Como gerenciar seu dinheiro durante a viagem
Não dá para pensar em viagem – curta ou longa – de uma maneira racional. Por mais econômico que seja o seu destino, ainda assim você vai gastar em uma semana fora de casa o que provavelmente gastaria durante um mês ficando nela. É como subir na vida por 15 dias. Mas se você acha que vou responder aqui à clássica pergunta “quanto devo levar de dinheiro”… pode tirar o cavalinho da chuva. A proposta é outra: fazer você entender que quem determina seu orçamento são suas expectativas, grau de exigência e índice de tolerância.
O turista profissional Ricardo Freire sempre diz que toda viagem é uma extravagância. “Os que viajam na 1ª classe deveriam estar na executiva. Os que embarcam na executiva, seguramente deveriam viajar pela econômica. E todos que estão na econômica nem deveriam ter saído de casa”. Tremenda verdade.
Por isso, é bom saber que os gastos vão muito além de diárias de hotel/albergues, alimentação e transporte. Os passeios, um lanchinho, gorjetas, as comprinhas… É que investir num badulaque qualquer faz parte do processo psicológico ao qual somos submetidos durante uma viagem. Quando saímos de férias subimos um posto na nossa hierarquia pessoal. Ir às compras vai consagrar esse estado emergente.
O segredo é estipular um valor para os souvenires. E obedecer a planilha à risca. Lembrando que, em algum momento, você pode querer optar por um táxi, principalmente na chegada à Europa, depois de um vôo transatlântico. Acrescente este gasto na conta final.
Importante: leve um caderninho, uma agendinha e uma minicalculadora e controle tudo na ponta do lápis. Não, fazer as contas no fim do dia não é coisa de gente mão-de-vaca-muquirana nem de pobre-pé-rapado. Saber quanto estamos gastando – ou melhor, investindo – nos faz repensar as prioridades e adequar o orçamento para o dia seguinte. Deixar de controlar o dinheiro em uma viagem qualquer pode ser um atentado à inteligência.
Divida seu orçamento assim:
Hospedagem | Determine quanto quer gastar para dormir, se o quarto tem que ser espaçoso ou se você não abre mão de wi-fi grátis.
Alimentação | Gosta de comer bem, mas quer gastar pouco? Contente-se com o menu do dia.
Transporte nas cidades | Eleja o meio mais cômodo para você. Caso prefira o táxi, só espere pagar mais por isso.
Atrações | Se a ideia é economizar verifique quais as atrações grátis do dia. Apenas prepare-se para enfrenter uma baita fila.
Comprinhas | Ninguém mais do que você é capaz de determinar quanto custa para ser feliz!
Momento-extravagância | A extravagância é a experiência em si. Não exatamente quanto você vai pagar por ela.
Viajar 100% mão-de-vaca-muquirana é deprimente. Não se trata de desrespeitar um orçamento restrito, mas, sim, de ter a mente aberta para entender o que são verdadeiros luxos para você. Gastar menos não significa ter que expiar os pecados durante a viagem, mas há restrições – que podem variar do hotel-pelourinho à classe chicoteia do avião, do almoço de um prato-só ao pic-nic forçado no parque. Faça uma planilha de gastos, estipule valores diários, priorize o urgente e dê preferência ao importante. Chique é voltar para casa e debruçar nas lembranças… e não na conta do cartão de crédito para pagar.
Foto: Stock Xchng





8 comentários
vou repetir: adoro este blog e sou fã das séries muquirana com extravagância!
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Antes da viagem eu monto uma planilha no excel detalhadinha com o roteiro, hotéis, transporte e uma previsão de passeios e alimentação. E sabe que minhas previsões são boas? A margem de erro acaba sendo bem pequena. Mas quase todo dia a gente faz um balanço, como você falou, e se gastamos menos em algum dia, nos damos um presente no outro.
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Eu tambem faço isso que voce indica, reservo uma quantia por dia e fico acompanhando, como não viajo para comprar , fica mais facil controlar os gastos. reservo uma ou duas extravagancias e no resto da viagem “jeito muquirana de ser”, viajar com planejamento é viajar melhor e poder viajar mais vezes. Com as dicas do Matraquenado fica mais fácil ainda.
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A minha maior preocupação é sempre com os gastos diários mesmo, já que a passagem e a hospedagem já estão contabilizados quando saio de casa. E pra isso, eu sempre divido também a grana que tenho disponível pelos dias de viagem e vou tentando gastar dentro desse limite. Mas às vezes não é fácil
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Caramba Silvia
Esse post veio totalmente ao meu encontro, estou montando um roteiro para Buenos Aires super econômico e entrei para me informar sobre Bs. As. e me deparo com essas dicas de ma-de-vaca….excelente, me abriu os olhos, já que estou viajando por milhas e transporte saiu barato, mas como você diz, melhor gastar menos e viajar mais.
Abçs
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Ótimas dicas. Eu até tento seguir esses princípios, mas cartão de crédito pesado na volta da viagem é de lei. Triste são as coisinhas pequenininhas, 20 pesos, 20 reais, 20 dólares, não são nada individualmente, mas somados levam um orçamento todo pro buraco…
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Sem dúvida nenhuma é necessário controlar as contas em uma viagem… Se não fosse assim ninguém aqui precisaria trabalhar, era só sair distribuindo dinheiro por aí! rsrsrsrs
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Eu também traço uma meta de gastos por dia e esse valor vai todo no VTM. Incluo também o que planejo gastar com compras no VTM e estipulo um limite. Pago tudo no debito ou em dinheiro vivo. Cartão crédito só para emergências ou para uma compra de produto caro programada anteriormente. Com esse esquema ja voltei duas vezes de NY com alguns dolares sobrando (mesmo depois de gastar no freeshop) e com o cartao de credito zerado
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