada, havia perdido o brilho e a importância. A revitalização encheu a área de flores, laguinhos e um design agradável para um passeio a qualquer hora do dia.

O tradicionalíssimo Café do Pina, um dos mais antigos da cidade, agora está dentro do Palacete Provincial e oferece iguarias regionais como o sanduíche de tucumã. Acabei não tirando foto do lugar, mas depois da visita ao palacete, o café é o lugar perfeito para relaxar observando a decoração da lanchonete – cheia de fotos da Manaus do século 19!


Detalhes da Praça Heliodoro Balbi ao anoitecer.

SERVIÇO

Local: Praça Heliodoro Balbi. s/n – (antiga Praça da Polícia) | Manaus
Tel.: (92) 3622-8387
Funcionamento: terça e quarta, 9h às 17h; quinta a sábado, 9h às 19h e domingo, 16h às 20h. Grátis. (As visitas guiadas também são grátis)

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O Encontro das Águas, Manaus | Parte 1
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As comidinhas de Manaus

Fotos: Sílvia Oliveira | Matraca’s Image Bank

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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

As comidinhas de Manaus


Tucumã in natura: matéria prima para o famoso X-Caboclinho.

Algo absolutamente inusitado na minha viagem a Manaus foi conhecer – e experimentar –  o sanduíche de tucumã, chamado de X-Caboclinho. O tucumã é uma fruta de polpa alaranjada e fibrosa que me lembrou um pouco a cenoura, embora sejam de famílias completamente distintas. Já o X-Caboclinho trata-se de um crocante pão francês recheado com lascas de tucumã e queijo coalho derretido. Muito comum no café da manhã manauara. Adorei!

Onde comer: Café Regional Joelza | Estrada Torquato Tapajós, km 10 (próximo ao trevo da Estrada do Tarumã) Tel.: (92) 3654-5487.


Açaí: iguaria exótica em muitos países.

Outro clássico da cidade (assim como de toda a região amazônica) é o Açaí. Mas taí um troço que não me desce. Pode vir com granola, banana, leite condensado, seja lá o que for. Não sou fã. Quando comentei via Twitter que não conseguia me apaixonar pelo fruto do açaizeiro choveram mensagens entusiastas dizendo que eu, na verdade, não havia comido o verdadeiro açaí. Talvez. Embora seja oferecido em qualquer boteco de Manaus, o Pará – estado vizinho – é o maior produtor mundial do açaí, considerado em muitos países uma iguaria exótica.

Onde comer: Empório do Açaí | A. Rio Negro, 49 – Conj. Eldorado. Tel.: (92) 3236.8083.

Já o Tacacá me agrada em cheio. Uma combinação improvável de ingredientes resulta num dos pratos mais brasileiros de que se tem notícia. As cuias são montadas precisamente: uma porção de tucupi temperado, um pouco de goma, folhas de jambu (que amortecem os lábios, bem doido!) e um punhado de camarões secos. O mais famoso é o Tacacá da Gisela, nome em homenagem à primeira tacacazeira da cidade. Já a Banca da Adalgisa é tocada pela própria há quase 60 anos no mesmo lugar.

Onde comer: Banca da Adalgisa | Praça Heliodoro Balbi (antiga praça da polícia). Tel.: (92) 9128.7901 e Tacacá da Gisela | Largo São Sebastião (ao lado do Teatro Amazonas)


Bombom de araça-boi: acepipe típico da região.

Os bombons recheados com frutas regionais – como açaí, cubiu e araçá-boi – são sensacionais. Assim como as geleias de buriti e balas de cupuaçu. Há várias lojas na cidade. Além de ser um deleite, é uma ótima opção de lembrancinha tipicamente regional.

Onde comer/comprar: Bombons Finos da Amazônia | Amazonas Shopping – Av. Djalma Batista, 482, 2º piso. Tel.: (92) 8419.0005

Arremate tudo com o Guaraná Real, uma instituição no Amazonas. Primo-irmão do Planet Cola – um dos refrigerantes mais vendidos do estado – o guaraná lembra a tubaína de infância. Seria a bebida perfeita para harmonizar com a alta gastronomia local, o sanduíche de tucumã, por exemplo! :mrgreen:

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O Encontro das Águas, Manaus | Parte 1
O Encontro das Águas, Manaus | Parte 2

Fotos: Sílvia Oliveira | Matraca’s Image Bank

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domingo, 25 de setembro de 2011

Encontro das Águas, Manaus | Parte 2

A melhor época para conhecer o Encontro das Águas dos rios Negro e Solimões é entre abril e agosto, meses das cheias em Manaus. Por isso mesmo o risco de chuva é maior. Mas se você vier fora desta época, provavelmente, não vai conseguir fazer a segunda parte do passeio – a visita a comunidades ribeirinhas e um tour dentro de uma canoa motorizada para conhecer igarapés e vitórias-régias.

