Silvia Oliveira

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quarta-feira, 04 de novembro de 2009

Rádio Matraca: seu destino em 1 minuto | São Paulo

Crônicas, devaneios, surtos e dicas: 60 segundos para você viajar pelo seu destino preferido.

Há algumas semanas preparo meus podcasts e a ordem de publicação não seguirá nenhum critério lógico, a não ser a minha saudade do dia, como bem diria a Luisa. Ao navegar pelo texto de São Paulo me dei conta de que este ano não botei os pés na capital paulista – a cidade onde adoro ser simplesmente turista.

Para ouvir, clique no podcast:

Edição de áudio: Raul Mattar

Outros podcasts:
Sevilha

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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Cidade de Cunha-SP: refogado de histórias

Não conheço a cidade de Cunha, no interior de São Paulo. E acredito que, sim,  estou perdendo muita coisa. Dentro do estado, o município faz divisa com Ubatuba. É a última paragem da Estrada Real, antes de Paraty, no Rio. Fica no Alto Paraíba, entre as serras da Quebra-Cangalha, da Bocaina e do Mar. Só pela localização, já vale uma parada.

Se você está na região, não perca: Cunha vai promover um festão dia 30 de maio. A proposta é resgatar a tradição e a cultura dos Tropeiros do Vale do Paraíba com um almoço típico caipira, preparando um cozido ao ar livre. O tropeiro mais antigo da cidade vai contar seus causos, junto a um fogão de lenha recheado de panelas de ferro com muito feijão tropeiro, torresmo, arroz com linguiça e carne seca. Nham Nham Nham.

O anfitrião da festa é Seu Roque Inácio. Hoje com 94 anos – tropeiro desde os 12 – Seu Inacinho (como é conhecido) se diverte contando histórias.
A família de Seu Roque, que preserva até hoje as tradições, levará para o encontro os principais objetos usados pelos tropeiros. O encontro ainda será embalado por música caipira ao vivo e terá cavalgadas pela região.

O tropeirismo – o transporte de gado, mulas e riquezas do Sul para o Sudeste brasileiro – que começou no século 16, marcou a cultura paulista e fincou raízes na gastronomia. É o berço da comida paulista, pois preserva a identidade das tradições indígenas, portuguesas e espanholas, que se misturam para formar um complexo patrimônio cultural e culinário do Vale do Paraíba.

SERVIÇO:

Almoço Tropeiro em Cunha
Dia: 30 de maio, às 13h
Local: Bar e Restaurante Celeiro
Endereço: Estrada do Macuco, km 4
Preço: R$30 (almoço) e R$25 (cavalgada)
Reservas feitas com antecedência na Cunhatur (12) 3111-2634

Foto: quem for à festa poderá cavalgar, exatamente como os tropeiros. | Divulgação

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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Campos do Jordão: temporada gastronômica do pinhão

Aproveita, porque está acabando! Termina no próximo domingo a famosa Temporada Gastronômica do Pinhão em Campos do Jodão. O evento é uma espécie de festa regional que acontece nas ruas da cidade e também ganha espaço diferenciado nos cardápios de 21 restaurantes que possuem o selo de qualidade Cozinha da Montanha.

Vale conferir a criatividade dos chefs participantes que nos últimos 4 anos reuniram mais de 100 receitas inusitadas com o fruto – entre saladas, pratos principais e sobremesas. Já sabemos, Campos do Jordão – assim como Gramado – é uma excelente opção de destino, principalmente no inverno. Aqui pode-se desfrutar de belíssimos passeios e românticas paisagens, ar puro e clima ameno, lazer e requinte nos ambientes aconchegantes com lareiras dos hotéis e restaurantes.

É uma cidade cara, mas para um momento extravagância, o custo-benefício vale à pena. Nos bosques e montanhas de toda a região temos a visão das imponentes Araucárias. Já a partir de abril até junho, a pinha (fruto da árvore fêmea) é abundante e cai na terra, permitindo a cata do pinhão. Voltando ao evento, algumas delícias do festival:

- Restaurante Bia Kaffee => Mousse de Pinhão
- Charpentier => Vitela recheada com spaghettini ao molho de pinhões
- Restaurante Caramello => Bacalhau ao purê de mandioquinha e pinhões
- Restaurante Eco Parque da Montanha => Terrine de Pinhão ao Queijo Brie
- Restaurante La Gália => Palheta de Javali recheada de Farofa de pinhões
- Restaurante Le Foyer => Truta em escamas de pinhão, gratinada ao molho roquefort.
- Restaurante Lenz Gourmet => Mariscada com Pinhões
- Restaurante Mercearia Campos =>  Batata recheada com frango e creme de pinhões
- Restaurante Spazio Di Paolo => Tortelone de pinhão
- Restaurante Araucária => Cuscuz Marroquino com Pinhões (fica dentro do Grande Hotel Campos do Jordão)

Foto: bacalhau ao purê de mandioquinha e pinhões, do restaurante Caramello. (Divulgação)

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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Guia de compras na 25 de março, Santa Efigênia, Brás e Bom Retiro

 
Muquiranas, uni-vos! Comprar é uma delícia. Mas comprar produto bacana, com procedência e por preços abaixo da média é o verdadeiro luxo. Em São Paulo, temos vários pólos de comércio popular, incluindo a Rua 25 de março (e seus arredores), um eixo considerado o maior centro atacadista da América Latina.

