Vi a chamada na página principal do UOL. A Fernanda Braga, nossa correspondente internacional, também encaminhou a matéria – lá de Sevilha. Deve ser a próxima capa da Revista Viagem & Turismo. Muito em breve estará no The New York Times. A bomba: novo paraíso no litoral baiano, MORERÉ. Peraí, você já ouviu falar de Moreré? Assumo, eu não. Mas não me deprimo. Há cinco anos eu não fazia a mais remota idéia de onde ficava Itacaré, há 10 todo mundo achava que Trancoso era um lugar fictício e há 20 anos, só minha tia Edileuza tinha ido a Jericoacoara.
O que eu sei é que não caio mais nessa pegadinha. Olha só como começa a matéria: “Que tal passar uns dias numa praia deserta, cercada de vegetação virgem e banhada por mar azul? Conhecida como Polinésia Baiana, a praia de Moreré, localizada na lha de Boipeba (BA), é um daqueles paraísos ainda conservados…”
E eis, o veredicto:
“Durante o dia, um banho de sol, um mergulho no mar e uma boa caminhada são os atrativos. Descanso à sombra dos coqueiros (…) A noite é embalada pelo som dos pássaros, cigarras e grilos. As fogueiras iluminam a escuridão”.

Já vi esse filme. Ou melhor, essa peça publicitária. Estive em Trancoso. Também conheci outros dois “paraísos” do litoral norte da Bahia: as praias de Santo André e Santo Antônio. Tem tudo isso: praia deserta, cercada de vegetação virgem, sombra dos coqueiros, som dos pássaros. Ou seja, não tem nada.
Calma, antes de me acusarem de ser o Diogo Mainardi do Matraqueando, explico: não agüento praia deserta, com nada para fazer, sem casario colonial para visitar, nem nativo para conversar. E mar azul, uma ova! Mas reconheço – e é este basicamente o motivo do post: os marketeiros da Bahia são os melhores do mundo. Você se lembra o que era esse estado há algumas décadas? Qualquer um que viesse do nordeste num pau-de-arara para trabalhar no “sul” era chamado de baiano. Depois, qualquer coisa mal feita, se convertia em uma baianada.
Hoje, eles são referencia em tudo: música, arte, literatura e, óbvio, praia paradisíaca – um dos maiores atrativos de qualquer destino. E sobretudo, movimentam com excelência a maior indústria do planeta, a turística. Aliás, isso de “Polinésia Baiana”, é coisa de mestre. Deve ser o mesmo publicitário (amigo do Jaime Lerner) que inventou o título de Capital Ecológica (arg!) para Curitiba. É cafona, mas funciona.
O que deve acontecer: como os hippies já bateram ponto em Moreré e, com certeza, algum italiano (se já não montou) vai montar um restaurante ou pousadinha de charme por lá – logo, logo alguns desses grupos internacionais vão arrasar com boa parte do local para construir um daqueles megaresortões. Depois, o governo baiano vai convidar – com tudo pago – a Gisele Bündchen, o Rodrigo Santoro e a Adriane Galisteu para conhecerem o tal éden (devidamente registrado pela revista Caras). Só então a gente – que não perde nenhuma novidade – compra um pacotinho pela CVC e vai desvendar mais essa praia deserta, cercada de vegetação virgem e banhada por mar azul. Visse?
Para ler a reportagem que saiu no UOL, clique aqui.
Fotos de Moreré por ordem: Marina Silva (1ª), www.bahia-online.net (2ª) e Ismael Celis (3ª)