sábado, 28 de julho de 2012

Memorial 17 de Julho: o local onde ocorreu o maior acidente aéreo da aviação brasileira celebra a vida

Qualquer acidente — seja de carro, ônibus ou trem — com vítimas fatais é sempre uma tragédia. Já a notícia de um acidente de avião costuma causar um impacto ainda maior porque morrem centenas de pessoas de uma só vez. Foi assim em 2007 quando recebemos, estarrecidos, a informação de que um voo da TAM teria derrapado na pista e se chocado com um prédio na cabeceira do aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

199 pessoas morreram. Foi a maior tragédia da aviação civil brasileira. Até hoje ninguém foi responsabilizado. Na semana passada, um alento para os familiares. O local da tragédia ganhou um memorial em homenagem às vítimas do voo 3054. Uma praça bonita emoldura a única coisa que sobrou do incêndio que se seguiu ao acidente: uma árvore! Ninguém sabe dizer como a amoreira sobreviveu a um fogo de 1000ºC.

A inauguração do Memorial 17 de Julho (a data se refere ao dia do acidente) foi uma vitória da AFAVITAM – Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo 3054. A entidade nasceu praticamente no dia do acidente, enquanto os parentes esperavam pelo reconhecimento dos corpos de seus filhos, pais, avós, maridos e esposas.

O memorial se transformou num local tranquilo para descanso ou passeios com as crianças. Quem está de passagem por Congonhas pode visitá-lo facilmente, já que está a umas quatro quadras do aeroporto. No centro da praça, um enorme espelho d’água com bordas de concreto leva gravado no cimento os nomes das vítimas. À noite, 199 luzes se acendem, iluminando a árvore. Poderia ser triste. Mas o Memorial 17 de Julho e sua árvore-mascote celebram a vida.

Fotos: Raul Mattar

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