Para conhecer tudo o que ela oferece nasceu o Guia da 25 de Março. Imagine qualquer coisa. Imaginou? Tem lá para vender. Desde produtos de armarinhos, cortinas e tapetes, passando por material para embalagens, enxoval para bebês, cama , mesa e banho, chegando a artigos religiosos, malas, bolsas e utilidades domésticas.

Já o Guia de Compras na Santa Efigênia reúne um catálogo completo, onde você pode encontrar as principais lojas de áudio, vídeo, eletrodomésticos, eletrônicos, games, celulares, notebooks, material para fotografia, ferramentas, cartuchos, antenas e acessórios.

Agora lançaram também o Portal Brás. A região do Brás é um famoso pólo paulistano de roupas com bons preços. Entre no guia para ver todas as lojas que vendem moda feminina, masculina, infantil, evangélica, indiana, íntima, tricot, gestante, além de tamanhos especiais. Enxoval de casamento barato é aqui.

O novo Guia de Compras no Bom Retiro também oferece um universo para você pesquisar antes mesmo de chegar lá. O Bom Retiro, assim como o Brás, é um ótimo lugar para comprar roupa a preços bem convidativos. E ainda oferece para o consumidor lojas de bijuterias, bordados, calçados, tecidos e malharia.

Leia também:

Outlet Premium São Paulo

Guia de outlets no Brasil

Guia de Outlets no mundo

Rua 25 de Março 

Foto: movimentação na rua 25 de Março, maior centro atacadista da América Latina. (Raul Mattar)

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quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

São Paulo: Rua 25 de Março

Ahá! Não contavam com minhas astúcias! Depois de cantarolar Caetano e de até parecer convertida às viagens sofisticadas, eis que me transformo na Rê Bordosa dos farofeiros. Me meti (sei que não pode começar frase com estes pronomes, mas falar meti-me, não dá!) pirambeira acima na Rua 25 de Março, o maior centro atacadista da América Latina. Sem ilusões: centro atacadista no meu dicionário MatraqueHouaiss significa encher a sacola de bugiganga e de coisas que não sei onde vou colocar depois – gastando pouco ou quase nada. Mas não considero isso turismo de compras. Eu chamaria o passeio de Circuito Antropológico Paulistano.

A 25 de Março é tudo aquilo que você imagina e mais um pouco. Um forféu de gente indo e vindo. Sim, tem que tomar cuidado com bolsa, carteira e afins. Mas não que o lugar seja perigoso. Pelo contrário, havia – assim ó – de polícia. Os guardinhas estavam por todos os lados. Só que malandro faz tudo na surdina. Coloca a mão no seu bolso e você nem sente. Olhando as fotos acima, a gente não sabe se é o centro de Caracas ou da Cidade do México. Mas qualquer semelhança não é mera coincidência. (Porque será que a gente sempre se refere aos latino-americanos como se fossem os outros?)

São centenas de lojas que fazem daquela região toda um centro proibido para gastadores compulsivos. Até quem está na pindaíba acaba deixando uns trocados por lá. Como não fui fazer nenhuma reportagem especial sobre a Rua 25 de Março – nem teria tempo para isso em três dias – não posso dizer visite essa loja, conheça esse armazém, dá um pulinho naquela galeria. Até porque depende do que a pessoa quer comprar. Se for só a passeio caminhe pela própria rua e pelos arredores. Invariavelmente vai aparecer o QUE comprar: bijuterias, roupa de cama, banho, óculos, bolsas, pedrarias, papéis, decoração, CDs, DVDs (piratíssimos), relógios, tecidos, utilidades domésticas, cristais e muuuuito mais! São vários quarteirões, com diversos comércios famosos nas imediações.

Melhor lugar de Sampa para provar comida de rua, mais pela diversidade – pudim, queijinho (foto acima), milho cozido, caldo de feijão, camarão no espeto- e não necessariamente pela qualidade. Tudo o que é quente, fervido ou cozido, pode mandar ver! Só não arrisque frutas expostas, sucos “naturais” ou qualquer esquisitice com molhos ou maionese.

De vez em quando, em algum trecho, olhe para cima. Vai ser no mínimo curioso ou divertido.

SERVIÇO:

Rua 25 de Março
Horário:
as lojas funcionam das 8h às 18h, de segunda a sexta e das 8h às 12h, aos sábados. Algumas podem abrir mais tarde ou fechar mais cedo. Terça (recebe dezenas de ônibus de sacoleiros de todo Brasil) e sábado (o paulistano também passeia por lá) são os dias mais lotados.
Metrô: São Bento. Sair pela Ladeira de Porto Geral.

