Silvia Oliveira

Na categoria Crônicas

quinta-feira, 30 de março de 2017

A ditadura da mala pequena

mala pequena

Não tem muito arranjo técnico ou segredo místico. Para viajar sem despachar é preciso desapego. Observe, as pessoas que conseguem atravessar o oceano — e passar 15 dias do outro lado do mundo — com uma malinha de bordo são seres enxutos por natureza. Nem evoluídos nem descolados. Apenas renunciam aquilo que parece indispensável ao outro.

Nunca fiz (e não pretendo fazer) um post mostrando a montar mala pequena. Algumas dicas vêm a calhar, verdade. Faça rolinhos com as camisetas. Coloque as meias dentro dos calçados. Leve o casaco na mão. Use embalagem miniaturas para cremes e shampoo.  Deixe o secador em casa.

Já falei aqui, aqui e aqui de itens que considero essenciais na bagagem, mas se fosse para eu investir tempo no tema, abordaria essencialmente técnicas de libertação e desprendimento emocional.

Não adianta ensinar a fazer rolinhos com camisetas se você quer levar 14 blusinhas numa viagem de cinco dias. A essência não está na montagem ou no método de organização, mas na abnegação.

O desapego, veja bem, não é indiferença ao bem vestir. É a capacidade de abandonar o desnecessário. Quantas vezes você foi e voltou com um monte de badulaque que sequer chegou a usar? Acontece com todo mundo. Inclusive comigo.

— Ah, mas se eu precisar daquele vestido oncinha? Ou do sapato azul com laço branco?

— 18 pares de brincos são suficientes.

— Huuum, xaver… sete dias… sete calças, é isso!

— Mas eu sou homem, minhas coisas tomam espaço.

Men-ti-ra. Tenho um marido que até há bem pouco tempo se recusava a viajar somente com mala de mão. Pois ele ia e voltava com a bagagem cheia de camisetas, meias e cuecas s.e.m. usar.

Pode não parecer, mas quem viaja sem despachar nem sempre tem vocação para hippie. Meu objeto de contracultura é justamente a não imposição de regras. Criar uma ordem celestial para viajantes desapegados é o que eu não quero fazer aqui.

Quem parte somente com uma malinha de mão ou com uma mochila nas costas não é mais aventureiro, empreendedor ou ousado do que você. Nós apenas queremos tomar conta da viagem. E não o contrário.

Mala é um ser vivo mimado com genoma muito próprio. É um personagem autoritário e dominador. Invariavelmente causa suplício e tormento. A raiz do sofrimento é o apego — como bem dizia Buda. A bagagem que carregamos é a parábola mais bem contada da nossa vida.

Lembra a última vez que você teve que se sentar em cima dela para tentar fechar o zíper daquela bagaça? É necessário impor respeito. Já disse e repito: sua mala não pode ser mais empoderada do que você.

Por outro lado, a mala é sua. A viagem é sua. E sua história é com você. Não deixe que criminalizem ou até ridicularizem seu passeio só porque você chegou à casa da tia para passar o fim de semana com uma samsonite-conteiner de 25 quilos.

Tá, eu confesso que daria um sorrisinho no canto dos lábios. Mas imediatamente me lembraria daquela calça de couro que eu levei na minha primeira viagem à Europa numa mala acoplada a um carrinho de feira. São anos de treinamento e evolução, rapá!

Diga não à ditadura da mala. A imposição desta ou daquela forma de viajar gera um sentimento de frustração naqueles que pre-cis-am carregar o closet nas costas.

E digo mais: se tiver dificuldade de acomodar na bagagem aquele unicórnio que estava passando na sala BEM na hora que você arrumava a tralha, é só colocá-lo dentro de um saquinho plástico zipado. Se fecha, encaixa!

Levem o que quiser. Quem vai arcar com as consequências é você mesmo. Nós não temos nada a ver com isso. Ninguém é obrigado a passar por este sofrimento de escolha e triagem pessoal justamente nas férias se não faz este exercício diário na vida cotidiana.

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sexta-feira, 06 de janeiro de 2017

10 coisas que aprendi viajando | #matraqueando10 anos

10-coisas-que-aprendi-viajando

1. Todo mundo pensa que você é rico.
Hellooou! Prioridades, migo. O livre arbítrio existe para que a gente decida o que fazer com o próprio dinheiro. Eu invisto em experiências. Mas não se prenda por mim. Fique à vontade para gastar com roupa, tecnologia ou tratamento de beleza.

Continue lendo o texto…

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segunda-feira, 02 de março de 2015

O mundo acabando e você aí, falando de viagens?

Balaozinho Matraqueando 2015

Spoiler: este texto contém ironia.

As redes sociais criaram um personagem divertidíssimo chamado “ativista digital”. Quando ele surgiu, há alguns anos, era até interessante em sua essência e proposta: víamos pessoas insatisfeitas com a realidade e que encontravam um universo perfeito — a internet — para levantar a bandeira de sua causa.

Hoje, não importa sua carreira ou seu partido político. Todos são ativistas digitais. O importante é ser engajado e, como consequência, ganhar muitas curtidas e compartilhamentos com seus posts brilhantemente politizados e humanistas. Só que não.

Os engajados virtuais estão prontos para desconstruir o tema do dia porque tem sempre um assunto que ele considera mais importante. Existe uma necessidade incrível de inferiorizar um acontecimento em detrimento de outro.

São pessoas que quase sempre tentam constranger o seu posicionamento porque acham que o dela (ou aquele que ela leu na timeline do amigo-cabeça) é mais humano, verdadeiro ou necessário.

Há um esforço colossal em fazer os outros ficarem envergonhados com sua indignação ou opiniões, uma vez que o ativista digital tem sempre algo que ele julga mais digno de pesar ou atenção.

Parece não ser mais possível falar sobre qualquer coisa que não sejam os escândalos de corrupção no Brasil, as decapitações do Estado Islâmico ou a miséria do Sudão.

