segunda-feira, 09 de novembro de 2009

Inglaterra a 50 euros por dia – Parte 1


Tower Bridge: você vai bater uma foto na frente dela. (Foto: Scott Liddell)

Sei, na alfândega nem sempre é assim. Mas se você cumprir as exigências necessárias e for realmente a turismo é raro que seja mandado de volta para a casa. Londres, a capital, é a cidade com mais etnias por metro quadrado do planeta. Indianos, árabes, chineses, peruanos e toda sorte e espécie de punk, góticos e emos se esbarram sem nem prestar atenção um no outro necessariamente.

Não há outro lugar no mundo em que o conceito de “aldeia global” – criado pelo sociólogo canadense Marshall McLuhan – é tão visível e presente. Pubs e chá das cinco convivem harmonicamente, cada um no seu quadrado. De Charles Chaplin aos Rolling Stones, de Hitchcock aos Beatles, sempre vai existir uma Inglaterra que cabe em você.

O VALOR DA LIBRA

Meça o valor da Inglaterra: conseguiu impor uma forma de governo obsoleta, tem religião própria e manteve a moeda – a libra esterlina – bem longe da zona do euro. Não é pouco. Os preços proibitivos do país não devem minar seus sonhos de passar uns dias aqui. Mas gastar 50 euros por dia em Londres, algo como 44 libras, pode tornar sua viagem uma expiação dos pecados se você não entrar no espírito do nosso modelo 5.0 de viagem.

Se a gente subir a conta para 50 libras, ainda assim, vai ser uma viagem modesta. Modesta, mas inesquecível. Sua cama provavelmente vai estar em algum albergue, seu almoço seguramente vai ser em algum restaurante chinês ou grego. Sua janta, o kit-salvamento-do-supermercado. Nos intervalos, fique com as praças, os parques e os museus públicos da capital do país – alguns dos melhores do mundo – que são gratuitos o ano inteiro.

Apesar de uma ou outra restrição você está na Inglaterra. Muita gente com tempo e dinheiro não vem para cá. Porque o patrimônio que a gente busca nem mesmo a libra esterlina pode comprar. :-)


Atração gratuita em Londres: troca de guarda no Palácio de Buckingham. (Foto: Akivasha)

O BARATO DA INGLATERRA

LONDRES – O seu roteiro por Londres deve ser influenciado pelo número de dias na cidade. Partindo do pressuposto de que você é obediente e segue as regras do Matraqueando, fique – no mínimo – quatro dias inteiros por aqui. Uma semana seria o ideal. O que não quer dizer que conseguirá esgotar a capital da Inglaterra durante esse período. Comece a explorar a cidade pela tradicional Piccadilly Circus, uma área cheia de… turistas. Não torça o nariz, você é um deles, lembre-se. Ali perto está a Trafalgar Square, a praça mais popular de Londres. Em frente, o National Gallery – uma das mais importantes galerias de arte do mundo com sete século de história da arte europeia. Entrada gratuita. Do lado, na Leicester Square – outra movimentadíssima praça – você encontra o Covent Garden, um antigo mercadão que se transformou num delicioso universo londrino de bares e lojas. Tome um café por aqui. Dali você pode ir a pé – mas se preferir pegue o metrô e desça na estação Westminster ¬– para, enfim, conhecer o Big Ben, a famosa torre do relógio do Parlamento. O edifício foi construído no século 19 em estilo gótico vitoriano, seja lá o que isso signifique. Custa 12 libras para conhecer o complexo, mas as sessões parlamentares são abertas ao público. A partir daqui você já está abraçando o lendário Rio Tamisa, que corta a cidade. Poucas quadras adiante você encontra o Palácio de Buckingham, a residência oficial da família real. As visitas acontecem somente em agosto e setembro (quando a rainha sai de férias) e custam caro: a partir de 16,50 libras. Com orçamento apertado já fique muito satisfeito com a célebre troca de guarda, uma bando de soldadinhos numa coreografia que atrai milhares de pessoas todos os dias no verão e em dias alternado no inverno – sempre às 11h30. Gratuito. Chegue cedo, pelo menos com uma hora de antecedência se não quiser compartilhar o “show” com um cotovelo no seu nariz. É claro que você não vai fazer isso, mas se tivesse que escolher um único museu fique com o British Museum, um dos mais fascinantes do planeta. Guarda a Pedra de Rosetta entre outras peças absolutamente importantes para a história do mundo. Gratuitíssimo, apesar da sugestão de 2 libras como doação. Próximo do museu, nas redondezas do Soho e Chinatown você vai conhecer um bairro mais londrino (1ª opção) e uma comunidade de imigrantes típica, onde se pode comer mais em conta (2ª opção). Para bater ponto no principal endereço da arte contemporânea do país conheça o Tate Modern. Entrada gratuita, exceto para exposições temporárias. Uma das mais importantes catedrais da Inglaterra – com a segunda maior cúpula do mundo – a Catedral de St. Paul’s  cobra carésimas 10 libras. No entanto, durante as missas (7h30, 8h, 12h30 e 17h) a entrada é gratuita, mas o número de pessoas é controlado. Chegue cedo. Aqui aconteceu o funeral de Winston Churchill e o televisionado casamento do Príncipe Charles e Diana. Torço para que você pegue pelo menos um dia ensolarado e conheça o Hyde Park, o badalado parque londrino. Entrada gratuita. Entre as atrações pagas, eu ficaria com duas. A Abadia de Westminster , ao lado do Parlamento, é uma delas. Um construção do século 8 onde ocorre a coroação dos monarcas britânicos e foi ali o funeral da princesa Diana, em 1997. Entrada a 15 libras. Estudantes têm desconto. Para a melhor vista de Londres suba na London Eye, uma roda gigante de ferro com 135 metros de altura, praticamente em frente ao Big Ben, só que do outro lado do Rio Tamisa. Ingresso a partir de 17,50 libras. Se fizer a reserva antecipada pelo site, ganha 10% de desconto. Site da cidade: www.visitlondon.com

