-  Atualizado 05/02/2017

DDR Museum, Berlim: o incrível museu que mostra como era a vida na Alemanha Oriental

Publicado por: Silvia Oliveira Berlim

DDR Museum Berlim - cozinha

Se existe um motivo na vida para eu viajar, ele está aqui. Conhecer um museu deste naipe só alimenta as minhas melhores justificativas para cruzar o oceano. O DDR Museum é um espaço interativo que reproduz fielmente como era o cotidiano dentro da antiga Alemanha Oriental.

A sigla DDR vem de Deutsche Demokratische Republik, que seria o nome oficial do lado comunista do país. Em português era chamado de RDA (República Democrática Alemã – ahã, democrática, sei!), aquela parte socialista da Alemanha que ergueu o despropositado Muro de Berlim em 1961.

DDR Museum Berlim - cameras

Hoje, sabemos que não era democrática nem uma república. Mas uma ditadura onde não havia eleições livres nem separação entre os poderes. Era zero liberdade de expressão e intensa perseguição política.

DDR Museum Berlim - documentario

Durante os 28 anos de separação, a Alemanha Oriental seguiu à risca o plano comunista da então União Soviética.  Todos os meios de produção estavam nas mãos do Estado: comércio, serviços, transporte e moradia.

DDR Museum Berlim - Trabant

Quem tinha algum dinheiro conseguia comprar o único modelo de carro disponível fabricado na própria DDR: o Trabant (ou amorosamente chamado de Trabi). Mas isso só depois de fazer uma encomenda ao governo e esperar… 10 anos para a mercadoria chegar.

Não por acaso, o Trabi é uma das estrelas do DDR Museum. Logo na entrada, um modelo está à disposição dos visitantes que podem entrar e ligar o veículo.  Por meio de um simulador (imagens aparecem no vidro dianteiro) você sai “dirigindo” pelas ruas de Berlim. É alucinante!

DDR Museum Berlim - Trabi

O ambiente abrange todas as peculiaridades da rotina e do dia a dia dos habitantes da Alemanha Oriental. O museu, apesar de não ser gigante, é dividido em várias alas, algumas são reproduções de cômodos inteiros das casas naquele tempo. Está organizado por áreas como habitação, trabalho, modo de se vestir, brinquedos, comunicação, supermercados, etc.

DDR Museum Berlim - alimentosDDR Museum Berlim - moto

A delícia do lugar: você pode mexer em tudo. Abrir portas, gavetinhas, puxar alavancas, tocar nas roupas, nos objetos da cozinha e até digitar nas antigas máquinas de escrever (deixei nossa mensagem lá!) Rá!

DDR Museum Berlim - maquina de escreverDDR Museum Berlim - gavetas

Na sala de estar, por exemplo, me refestelei no sofá para assistir em alemão à programação diária pela TV (daquelas que tinham na casa da vó da gente). Você pode usar o telefone de DISCAR e, através de uma mensagem gravada, alguém fala do outro lado.

DDR Museum Berlim - sala

A certa altura tudo estava tão confortável e acolhedor para mim que me dei conta: em 1989, quando caiu o Muro de Berlim, nós vivíamos aqui no Brasil como a Alemanha Oriental que havia parado no tempo quase 30 anos antes.

DDR Museum Berlim - mercado

Os móveis, os eletrodomésticos e até a decoração do DDR Museum com toca discos, fita cassete… já não eram, assim, tão do tempo da minha avó, mas lembravam a minha casa de infância mesmo! 😀

DDR Museum Berlim - prisao

A gente vê ainda a reprodução de uma cela da Stasi (polícia secreta da Alemanha), como se ela estivesse sendo usada, lençóis remexidos, toalha meio que jogada.

DDR Museum Berlim - sala de interrogatorio

Ao lado, uma salinha escura, onde você pode passar por um torturante interrogatório em alemão. Poizé, como toda ditadura, essa aqui também não deixava por menos!

O setor das telecomunicações do museu mostra com áudios e vídeos (legendados em inglês) as diversas formas  da propaganda comunista disfarçada em programas de TV, rádio, telejornal, filmes.

Para quem entende o idioma (inglês ou alemão) dá para passar horas ali só escutando coisas como “temos que nos manter unidos para acabar com os vestígios da burguesia”.

DDR Museum Berlim - comunicacao

Eu ali, pensando: que burguesia, zifio, se para comprar um carro (muito ruim e ultrapassado) tinha que esperar 10 anos? Enfim, eu não queria mais ir embora daqui. Meu sistema operacional interno estava em colapso diante de tanta informação inusitada.

Vale comentar que o DDR Museum não retrata a ascensão e queda do Muro de Berlim, mas sobretudo como foi a vida das pessoas que ficaram ilhadas no lado oriental durante quase três décadas.

É uma visita mais do que fundamental para complementar todos os outros museus e memoriais espalhados pela cidade sobre a barbaridade que foi a construção daquela muralha insólita.

DDR Museum Berlim - comodos

Praticamente 90% do acervo do museu foi doado por antigos moradores do lado comunista do país.  Cada pedaço foi milimetricamente pensado. A história, a política, a economia, a segurança nacional, tudo organizado de forma participativa.

Uma experiência mútua e recíproca que transporta o visitante para um tempo não tão distante, mas para uma realidade singular que marcou a história contemporânea da humanidade.

DDR Museum Berlim - historias

SERVIÇO

DDR Museum

Local: Karl-Liebknecht-Str. 1 (Fica às margens do Rio Spree, praticamente em frente à Catedral de Berlim (Berliner Dom). S-Bahn: Linhas S5, S7 e S75, estação Hackescher Markt

Horário: abre todos os dias, das 10h às 20h. No sábado fecha mais tarde, às 22h.

