Silvia Oliveira

Na categoria Itália

quarta-feira, 08 de outubro de 2008

Milão sem pressa

Quase todo mundo que vem à Itália pela primeira vez costuma ignorar Milão. Dizem que não tem a história de Roma nem o charme da Toscana. De fato, a capital da Lombardia não é para ser comparada, mas justificada.

Eu também deixei para conhecer a cidade em uma terceira viagem à Europa, aproveitando um vôo da Alitália em direção à Espanha – que parava primeiro em Milão. Fiz um stop de dois dias. Viajava sozinha. Foi a primeira vez que realmente me senti poderosa, no sentindo mais literal da palavra.

Era setembro e o sol brilhou como nunca. Eu – livre, leve e solta num dos maiores centros econômicos do mundo. Qualquer guia alerta: Milão é uma cidade cara como Paris e Nova York. E é mesmo. Mas, apesar de ter ficado no excelente albergue da juventude Piero Rotta (19 euros em quarto coletivo) e ter almoçado e jantado no Mc Donald’s, achei que podia tudo a partir daquela viagem.

Depois dali eu seguiria para as Ilhas Canárias, onde concluiria meu mestrado em turismo. Então, eu achava que estava mesmo podendo. E apesar da sovinice da época, tive minhas extravagâncias. Escolhi a dedo onde tomar um café: Galleria Vittorio Emanuele, toda em aço, cheia de vitrais.

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Deve ter sido o café mais caro que tomei na vida, não lembro o preço nem tenho foto do dito cujo. (O Matraqueando ainda não existia). Mas recordo que era um café servido numa xícara design, acompanhado de uma colherzinha design, delicadamente pousada num pires design.

A Galleria é o centro gravitacional da cidade. São lojas de grife, bistrôs charmosos, um vai e vem de executivos e muita mulher bonita e elegante. Estava, enfim, na capital da moda! Foi o meu momento emergente. Rá! Ao lado da Galleria Vitório Emanuele está a Catedral de Milão, uma das maiores em estilo gótico da Europa. É o cartão-postal da cidade. Começou a ser construída no século 14 e demorou quinhentos anos para ficar pronta. Não paga nada para entrar.

Do Teatro Alla Scala você já deve ter ouvido falar. Aqui se consagrou Verdi e Maria Callas. Só o conheci por fora porque naquele ano estava fechado para reforma, mas tem um museu que conta um pouco da história glamourosa do edifício e das óperas.

A surpresa ficou por conta do Castello Sforzesco. Para quem gosta daquele arzinho davinciano fica feliz da vida ao visitar seus pátios e jardins (gratuitos) e os museus (a 3 euros) que ficam dentro do castelo. No meio daquele burburinho é uma face da essência prosaica da Itália.

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Fotos: Matraca´s Image Bank
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Milão combina com:
Veneza
Florença
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terça-feira, 07 de outubro de 2008

Vaticano: um estado dentro da cidade

Quer saber? Eu nunca sei direito o que é, geograficamente falando, o Vaticano. Os livros costumam dizer que é uma cidade-estado (mas o que significa isso?), na verdade o menor estado independente do mundo. Há quem diga que a sede da Igreja Católica tem todos os trejeitos de um país, mas está dentro de outro município, Roma.
Para mim funciona assim: é um bairro beeeem grande da capital italiana, onde fica a casa do Papa, uma das maiores basílicas do mundo e ilustres museus. Mas voltando aos livros, politicamente pode ser considerado uma Autocracia porque todos os poderes (executivo, legislativo e judiciário) estão concentrados na figura do Papa – que não possui ninguém fiscalizando seu trabalho, já que é considerado (atenção, pára tudo!) sucessor de São Pedro.
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Independente de religião, o Vaticano merece uma visita de dia inteiro (ou mais, se tiver tempo). A Basílica de São Pedro é a segunda maior das igrejas católicas. Há alguns anos perdeu o título de maior igreja do mundo para a Basílica de Nossa Senhora da Paz de Yamoussoukro, na Costa do Marfim. Mas a do Vaticano é ainda a mais famosa e a mais visitada.