Após o ápice do passeio, o Encontro das Águas em si, eu pensei que o barco fosse dar meia-volta e partir para o porto de Manaus ou parar em algum ponto estratégico para o almoço em restaurante flutuante – que estava incluído na excursão. Pensando que já havia passado por tudo a que tinha direito naquela viagem-superação … vem a notícia. Sairíamos do nosso barcão para entrar numa canoinha onde, sentada, minha mão alcançava o rio.

Fiz a linha sô-xique-num-faço-escândalo e entrei quietinha na voadeira. Dali partimos para um incursão pelo Parque Ecológico do Janauari, infestado de igarapés – uma espécie de braço de rio bem estreito que corre mata adentro. Justamente pela geografia apertada só podem ser percorridos por pequenas embarcações. Toda a região está entrecortada por pequenas e grandes árvores com cipós – vegetação típica desse ecossistema. A invasão de mosquitos é imediata. Exagere no repelente e ainda assim você será devorado por eles.

Durante o passeio, aparecem outras canoas com algumas crianças que oferecem, para comprar, doces caseiros e frutinhas da região. Por um sacão dessa frutinha amarela (não me lembro do nome, caso você saiba, conte pra nós!) paguei R$ 2. Era bem azedinha, uma delícia! Ao sair dos Igarapés uma parada estratégica num centro de artesanato super lindo, em plena bacia amazônica. Tudo produzido pelas comunidades ribeirinhas da região. Vai de colares a barcos de madeira! Daqui você pode levar seu autêntico imã de geladeira amazonense.

Mas, para mim, o ponto fulminante – e encantador – foi cruzar uma pinguela para encontrar umas das imagens mais fantásticas de toda a viagem: um enorme conglomerado de vitórias-régias – planta aquática típica da região. São cenas de filme, todo a vista é emoldurada por árvores secas e, bem ali, aparece um jacaré (o bicho deve ser mancomunado com a empresa do passeio)!!! Justamente quando os turistas se aproximam, lá vem ele. Faz pose, tira foto, abana o rabinho e volta para o rio. Rá rá!

Finalizamos com o almoço em restaurante flutuante, em pleno Rio Negro, onde você se serve à vontade. São várias opções de peixe, incluindo o meu preferido – o tambaqui e suas costelinhas inconfundíveis.

Na volta para o porto de Manaus você estará cansado, mas assim mesmo sobrará disposição para acompanhar os últimos retratos deste passeio fantástico: fofíssimas casinhas de palafitas, habitação típica da região e a imensidão daquele lugar!

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SERVIÇO

Quem leva: várias operadoras fazem o passeio. Contratei a Amazon Explores.
Quanto custa: R$ 120,00 – inclui almoço em restaurante flutuante.
Duração: o dia inteiro
Dica: vista roupas confortáveis e não se esqueça de usar protetor solar e repelentes.
Nota: de setembro a dezembro, período da vazante, o passeio de canoa é substituído por uma caminhada pela selva com visita a maior árvore nativa da região, a Samaúma.

Fotos: Sílvia Oliveira | Matraca’s Image Bank

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sábado, 24 de setembro de 2011

Encontro das Águas, Manaus | Parte 1

Era minha última parada da Expedição Brasil Express. No roteiro, o Tacacá da Gisela, o reformado Palacete Provincial e, principalmente, o encontro das águas dos rios Negro e Solimões, um espantoso fenômeno que acontece nas cercanias de Manaus. Por mais de seis quilômetros as águas dos dois rios não se misturam por causa das diferenças de densidade, temperatura e velocidade. É um longo baile antes de se transformarem no imenso Rio Amazonas.

