quarta-feira, 09 de setembro de 2009

Grécia a 50 euros por dia – Parte 1


A Acrópole abriga uma das mais importantes edificações do mundo antigo, o Partenon. (Foto: Emilio Gep)

Os gregos inventaram a aritmética e a filosofia. Organizaram as primeiras Olimpíadas. Criaram a concepção da democracia. Mesmo assim, o país está longe da disciplina e do ambiente analítico e centrado de Sócrates ou Platão. A Grécia é agitada, falante, passional e egocêntrica. Para um grego, tudo por aqui é melhor: praias, ilhas, comidas e até o vinho! Hã?

Tirando os excessos, em parte eles têm razão. Talvez essa seja a viagem que leve você mais perto do berço da história e da percepção cultural que influenciou toda a humanidade. Mesmo assim, prepare-se para ter um siricotico quando chegar a Atenas: deusas gregas e cidades espartanas não existem mais. Deixe sua visão romântica nos livros do colégio.

Até há bem pouco tempo, a capital do país parecia uma aglomeração de choupanas toscamente construídas. Do alto, a visão da cidade é de um favelão perdido na própria biografia. O metrô só tinha duas linhas: uma que ia e outra que vinha. Tudo mudou – para muito melhor – quando o país sediou as Olimpíadas em 2004. Grandes reformas e injeção de alguns zilhões de euros transformaram o portão de entrada do país em um dos melhores anfitriões do continente.

Apesar da importância secular de Atenas, todo mundo costuma passar rapidinho por aqui para ficar mais tempos nelas, as – cantadas em prosa e verso – ilhas gregas. O arquipélago das Cíclades é o mais popular. Abriga as famosas Santorini e Mykonos. Mas existem Creta e Rhodes que equilibram paisagem e arquitetura antiga e Paros e Naxos, menos populares, só que igualmente fascinantes.

FALANDO GREGO…

É fato, a Grécia está economicamente melhor do que há alguns anos, mas continua sendo um dos países mais pobres da Europa. O que não significa que esteja uma pechincha. Ainda é mais barato viajar para cá do que para a Itália, é verdade. Só que preços módicos você vai encontrar se pesquisar muito e, principalmente, fugir dos meses de alto verão.

Ao contrário da Holanda – onde todo mundo nasce bilíngue – o grego tem algumas restrições em relação ao inglês. Mas diferentemente da França (que sofre das mesmas limitações, mas por motivos políticos), no caso da Grécia é falta de incentivo nas escolas. Mesmo depois das Olimpíadas, ainda é comum encontrar plaquinhas com os nomes de ruas escritas somente em grego (calma, nos pontos mais turísticos já há tradução para o inglês).

Uma amostra do ufanismo e da preservação idiomática sem precedentes: o alfabeto grego – apesar de ser mais do que milenar – não é usado em nenhum outro lugar do mundo, a não ser na Grécia. Se você arranha o inglês vai se virar bem. Sempre há um simpático grego também esfolando um çênquiu para você.

O BARATO DA GRÉCIA

ATENAS – A capital da Grécia é uma metrópole, mas não muito cosmopolita. Não, ela não lembra Roma e passa longe da organização de outros integrantes da União Européia. Mas sem comparações. Nenhuma outra cidade do continente carrega tamanha importância (e responsabilidade) na civilização ocidental. Para compreender a odisséia histórica comece sua visita pelo Museu Arqueológico Nacional. (Sei, você vai chegar e querer subir correndo para a Acrópole. Sangue frio, a gente já chega lá.) Além das relíquias dos templos gregos, você se aproxima da colossal cabeça de Zeus, das estátuas de mármore de Poseidon e outras tantas obras tão antigas quanto a história da Grécia. E isso quer dizer que estamos falando de algo bem antes da Era Cristã. Entrada a 7 euros. Estudante paga 3. Gratuito no primeiro domingo de cada mês – menos em julho, agosto e setembro, meses em que o museu abre as portas gratuitamente no segundo domingo do mês. E de novembro a março, entrada free em todos os domingos. Partindo para a Acrópole, o cartão postal do país, conheça o novo Museu da Acrópole. Todo envidraçado, tem vista para o complexo arqueológico e a entrada custa apenas 1 euro. Fecha às segundas. Bem, chegamos lá: eis a Acrópole, um complexo de templos erguidos no alto de uma colina. Aqui fica o Parthenon, construído em homenagem à deusa Atena. Pode ser visto de toda a cidade. A entrada custa 12 euros, vale por três dias e dá direito a entrada gratuita em todos os monumentos arqueológicos da cidade: Ágora Antiga, Ágora Romana, Templo de Zeus, Teatro de Dionísio e Keramikos. Chegou a hora de percorrer a cidade. Em Plaka, bairro turístico e cheia de becos e ruelas – estão muitos restaurantes e bares. É o centro histórico de Atenas. Conectada à região de Plaka pelas ruas Filellinon e Nikis, a Praça Syntagma é o centrinho financeiro, cheio de hotéis de luxo, banco e cafés convidativos. Pegue a rua Stadiou para chegar à Omonia – a praça mais agitada da cidade. Durante o caminho pare no Mercado Central, cheio de pistaches, amêndoas e doces gregos. Perto da Praça Monastiraki há um mercado de pulgas, onde você encontra toda sorte de badulaques a preços imbatíveis. Nem pense em alugar carro. O trânsito é infernal e os pontos turísticos são razoavelmente próximos. Para um ou outro ponto mais distante abuse do metrô que, depois das Olimpíadas, virou uma atração à parte em Atenas. Site da cidade: www.atheninfoguide.com