Caso alguém ouse a se distrair — ou trazer um pouco de leveza e bom humor à sua rotina tentando descobrir qual é a cor do vestido — seres iluminados ficarão horrorizados: “como alguém pode perder tempo discutindo a cor de uma roupa enquanto na África mulheres nem vestidos tem para usar?”. #gentechata

Observe. Se ficamos indignados com a chacina dos cartunistas do Charlie Hebdo, há quem menospreze o problema lembrando que no Brasil morrem muito mais pessoas assassinadas por dia. E aí começa a ladainha:

#JeSuisCharlie #JeNeSuisPaCharlie #JeSuisPalestine #JeSuisAfrique #JeSuisMessi #JeSuisRonaldo #JeSuisTheMinions #JeSuisMatraca #JeSuisUneMerdeIssoSim

Se ficamos indignados com o patrocínio polêmico que o governo ditador da Guiné Equatorial ofereceu à escola de samba Beija-Flor, há quem lembre que o jogo do bicho é mais escandaloso.

Se ficamos indignados com os maus tratos em animais, há quem evoque as crianças de rua abandonadas. Se você ousa solidarizar-se com a tragédia do 11 de setembro há quem diga que o genocídio de Ruanda matou muito mais e ninguém comenta.

Atenção. Isso aqui não é uma disputa de tragédias e desgraceiras. Se é para dar uma opinião, posicione-se, apenas. Levante sua bandeira. Defenda sua causa. Mas você não precisa fazer isso depreciando a comoção ou a indignação ou a curiosidade do outro. Muito menos macular a notícia do dia, mesmo que ela não seja significativa para você.

Há, ainda, quem amaldiçoe qualquer tema ameno e, digamos, mais agradável como se não existisse no seu dia a dia a deliciosa conversa fiada. Caros, a história da humanidade não é feita só de mazelas. E para os que reclamam de notícias supostamente fúteis saiba que jornalismo não é só política e economia.

Nosso cotidiano é movido por ciência, tecnologia, religião, espiritualidade, viagens, moda, beleza, saúde, curiosidades e, principalmente, comportamento.

Fico imaginando o que essa gente pensa de mim — que escrevo, falo e vivo o supérfluo universo das viagens. Supérfluo? Para mim, é indispensável.

Pior, o que essa gente pensa de mim que ganho dinheiro viajando? Muito pior: o que será que passa pela cabeça dessas pessoas quando descobrem que isso é meu trabalho: viajar e escrever? Muito, muuuito pior, quase o apocalipse: que tipo de devaneios eles têm quando percebem que não aceito convites, cortesias, não participo de viagem patrocinada, não faço post pago e, ainda assim, construí um negócio fazendo… turismo?

Por que eu não escolhi cuidar de idosos? Não recolho animais na rua? Não trabalho com refugiados? Não luto pelas causas indígenas? Não saio pelada em passeata feminista? Por que não me inscrevo no Greenpeace? Por que eu cometi o pecado de fazer jornalismo e — sacrilégio — virar blogueira de viagem?

Pois eu que pergunto a estes seres engajados e onipresentes sempre prontos a desconstruir o assunto da hora ou a tarefa do outro com suas verdades absolutas, quais são mesmo seus planos — e ações — para salvar a mundo?

E você, o que está fazendo aí fuçando neste blog frívolo, oco e distante da realidade cruel, ferina e virulenta a que somos submetidos diariamente? Tire a mão do queixo, a outra do mouse e vai arrumar uma roça para carpir, bando de alienados!

(Mas,  por favor,  antes me diga: o vestido é branco e dourado ou azul e preto?)

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quarta-feira, 03 de dezembro de 2014

Farofeiros de raiz, uni-vos!

Sabe aquele turista que invade a praia com mil e uma sacolas, prepara o rango como se estive na cozinha de casa, deixa latinha espalhada na areia, não recolhe o próprio lixo e coloca a música do carro no último? Não, ele não é farofeiro. Ele é sem educação. Gente que desconhece a palavra cidadania e não sabe o que significa respeito ao próximo.

Por causa de tipos assim muitos viajantes sentem-se constrangidos em levar o próprio lanche ou bebida de casa. Algo absolutamente comum tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, seja quando viajamos de avião, carro ou ônibus. Aqui, preferimos pagar R$ 12 num pão de queijo com café no aeroporto a montar uma marmitinha saudável com iogurte e sanduíche natural comprados no supermercado pela metade do preço.

Ser  chamado de farofeiro é ofensa mortal para o turista emergente. Entendo. Quando saímos de férias subimos na vida. É nosso momento-patrão. Qualquer adjetivo que nos associe ao modus operandi considerado suburbano é insulto, quase uma afronta moral. É necessário pagar — quanto mais caro, melhor — para ser aceito no universo dos novos ricos viajantes. Só que não.

Nada mais digno do que o poder de escolha. Montar o próprio farnel pode ser um ato de inteligência que nada tem a ver com pão durice ou chinelagem. Ora, atravessamos o oceano para fazer piquenique no Jardim de Luxemburgo em Paris — muitas vezes com o intuito de economizar na janta. Mas fazer a mesma coisa num parque tupiniquim, porém, é considerado coisa de pobre indigente.

Sou farofeira de raiz. Sempre que posso levo minha matula. Nada muito complicado. Saunduichinhos, cookies integrais, castanhas, iogurte natural, suco orgânico, chocolate amargo e água.  O meu kit- sobrevivência traz diversas  opções, é bem mais saudável e custa a metade do preço do combo vendido nos voos nacionais (sanduba de presunto e queijo, refri e batata chips) ou em lanchonetes de beira de estrada.

Vale também para quando a espera no aeroporto é longa.

Não se trata de avareza. Sou uma muquirana com limites até. Mas tenho tarimba no assunto. A questão é bem mais ampla. Estamos falando do exercício da liberdade, intrínseco ao ato de viajar. Da nossa capacidade de dizer não à lata de cerveja de R$ 10 sem temer julgamentos ou sem se sentir menor ou mais pobre por isso.

Não tenha vergonha do seu isopor na praia ou da sua marmita no avião. Mais do que seu status, eles devem refletir sua indignação. Artigo de luxo é ser cidadão. Ter medo de parecer farofeiro de raiz é complexo de inferioridade. Ostentar, aliás, é – antes de tudo (e qualquer viagem) – dar valor ao próprio e suado dinheiro.

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quinta-feira, 04 de setembro de 2014

Ofício de blogueira versus espírito de viajante: como manter um sem acabar com o outro

Silvia Oliveira Matraqueando

Não tenho saudades de mim. De quando viajava e não tinha um blog para contar. Ao contrário. Partir está cada vez melhor. Alinhar minhas expectativas com o que o leitor espera do blog me tornou uma turista mais centrada e produtiva. Ser blogueira me obrigou a revisitar lugares e a construir novas percepções da história e das pessoas.