Fotos: Raul Mattar

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sábado, 13 de janeiro de 2007

São Paulo: Pinacoteca do Estado

Lembra do post São Paulo em três dias? A sugestão era UM museu – ou dois se tivesse muita disposição e algo de tempo. Pois para quem vai conhecer o Museu da Língua Portuguesa, a Pinacoteca do Estado é logo ali, do outro lado da avenida. Distância de 100 metros um do outro. Mais uma vez o prédio – de tijolos sem revestimento – é um desbunde. (Sempre digo que jornalista é minha identidade secreta, mas acho que sou mesmo é uma arquiteta enrustida). Foi projetado há 110 anos por Ramos de Azevedo (o mesmo que desenhou o Mercado Municipal) para ser o Liceu de Artes e Ofícios. Na verdade, o edifício é uma obra inacabada. Os tijolinhos não eram para ficar à mostra, mas a empreitada demorou muito para ficar pronta e deixaram como está. Sorte nossa e da Pinacoteca.
Hoje o perfil do museu é muito bem definido: arte brasileira do século 19 até à contemporânea. O acervo tem 4 mil obras, muitas de artistas paulistas – entre eles – Almeida Junior e Pedro Alexandrino. Outras tantas são de Cândido Portinari – como a famosa Mestiço, de 1934 (foto ao lado) -, Anita Malfatti, Victor Brecheret, Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti.
O internacional Rodin (1840-1917) também engrandece o lugar. Algumas esculturas do artista francês estão espalhadas por um andar inteiro. A exposição que trouxe suas obras, em 1995, deu à Pinacoteca do Estado boa parte do status que tem hoje. 138 mil pessoas passaram por lá em cinco dias.

A iluminação azulada em uma das salas dá um tom meio sobrenatural ao ambiente. Sem querer ser óbvia, liiiiiindo! Bom, depois dessa overdose de museus será que tem alguém ainda lendo isso? Entenda: não quero ser chata, nem enfadonha. É que SOU chata e enfadonha. Mas não associe minha chatice ao meu gosto por museus. Nem entendo muito de arte, mas visitar qualquer um deles – inclusive esse pequenininho aí da sua cidade – não tem nenhuma contra-indicação. Não é indigesto, nem tedioso. Só faz aumentar a criatividade, o conhecimento, a experiência. Dá oportunidades de entender como alguns gênios se expressavam e como alguns loucos manifestaram seus devaneios.

A Pinacoteca do Estado - pelo conjunto de prédio, obras, artistas e cidade em que se encontra – deve estar entre os lugares de interesse cultural e histórico mais simpáticos do planeta.

SERVIÇO:

Pinacoteca do Estado

Local: Praça da Luz, nº 2, tel. 229 9844 – Próximo ao Metrô Luz ou Tiradentes

Horário: de terça a domingo, das 10h às 18h

Entrada: R$ 4,00. Estudante paga meia. Grátis às quintas-feiras

Fotos: Raul Mattar

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quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

São Paulo: Memorial da América Latina

Não estava na minha rota. Mas era tão fácil chegar lá (só pegar o metrô, descer na Estação da Barra Funda e atravessar a rua) que pensei: mais uma do Oscar Niemeyer para a minha coleção. O memorial é um complexo arquitetônico de 84 mil metros quadrados. Gigante. Abriga informações culturais e históricas do continente latino-americano e propõe preservar nossa identidade e raízes.

No Pavilhão da Criatividade uma rica mostra do artesanato latino. Há uma biblioteca que conta como tudo começou por essas bandas. No acervo também estão catalogadas músicas erudita e popular. O complexo tem ainda um auditório para quase 1700 pessoas e o Salão de Atos, onde está uma das principais obras de Cândido Portinari, o colossal painel Tiradentes, de 1948. Nesse prédio fotos não são permitidas. Mas do lado de fora, sim. Um jardim de girassóis dava cor ao branco e cinza do conjunto.
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Abre parêntese. Quando projetou o Memorial da América Latina, Niemeyer já estava com 82 anos. (O moço ainda está vivo e completa 100 anos em 2007). Só pelos prédios e sua assinatura isso aqui devia ser passagem obrigatória para qualquer turista. O cara traçou uma cidade inteira – Brasília -, fez parte da comissão de arquitetos encarregada de definir os planos da futura sede da ONU em Nova York (lá em 1947), é o pai do Museu de Niterói e do MON, em Curitiba, que leva seu nome: “Museu Oscar Niemeyer”. Sem falar no projeto urbanístico para o Deserto de Neguev, em Israel, e o projeto para a Ilha de Lazer nos Emirados Árabes. Atenção: Oscar Niemeyer é latino-americano. Brasileiro. É nosso. Fecha parêntese.
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Voltando ao nosso post, o símbolo do memorial é uma mão espalmada. No centro da mão um desenho da América Latina em vermelho, imitando o sangue que se esvai pelas veias. O mais surpreendente: tudo de graça. São vários edifícios e todos com entrada gratuita. É possível passear por toda essa riqueza sem gastar um único centavinho.
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SERVIÇO:
Memorial da América Latina

Local: Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 – Barra Funda / Metrô Barra Funda

Horário: terça a domingo – 9h às 18h

Ingresso: entrada franca

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Fotos: Raul Mattar

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MATRAQUEANDO - Viagens e Comidinhas | Por Sílvia Oliveira | Jornalista | Curitiba, BR

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