Não circule por lá sem saber o que está vendo. Preste atenção no pórtico, a Porta Santa, feita em bronze. Admire as obras internas: além da consagrada Pietá, de Michelangelo tem uma escultura de São Longuinho (isso, aquele dos três pulinhos e três gritinhos), feita pelo artista italiano Bernini. Ocupa um dos quatro enormes nichos redondos dentro da basílica, cada um traz estátuas gigantescas de mais de cinco metros de altura.

Tem ainda a entrada do túmulo de São Pedro, onde estariam os restos mortais do santo. Sem falar na própria Cúpula, a mais elevada do Vaticano.
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Perto dali está a Capela Sisitina, que faz parte dos Museus do Vaticano. Os museus são um conglomerado de instituições culturais da Santa Sé. Reservam um acervo de valor inestimável de obras, entre outras, colecionadas ao longo dos séculos pelos papas.
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A Capela Sistina revela uma das mais extraordinárias obras de arte: os afrescos bíblicos de Michelangelo, que levou quatro anos para concluir o trabalho. Na parede do altar, sua obra prima O Juízo Final representa as almas reencontrando-se com Deus. É uma visão avassaladora, que só poderia ter sido reproduzida por um gênio como Michelangelo.

Os Museus do Vaticano são algo mais para sentir do que para ver. Não entendo muito de arte, quase sempre não sei dizer quem fez o quê. Prefiro olhar, deixar o instituto agir. Se gosto, recomendo. Se não, fico na minha.

Mas se você quer conhecer os detalhes do que vai encontrar nos Museus do Vaticano indico o Artetropia, da minha amiga Patrícia. Só mesmo uma especialista no tema como ela para identificar que na Capela Sistina não pode fotografar, fazer vídeos e falar alto.

Porque nós fotografamos, filmamos e falamos médio (alto também não dá, né! Em tempo: não foi desrespeito, não vimos plaquinha nenhuma de proibição.) Aliás, não só nós, mas quase todo mundo que estava lá dentro. E como você pode ver na foto não era pouca gente. A Pati conta tudinho aqui, tim-tim por tim-tim.
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Fotos: Raul Mattar

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O Vaticano combina com:
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segunda-feira, 06 de outubro de 2008

Roma: o sonho de ginásio

O primeiro idioma que escolhi para aprender de verdade (depois de anos, em vão, tentando assimilar o inglês) foi o italiano. Era um daqueles desejos pessoais, uma espécie de investimento a fundo perdido, porque é o tipo de língua que você não fala em nenhum outro lugar a não ser na Itália.

Estudei à beça para descobrir que – sem passar um longo período no país – quando você chega a Roma o máximo que sai é ciao e prego. Mas de todos os países europeus que conheço (ainda faltam muitos, è vero) a Itália é onde nos sentimos mais em casa.

É bem provável que na sua primeira viagem para cá, Roma esteja no roteiro. Aliás, Roma, Grécia e Egito estão entre aqueles lugares que povoam nossa imaginação desde as aulas de história do ginásio. E é tudo daquele jeitinho que você imagina e vê nas fotos.

Assim como Paris, Roma é muito mais bonita à noite. Mas somente em um único dia conseguimos superar o cansaço diurno do nosso vai e vem frenético. Foi quando resolvemos sair para conhecer a Fontana de Trevi iluminada. Certamente não fomos os únicos a ter essa idéia. O local fica coalhado de turista, quase não dá para tirar uma foto decente. Até os próprios italianos passam por lá para imortalizar momentos importantes da vida deles.

Mas acho que é de dia que o roteiro na cidade funciona melhor, além de ser menos perigoso. Comece pelo Coliseu (o verdadeiro nome é Anfiteatro Flávio), o mais famoso e antigo monumento de Roma.

Ali aconteciam as brutais lutas de gladiadores. Lá de dentro é possível apreciar por inteiro o Arco de Constantino, construído no século 4, depois de Cristo.

Ao contrário da bobona que vos fala, quando estiver nessa região da cidade não pegue nenhum ônibus turístico. Nem mesmo táxi. Aproveite para gastar a sola do sapato. O arrebatador de Roma está em qualquer esquina, em cima de qualquer calçada. A cada meio passo você se depara com algum sítio arqueológico. O Fórum Romano é um deles.