Já havia estado há 10 anos na capital do Amazonas. Naquela época foram apenas 48 horas na cidade. Ia para o Festival de Parintins e Manaus foi só uma parada estratégica. Desta vez, voltei disposta a conhecer o Encontro das Águas, um dos passeios mais famosos da região. Não pense você que essa decisão foi fácil. Morro de medo de rio, mar ou lagos profundos. Água para mim em abundância só mesmo a do banho doméstico.

Subir no barco já era todo um desafio. Mas para estimular ainda mais meu processo de superação estava previsto chuva! Imagine eu, sendo engolida pela imensidão daqueles rios debaixo de um tremendo toró? Confesso que cheguei a pensar em desistir. O dia virava noite. Se não existissem Twitter e essa cambada de redes sociais, onde a gente sai falando para todo mundo o que vai fazer, eu pegava meu chapéu e saía de fininho. Rá! Sendo assim, discretamente coloquei meu salva-vida – a única do barco – e pensei… eu sooou She-Ráááá! Seguido de um Pai-Nosso.

O viagem começa às 9h da manhã e dura o dia inteiro. É que o passeio inclui o Parque Ecológico do Januari para visita a comunidades ribeirinhas e observação de igarapés e vitórias-régias. Assim que o barco zarpa paisagens e imagens interessantes começam a aparecer. No meio do caminho… um posto de gasolina aquático. Durante o trajeto a empresa que opera o passeio oferece frutas aos passageiros, no nosso caso, uma exuberante melancia.

Há um restaurantinho a bordo. Você pode pedir algo para beliscar ou tomar enquanto não chega a grande hora: o encontro dos rios. Provei deliciosos croquetes de Tucunaré acompanhados pelo tradicional Guaraná Real, uma instituição no Amazonas. Não lembro quanto custou a porção nem o guaraná – mas não deve ter sido nenhum absurdo porque eu estava sozinha, não tinha com quem dividir e, mesmo assim, acabei comprando!

Depois de quase uma hora de navegação nos aproximamos ao apogeu. E, de fato, o que eu mais temia… aconteceu! Um baita aguaceiro caiu bem nos dois minutos da passagem ao lado do fenômeno.

Nas primeiras fotos quase não dava para ver nada. Mas de repente, não mais do que de repente, fez-se a luz. Abriu um fenda de sol que iluminou toda a região, destacando o dourado do barrento Solimões em contraponto ao Rio Negro. Fiquei impressionada com os poderes de GraySkull. Abaixo, o guia do barco mostra as diferenças de cores dos dois rios.

Já satisfeitíssima com o passeio mal sabia eu que ainda mais estava por vir. De canoa voadeira – sim, para minha aflição, você sai do barcão para um barquinho – nos embrenhamos no meio de igarapés com direito a aparição de um JACARÉ! Mas isso fica para amanhã, na parte II da epopeia matraquenha.

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SERVIÇO

Quem leva: várias operadoras fazem o passeio. Contratei a Amazon Explores.
Quanto custa: R$ 120,00 – inclui almoço em restaurante flutuante.
Duração: o dia inteiro. ( Dica: passe repelente e protetor solar.)

Fotos: Sílvia Oliveira | Matraca’s Image Bank

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Minha visita a Manaus faz parte da Expedição Brasil Express, by Matraqueando. Entenda o projeto. Para ver todas as reportagens da expedição, clique aqui.

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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Expedição Brasil Express: 7ª parada

 Cheguei… de novo! Quando o comandante falou “tripulação, preparar para o pouso” – eu tratei de pegar o manual de instruções que fica no “bolsão à sua frente” para relembrar o procedimento em caso de aterrisagem na água. “Lembrando que seu assento é flutuante”. O aeroporto de Manaus fica grudado ao Rio Negro (sim, esse marzão… é um rio) – que junto com o Solimões forma o Rio Amazonas. O avião vai descendo, descendo e a gente só vê água até onde a vista alcança.

Estive aqui exatamente há 10 anos. Da primeira vez foi assim também. Meu medo não é do aviar cair. Mas de morrer afogada. Tive uma imensa taquicardia, lábios brancos e mãos frias. Alívio que só chega com aquele solavanquinho suave das rodinhas (que alguns chamam de trem de pouso) tocando a pista. Fico aqui dois dias inteiros. Na verdade, quase três.

