Silvia Oliveira
quarta-feira, 20 de março de 2013

Generalizar é pecado

Não existe maior declaração de amor à humanidade do que fazer turismo sem preconceito. Quem viaja deve ter disposição para encontrar o diferente sem julgar ou depreciar a conduta alheia.  Botar o pé para fora de casa já deveria bastar para superar nossas crendices sobre lugares e pessoas.

Centenas de clichês circundam cidades, regiões e até um povo. Quem nunca disse que curitibano é antipático? Ou que parisiense não toma banho? Ou que gaúcho é, vamos dizer assim, cabro macho? Ou que todo mexicano é vaqueiro?

Estereótipos são assim mesmo. Trata-se de uma imagem mental muito simplificada e ignorante que a gente faz sobre um determinado grupo de pessoas. É a maneira fácil que encontramos para rotular os outros baseados numa visão etnocêntrica e individualista.

Eu sei, eu sei. Dá vontade de dizer — e muita gente diz — que baiano é arrastado, que alemão é cachaceiro, que carioca é vagabundo, que árabe é terrorista, que português é burro, que paulista é frio, que italiano é grosso, que brasileiro é malandro e que todo argentino é um filho da puta.

Veja, temos italiano malandro, paulista arrastado, árabe burro, brasileiro grosso, português cachaceiro, alemão vagabundo e um bando de gente fio duma quenga que nem argentino é. Viu? Características de comportamento quase sempre dependem do indivíduo, não necessariamente do lugar onde vivem. Importante, você encontra nas pessoas exatamente o que espera delas.

Mude o foco.

Antes de generalizar o outro pense se você, um brasileiro, gostaria de ser rotulado como homens que andam com arco e flecha nas mãos, mulheres que vivem na praia com o biquíni enfiado na buzanfa ou crianças que brincam com seus animaizinhos de estimação, os macacos. Logo…

A propósito, nem todo alemão usa suspensório assim como nem todo argentino sabe dançar tango. Ou você já imaginou o Papa Chico encoxando uma portenha ao som de Carlos Gardel? Aliás, depois do anúncio do novo Pontífice, nosso cérebro estereotipado entrou em colapso. Justo ele, a pessoa — em tese — mais humilde do mundo é… argentino. Cuidado, porque se generalizar já era feio agora, além de tudo, é pecado!

Posts relacionados

Como diferenciar uma hospedagem simples da pobre de espírito

Por favor, deixem o turista em paz!

Os sete pecados capitais do turista

_______________

Foto: Kay Pat | Image Bank

Share
segunda-feira, 18 de março de 2013

Cânion do Xingó: como visitar o belíssimo atrativo que projetou o Sergipe no mapa turístico nacional

Globalização é isso: meados de 2002, eu em… Lisboa lendo uma revista de turismo… espanhola que falava do… Brasil. Certo, era só uma notinha discreta sobre um roteiro exótico em Sergipe: o Cânion do Xingó. Exótico, claro, para meu padrão fresca-urbana. Passou batido.

Pelas fotos associei o passeio a puro ecoturismo, daqueles em que a gente se embrenha no meio do mato, pega um barquinho e vai de encontro — olha minha cara de preguiça — com a “Mãe Natureza”.

O certo é que nunca me esqueci daquele nome sonoro, Cânion do Xingó — mesmo sabendo (ou achando) que aquilo, para mim, era tão improvável quanto fazer rapel em cachoeira. Rá! O destino, se comparado aos nossos principais atrativos nacionais, é relativamente novo. Hoje, tenho a impressão, aliás, de que os europeus tomaram conhecimento desta viagem antes mesmo do que nós.

Imagens de São Francisco, santo que dá nome ao rio, estão espalhadas pelo trajeto.

O Cânion do Xingó surgiu após o represamento das águas do Rio São Francisco para a construção da Usina Hidrelétrica do Xingó (inaugurada em 1994), na divisa entre Alagoas e Sergipe. Para minha surpresa, nos últimos anos o roteiro — de raríssima beleza — foi entrando na wish list de muitos viajantes e começou a aparecer em blogs bacanas como o Ziga da Zuca, Outros Aires e Miss Check-in. Mas o relato da Pati Papp do Coisas de Mãe (que viajou com os dois filhos pequenos) foi a cartada final: vou pra lá! (Eu é que não ia perder para uma criança de dois anos, né?)

Quando incluí Aracaju na Expedição Brasil Express II, o passeio tipo bate e volta que mais aparecia nas minhas pesquisas era justamente este, o que levava ao 5º maior cânion navegável do mundo. (Enquanto eu achava que estava desbravando o sertão nordestino, o mundo inteiro já havia descoberto o Cânion do Xingó, destino que colocou de vez o Sergipe no mapa turístico nacional!)

