sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Segundo dia em Manaus e meu tempo estava acabando. Deixei para passar por último no Mercado Municipal Adolpho Lisboa e quando cheguei faltava pouco para fechar. Fiquei uns 45 minutos lá dentro. Pena, pena… não consegui tirar fotos que pudessem retratar a arquitetura inusitada do lugar. O prédio, também construído nos tempos áureos do Ciclo da Borracha, é todo em art nouveau, bem rococó. Foi inspirado no extinto mercado Les Halles, de Paris.


O edifício é totalmente singular, uma antítese do que você vai encontrar nos boxes com produtos regionais e artesanato indígena. Localizado às margens do Rio Negro, boa parte do mercadão é dedicada aos peixes. Tambaqui, tucunaré e tantos outros típicos da Amazônia estão distribuídos por enormes bancadas. Eu, como sabem, doutora em biologia, não tenho a menor idéia de qual é a espécie da foto acima. Mas experimentei costela de tambaqui em um dos restaurantes da cidade. O peixe tem espinhas tão grandes que pareciam pequenas costelinhas de leitão.

Outro produto vendido a rodo por ali é o tucupi: um molho amarelo extraído da mandioca brava usado em diversos pratos da Amazônia.
O armazenamento é bem informal (nesse caso, vou resmungar: informal demais para o meu gosto). O líquido fica exposto em tonéis – para você levar à granel quanto desejar ou já vem em embalagens “próprias” de garrafas pet.

O mercado municipal manauara é excelente também para os regalitos de viagem. Eu (isso foi há oito anos, hoje estou curada) – trouxe um tucano de madeira, miniaturas de arco e flecha e um cocar! Um c-o-c-a-r! Vou começar já a campanha: Prêmio Nobel do Artesanato aos inventores dos imãs de geladeira, já!
Fotos: Matraca´s Image Bank
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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Com minha mega-top-de-linha máquina comprada na zona franca de Manaus (uma canonzinha de meia-tigela) saí fotografando tudo pela cidade. Mas eu não tinha tripé e as fotos internas do teatro só prestaram para eu poder olhar sempre meu álbum e querer voltar. (De preferência com o Raul e a máquina dele.) Antes de falar do teatro que mais me impressionou nos últimos anos é bom saber: Manaus completou em outubro 339 anos. São mais de três séculos de contrastes. No princípio foram os embates entre índios e colonizadores europeus. Hoje, a floresta amazônica resiste ao lado de um grande polo industrial. A cidade é uma das maiores exportadoras de produtos eletrônicos do mundo.

Nesse meio tempo calhou de surgir o momento fru-fru de Manaus. O Ciclo da Borracha foi um período em que a capital entrou para o rol das cidades mais prósperas da Terra. O látex retirado das seringueiras era uma mercadoria muito visada na Europa e Estados Unidos. Para consagrar essa época foram construídos vários prédios e casarões em estilo belle époque. O Teatro Amazonas, do século 19, foi o maior deles com capacidade para 700 pessoas e três andares de camarotes. O salão nobre tem características barrocas. Destaque para a pintura de teto chamada A Glorificação das Bellas Artes na Amazônia, de 1889, feita pelo artista italiano Domenico de Angelis.


É a construção histórica mais importante da cidade. Tem telas pintadas em Paris, lustres trazidos de Veneza e a pintura do pano de boca do palco – idéia do cenógrafo Crispim do Amaral – faz referência ao Encontro das Águas dos Rios Negro e Solimões. Tinha tudo para ser cafona, démodé, fora de propósito. Se fosse uma pessoa, o Teatro Amazonas poderia até ser chamado de convencido e vaidoso. Mas é modesto e acanhado: sobreviveu ao fim dos tempos áureos e se manteve entre os mais bonitos e bacanas do Brasil.

SERVIÇO
Teatro Amazonas
Local: Praça São Sebastião, s/nº | Centro | Manaus
Tel.: (92) 3232.1768
Funcionamento: segunda à sábado, 9h às 17h.
Entrada: R$ 10 (a visita é guiada).
Fotos: Sílvia Oliveira | Matraca´s Image Bank
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Não fiquei em hotel-selva, não cacei jacaré à noite, não tomei café da manhã com papagaio no ombro nem fui picada por muriçoca. Manaus é mais urbana que Curitiba. Tem cerca de um milhão e 600 mil habitantes. Seria quase um Rio de Janeiro se o mar da cidade não se chamasse Rio Amazonas. Tirando o meu hotel (Tropical, afastado do centro, ao lado do Rio Negro), as boas hospedagens ficam perto de alguma avenida. Estava de passagem, indo para a cobertura do Festival de Parintins – um dos eventos folclóricos mais exuberantes que conheci. Por isso, fiquei dois dias, apenas.


É o tipo de destino que cai no seu colo só para provar que temos de fazer um leve esforço para superar nossos preconceitos turistóides. Não que eu tenha de passar a gostar de mato e você de museu. Mas dar uma variada no cardápio mochilístico enobrece qualquer um que se julgue viajante. Como sempre, foi um passeio para toda vida. Dificilmente vou para algum lugar do qual não fale bem depois. Pode dar tudo errado e mesmo assim vou achar que faz parte do roteiro. (Só não é possível suportar garçom malcriado, taxista ladrão e centro de informação turística que cobra pelo mapa).

Mas em Manaus, um lugar entre os últimos da minha lista por incompatibilidade de gênios, além de tudo ter saído conforme o planejado, todos os garçons – e prestadores de serviço em geral – com os quais conversei foram muito, mas muito amáveis. Os taxistas pareciam guias turísticos voluntários – tanta era a informação que me passavam. (Sim, usei muito táxi. Além de estar a trabalho, tinha pouco tempo.)

Foram 48 horas na cidade. Fiz o tour básico. Conheci o Teatro Amazonas, o símbolo máximo da riqueza vinda do látex das seringueiras, o Mercado Municipal Adolpho Lisboa – construído de frente para o Rio Negro, o Porto Flutuante e, inequívoco, fui de barco pela imensidão do Rio Amazonas. Ainda sobrou tempo para comprar na zona franca uma máquina fotográfica, minha primeira (e única) analógica decente. Mas isso já faz tempo.
Fotos:
Matraca´s Image Bank
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