quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Costa do Sauípe: resort. Ou não.

Já dizia o escritor argentino Jorge Luís Borges que só os mortos e os idiotas não mudam de idéia. Como eu ainda não morri e pretendo não ficar idiota, fui para a Costa do Sauípe. Já faz quatro anos. Meu primeiro e único resort.
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Depois de camelar durante sete anos com mochila (tá, depois de dois anos comprei uma mala de rodinhas) achei que era chegada a hora. Dezembro de 2004. O Raul havia acabado de voltar de uma temporada de três anos nos Estados Unidos. E eu chegava ao fim do ano que mais trabalhei na vida.
O que nós mais queríamos era aquilo que nunca buscávamos em nossas viagens: descansar! Escolhemos a Costa do Sauípe, um resort localizado a 70 km de Salvador, na Bahia. Fica na Linha Verde, trecho com um dos menores índices de chuva do Nordeste.

O que não sabíamos era que não fazer nada cansava muito mais do que fazer tudo.

Mas antes, abramos um parêntese: o resort é lindo, tudo funciona perfeitamente, você é tratado como rei, possui piscinas maravilhosas, tem uma praia só para ele, spa, centro náutico e um café da manhã daqueles!

Para completar, dentro do resort fica a Vila Nova da Praia, um centrinho comercial com fachadas inspiradas na arquitetura colonial baiana. São lojinhas de artesanato, cafés, restaurantes, a tia da tapioca e o tio da caricatura. Tudo para oferecer comodidade ao hóspede que não quer se preocupar com nada e nem pensa em deixar o complexo.
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Voltando. Então, o pacote era de sete dias. E no terceiro a gente cansou de descansar e foi para Salvador. Rá rá rá. Fomos atrás do trânsito caótico, da arquitetura típica de verdade, da comida do povo, da fitinha do Bomfim. Mas o sonho acabou e tivemos que voltar ao resort, onde tudo funciona perfeitamente, você é tratado como rei, possui piscinas maravilhosas e tem uma praia só para ele
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Passei a desconfiar um pouco desse tal de Borges.
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Fotos: Raul Mattar
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