Tive que compreender as necessidades das famílias viajantes, assimilar a aflição do mochileiro fresco e absorver os desafios da cocotinha mão-de-vaca-muquirana. Se viajar é um ato de abnegação, ser blogueiro faz você se esquecer de que algum dia já teve umbigo. Tudo se expande. A paciência cresce. O olhar desabrocha. A empatia ganha.

O lado B existe, porém.  Já não temos aqui (nem por aí) aqueles textos soltos e despretensiosos como “hoje acordei e saí sem rumo pela cidade”. A crônica de viagem se perdeu. É certo que 90% das minhas escapadas pelo Brasil e pelo mundo são baseadas na minha satisfação pessoal.  Luz do espírito viajante. Mas para atender ao plano das férias alheias seguimos, muitas vezes, um script pensado no que você (e não eu) gostaria de fazer. Ossos do ofício.

No blog-passatempo o texto é moldado pelo prazer. No blog-trabalho a gente se esquece disso. Quando tentamos misturar as duas coisas dá nisso: eu só quero falar de Madri e você, já sei, não aguenta mais. Muda de canal sem sequer dizer adios.

Meu sistema operacional interno, o matraquindows,  começa a entrar em colapso sempre que se dá conta de que algumas dezenas de posts que tenho atrasados são voltados ao planejamento da viagem (o que fazer, onde dormir, como chegar) — aqueles focados no blog-trabalho. Tchau espírito de viajante. Embora importantíssimos, não são relatos exatamente prazerosos. Nem de escrever nem de ler. Bem-vindos ossos do ofício.

Se você acha que tenho o melhor trabalho do mundo… você está certo.  Eu escolhi estar aqui.  Por isso, não entenda esse quimera como um amontoado de lamúrias ou incertezas. Não é. Até porque eu deixo o queixume para quem não gosta do que faz. E o Matraqueando é um espaço colaborativo cheio de gente feliz.

Bem-aventurado o blogueiro de viagem que se torna uma espécie de santo de devoção do leitor. A transmutação se dá na caixa de comentários, quando nos convertemos em consultores financeiros (quanto devo levar?), psicólogo comportamental (meu filho vai se adaptar?) e até na moça do tempo (como estará o clima em Veneza em 2017?). Sou grata por confiar em mim. Mas, acredite, não sou especialista em nada. Malemá sei interpretar um mapa.

A questão é saber equilibrar essas duas funções — blogueira e viajante. Será sempre um desafio embaraçoso. É como ser dono e empregado do mesmo lugar ao mesmo tempo. Eu, como patroa do brogue, me dou uma espinafrada e me mando escrever com prazer e dedicação sem nunca me esquecer das necessidades do leitor. Eu, como funcionária da bagaça, só quero saber quando saem as próximas férias e voltar a escrever quando eu bem entender. :mrgreen:

É quando tenho saudades de mim. De quando viajava e não tinha um blog para contar.

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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

2014: em defesa dos blogs caóticos (como o meu)!

Writer

Ao fazer uma chamada no facebook para um post recém-publicado a querida Liliane Sonsol do ABC de Férias  fez um desabafo. Na verdade, ela pedia desculpas por produzir posts numa ordem que ela considerava caótica. “Eu troco de continente como quem troca de roupa, começo uma série de um país sem terminar de outro, mas sou blogueira à moda antiga, acho sempre que a inspiração precisa estar presente”, concluiu.

Inspiração. (s.f.) Estado da alma quando influenciada por uma potência sobrenatural: inspiração divina.

Semanas antes foi a vez da blogueira Elaine Castro do Viagem Massa eleger o próprio blog como o mais chato do mundo. Num texto calmo e sereno, ela – paradoxalmente – gritava: “Paixão cheia de regras, esfria. A obrigação matou o encanto.” Elaine estava agoniada por ter enclausurado o próprio blog em torno do tema “viagens”, preocupada com Google e acessos diários.

O post foi uma catarse. Elaine decidiu ser feliz: buscaria a inspiração cotidiana (como uma receita de bolo de banana que ela aprendeu e adorou) para dar vida às publicações diárias, sem a pressão do “tenho que escrever sobre…”

Paixão. (s.f.) Sentimento intenso que possui a capacidade de alterar o comportamento, excesso de entusiasmo, emoção (…)

Meninas, toquem aqui! Sou da turma dos blogs caóticos (e que, vira e mexe, fica muito chato). Meus leitores fiéis seguramente já estão acostumados com a desordem matraquística. Na mesma semana vou de Lisboa a Salvador, volto para Paris e termino em Curitiba. No meio, algum devaneio para descansar.

Se escrevo quatro dias seguidos sobre o mesmo lugar é porque estou inspirada, não porque estou preocupada com a ordem cronológica da coisa. Descobri, então, que tenho um blog caótico. Ai, que orgulho! Eu mesma me dei um alvará de soltura, uma espécie de indulto de Natal que dura o ano todo. Aposto no conteúdo que me faz feliz, não nos números que nascem para sensibilizar os outros.

Eu preciso sorrir enquanto viajo. Eu preciso me impressionar enquanto escrevo.

É bem verdade que quem tem um blog profissional, como eu, não pode transformar o próprio negócio numa arruaça. Gosto de organização e tento facilitar a vida do meu leitor com certo método de trabalho. Mas apesar de sempre ter claro que estou escrevendo um registro da minha história, nunca converti este espaço num relatório descritivo do meu dia a dia. (Seria a pá de cal.)

Busco equilíbrio no prazer de estar aqui.

Daí que vamos continuar caóticos e chatos. Escreveremos somente sob forte inspiração e movidos por uma avassaladora vontade de fazer a diferença. Até porque, importantíssimo destacar, um texto decente só sai quando o destino (ou a receita!) encontra um terceiro elemento: a saudade do dia!

Saudade. (s.f.) Recordação suave de pessoa ausente, local ou coisa distante, que se deseja voltar a ver ou possuir.

Feliz 2014!

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Foto: Rae Grimm | Stock.Xchng 

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quarta-feira, 06 de novembro de 2013

Sílvia Oliveira, a moça do tempo.