Esta é a última parada da Expedição Brasil Express – que começou há dois meses. Estou ansiosa e cansada. Ainda vou contar como foi a rotina Matraca nesse período. Alucinante seria um adjetivo fraco para descrever minha vida nos últimos 60 dias. Sei que não parece, mas eu até trabalho quando estou em Curitiba. Além de ter casa, marido e um bebê de um ano e 11 meses para cuidar! Rá!

Na bagagem…

Chinelo e shorts. Cidade quentíssima – adoooordo – e úmida. Nos pés, mais Brasil… impossível. Investi no tom Pistache da Impala. Ao fundo, o Palacete Provincial, enorme conjunto arquitetônico restaurado e reinaugurado em 2009. Era a antiga sede da polícia do Amazonas. Virou um centro cultural com pinacoteca e museus históricos. Sempre que der, mando notícias pelo twitter: @matraqueando

Fotos: Matraca’s Image Bank

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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Manaus: mercado municipal

Segundo dia em Manaus e meu tempo estava acabando. Deixei para passar por último no Mercado Municipal Adolpho Lisboa e  quando cheguei faltava pouco para fechar. Fiquei uns 45 minutos lá dentro. Pena, pena… não consegui tirar fotos que  pudessem retratar a arquitetura inusitada do lugar. O prédio, também construído nos tempos áureos do Ciclo da Borracha, é todo em art nouveau, bem rococó. Foi inspirado no extinto mercado Les Halles, de Paris.

O edifício é totalmente singular, uma antítese do que você vai encontrar nos boxes com produtos regionais e artesanato indígena. Localizado às margens do Rio Negro, boa parte do mercadão é dedicada aos peixes. Tambaqui, tucunaré e tantos outros típicos da Amazônia estão distribuídos por enormes bancadas. Eu, como sabem, doutora em biologia, não tenho a menor idéia de qual é a espécie da foto acima.  Mas experimentei costela de tambaqui em um dos  restaurantes da cidade. O peixe tem espinhas tão grandes que pareciam pequenas costelinhas de leitão.

Outro produto vendido a rodo por ali é o tucupi: um molho amarelo extraído da mandioca brava usado em diversos pratos da Amazônia.

O armazenamento é bem informal (nesse caso, vou resmungar: informal demais para o meu gosto). O líquido fica exposto em tonéis – para você levar à granel quanto desejar ou já vem em embalagens “próprias” de garrafas pet.

O mercado municipal manauara é excelente também para os regalitos de viagem. Eu (isso foi há oito anos, hoje estou curada) – trouxe um tucano de madeira, miniaturas de arco e flecha e um cocar!  Um c-o-c-a-r! Vou começar já a campanha: Prêmio Nobel do Artesanato aos inventores dos imãs de geladeira, já!

Fotos: Matraca´s Image Bank

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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Manaus: Teatro Amazonas

Com minha mega-top-de-linha máquina comprada na zona franca de Manaus (uma canonzinha de meia-tigela) saí fotografando tudo pela cidade. Mas eu não tinha tripé e as fotos internas do teatro só prestaram para eu poder olhar sempre meu álbum e querer voltar. (De preferência com o Raul e a máquina dele.) Antes de falar do teatro que mais me impressionou nos últimos anos é bom saber: Manaus completou em outubro 339 anos. São mais de três séculos de contrastes. No princípio foram os embates entre índios e colonizadores europeus. Hoje, a floresta amazônica resiste ao lado de um grande polo industrial. A cidade é uma das maiores exportadoras de produtos eletrônicos do mundo.

Nesse meio tempo calhou de surgir o momento fru-fru de Manaus. O  Ciclo da Borracha foi um período em que a capital entrou para o rol das cidades mais prósperas da Terra. O látex retirado das seringueiras era uma mercadoria muito visada na Europa e Estados Unidos. Para consagrar essa época foram construídos vários prédios e casarões em estilo belle époque. O Teatro Amazonas, do século 19, foi o maior deles com capacidade para 700 pessoas e três andares de camarotes. O salão nobre tem características barrocas. Destaque para a pintura de teto chamada A Glorificação das Bellas Artes na Amazônia, de 1889, feita pelo artista italiano Domenico de Angelis.

É a construção histórica mais importante da cidade. Tem telas pintadas em Paris, lustres trazidos de Veneza e a pintura do pano de boca do palco – idéia do cenógrafo Crispim do Amaral – faz referência ao Encontro das Águas dos Rios Negro e Solimões. Tinha tudo para ser cafona, démodé, fora de propósito. Se fosse uma pessoa, o Teatro Amazonas poderia até ser chamado de convencido e vaidoso. Mas é modesto e acanhado: sobreviveu ao fim dos tempos áureos e se manteve entre os mais bonitos e bacanas do Brasil. 

