terça-feira, 01 de agosto de 2006
Fez um sol danado e um frio de rachar o cano. A massa de ar POLAR vinda da Argentina acertou em cheio Florianópolis no fim de semana. A cidade estava glacial (sou hiperbólica mesmo – quando se trata de frio, friagem, geada, nevasca ou granizo. Por isso, aviso aos matraqueadores: é provável que nunca encontrem aqui um post sobre esqui, snowboard, Chillán, Bariloche ou Serra Nevada), mas o céu azulíssimo me mostrou uma cidade calma e despreocupada. A baixa temporada e os 8º graus de sábado à noite me fizeram descobrir que existe vida depois de Jurerê Internacional. Para que se possa entender a atual Florianópolis hippie-chic, no entanto, tenho que ilustrar – primeiro – o estado de Santa Catarina. É um dos menores do país e consegue ter, surpreendentemente, tudo isso:

- 560 quilômetros de praias, incluindo algumas das mais bonitas do Brasil;
- Baleias-francas, que visitam o mar de Garopaba e da Praia do Rosa;
- Oktoberfest, a maior festa da cerveja do país e segunda do mundo, só perdendo mesmo para a original em Munique, na Alemanha;
- Uma região serrana que recebe neve e muitos turistas todos os anos;
- Laguna, a terra de Anita Garibaldi e cidade principal do movimento separatista da Revolução Farroupilha;
- Beto Carrero World, um parque temático para os aficionados do gênero;
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- Camboriú da velha guarda, a preferida das famílias, idosos e argentinos (se bem que estes últimos estão por toda a parte no estado, desde que o lugar escolhido tenha praia!);
- Praia do Pinho, a primeira oficial de naturismo no Brasil. (Nudismo virou naturismo, entendeu?);
- Pomerode, Nova Trento e Treze Tílias, principais representantes da arquitetura e das tradições alemã, italiana e austríaca, respectivamente;
- Rendeiras que preservam a tradição herdada dos colonos açorianos: o crivo. Um bordado doido que, para formar lindos desenhos, primeiro tem que desfiar todo o tecido;
- Joinville, pólo industrial com vocação para serviços. Vive brigando com Londrina na disputa pelo 3º lugar de maior cidade do sul do país. Tem a melhor escola de balé do Brasil e, ainda, Tia Esperança, Aninha e Moisés que – para mim – já são mais do que um ótimo motivo para visitar a cidade;
- Resorts como o Costão do Santinho, para quem ainda prefere um piscinão às praias;
- Madre Paulina, imigrante italiana que adotou o Brasil aos nove anos de idade. É a primeira (e única) santa “brasileira”. Há vários santuários dela espalhados pelo estado, mas o principal fica em Nova Trento, considerado a 2ª maior estância turístico-religiosa do Brasil. A primeira é Aparecida, em São Paulo;

- Águas cristalinas em Quatro Ilhas, uma das praias de Bombinhas, outro município famoso cheio de enseadas e costões;
- Comida muito boa: ostras gratinadas no litoral, marreco recheado no Vale do Itajaí e sopa de pinhão na serra.
Simplesmente tudo num raio de 200 quilômetros da capital – agora, sim, entendo – o metro quadrado mais caro do Brasil. (Sem contar a especulação imobiliária, obviamente). E olha que quase nem falei, ainda, da própria Florianópolis. Mas essa conversa já é para o próximo post.
Fotos: Raul Mattar
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