No momento Ben-Hur da viagem vá ao Circo Maximo, onde os romanos organizavam as espetaculares corridas de bigas e quadrigas, fortemente retratadas no filme protagonizado por Charlton Heston.
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Seguindo, percorra a Via Apia Antiga para chegar às catacumbas, antigos cemitérios subterrâneos. As Catacumbas retratam a fé dos primeiros caras que aderiram ao cristianismo, cuja crença se baseava (e ainda se baseia) na esperança de vida eterna após a morte.
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É bom que saiba: por onde quer que você vá os monumentos estarão como a foto acima: apinhados de gente. E depois desse roteiro turistóide-obrigatório – passeie sem rumo pelas praças e cafés da cidade. Resta pouca coisa do que as aulas do colégio ensinavam, mas é o resquício da história e o que sobrou do império romano que fazem do destino um marco na sua trajetória mochilística.
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Quando se deparar com a Piazza di Spagna, suba a escadaria. Você conhecerá a Villa Borghese que – num clichê bem típico – é uma espécie de oásis urbano, com acolhedores jardins. Mas que quase nenhum guia de viagem comenta ou indica. É a melhor ocasião para cumprir o ditado: em Roma faça como os romanos.
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Fotos: Raul Mattar
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Roma combina com
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quinta-feira, 02 de outubro de 2008

Pisa, a uma hora de Florença

Ara. Pó parar de rir. Sim, essa aí da foto sou eu. Em 1997. Tinha longos cabelos. No meu primeiro tour mão-de-vaca-muquirana pela Europa eu fazia a linha Miss Mochileira. Rá rá.

Como não voltei a Pisa na minha segunda vez em Florença (no ano passado), só restou essa foto descolada cuidadosamente dos meus alfarrábios. (Acredite, não tenho nenhuma foto da Torre de Pisa sozinha. Eu tinha de aparecer em todos os monumentos, claro.) E essa foi especialmente scaneada para ilustrar esse humilde post.

Humilde, despretensioso e modesto – como deve ser uma visita à cidade de Pisa. Reserve uma manhã da sua viagem a Florença, pegue um trem e em pouco mais de uma hora você está ao lado (ou dentro, se tiver coragem de subir) da torre inclinada mais célebre do mundo.

Depois de ficar anos fechada para visitação – o monumento ameaçava cair – a construção (iniciada no século 12) foi reaberta para os turistas em 2001. E como na maioria dos lugares ultra-mega-hiper-top-turísticos da Europa, você fica algumas horas na fila para comprar o ingresso.

Com o bilhete nas mãos, outra espera: só entram 30 pessoas por vez na torre, em visitas guiadas de 30 minutos. São € 15 na bilheteria. Mas você pode se livrar da fila comprando pela Internet no site Opera Primaziale Pisana. (Pela Internet são 2 euros a mais.) Vale muito a pena.

Além de não se estressar na fila você ganha tempo para dar umas voltinhas pelo centro. Não tem nada muito especial além da torre, mas é mais uma cidadezinha da Toscana para incluir no seu book.

Foto: Matraca´s Scanner
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Florença: a cidade que provoca demência

As balinhas de Murano
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quarta-feira, 01 de outubro de 2008

Florença: a cidade que provoca demência

Recentemente a cidade de Florença, na Itália, recusou colocar nas ruas duas estátuas de pedra enormes – com quatro metros de altura cada – doadas pela cidade chinesa Ningbo. O babado começou quando Firenze (para os íntimos) resolveu presentear Ningbo com uma réplica de bronze da obra Davi, de Michelangelo. O objetivo era reforçar laços comerciais.
Na opinião dos moradores da cidade italiana, as obras chinesas – que representam guerreiros da dinastia Tang – não combinam com a capital do Renascimento. “O senso de beleza dos florentinos é tão desenvolvido que não é surpresa eles terem dificuldade em aceitar essas esculturas”, escreveu a jornalista Annalisa Piras, da revista italiana L’Espresso.
Quem não conhece Florença deve achar uma baita arrogância desse povo que sem meia volta recusou um presente tão bem intencionado. Mas se você já esteve por lá (eu mesma fui duas vezes!) há de concordar que (com todo respeito à milenar arte chinesa) guerreiro Ling Ping não combina com Donatello ou Botticelli. É tanta arte boa que o hospital de psiquiatria da cidade observou que muitos turistas ficam, literalmente, loucos com o excesso de beleza ao visitar a capital da Toscana. Alguns sofrem ataques temporários de pânico e até de demência. Um surto que, às vezes, dura vários dias.
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É a Síndrome de Stendhal. Provoca taquicardia, vertigens e falta de ar, sempre quando a pessoa se expõe em demasia a obras de artes. O nome da doença veio do escritor francês Stendhal, vítima dessa enfermidade em 1817, quando visitava a Igreja Santa Croce de Florença, onde estão os restos mortais de Maquiavel, Galileu e Michelangelo. “A vida se esvaía de mim. Eu caminhava com medo de cair”, escreveu no livro Nápoles e Florença: uma viagem de Milão a Reggio.