SERVIÇO

Teatro Amazonas
Local: Praça São Sebastião, s/nº | Centro | Manaus
Tel.: (92) 3232.1768
Funcionamento: segunda à sábado, 9h às 17h.
Entrada: R$ 10 (a visita é guiada).

Fotos: Sílvia Oliveira | Matraca´s Image Bank

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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Manaus: no meio da floresta?

Não fiquei em hotel-selva, não cacei jacaré à noite, não tomei café da manhã com papagaio no ombro nem fui picada por muriçoca. Manaus é mais urbana que Curitiba. Tem cerca de um milhão e 600 mil habitantes. Seria quase um Rio de Janeiro se o mar da cidade não se chamasse Rio Amazonas. Tirando o meu hotel (Tropical, afastado do centro, ao lado do Rio Negro), as boas hospedagens ficam perto de alguma avenida. Estava de passagem, indo para a cobertura do Festival de Parintins – um dos eventos folclóricos mais exuberantes que conheci. Por isso, fiquei dois dias, apenas.



É o tipo de destino que cai no seu colo só para provar que temos de fazer um leve esforço para superar nossos preconceitos turistóides.
Não que eu tenha de passar a gostar de mato e você de museu. Mas dar uma variada no cardápio mochilístico enobrece qualquer um que se julgue viajante. Como sempre, foi um passeio para toda vida. Dificilmente vou para algum lugar do qual não fale bem depois. Pode dar tudo errado e mesmo assim vou achar que faz parte do roteiro. (Só não é possível suportar garçom malcriado, taxista ladrão e centro de informação turística que cobra pelo mapa).

Mas em Manaus, um lugar entre os últimos da minha lista por incompatibilidade de gênios, além de tudo ter saído conforme o planejado, todos os garçons – e prestadores de serviço em geral – com os quais conversei foram muito, mas muito amáveis. Os taxistas pareciam guias turísticos voluntários – tanta era a informação que me passavam. (Sim, usei muito táxi. Além de estar a trabalho, tinha pouco tempo.)

Foram 48 horas na cidade. Fiz o tour básico. Conheci o Teatro Amazonas, o símbolo máximo da riqueza vinda do látex das seringueiras, o Mercado Municipal Adolpho Lisboa – construído de frente para o Rio Negro, o Porto Flutuante e, inequívoco, fui de barco pela imensidão do Rio Amazonas. Ainda sobrou tempo para comprar na zona franca uma máquina fotográfica, minha primeira (e única) analógica decente. Mas isso já faz tempo.

Fotos:

Matraca´s Image Bank

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sábado, 01 de julho de 2006

PARINTINS: Caprichoso X Garantido

No Festival de Parintins a disputa entre os dois bois é mais perturbadora que uma final (toc, toc, toc) entre Brasil e Argentina que – graças a Deus – não vai ser desta vez. O Caprichoso, é o boi da elite – dizem. O Garantido tem a força do povão – comentam. O primeiro ousa mais, aprecia a técnica e a arte do bumbá. O segundo prefere a tradição, o popular e aposta no trivial. Seria mais ou menos como a velha rixa entre PSDB e PT – no tempo em que o PT ainda era o partido dos trabalhadores, claro.

O que faz Parintins ser o maior espetáculo da terra é a aventura de juntar – numa ilha perdida – puro folclore regional, um espetáculo intrigante e a imprensa do mundo todo. Tudo isso no meio da selva. E não no Rio de Janeiro, cidade que por si só já atrairia a mídia internacional. Abreviando a história: é uma mistura de São João com a lenda do boi que morre e ressuscita. O segredo da magia está justamente na paixão em defender uma lenda, contando uma fábula de todas as formas e com diferentes fantasias possíveis.

São três noites com três horas para cada boi. Seis horas de festa por dia. A cada noite a mesma história contada com uma apresentação diferente. É como assistir durante três dias, três apresentações diferentes da Beija-Flor e da Mangueira, (numa comparaçãozinha bem chinfrim e injusta) – porque na minha visão apaixonada o Festival de Parintins não tem mesmo nenhuma comparação!

