Silvia Oliveira

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domingo, 08 de agosto de 2010

Sevilha, Espanha | Por Luísa Ferreira

A querida Luísa Ferreira, estudante de jornalismo da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), mora em Recife, adora viajar e compartilhar experiências. Com exclusividade para o Matraqueando ela conta tudo o que viu e viveu na capital da Andaluzia, durante um semestre de intercâmbio na Universidad de Sevilla. Acompanhe esse delicioso relato!


Plaza de Espanha: interessante projeto arquitetônico no coração da cidade.

Texto e fotos: Luísa Ferreira

“Morei em Sevilha por pouco mais de cinco meses, através de um intercâmbio universitário, e os primeiros dias já bastaram para que eu me encantasse pela cidade. A capital da Andaluzia é a quarta maior cidade da Espanha, mas é pequena o suficiente para, com bastante disposição, o visitante percorrer boa parte dos seus pontos turísticos a pé – e, convenhamos, não há forma melhor de se conhecer uma cidade!

A cidade transmite um orgulho pela cultura andaluza, o que se exprime em algumas manifestações tão tipicamente espanholas, como o flamenco. A influência árabe na região também é muito clara em vários pontos da cidade, profundamente marcada pela arquitetura moura.

Talvez o monumento mais emblemático da cidade seja a Giralda, a torre da Catedral de Sevilha. A Catedral – patrimônio da humanidade – é o maior templo da Espanha e o terceiro maior templo cristão, só superado em extensão pela Basilica di San Pietro, em Roma, e pela St Paul’s Cathedral, em Londres. A catedral é linda, em especial seu exterior, mas uma visita interna não decepciona: o Pátio de los Naranjos, com as típicas laranjeiras da região (em Sevilla, tem-se a impressão de que TODAS as árvores são laranjeiras), e a própria torre, que com alguma disposição pode ser subida (sem custo extra), fazem valer a visita. Do topo da Giralda, tem-se uma bela vista da cidade. A entrada custa 8€, mas estudantes menores de 26 anos pagam apenas 2€ e residentes na cidade ou menores de 16 anos acompanhados por adulto têm direito a entrada gratuita.


Catedral de Sevilha e a sua Giralda: maior templo espanhol.

Ao lado da Catedral, está um dos pontos que mais exemplificam a influência árabe na cidade: os Reales Alcázares, chamados assim, no plural, porque o lugar é composto por um conjunto de construções, desde o primitivo alcázar árabe até as posteriores ampliações com pátios e palácios realizadas por sucessivos monarcas. Eles apresentam as marcas da arquitetura árabe, repleta de detalhes incríveis. Quando estive lá, em janeiro, achei o local um pouco mal cuidado, mas talvez na primavera e no verão a situação seja um pouco diferente. A entrada custa 7,50 €, mas estudantes, deficientes e residentes entram de graça.
Também nessa região, perto da bonita Avenida de La Constitución (onde fica a Catedral), na Plaza Cristo de Burgos, está a Taberna Coloniales, um restaurante tradicional com preços bastante razoáveis, onde é possível desfrutar de um bom almoço pedindo diferentes tapas, versões “reduzidas” de pratos como solomillo al roquefort e papas bravas (a salsa brava, um molho de tomate levemente picante, é bem tradicional na Espanha). Uma delícia!


Avenida de La Constitución, em Sevilha.

Falando em comida, um lugar muito popular principalmente entre os jovens é a Cervecería 100 Montaditos, uma cervejaria que serve uma grande variedade de montaditos, que são pequenos sanduíches com diferentes recheios, acompanhados de batatas chips. Nas quartas-feiras, o lugar costuma ficar lotado, porque todos os montaditos da casa, assim como o a cerveja grande (bem grande) custam apenas 1€. Há várias 100 Montaditos pela cidade, mas uma das mais “famosas” é a que fica na Av. de la Constitución, bem pertinho da Catedral.