Relampago

Responder aos comentários do blog é um excelente exercício para elevar a autoestima. Não há pergunta que não venha acompanhada de “primeiramente, gostaria de te parabenizar” ou “adoro seu blog” ou “nossa, maravilhoso esse seu site” ou “você salvou minha vida”.

Sou realmente feliz cuidando e atendendo os pedidos de socorro dos meus Matraquetes. Aprendo muito, de verdade.  A maioria dos leitores me faz pensar e buscar informações pertinentes. Mas nem sempre o Momento Shinyashiki dura muito. Em alguns casos, o abatimento e a desesperança vêm logo em seguida, na segunda frase.

— Como faço para reservar este hotel que você indica, será que tem disponibilidade de 06/12 a 09/12 para um casal?

Eu respondo: Olá, Fulano! As informações de como fazer a reserva e os contatos do hotel estão no rodapé do post. Abraço!

Mas gostaria de responder: LEIA O POST, SANTA!

— Poderia me mandar o catálogo dessa loja de doces de Tiradentes, quero revendê-los na minha cidade.

Eu respondo: Olá, Ciclano! Eu só visitei o local, não trabalho com isso. Por gentileza, entre em contato diretamente com o estabelecimento. Abraço!

Mas gostaria de responder: NÃO SOMOS UMA LOJA DE DOCES MINEIROS, INTELIGENÇA PURA!

— Não estou conseguindo fazer a reserva no barco de Buenos Aires a Colonia del Sacramento, poderia me ajudar?

Eu respondo: Olá, Beltrano! Tente refazer a reserva e confira todos os dados. Caso não consiga, solicite a ajuda de um agente de viagem! Abraço!

Mas gostaria de responder: NÃO. O MATRAQUEANDO É UM BLOG, AMYGUE, NÃO UMA AGÊNCIA DE VIAGEM. DÃH!

— Meu filho acaba de completar dois anos, você acha que devo levá-lo para o Deserto do Atacama?

Eu respondo: Olha, isso depende muito do seu estilo, comportamento da criança e vontade de enfrentar novos desafios. Alguns destinos exigem mais do que outros. Mas sempre vale a pena viajar com as crianças quando se tem claro quais são nossas expectativas. Abraço!

Mas gostaria de responder: FIA, NÃO TENHO A MENOR IDEIA. NÃO CONHEÇO O GRAU DAS BIRRAS DO SEU BACURI NEM O TAMANHO DA SUA DISPOSIÇÃO. SE VOCÊ TAMBÉM NÃO TEM ISSO MUITO CLARO, FIQUE EM CASA!

A lista é extensa. Mas uma das perguntas que mais me sobressalta é aquela que quer saber como vai estar o clima em determinado período do ano em… Viena. Mas você pode trocar Viena por Gramado, Lisboa, Orlando, Curitiba ou Santiago.

A pessoa não fica contente em saber que na época do ano em que ela vai viajar é outono ou primavera. Ou inverno ou verão. Ela quer saber a temperatura exata. De preferência se vai chover ou não. Neva? E arremata: que roupa devo levar?

Eu respondo: Olá! Faça assim, uns 10 dias antes da sua viagem entre em sites especializados em previsão do tempo e informe-se por lá. Vai ser mais seguro. Abraço!

Mas gostaria de responder: TAQUEUPARIU, NÊGO! VOCÊ ACHA QUE TENHO BOLA DE CRISTAL? LIGUE PARA A MÃE DINAH, PORRA!

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Sílvia Oliveira é blogueira de viagens especializada na Convergência do Atlântico Sul. Sabe identificar imagens do satélite e faixas de nebulosidade. Tem a Tábua de Marés na ponta da língua e já memorizou o horário do nascer e pôr do sol de todas as capitais brasileiras.

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Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com alguma pergunta já feita por você é mera coincidência.
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Foto: Csaba Vero | Stock Xchng

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quinta-feira, 02 de maio de 2013

Pela atenção, muito obrigado!

Momento tenso. Você dentro daquela geringonça. Começam os procedimentos de segurança. Cheque de portas. Despressurização da cabine. Assentos flutuantes. Desligue os equipamentos eletrônicos. Não fume. Respire baixo.

— Atenção senhores passageiros sentados na fileira junto às saídas de emergência. 

Como assim, emergência? (Na dúvida, eu sempre faço o nome do pai.)

— Portas em automático.

DESLIGUE OS EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS. (Pra você que não ouviu direito.)

— Tripulação, decolagem autorizada!

15 minutos depois ele aparece. Galã. Pai de todos. Psicólogo do viajante. Eis o comandante do avião.  Voz quase sempre sorumbática e misteriosa. Aquele que acalma, orienta, designa.

— Senhores passageiros, muito boa tarde! Aqui quem fala é o Comandante Gerson Medeiros!

Véééi, ele existe mesmo. Essa coisa de piloto automático é lenda de controlador de tráfego aéreo, só pode!

— Nosso tempo de voo até Salvador será de duas horas e 10 minutos.

O cara é certeiro, preciso. É cumpadi, amigo de fé, irmão camarada. O comandante e aquele tipo de gente que se o barco afunda, vai junto com você. Sem escolha. Fala com a maior propriedade que estamos a 30 mil pés, seja lá o que isso signifique. A gente acredita. É o que importa.

E ainda: se sua viagem tiver uma rota interessante, o comandante provavelmente será seu melhor guia turístico.

— À sua direita temos a cidade de Belo Horizonte, uma das sedes da Copa das Confederações.

Moço, pode conversar, olhar pros lados, mas não tira a mão do guidão, tá.

— Aceita o cardápio, senhora? (Interrupção grosseira)

Primeiro, querida, senhora é a sua avó. Segunda, amada, eu sou do tempo da Varig e do Comandante Rolim. Tem que comprar o lanche??? Terceiro, santa, (a compostura indo para as cucuias), o meu tete a tete é com o Comandante. Vaza!

— Tripulação, pouso autorizado!

Recolho-me à minha insignificância, saio do transe, pego o manual de instruções no bolsão à frente. Como é mesmo que se faz em caso de pouso na água?

— Bem-vindos a  Salvador. São  17h10m, horário local. Por medidas de segurança queiram permanecer sentados até que os sinais luminosos de atar cintos sejam apagados. 

Comandante, volta! Já está todo mundo em pé.