Eu, como sou uma surtada por natureza, não senti muita diferença. Mas ninguém sai incólume de tanta harmonia, majestade e perfeição. Para começar, Florença foi construída à beira do Rio Arno, de onde você tira uma das fotos mais lindas do seu álbum.

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O Duomo (1ª foto, na abertura do post), com entrada gratuita, é o famoso cartão postal externo da cidade, construído nos séculos 11 e 12. Trabalho de Brunelleschi. Já é na Accademia que você verá o original Davi, a obra prima de Michelangelo. Custa € 6,50 para entrar e umas duas ou três horas na fila. Mas você poderá ver réplicas espalhadas pelo centro.
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Depois tem a galeria Uffizzi, minha preferida: é o principal acervo renascentista do mundo. Aqui estão O Nascimento de Vênus, de Boticcelli, e a Anunciação, de Leonardo da Vinci. No mais é se perder pelos becos, ruelas e piazzas, deixando para o fim do dia aquele sorvetão de casquinha crocante (o bem sucedido gellato). Se você tiver que ter um ataque de doidice e siricotico durante uma viagem à Europa pode escolher Florença para seus mais profundos devaneios. Vão achar que você é apenas sensível.
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Fotos: Raul Mattar
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quinta-feira, 11 de maio de 2006

VENEZA: cotidiano anfíbio

Acredite, fora o mar Adriático que insiste em dar um passeio de vez em quando pela Piazza San Marco, Veneza não mudou um só preguinho de lugar desde sua fundação.
Sabe-se lá o que é uma cidade rodeada por 118 minúsculas ilhas, todas alinhavadas por mais de 400 pontes e canais, onde não existem carros e os ônibus são curiosas embarcações, que lembram mais uma chalana mato-grossense? Arf! São mais de 1600 anos de história e a fotografia, a geografia, as construções (!), TODAS, são as mesmas!

Decidi abrir meus posts internacionais com Veneza porque essa é a cidade mais surreal que já conheci. Não é nem a minha preferida de todas, mas a mais surpreendente. Entre todos os estereótipos criados para os casais apaixonados que elegem esta cidade para passar a lua de mel, andar de gôndola (uma espécie de canoa sofisticada), é o maior deles.

Os gondoleiros, cantarolando músicas venezianas, atravessam a Ponte de Rialto, levando gente apaixonada e turista curioso. Perder-se nas ruas estreitas e quase sempre encharcadas é o programaço desta inconcebível paragem italiana: ficar andando, atravessando pontes, pulando poças, imaginando a Veneza que motivou Vivaldi a compor As Quatro Estações. Não se preocupe, todos os caminhos dão na água e levam sempre de volta à Piazza San Marco.

Depois de uma manhã circulando em Veneza passei pelos mesmos canais, vi as mesmas obras, senti os mesmo cheiros e, provavelmente, até toquei as mesmas construções que inspiraram as pinturas de Rafael e Giotto.

A cidade, em si, é seu principal monumento. Lembra da Ponte dos Suspiros? Fica em Veneza. E do conquistador Casanova? Nasceu aqui.

Não sei se nem mesmo o lunático e criativo Júlio Verne teria tanta imaginação para tirar do fundo do mar uma cidade como esta, única no mundo, plantada sobre um oceano, com um cotidiano anfíbio, absolutamente intocada há mais de 16 séculos.
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Fotos: Raul Mattar
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Páginas:12
MATRAQUEANDO - Viagens e Comidinhas | Por Sílvia Oliveira | Jornalista | Curitiba, BR

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