Ingresso: € 9,50 adultos e € 6 crianças. É possível comprar on-line aqui. Se você tiver o Berlim Welcome Card (passe turístico da cidade) a entrada sai € 7 para adulto e € 5 para crianças.

Dica da Matraca | O DDR Museum, embora ainda pouco conhecido dos brasileiros, é famoso na Europa e está entre os museus mais visitados de Berlim. O período entre 12h e 18h é o mais lotado, fica quase impossível circular lá dentro. Eu cheguei às 17h30 e fiquei até fechar, às 20h. Estava cheio, mas transitável.

Outra dica bacana (peguei lá no completíssimo blog Simplesmente Berlim) é a exposição permanente Alltag in der DDR, que significa algo como “O dia a dia na Alemanha Oriental”. É um museu inaugurado há pouco tempo (O DDR Museum tem 10 anos) e que também retrata a vida socialista da Alemanha Oriental. Tem um modelo de Trabi, cômodos reconstruídos, vídeos, áudios, fotos, documentos e objetos originais daquela época.

Alltag in der DDR

Um modelo Trabi na exposição Alltag in der DDR, outro espaço dedicado à antiga Alemanha Oriental

Ele é bem menor que o DDR Museum (ainda meu favoritíssimo), está mais afastado das principais atrações da cidade, mas tem uma proposta similiar ao DDR e, vantagem, é grátis! O Alltag in der DDR funciona de terça a domingo, das 10h às 18h (fecha às 20h na quinta). Fica na Knaackstrasse, 97, dentro do centro cultural Kulturbrauerei. Metrô Eberswalder Straße.

IMPORTANTE | A Alemanha faz parte parte do Tratado de Schengen, um acordo que estabelece normas para quem pretende visitar os países membros. A determinação EXIGE um seguro de viagem obrigatório com cobertura mínima de € 30 mil que muitas vezes deve ser apresentado na imigração, caso solicitado. A boa notícia é que leitor do Matraqueando tem 15% de desconto no seguro internacional da Mondial Assistance. Pegue seu cupom aqui e viaje tranquilo! Vale para mochileiro, viajante solo, luxo, aventureiro e família. E ainda dá para dividir em até 6 vezes!

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Fotos: Silvia Oliveira | Todos os direitos reservados.



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5 comentários

  1. Comentário do dia 23/1/2017 às 15:55

    Oi, Sil. Tudo bem? 🙂

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia – Natalie

    (Responder)

    Resposta de Silvia Oliveira

    Oba, obrigadão! Sempre uma alegria estar no linkódromo! Bjs! 😀

    (Responder)

  2. Comentário do dia 23/1/2017 às 19:53

    Visitei os 2 museus da DDR em Berlim e AMEI! Eles são complementares pq tem coisa repetida, claro, mas o DDR Museum é melhor por exemplo na parte que mostra um apartamento antigo e informações sobre o partido enquanto o Alltag in der DDR é melhor na parte que fala como eram as férias na DDR ou de peculiaridades nas empresas da DDR. Por isso, recomendo demais visitar os 2 lugares!

    (Responder)

    Resposta de Silvia Oliveira

    Oi, Fernanda! Se o visitante puder ir aos dois museus com tranquilidade, também recomendo muito. Mas eu cheguei bem cansada à exposição Alltag in der DDR (combinei com a visita ao Quarteirão Vegano e havia caminhado muito) e tive a impressão de ver mais do mesmo. Acho que estava ainda muito inebriada pelo DDR Museum. Hahaha! 😉

    (Responder)

  3. Joyce
    Comentário do dia 24/1/2017 às 01:30

    Totalmente incrivel Silvia! Estive em Berlim há uns cinco anos atrás e não sabia deste museu! Adoraria ter ido. Viajei com você agora!

    (Responder)

    Resposta de Silvia Oliveira

    Oi, Joyce! Ele foi inaugurado em 2006, mas até hoje escuto muita gente falar que não conhecia… e olha que ele está entre os mais visitados de Berlim! 😉

    (Responder)

  4. Deiatatu
    Comentário do dia 24/1/2017 às 07:49

    Tive q mostrar este post para o meu marido q é da antiga DDR como ele fala, ficou bem nostálgico, agora vamos ter q visitar o museu… obrigada pela dica 🙂

    (Responder)

    Resposta de Silvia Oliveira

    Ah, que legal! Bjs!

    (Responder)

  5. Kamila
    Comentário do dia 03/3/2017 às 23:31

    Olá Matraca!
    Planejando Alemanha em out17. Teremos 9 dias completos .Ocorre que meu marido tem parentes em Emmerich no Vale do Reno, por esse motivo pensei em explorar aquela região montando base em Emmerich! Consigo deslocar melhor por trem ou carro?! Além disso, pela proximidade com a Holanda, poderia explorar uma ou duas cidades por lá! O que você tem de dicas para mim?! Obrigada

    (Responder)

    Resposta de Silvia Oliveira

    Oi, Kamila! Olha, eu nunca percorri essa região da Alemanha. Mas sabemos que a malha ferroviária alemã é muito boa! E Emmerich está a 130 km de Amsterdam. Vai depender um pouco da experiência que você pretende ter. Alugar carro pode dar mais liberdade, mas envolve uma série de detalhes como gasolina, pedágio, trajeto, devolução do carro, permissão internacional para dirigir, essas coisas. No trem é só montar e descer no destino! Como as distâncias são pequenas eu iria de trem mesmo. 😀

    (Responder)

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