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quarta-feira, 20 de março de 2013

Generalizar é pecado

Não existe maior declaração de amor à humanidade do que fazer turismo sem preconceito. Quem viaja deve ter disposição para encontrar o diferente sem julgar ou depreciar a conduta alheia.  Botar o pé para fora de casa já deveria bastar para superar nossas crendices sobre lugares e pessoas.

Centenas de clichês circundam cidades, regiões e até um povo. Quem nunca disse que curitibano é antipático? Ou que parisiense não toma banho? Ou que gaúcho é, vamos dizer assim, cabro macho? Ou que todo mexicano é vaqueiro?

Estereótipos são assim mesmo. Trata-se de uma imagem mental muito simplificada e ignorante que a gente faz sobre um determinado grupo de pessoas. É a maneira fácil que encontramos para rotular os outros baseados numa visão etnocêntrica e individualista.

Eu sei, eu sei. Dá vontade de dizer — e muita gente diz — que baiano é arrastado, que alemão é cachaceiro, que carioca é vagabundo, que árabe é terrorista, que português é burro, que paulista é frio, que italiano é grosso, que brasileiro é malandro e que todo argentino é um filho da puta.

Veja, temos italiano malandro, paulista arrastado, árabe burro, brasileiro grosso, português cachaceiro, alemão vagabundo e um bando de gente fio duma quenga que nem argentino é. Viu? Características de comportamento quase sempre dependem do indivíduo, não necessariamente do lugar onde vivem. Importante, você encontra nas pessoas exatamente o que espera delas.

Mude o foco.

Antes de generalizar o outro pense se você, um brasileiro, gostaria de ser rotulado como homens que andam com arco e flecha nas mãos, mulheres que vivem na praia com o biquíni enfiado na buzanfa ou crianças que brincam com seus animaizinhos de estimação, os macacos. Logo…

A propósito, nem todo alemão usa suspensório assim como nem todo argentino sabe dançar tango. Ou você já imaginou o Papa Chico encoxando uma portenha ao som de Carlos Gardel? Aliás, depois do anúncio do novo Pontífice, nosso cérebro estereotipado entrou em colapso. Justo ele, a pessoa mais humilde do mundo, é… argentino.

Cuidado, porque se generalizar já era feio agora, além de tudo, é pecado! 😛

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Foto: Kay Pat | Image Bank

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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Foto jacu: você ainda vai ter uma!

 


Dois turistas com sorriso amarelo em Veneza. 

A pessoa trabalha uma vida inteira pela indústria turística e, no final das contas, fica conhecida como a moça da foto jacu! Recentemente a querida jornalista Leidinara Batista — produtora do canal ÓTV (televisão a cabo da RPC, a gRobo do Paraná) — entrou em contato comigo. Dizia ter uma pauta sobre “fotografia de viagem” e que eu era o personagem perfeito para a matéria. Pois bem, íamos falar de fotos jacus. Observe, EU era o tal personagem perfeito! o.O

Beto Carrero Turma do Sherek Pontos Turisticos Santa Catarina

Tire o dedo daí, Shrek!

Foto jacu é aquele retrato jaguara que você faz durante a viagem achando que está arrasando na avenida. Vai desde aquela pose ao lado dos gladiadores no Coliseu, em Roma, até aquele momento em cima do jegue no Ceará.

Você ainda pode ser uma referência mundial no quesito (como eu) se já garantiu um clique fazendo graça com algum personagem da Disney ou sentado, imitando a pose da estátua de Fernando Pessoa no café A Brasileira, em Lisboa.

Geralmente o que gera a dita foto jacu é aquela sequência de poses que todo mundo faz igualzinho em determinado atrativo. Digite no Google Images “Segurando Torre de Pisa” e você entenderá melhor o que eu quero dizer.

Mas o que seriam das lembranças de viagem sem essas peças histriônicas no nosso scrapbook? São elas que contam um pouco sobre o quanto fomos felizes e desprendidos naquele dia e naquele lugar.

Família Matraca em Minas Gerais.

Eu não tenho vergonha nem fico constrangida de vestir aquelas roupas de época e sair pelas ruas de Ouro Preto para garantir o melhor ângulo.

Nem eu nem meu marido, o que vem a agravar nosso quadro. Acredite, ao viajar com gente bem humorada suas fotos têm maior chance de alcançar um grau inacreditável de jacuzice.

Museu de Cera de Nova York: aqueles lugares onde você alcança o grau máximo em jacuzice.

Toda foto jacu tem um cúmplice: quem segura a máquina e aperta o botão. São pessoas que contribuem, de alguma forma, com a cultura geral e fértil da sua viagem.

Na nossa última vez na Europa, por exemplo, o Raul fez uma sessão temática: homeless. Neste caso, o jacu era ele e a comparsa, eu.

Sessão jacu temática: homeless

Não dá para evitar: a foto jacu faz parte do sistema operacional interno do turista. É algo nonsense. Só depois que você se sujeitou àquela situação é que se pergunta como teve tanta habilidade e coragem para tamanha, errr, peculiaridade!

Até quem faz a linha cool provavelmente vai voltar com alguma imagem no cartão fazendo o sinal de belezinha ou de vitória (na frente de t-o-d-o-s os monumentos que visitar). Nem vou levar em consideração o saltinho-uhu, um clássico dos avatares nas redes sociais.

Saltinho-uhu: de Curitiba ao Atacama.

Você nem-morrrta-santa tira foto jacu? Homi-rapaiz, jacu de verdade é quem não tem história para contar! 😀

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Nosso post rodou as redes sociais e outros blogueiros de viagem se animaram com a ideia de fazer um artigo com suas fotos jacus! Então, eu propus uma blogagem coletiva. Funciona assim: 

1. O blogueiro faz um post com seus “melhores momentos” de jacuzice.

2. Em seguida, convida cinco (ou mais) blogueiros a conhecer e participar da brincadeira. Caso você ainda não tenha sido nomeado, mas quer entrar na blogagem, fique à vontade!

3. Ao divulgar os posts, vamos usar a hashtag #fotojacu.

4. Quem for nomeado não é obrigado a participar. Mas se participar, vai rir bastante, garanto!

5. A Blogagem Coletiva não tem data para acabar. Sejamos felizes, sempre!

6. Já publicou? Corre e deixe seu link na caixa de comentários deste post que eu vou atualizando aqui no rodapé da página!