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quinta-feira, 29 de junho de 2006

PARINTINS: buuuumba o coração!

O maior espetáculo da terra acontece aqui. Parintins (a 20 horas de barco de Manaus, no Amazonas) está, neste fim de junho, igualzinha – ou pior – a uma decisão de copa do mundo. A diferença é que os dois adversários são brasileiríssimos. De um lado o vermelho do Boi Garantido. Do outro, o azulão do Boi Caprichoso. O Festival Folclórico de Parintins é o mais importante Boi Bumbá da Amazônia. A festa divide um mesmo povo. Quem é “Garantido” nem pronuncia o nome do outro – o “Caprichoso”, que passa a ser chamado de “Contrário” e vice-versa.

AZUL X VERMELHO

Localizada na Ilha de Tupinambarana e banhada pelo gigantão rio Amazonas, a cidade está metade azul metade vermelha. Literalmente. É surpreendente ver o que os nativos fazem para defender a bandeira do seu boi. No lado vermelho do povoado, onde está o curral do Boi Garantido até as placas de rua seguem a cor do boi do povão. Enquanto que na parte do Curral do Caprichoso a Coca-Cola (patrocinadora oficial do evento) teve que mudar a logomarca.

VERMELHÔ, O CURRAL…

Isso é o que a gente vê de dia. À noite, o Bumbódromo – lugar de apresentação dos bois – recebe 80 mil pessoas, gente do mundo inteiro. A televisão italiana vem fazer documentário, a alemã manda correspondente e eu, quando fui, fiquei hospedada no mesmo quarto dos enviados da Reuters e da Times. O Festival de Parintins ainda tem mais projeção lá fora do que aqui.

Mas o que atrai tanto? Você pode até achar que a Festa do Boi Bumbá de Parintins é uma carnaval amazonense. Nananinanô. A apresentação inclui – sim – música, puxador, fantasia, alas e alegorias. Mas é no conjunto folclórico, inspirado em lendas de pajelanças indígenas de várias tribos e costumes caboclos da amazônia, que está toda a diferença. Mulher pelada não tem vez. Só se for para representar os primeiros habitantes da ilha e olhe lá! Artista da Globo, só no camarote da Caras. Para entrar na arena, tem que ser gente daqui. Lembra do Davi Assayag, aquele cantor cego que ficou conhecido nacionalmente ao lado da Fafá de Belém cantando “Vermelhô, o curral, a ideologia do folclore avermelhou…”? Pois o homem é parintinense da gema e é o puxador oficial de toadas do Boi Garantido.

MAS A VACA É AMARELA

E porque um BOI? Tratando-se de Amazonas talvez fosse interessante incluir na festa a onça pintada ou a sucuri. Não o boi. Mas uma explicação no site oficial da festa diz que foi uma conseqüência do ciclo da borracha, quando muitos nordestinos vieram para cá trabalhar na extração do látex. Eram de uma região pecuarista e trouxeram seus costumes, como o Bumba-Meu-Boi das festas juninas.

Enquanto os jurados somente utilizam canetas de cor verde, para não haver influência no resultado por causa das cores (é ou não é pior que uma final de copa do mundo?) o turista que vem de fora fica arrebatado com a festa. Os bois têm um magnetismo fascinante e mesmo a gente, que não entende muito bem o regulamento do festival, acaba adotando um deles. O certo é que – no meio de tanta contenda – depois de três dias confinada nesta ilha é fácil compreender a principal regra do jogo: um boi não existe sem o outro.
Sem amarelar!
Tela: “Festa da Natureza”, de Glemberg Nascimento Castro, vencedor do concurso para o cartaz do Festival 2006

Entre tantas curiosidades deste festival uma me deixou petrificada. Quando o Boi Caprichoso – o azul – entra na arena, por exemplo, toda a arquibancada vermelha fica muda, calada, nem um pio. Brincam de vaca amarela e pronto. O mesmo ocorre quando o Boi Garantido – o vermelho – inicia a apresentação. Os azulões que quase perdiam os bofes de tanto gritar e torcer, simplesmente sentam e se calam. Até o fim da apresentação. São três horas para cada boi.

Nota: Todos os anos, desde sempre, o Festival de Parintins é realizado nos dias 28, 29 e 30/06. Este ano o evento mudou para os dias 30/06 e 01 e 02/07.

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