Vila de Oia, em Santorini. (Foto: Artupe´s)

SANTORINI – É uma das ilhas gregas mais famosas. Igrejinhas brancas com cúpulas azuis vão inundar sua máquina fotográfica. Areias negras e água transparente finalizam o pacote. Por atrair milhares de turistas e converter-se em destino desejado de 10 entre 10 turistas do mundo paga-se caro por aqui. Mas nada que uma acomodação muquirana aliada a refeições modestas não faça da sua estadia um luxo inteligente. O nome oficial da ilha é Thira. A capital Fira fica no topo da Caldera – uma enorme cratera de um vulcão ainda em atividade. Tem museus arqueológicos e, dizem, um bonito por do sol. Está a nove horas de barco de Atenas. Site: http://www.santorini.com

MYKONOS – Cheia de ruelas e labirintos, Mykonos faz a gente se perder não só pela desarranjada – e belíssima – arquitetura, mas principalmente pelo seu estilo inóspito de ser. Não dá para imaginar que um lugar tão árido e seco possa ser tão agradável e com uma graça ímpar. Apesar de contar com dois museus arqueológicos e um marítimo, o maior atrativo de Mykonos é a movimentada vida noturna. Para quem busca balada ela vai ser sua opção, enquanto Santorini acondiciona melhor momentos a dois. No entanto, qualquer agência, excursão ou guias metidos como o nosso indicam as duas numa tacada só. Caso queira conhecer um pouco mais da história do lugar visite o Museu Arqueológico de Mykonos. A entrada custa 2 euros. Gratuito todo primeiro domingo do mês, exceto em julho, agosto e setembro – quando o segundo domingo passa a ter entrada franca. Você vai entender boa parte do período helenístico nas peças do acervo. A ilha está a seis horas de barco de Atenas. Site: http://www.mykonos.gr

CRETA – A única floresta de palmeiras tropicais da Europa está em Creta. Mas não é bem isso que vai atrair você para a maior das ilhas gregas. Aqui é possível encontrar resquícios de uma das mais antigas civilizações do continente, os minoanos – provavelmente dizimados após uma enorme erupção vulcânica em Santorini, por volta de 1500 a.C. Está tão longe de Atenas (8 a 10 hora de barco) que acabou desenvolvendo até uma língua própria. Aproveite para entrar na lenda do Minotauro: aquele ser da mitologia – meio homem meio touro – era cretense. Aproveite as praias e faça sua imersão na história em estado puro.

RHODES – Está no arquipélago do Dodecaneso – o mais distante, próximo quase à Turquia. Possui paisagem diversificada e ruínas medievais. Minaretes de antigas mesquitas confundem-se com castelos dos cruzados. Eu viria para cá por tudo isso, mas principalmente para conhecer a terra que teria guardado até 237 a.C. o célebre Colosso de Rhodes – uma estátua de bronze de 35 metros de alturas, considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.

PARA FUGIR DO ÓBVIO


Mosteiros pendurados nos penhascos de Meteora. (Foto: Chimugherm)

Em vez de correr para o mar (ou além de…) vá para o centro do país e conheça Meteora, na região da Tessália – a 350 quilômetros de Atenas. A cidade abriga um enorme complexo de mosteiros fincados no topo de rochedos de arenitos. O acesso aos mosteiros era feito por guindaste e somente em 1920 construíram estradas de acesso. O menor pico em que se localiza um mosteiro está a 305 metros de altura. Os retiros ortodoxos passaram a ser conhecido por “meteoros”, que em grego significa “suspenso no ar”. Os mosteiros de Meteora são Patrimônio Mundial da Humanidade.

SEM MARCAR TOUCA

Caso queira ligar para o Brasil (e você não use o Skype, por exemplo) compre cartões telefônicos internacionais nos quiosques do centro de informações turísticas (na Praça Syntagma em Atenas há um). Vai ficar mais em conta do que adquirir chips locais para o seu celular GSM. As companhias gregas geralmente não têm boas tarifas, nem planos interessantes para países da América Latina.

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