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Lista dos blogs participantes. Clique para ver o book jacu de cada um. (Hilário!)

13 Anos Depois… | Por Mirelle Matias

360 Meridianos | Por Luiza, Natalia e Rafael

About Sweet Things | Por Aline Siemionko dos Santos

Across The Universe | Por Marcelo Lemos

Andarilhos do Mundo | Por Gleiber Rodrigues

Andreza Dica e Indica Disney | Por Andreza Trivillin

Aventura Mango | Por Jodrian Freitas

Aventure-se | Por Rodrigo Nominato

Baianos no Polo Norte | Por Livi

Blog da Rafa | Por Rafaela Biondo

Blog Meu Destino | Por André Morato

Blog Mundi | Por Equipe Mundi

Blog do Xan | Por Alexandre Lima

Carpe Diem | Por Cris Tomasi

Casinha Colorida | Por Simone

Catálogo de Viagens | Por Liliana Stahr

Colecionando Imãs | Por Camila Torres

Colorida Vida | Por Ana Paula

Compartilhe Viagens | Por Karla Larissa

Confabulando | Por Fernanda N

De Garfos e De Quartos | Por Pati Venturini

Deixa de Frescura | Por Bruno Costa

Despertar ao Mundo | Por Josette Leprevost

Destino Mundo Afora | Por Tatiana Dornelles

Destino Provence | Por Natalia Itabayana

De Turista a Viajante | Por Silmara Colombo

De uns tempos pra cá | Por Carmen Silvia

Dica da Dri | Por Adriana Lima

Dondeando Por Aí | Clarissa Donda

Do Oiapoque a Nova Iorque | Por Selene Soares

Dudu Afora | Por Eduardo Monteiro Gomes

Fast Pass Viagens | Por Maria do Carmo Veras

Família Viagem | Por Simone

Falo, Logo Reclamo | Por Carla Ricci

Férias de Mochila | Por Beta Rodrigues

Ginapsi’s Blog | Por Gina

Gosto e Pronto | Por Debora Segnini

Janelas Abertas | Por Luisa Ferreira

Lido & Feito | Por Margareth Bastos

Mala de Rodinha e Necessaire | Por Celina Martins

Matraqueando | Por Sílvia Oliveira (Host da Blogagem Coletiva)

MauOscar | Por Mauricio e Oscar

Mikix | Por Mirella Matthiesen

Misto Quente em Clermont | Por Carolina

Nerds Viajantes | Por Lillian e Helder

No Mundo da Mari | Por Mariana Laudeauser

Organizando o Caos | Por Ana

Paris por Fabi | Por Fabiana

Pelo Mundo Blog | Por Ana Luiza e Patricia

Por Onde Andei | Mô Gribel

Porque tô de folga | Por Lenina Velloso

Preciso Viajar | Fernanda Souza

Psiulândia | Por Ana Oliveira

Relatos de Viagem da Paulinha | Por Paula Souza

ReVivendo Viagens | Por Renata Campos

Sorvete de Morango | Por Fernanda Besagio Ruiz

Superlinda | Por Raquel Ramos dos Anjos

Sundaycooks | Por Natalie Soares e Fred Marvila

Trilha Marupiara | Por Kellen Bittencourt

Trip Feeling | Juliana Rosa

Turismo Backpacker | Por Douglas Sawaki e Júlia Sawaki

Turista profissional | Por Ana Catarina Portugal

Vá Conferir | Por Walter Leite

Viajando com Pouco | Por Lidiane Spínola

Viajando Mundo Afora | Por Debora Bordin

Viaje com a Flora | Por Flora Viu Degaspare

Viaje no Prato | Por Helena Welp

Viagem a Dois | Por Rachel e Luciano

Viagem Massa | Por Elaine Castro

Viaggiando | Por Camila Navarro

Vivendo Plenamente Paris | Por Milena Fischborn Noury

Vivi em UK | Por Vivian Monteiro

Ziga da Zuca | Por Natália Gastão

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Fotos: Raul Mattar, Sílvia Oliveira e Arquivo Pessoal

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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Por favor, deixem o turista em paz!

 

Silvia Museu de Cera 3

Conversando com o Woody Allen no Museu de Cera de NY. #medeixa

O viajante mais chato é aquele que não se acha turista. Este tipo de cidadão quase sempre se julga superior na ordem celestial dos mochileiros, mesmo tendo todos os tiques de qualquer mortal que põe uma mala nas costas e pega a estrada. Seja lá onde o caminho vai dar!

Meu filho, é assim, se você comprou passagem, reservou hotel e pesquisou o que visitar (ou não)… você é turista na mais ampla definição da palavra. Agora, se você gosta mais de museu do que eu ou se você curte desbravar o interior da França enquanto eu prefiro subir na Torre Eiffel todas as vezes que vou a Paris isso só revela que temos perfis — ou gostos — diferentes  diante das mesmas possibilidades.

Se eu visito, sei lá, só os pontos turísticos óbvios de uma cidade e você opta por vivenciar a cultura e a gastronomia deste mesmo lugar, pode até me chamar de burra, mas não de turista — só por causa disso (e pejorativamente falando). Eu viajo como você: para sorrir.

Não existe up grade. Quem tira férias em Santa Catarina ou viaja para desbravar o Irã em período de conflito está na mesma categoria. São turistas com representações e expectativas diferentes.

Se antes você fazia uma maratona por dia e agora escolhe um ou dois lugares para conhecer na semana não significa que você passou de turista-bocó a viajante-bacana. Você optou por aquilo que, agora, mais lhe convém.

Veja se não é quase sempre assim, você e eu: viajamos para acordar cedíssimo e andar de metrô, ou a pé, para cima e para baixo. Durante 14 horas seguidas. Viajamos para fazer piquenique do outro lado do mundo.

para conhecer arte e cultura quando nunca visitamos o principal museu da nossa cidade. Viajamos para desopilar o fígado e, mesmo assim, a cachaça corre solta.

Entenda, não há nada de errado em ser turista. Feio é não ter educação.

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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A alegoria da desculpa esfarrapada

solidao

Tragédias coletivas me paralisam. Escutar o desespero das mães de filhos viciados me faz chorar. Ler sobre violência doméstica me desmonta. Crianças abusadas? Passo três dias com insônia.

