segunda-feira, 18 de abril de 2011

Como gerenciar seu dinheiro durante a viagem

Não dá para pensar em viagem – curta ou longa – de uma maneira racional. Por mais econômico que seja o seu destino, ainda assim você vai gastar em uma semana fora de casa o que provavelmente gastaria durante um mês ficando nela. É como subir na vida por 15 dias. Mas se você acha que vou  responder aqui à clássica pergunta “quanto devo levar de dinheiro”… pode tirar o cavalinho da chuva. A proposta é outra: fazer você entender que quem determina seu orçamento são suas expectativas, grau de exigência e índice de tolerância.

O turista profissional Ricardo Freire sempre diz que toda viagem é uma extravagância. “Os que viajam na 1ª classe deveriam estar na executiva. Os que embarcam na executiva, seguramente deveriam viajar pela econômica. E todos que estão na econômica nem deveriam ter saído de casa”. Tremenda verdade.

Por isso, é bom saber que os gastos vão muito além de diárias de hotel/albergues, alimentação e transporte. Os passeios, um lanchinho, gorjetas, as comprinhas… É que investir num badulaque qualquer faz parte do processo psicológico ao qual somos submetidos durante uma viagem. Quando saímos de férias subimos um posto na nossa hierarquia pessoal. Ir às compras vai consagrar esse estado emergente.

O segredo é estipular um valor para os souvenires. E obedecer a planilha à risca. Lembrando que, em algum momento, você pode querer optar por um táxi, principalmente na chegada à Europa, depois de um vôo transatlântico. Acrescente este gasto na conta final.

Importante: leve um caderninho, uma agendinha e uma minicalculadora e controle tudo na ponta do lápis. Não, fazer as contas no fim do dia não é coisa de gente mão-de-vaca-muquirana nem de pobre-pé-rapado. Saber quanto estamos gastando – ou melhor, investindo – nos faz repensar as prioridades e adequar o orçamento para o dia seguinte. Deixar de controlar o dinheiro em uma viagem qualquer pode ser um atentado à inteligência.

Divida seu orçamento assim:

Hospedagem | Determine quanto quer gastar para dormir, se o quarto tem que ser espaçoso ou se você não abre mão de wi-fi grátis.

Alimentação | Gosta de comer bem, mas quer gastar pouco? Contente-se com o menu do dia.

Transporte nas cidades | Eleja o meio mais cômodo para você. Caso prefira o táxi, só espere pagar mais por isso.

Atrações | Se a ideia é economizar verifique quais as atrações grátis do dia. Apenas prepare-se para enfrenter uma baita fila.

Comprinhas | Ninguém mais do que você é capaz de determinar quanto custa para ser feliz!

Momento-extravagância | A extravagância é a experiência em si. Não exatamente quanto você vai pagar por ela.

Viajar 100% mão-de-vaca-muquirana é deprimente. Não se trata de desrespeitar um orçamento restrito, mas, sim, de ter a mente aberta para entender o que são verdadeiros luxos para você. Gastar menos não significa ter que expiar os pecados durante a viagem, mas há restrições – que podem variar do hotel-pelourinho à classe chicoteia do avião, do almoço de um prato-só ao pic-nic forçado no parque.  Faça uma planilha de gastos, estipule valores diários, priorize o urgente e dê preferência ao importante. Chique é voltar para casa e debruçar nas lembranças… e não na conta do cartão de crédito para pagar.

Foto: Stock Xchng

Share