LIVERPOOL – Como sabemos, os verdadeiros reis da Inglaterra se chamam Beatles. Durante muito tempo a segunda maior cidade do país só era lembrada por causa disso. O que não é pouco, convenhamos. Mas em 2008, Liverpool foi eleita a nova capital da cultura da Europa (Liverpool08.com) o que deu uma repaginada no Albert Dock – antigo porto, por exemplo – onde está o Tate Liverpool , enorme galeria e museu de arte moderna. Entrada Gratuita. Para os beatlemaníacos: bata o cartão no Beatles Story. O ingresso do museu custa 12,25 libras . Estudantes e maiores de 60 anos pagam 8,30 libras. Ou vá no The Beatles Shop  para comprar qualquer coisa do grupo. Site da cidade: www.visitliverpool.com.

BATH – A cidade de Bath, construída em torno de termas romanas, está a 180 quilômetros de Londres. Uma hora e meia de trem. Preserva desde o século 18 um ar de pompa, quase luxuoso. Roteiro clássico: ruínas das Termas  por 11 libras e os vitrais da Abadia de Bath por módicos (para os padrões ingleses) 5 libras. Site da cidade: www.visitbath.co.uk.


O relógio mais famoso do mundo. (Foto: Domiwo)

OXFORD E CAMBRIDGE – Os principais pólos universitários, não só da Inglaterra, mas de todo o Reino Unido estão em Oxford e Cambridge. Em ambas os melhores passeios são conhecer os colleges mais famosos. Em Oxford, o maior e o mais conhecido deles é o Christ Church College. Entrada a 4,90 libras. Estudante paga 3,90. Foi fundado em 1529. Treze primeiros-ministros britânicos estudaram aqui, além do escritor Lewis Carrol, autor de Alice no País das Maravilhas. A célebre escadaria foi cenário do filme Harry Porter. De Londres a Oxford leva uma hora de trem. Passagens a partir de 12 libras. Site da cidade: www.visitoxford.org. Já de Cambridge saíram mais de 60 ganhadores do prêmio Nobel. Visite o King’s College, com uma capela ilustre. Paga-se 5,30 libras para entrar. Estudantes pagam 3,50 libras. Mas é possível entrar gratuitamente no King’s durante a apresentação do prestigiadíssimo coral do estudantes. Segunda a sábado, às 17h30. Domingos às 10h30 e 15h30. (Menos no período de férias). Apesar do espetáculo ser free, o número de pessoas é controlado. Cambridge também está mais ou menos a uma hora de trem de Londres. Site da cidade: www.visitcambridge.org.

BRIGHTON – Imagine pegar um tempo firme, quente e com muito sol na Inglaterra. Tá bom, caí da cama e acordei. Mas, ao menos que chova sem parar, não deixe de conhecer o movimentado balneário de Brighton. Descolado, cheio de estudantes e turistas – muitos brasileiros, inclusive. Passeie pela orla. Quando não, pelo menos molhe os pés na água gelada e visite um fabuloso palácio, o Royal Pavilion – todo em estilo indiano – uma espécie de Taj Mahal inglês. Entrada por 8,80 libras. Estudantes pagam 6,60.


O misterioso monumento pré-histórico de Stonehenge. (Foto: Peter Sem)

PARA FUGIR DO ÓBVIO

Eu sei que o tempo é curto. Mas não saia da Inglaterra sem conhecer o monumento pré-histórico mais célebre da Europa. Stonehenge  fez parte, provavelmente, de uma grande civilização neolítica. Foi construído entre 3000 e 1500 a.C. O misterioso conjunto de pedras fica em Salisbury, a 120 quilômetros de Londres. Ingressos a 6,50 libras. Estudantes pagam 5,60.  Mais barato do que a Torre de Londres, que não tem mistério algum.

SEM MARCAR TOUCA

O caro passe London Pass  promete acesso a diversas atrações. Geralmente secundárias no seu roteiro. Um dia custa 39 libras, dois dias saem a 54 libras e três, por 60 libras. É bem provável que não valha à pena.

AMANHÃ: Dicas de passeios nas feiras e nos mercados mais famosos, pubs, novas atrações gratuitas, castelos e como economizar no caríssimo transporte público.

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