A reflexão aqui não é sobre a tragédia em si, esse gênero do teatro que envolve a moralidade, questiona a existência humana e que, quase sempre, termina com a morte ou do personagem principal ou de algum parente querido.

Especulo neste parágrafo sobre a capacidade que temos de, perante fatos tão estarrecedores — ser resilientes ou tão elásticos quanto o conceito de mala de mão para superar o insuperável. Ponto.

Pode não parecer — e eu não gosto mesmo de parecer — fico sem rumo diante da fragilidade humana.  Mesmo assim eu não desisto. Tenho vocação para ser feliz.

Gosto de comemorar minhas pequenas conquistas, de compartilhar só notícias boas, de escrever — veja só, sobre essa bobagem que é viajar!

É disso de que trata esse texto. Do talento que a gente deve ter de seguir adiante com os nossos propósitos (profissionais, espirituais, acadêmicos ou materiais), apesar de tudo e, sobretudo, sendo bombardeado diariamente com as dores do mundo — seja no Rio Grande do Sul ou na Síria!

Entendo. É natural que o inconsciente coletivo nos coloque em depressão grupal.

Passado o impacto inicial ajudo quase sempre — dentro do que cabe e da maneira que posso. Sou daquelas que depositam dinheiro em conta para reconstruir país devastado por terremoto (mesmo sem saber ou quase acreditando que aquilo nunca chegará ao lugar devido), mando escova de dente para desabrigado em enchente, pago férias e 13º salário pra moça que vem uma vez por semana limpar minha casa.

E isso não me faz sentir melhor. Isso é o mínimo — mínimo, repito — que posso esperar de mim mesma.

Quem experimenta a perda, a violência ou o terror de perto não só pode como deve vivenciar o luto, a angústia, o desgosto. Nós, aqui do outro lado da TV, podemos chorar. É legítimo. Escolha a forma mais conveniente para você de apoiar a causa ou extravasar sua consternação e empatia.

Só não encontre na dor do outro a desculpa de que você precisava para não seguir em frente. Não justifique seu desânimo desmoralizando quem não é igual a você.

Deixe de reclamar, simplesmente! Por que não rezar? Orar, se você preferir. Por certo, não estou falando de religião. Mas de espiritualidade, aquela disposição de querer, com certeza e confiança, que a vida do outro melhore, apesar da sua!

(É o que vamos continuar fazendo aqui… apesar de tudo, e sobretudo.)

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quarta-feira, 09 de maio de 2012

Etiqueta para quem viaja acompanhado


Viajar sozinho é bem mais fácil do que parece. Somos donos do nosso próprio itinerário. Fazemos e desfazemos roteiros a nosso bel-prazer sem avisar ninguém, com risco zero de desagradar o outro. Não há ninguém para reclamar, impor condições, nem dizer “não gosto disso”, “não quero ir” ou “estou cansado”.

Já quem viaja acompanhado deve saber trabalhar em equipe. Acredite, o seu parceiro pode ser bem diferente daquele que você conhece há anos depois de caminhar três quilômetros todos os dias vasculhando os bairros da capital francesa. O pensador norte-americano, Mark Twain, dizia que para descobrir se você ama ou odeia uma pessoa basta viajarem juntos.

Quando se viaja acompanhado o trabalho é dobrado. Seja tolerante, respeite os limites do outro, ofereça ajuda e esteja preparado para os imprevistos. Na verdade, os imprevistos são testes. Resta saber como você passará por eles.

1. TOMEM AS DECISÕES EM CONJUNTO

A escolha do passeio adequado, de acordo com o tempo (e disposição) do grupo, conforme o orçamento do dia e moldada aos nossos gostos e preferências talvez seja o momento mais difícil do processo. Analise (e descarte) opções, peça a opinião um do outro. Fale baixo, seja suave e amoroso – mesmo quando perderem o trem, errarem o caminho ou pedirem o prato errado.

2. PLANEJEM NA NOITE ANTERIOR

Acordar sem saber para onde ir é um erro terrível em qualquer viagem, a não ser que seu destino seja um resort. Mesmo que você tenha optado por um roteiro mais flexível, pelo menos um dia antes, estude o que vai fazer após o café da manhã. Defina seus objetivos. Selecione os programas do passeio. Leve em conta possíveis variáveis: sol, chuva, calor frio, montanha, praia, cidade pequena, cidade grande. Busque oportunidades: vá aonde ninguém quer ir. Depois me escreva para contar que descobriu um lugar que nenhum guia ou blog indicou. Nem este.

3. SUPEREM JUNTOS OS DESAFIOS DA VIAGEM

Não tenha medo do desconhecido. As viagens, olhe só, são boazinhas. E até aquelas que não saem exatamente como a gente planejou têm seu valor. Quando você erra, invariavelmente, aprende! Por isso, quando algo parece não sair conforme o imaginado é hora de se sentar – de preferência num lindo parque primaveril – para reconduzir o roteiro, readequá-lo ou revê-lo, se isso for imperativo.

4. SAIBAM OUVIR UM AO OUTRO

Influencie positivamente seu acompanhante.  Não fique mal humorado nem desconte no outra a dor no calcanhar. Nem reclame do excesso de museu e igreja. Saiba ouvir, entre em um acordo e busque paciência até onde não pode imaginar.

5. SEJAM CRIATIVOS

Os seres resilientes são capazes de vencer dificuldades, de aprender com a adversidade e – através de soluções criativas – de superar qualquer problema. Viajar não é fácil. Além de planejamento e dedicação, algumas coisas podem sair do seu controle. O voo é cancelado, a comida faz mal, chove sem parar. Supere e pronto. Ria da situação e, anote aí, perrengues fazem parte do genoma das viagens.

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Foto: Raul e Silvia no Atacama. Viajando juntos há 16 anos!

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segunda-feira, 11 de julho de 2011

Qual é a viagem certa para você?

Não existe. Leu bem: não há uma viagem certa para um determinado perfil de viajante. O que existem são pessoas  mais – ou menos – adequadas para determinadas viagens. Quem faz o passeio é o turista. Não o contrário.

Não basta perguntar se você prefere praia ou montanha, vinho ou cerveja. O que estabelece o índice de sucesso das suas férias são suas expectativas, grau de tolerância, experiências anteriores e capacidade de adaptação.