A Torre Del Oro, outro monumento dos mais emblemáticos da cidade, foi construída no começo do século 18, pelos Almóadas (dinastia árabe), com função de vigilância, pra evitar possíveis invasões pelo rio Guadalquivir, que atravessa a cidade. Atualmente, ela abriga o Museu Naval, que conta a história de Sevilha como porto fluvial: na época das grandes navegações, navios vinham do “Novo Mundo” trazendo tesouros, que eram descarregados junto à torre.

Não conheci o Museu Naval, mas o passeio pelas margens do Guadalquivir, passando pela Torre Del Oro (gratuita às terças-feiras. Fecha às segunda e em agosto), é imperdível. Uma boa opção é percorrer todo o Paseo de Cristóbal Colón, que vai desde a esquina com a ponte Isabel II até a ponte de San Telmo. Nesse caminho, é possível embarcar em um barco turístico, ou ainda alugar um pedalinho, e fazer um passeio pelo rio. Nesse percurso, passa-se também pela Plaza de Toros de La Maestranza, a praça de touros da cidade, onde acontecem as polêmicas touradas, e que está também aberta à visitação (Entrada € 6. Abre todos os dias das 9h30 às 20h). Em pequenos grupos acompanhados de um guia, os visitantes conhecem a arena e o Museo Taurino, aprendendo um pouco do funcionamento das touradas e da história da atividade na região.


Plaza de Toros de La Maestranza: a mais tradicional da Espanha.

Também é muito agradável caminhar às margens do Guadalquivir no lado oposto, percorrendo a Calle Betis, principalmente à noite. Essa rua badalada conta com diversos bares e algumas boates, e nos meses de clima ameno (ou seja, durante o ano quase todo) as mesas ficam na calçada, onde é possível comer umas tapas (petiscos espanhóis) olhando pra ponte Isabel II, ou Puente de Triana, minha ponte preferida. O lugar é freqüentado principalmente por jovens (boa parte estrangeiros, principalmente os Erasmus, alunos de intercâmbio dentro da Europa), mas há também restaurantes mais sofisticados na beira do rio que recebem um público diferente e oferecem um ambiente muito agradável.


A Ponte Triana e o emblemático rio Guadalquivir.

A Calle Betis fica no bairro de Triana, região tradicional de onde saíram muitos cantaores de flamenco e toureiros famosos. Um passeio pelo bairro, predominantemente residencial, é bastante agradável. Outro bairro muito tradicional é Santa Cruz, cheio de ruas estreitas com casas branquinhas que ostentam pequenas varandas floridas. É bem a imagem que muitos têm de Sevilha, e é realmente encantador. É fácil se perder andando por esse bairro, mas quem se importa? Sempre chegamos a uma pequena e simpática praça, ou a um charmoso bar de tapas. E aí é só aproveitar.

Diversos estabelecimentos na cidade oferecem apresentações de flamenco, mas um dos mais populares (e com entrada gratuita!) é La Carbonería, que fica na calle Levíes nº 18 (Fone: +34 954 214 460), em Santa Cruz. O lugar é bem tradicional, mas os seus freqüentadores são, na sua maioria, turistas. No espaço, diversas mesas com bancos compridos ficam dispostas em frente a um palco, onde bailaores, guitarristas e cantaores dão, literalmente, um show. A música e a dança flamencas são emocionantes, e a intensidade com que são apresentadas as performances sempre faz sucesso entre os presentes.

Outros pontos imperdíveis são a Plaza de España, impressionante projeto arquitetônico construído para a Exposição Ibero-Americana de 1929. A praça é linda, mas me pareceu um pouco fake, porque à primeira vista dá a impressão de ter sido construída muito antes de 1929. Hoje, funcionam no local órgãos da burocracia governamental, como a Extranjería. A Plaza de España é aberta ao público e fica praticamente dentro do Parque de Maria Luisa, um parque muito bonito onde é possível fazer um piquenique, alugar um triciclo ou ainda visitar um dos museus adjacentes, como o Museu de Artes e Costumes Populares e o Museu Arqueológico (entrada € 1,50 cada – fecham às segundas)


À esquerda, a Torre del Oro e o Paseo de Colón. À direita, o bucólico Parque Maria Luisa.

