terça-feira, 20 de setembro de 2011

Feira de San Telmo: antiguidades, badulaques e os melhores personagens de Buenos Aires

Desde 1970, sem falhar um domingo sequer, a Feria de San Telmo reúne hordas de turistas e portenhos no passeio mais antropológico de Buenos Aires. No meio da Plaza Dorrego, barracas tiram do fundo do baú um arsenal de antiguidades, quinquilharias e badulaques de encher os olhos e o coração de saudade.

São quase 10 mil visitantes – que se dividem entre compradores e curiosos como nós, por exemplo. Embora seja ponto “obrigatório” para quem vem a Buenos Aires pela primeira vez considero a Feria de San Telmo um dos melhores lugares da capital argentina para apreciar os personagens da cidade.

Ao contrário do Caminito – onde você vai topar com jovens dançarinas e seus vestidos de fenda tentando imitar uns passinhos de tango – só na Feria de San Telmo você poderá ter um dos melhores espetáculos da cidade com a, digamos, velha guarda do baile argentino.

Seguindo o compasso e a exigência da própria feira (mercadorias posteriores aos anos 70 são proibidas), o casal de tangueiros foi uma das melhores coisas que encontramos ali. O bairro de San Telmo – que acabou dando nome à feririnha – é um dos meus preferidos na cidade. Tanto que na primeira vez em que estive em Buenos Aires fiquei hospedada aqui.

É o bairro dos antiquários e das principais casas de tango. Já foi a região mais rica de Buenos Aires, mas uma epidemia de febre amarela vinda do porto espantou os barões deste recanto. Recomendo fortemente, inclusive, um passeio por aqui durante a semana, longe deste burburinho.

Depois de muitos anos o bairro foi redescoberto, os casarões foram restaurados e hoje muitos deles abrigam pequenos hotéis e mais de 500 antiquários, que considero pequenos museus com entrada franca. Circulando pela feira você vai encontrar talheres, bandejas de prata, xícaras especiais e pôsteres do tempo em que farmácia se escrevia com “ph”. Fiquei apaixonada por estas latinhas antigas que abrigavam maquiagens e medicamentos.

Se você tem impulsos consumistas descontrolados, cuidado! A feirinha é cheia daqueles caraminguás e xurumbambos de que você nunca vai precisar, mas o excesso de coiseiras espalhadas pelas barracas nos faz pensar que são indispensáveis. Cada vez que você colocar a mão no bolso para levar qualquer bugiganga lembre-se: onde foram parar o berimbau que você trouxe da Bahia e as máscaras que vieram de Veneza?

Apesar de ser uma muvuca, passear pela Feira de San Telmo é uma experiência bárbara – na minha opinião, repito - que mistura história, cultura e diversão. Como concentra muitos turistas, os artistas de rua se espalham pelo local tentando fazer algum dinheiro em troca de suas performances pra lá de manjadas.

É o lugar ideal, também, para você tirar sua foto-jacu. Os protagonistas desta vez foram minha mãe e o Raul – que simulou pagar o pirata de araque para dar um susto na sogra. Rá rá!

Diquinha extra: aproveite para conhecer a loja Cualquier Verdura (que só abre de quinta a domingo, 12h às 20h). Está num antigo casarão do século 19 e parece uma casa de verdade com a diferença de que tudo ali dentro está à venda: dos copos na cozinha ao sabonete do banheiro, passando pelas colchas coloridas do quarto. Uma delicinha de lugar. Os donos etiquetam os produtos com “Nuevo”, “Antiguo”, “Industria Argentina” e “Nos da pena vender”. A meia quadra da feirinha.

SERVIÇO
Feria de San Telmo
Local: Plaza Dorrego | San Telmo | Buenos Aires
Horário: domingo, 10h às 17h.

Fotos: Raul Mattar (menos a última que pertence ao Matraca’s Image Bank)

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