Ninguém pode decretar se o Alasca é um bom passeio para levar seu bebê de dois meses. Nem mesmo se é o destino mais sensato para ir com seu namorado(a). Muito menos temos como descobrir se você deve ir, de fato, acompanhado.

Viajar sozinho, aliás, é bem mais fácil do que parece. Somos donos do nosso próprio itinerário. Fazemos e desfazemos roteiros a nosso bel-prazer, sem avisar ninguém – com risco zero de desagradar o outro.

Já viajar em dupla ou grupo requer um certo espírito de equipe. Se você pensa que está preparado para enfrentar o mau humor matinal do seu parceiro saiba: todas as nossas características – que vão do comportamento banal ao transtorno obsessivo – costumam se agigantar fora de casa.

É a Síndrome do Momento-Patrão, à qual somos submetidos sempre que taxistas, garçons e camareiras passam a ser nossos pseudo-funcionários.

Identificar um roteiro infalível – e ainda por cima com o companheiro ideal – é quase como acertar aqueles seis numerozinhos da megaloteria nacional. Ou seja, algo raro, mas não impossível de acontecer. É que depois de encontrar a viagem certa, você – todo eufórico – avança duas casas e começa a procurar a… cama certa.

A busca pelo hotel, albergue ou pousada que mais se adapta ao seu orçamento – e aos seus critérios de chatice – seguramente vai revelar uma etapa constrangedora do seu sonho: não existe hospedagem perfeita. É que invariavelmente queremos pagar por uma cama fora de casa menos do que vale o nosso próprio colchão. Mas não abrimos mão das benesses que ele nos traz.

Certo, você é um tremendo pé-quente e já encontrou a viagem e a cama inquestionáveis. O próximo passo é chegar ao ponto turístico certo. Seguramente, você é um viajante que não gosta de clichês e, portanto, vai querer visitar lugares com poucos turistas.

Afinal, turista são sempre os outros, nunca você! O detalhe – lamento informar – que só pelo fato de ter feito sua malinha, reservado seu hotel e se deslocado da sua casa já faz com que se transforme num deles, involuntariamente. Querer fugir dessa condição converte, na hora, seu status: de agoniado “turista”  você passar a ser  um bem resolvido “babaca”.

Por tudo isso – e outras variáveis –  é difícil achar a viagem certa. Se tudo sair dentro da mais perfeita lógica você não vai ter nenhuma história para contar, requisito necessário para o passeio ser fechado em alta resolução. Isso não significa embrenhar-se em rotas incompatíveis com sua realidade, muito menos deixar de planejar muito bem suas férias.

Cabe a você compreender que viagens são seres incompletos que só se satisfazem quando você efetivamente faz parte dela! E isso acontece independentemente se ela está certa ou errada.

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Foto: David Ruiz

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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Como gerenciar seu dinheiro durante a viagem

COMO GERENCIAR SEU DINHEIRO DURANTE A VIAGEM
 
Não dá para pensar em viagem – curta ou longa – de uma maneira racional. Por mais econômico que seja o seu destino, ainda assim você vai gastar em uma semana fora de casa o que provavelmente desembolsaria durante um mês ficando nela.
 
É como subir na vida por 15 dias. Mas se você acha que vou responder aqui à clássica pergunta “quanto devo levar de dinheiro”… pode tirar o cavalinho da chuva.
 
A proposta é outra: fazer você entender que quem determina seu orçamento são suas expectativas, grau de exigência e índice de tolerância.
 
O turista profissional Ricardo Freire sempre diz que toda viagem é uma extravagância. “Os que viajam na 1ª classe deveriam estar na executiva. Os que embarcam na executiva, seguramente deveriam viajar pela econômica. E todos que estão na econômica nem deveriam ter saído de casa”, diz. Tremenda verdade.
 
É bom saber que os gastos vão muito além de diárias de hotel/albergues, alimentação e transporte. Os passeios, um lanchinho, gorjetas, as comprinhas…
 
Investir num badulaque qualquer, aliás, faz parte do processo psicológico ao qual somos submetidos durante uma viagem. Quando saímos de férias subimos um posto na nossa hierarquia pessoal. Ir às compras vai consagrar esse estado emergente.
 
O segredo é estipular um valor para os souvenires. E obedecer a planilha à risca. Lembrando que, em algum momento, você pode optar por um táxi, principalmente na chegada à Europa, depois de um voo transatlântico. Acrescente este gasto na conta final.
 
Importante: leve um caderninho, uma agendinha e uma minicalculadora (agora tem smartphone, né 🙂 ) e controle tudo na ponta do lápis.
 
Não, fazer as contas no fim do dia não é coisa de gente mão de vaca muquirana nem de pobre pé rapado. Saber quanto estamos gastando – ou melhor, investindo – é questão de organização.
 
Isso nos faz repensar as prioridades e adequar o orçamento para o dia seguinte. Deixar de controlar o dinheiro em uma viagem qualquer não é um atentado ao bolso, mas à inteligência.
 
Divida seu orçamento assim:
 
Hospedagem | Determine quanto quer gastar para dormir, se o quarto tem que ser espaçoso ou se você não abre mão de wi-fi grátis.
 
Alimentação | Gosta de comer bem, mas quer gastar pouco? Contente-se com o menu do dia.
 
Transporte nas cidades | Eleja o meio mais cômodo para você. Caso prefira o táxi, só espere pagar mais por isso.
 
Atrações | Se a ideia é economizar verifique quais as atrações grátis do dia. Apenas prepare-se para enfrentar uma baita fila.
Comprinhas | Ninguém mais do que você é capaz de determinar quanto custa para ser feliz!
 
Momento-extravagância | A extravagância é a experiência em si. Não exatamente quanto você vai pagar por ela.
 
Viajar 100% mão de vaca é deprimente. Não se trata de desrespeitar um orçamento restrito, mas, sim, de ter a mente aberta para entender o que são verdadeiros luxos para você.
 
Gastar menos não significa ter que expiar os pecados durante a viagem, mas há restrições – que podem variar do hotel-pelourinho à classe chicoteia do avião, do almoço de um prato-só ao piquenique no parque.
 
Faça uma planilha de gastos, estipule valores diários, priorize o urgente e dê preferência ao importante. Chique é voltar para casa e debruçar nas lembranças… e não na conta do cartão de crédito para pagar.

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Foto: Stock Xchng

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