Para quem gosta de comprar, vale muito visitar a Calle Sierpes, que é praticamente uma continuação da Av. de La Constitución (pra chegar nela, você passa pelo prédio do Ayuntamiento, prefeitura, edifício construído em 1534), e outras ruas ao redor, como a Velázquez e a Tetuán. Nessa área, há muitas lojas legais de roupas, acessórios, maquiagem, perfumes, etc., como H & M, Zara, C & A, Six, Blanco e Mango, boa parte com preços bem interessantes. No verão, colocam na Sierpes e em outras ruas umas espécies de toldos improvisados, para proteger os passantes do sol escaldante (o termômetro passa dos 40 graus com freqüência, nos meses mais quentes).

Calle Sierpes: toldos protegem os pedestres do calor.

À noite, além dos bares na Calle Betis, há também bastante agitação na Plaza Alfalfa, na Alameda de Hércules (que não é freqüentada apenas por jovens) e na rua San Eloy, onde fica o Pátio de San Eloy, um bar de tapas onde as pessoas sentam em uma espécie de arquibancada. No local, há uma excelente seleção de montaditos. Experimente o de pringá, que é bem típico e muito gostoso! Bom, eu poderia continuar indefinidamente, mas Sevilha é mais ou menos isso: é passar a tarde na beira do Guadalquivir, tomando um tinto de verano (vinho tinto com Sprite ou similar), é ver as lojas fechadas pra siesta, é ver os espanhóis entupindo os bares à noite, com cerveza e sangría nas mãos, é ter dias de 20ºC no inverno e 44º no verão (fácil, fácil! – melhor evitar visitar a cidade nessa época, ou se preparar pra um calor bem seco), é se esforçar pra entender o sotaque andaluz, é ouvir o lindo hino do Sevilla, o maior time de futebol da cidade, é ver a influência árabe a cada esquina, é comer churros com chocolate no fim da tarde (os churros deles não são recheados, como os nossos, e costumam vir acompanhados de chocolate quente – vale a pena experimentar, eu adoro, mas aviso que o conjunto é bem gorduroso!), é passear pelo centro histórico, é comer muito jamón (presunto), salmorejo, gaspacho (espécies de sopas de tomate servidas frias) e azeite de oliva, é sentir a vibração da alegria de um povo que, em muitos aspectos, se parece muito com os brasileiros”.

Conheça mais o trabalho da Luísa no blog Just Tango On.

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quinta-feira, 08 de outubro de 2009

As noivas de Sevilha

Quando passei uma temporada em Sevilha, na Espanha – por conta do doutorado – minha distração predileta aos sábados, no fim de tarde, era percorrer o centro histórico da cidade. Nada de Giralda, Torre del Oro ou Alcazar. Meu fascínio eram as noivas espanholas. Todas de bege, variando entre palha e areia. Garantiam ali as melhores fotos do álbum, num dos ambientes mais fotogênicos do mundo: a capital da Andaluzia.

Fotos: Matraca’s Image Bank

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terça-feira, 05 de junho de 2007

Souvenir sevilhano

Eu, depois da minha seção gastronômica.

O Raul, quando me encontrar em Madri na semana que vem.
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Fotos: Matraca´s Image Bank
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terça-feira, 14 de novembro de 2006

Saudades de Sevilha…

Juro. Não mexi no céu. O Photoshop não serve para nada em Sevilha. Os anoiteceres da capital andaluza – por volta das 22h no verão – são sempre assim.

No lugar certo, na hora certa. Palácio Real Alcázar. São 10 minutos de sombra, entre 18h50 e 19h. Na parede de mosaicos árabes o reflexo da arquitetura moura. Patrimônio da Humanidade.

Faltaram as castanholas.

A Giralda. É o minarete da antiga mesquita – a Espanha esteve sob domínio árabe por séculos. Hoje, o campanário da catedral. Ao lado, seus arredores.


Deu saudades. Daqui a cinco meses tenho de voltar para lá. Mais uma etapa do doutorado. Prometo tirar fotos das castanholas.

Fotos: Matraca´s Image Bank

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segunda-feira, 19 de junho de 2006

SEVILHA: nem todos são toureiros!

Abra o leque. Prepare as castanholas. Peça uma sangria. Aqui, mais do que em qualquer lugar da Espanha, você pode gritar: oooolééé! A capital da Andaluzia transpira aquele tradicional conceito arraigado na nossa cabeça de que todos os espanhóis são toureiros e de que todas as espanholas dançam o flamenco, baile típico andaluz. É mais ou menos como achar que todo brasileiro sabe sambar ou que todo argentino termina suas noites em uma casa de tango.
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Um grande amigo meu, professor, doutor e muito viajado me disse que sua cidade eleita na Espanha é Sevilha. Eu ainda prefiro Barcelona, mas reconheço a força desta paragem andaluza, que representa uma região inteira de puro sangue quente! Não falo só da explosão do temperamento. Mas também da paixão pela música Flamenca e da adrenalina aterrorizadora das Touradas.

Não é difícil compreender porque Sevilha acabou se transformando em um ícone espanhol. É justamente aqui que podemos confirmar todos os nossos estereótipos em relação à Espanha: praias, touradas, sevilhanas, pueblos de casas brancas, tapas (petisco espanhol), vinho xerez e infinitas procissões religiosas.

Sevilha ferve! O ano inteiro. É a 4ª maior cidade espanhola, depois de Madri, Barcelona e Valencia. Moura, dourada e às margens de um rio de nome complicado, o Guadalquivir, a cidade traz em cada esquina sete séculos de domínio árabe. Guada, que significa rio, vem do árabe wadi e dá origem a muitas palavras espanholas. Guadalquivir quer dizer “rio grande”. (Guadalajara, por exemplo, significa “rio das pedras”.)

Não dá para entender Sevilha sem saber um pouquinho de história. A Andaluzia foi conquistada no ano 711 d.C. pelos árabes que levaram para o sul da Espanha a rica arquitetura moura, deixando parte de sua harmonia musical na origem do flamenco.

Obviamente, com a reconquista pelos cristãos parte desta herança foi mitigada. Mesmo assim, metade da cidade é declarada Patrimônio da Humanidade. Só por isso já valeria uma visita de, pelo menos, três dias! Eu fiquei dois meses.

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Fotos: Matraca´s Image Bank
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quinta-feira, 25 de maio de 2006

ESPANHA: doutorado em Sevilha

Primeiro decidi fazer um doutorado. Depois escolhi a cidade em que gostaria de passar uma temporada. Em seguida, o curso e a universidade. Nem precisei procurar muito: Sevilha, Universidade Pablo de Olavide, Programa de Doutorado em Desigualdades e Intervenção Social. E aqui estou, na Andaluzia, Sul da Espanha.

Uma novidade no mundo das teses e apoiado pela lei espanhola este programa é desenvolvido em dois anos através de módulos intensivos: 2 meses e meio em 2006 e o mesmo período em 2007. A universidade, que é pública, cobra uma taxa por cada módulo/crédito feito. Não sai barato para os bolsos brasileiros, mas é uma bagatela tratando-se de um doutorado internacional. Vale a pena? Dependendo do que você busca para sua vida pessoal, profissional e acadêmica pode ser o investimento mais bem feito da sua biografia.

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Matraqueando - Blog de viagem | Por Sílvia Oliveira

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