E “mundo inteiro” não é exatamente força de expressão. As embarcações, quase sempre lotadas, saem da cidade de Canindé de São Francisco, a 210 quilômetros da capital sergipana. São três horas de passeio: uma hora navegando pelo Rio São Francisco, mais uma hora de parada para banho e uma hora para retornar. Os catamarãs (ou escunas) saem do porto que fica em frente ao Restaurante Karrancas. Na entrada da cidade há placa indicativas.

Apesar da muvuca o embarque é tranquilo. O guia vai chamando os passageiros pelo nome e por ordem de chegada. Portanto, não precisa correr ou se acotovelar para pegar o “melhor lugar”. O detalhe é que a embarcação é quase toda aberta e se o passeio estiver super-mega-top-lotado (o que não é difícil acontecer) você terá que fazer o trajeto debaixo do sol.

Isso não é Photoshop nem ilusão de ótica: as águas do cânion são verdíssimas!

A expectativa é alta: você está prestes a conhecer algo totalmente inusitado em pleno Alto Sertão do Sergipe. Há menos de 20 anos, esta região — hoje alagada — era coberta pela caatinga e o rio que circundava Canindé, praticamente seco! Com o represamento das águas, o leito do São Francisco subiu quase 100 metros e o topo das montanhas acabaram formando o… Cânion do Xingó. (A título de curiosidade, algumas cenas da novela global Cordel Encantado foram feitas aqui).

O catamarã zarpa e — nem tudo é perfeito — a bagaceira começa: música alta, guia metido a engraçadinho e todo mundo feliz igual a Big Brother quando entra na casa… uhu! Antes de reclamar da farofada lembre-se de que você é um deles e está ali pelo mesmo motivo: conhecer uma das paisagens mais inusitadas do Brasil. (Já percebeu como a gente se incomoda com os “turistas” sem nos dar conta de que somos um deles?) É aquela velha história: latino-americano é sempre o outro, nunca um brasileiro. Rá!

Ah, o barco é bem equipado. Tem banheiro e lanchonete. Servem espetinhos (R$ 5 cada) bebidas e sorvete. Após uns 30 minutos de navegação pelo São Francisco (rio 100% nacional) começam a aparecer os primeiros cânions como a Pedra do Gavião, o Morro dos Macacos e a Pedra do Japonês. Mas o impacto mesmo vem com a aproximação do catamarã ao Paraíso do Talhado. Até a música do barco muda.  O forrozão dá lugar à trilha sonora estilo Vangelis no filme “1492 – A Conquista do Paraíso”. A ideia é fazer todo mundo chorar. Cria-se o clima de emoção, aquela sensação de poder, de cheguei até aqui. \O/ Os paredões vão se aproximando e então você se esquece da música alta, do guia metido a engraçadinho e do seu grupo BBB.

O Cânion do Xingó é formado por um vale profundo. São mais de 60 quilômetros de extensão e a água do rio pode chegar a 190 metros de profundidade! (Tenho vertigem só de pensar!) A parada para banho acontece no Porto de Brogodó… um cercadinho bem ao estilo Piscinão de Ramos. Êêê lasqueira! O pessoal pega o macarrão flutuante e se esbalda nas águas verdinhas e mornas do Rio São Francisco. Quem não quiser entrar na água (presente!) pode ficar por ali, na sombra da barraca do porto, tomando água de coco!

É neste ponto também que você pega um barquinho (R$ 5 por pessoa) para chegar bem perto da Gruta do Talhado e seus paredões avermelhados. Entre ida e volta não são nem 10 minutinhos. Mas é um dos pontos mais fascinantes do passeio e de onde você traz algumas das mais belas fotos da viagem.

Dicas da Matraca

- Evite fazer este passeio como um bate e volta. De Aracaju são 210 quilômetros até Canindé: três horas para ir, mais três para voltar, além do tempo do passeio em si. Será muito cansativo. Se possível, durma em Canindé de São Francisco ou em Piranhas (cidade fofíssima, foi nossa opção para pernoite) e faça no dia seguinte a Rota do Cangaço. Caso você venha de Maceió são 280 quilômetros.

- Se não houver outra alternativa e você optar pela excursão, o almoço será na volta do passeio, no Restaurante Karrancas (mesmo lugar onde você pegou a embarcação). Custa R$ 30 por pessoa, buffet livre. (Bebida e sobremesa à parte). Se você estiver viajando independente faça como nós: almoce no Restaurante Caçuá (Av. Beira Rio s/nº – Canindé – Fone: (79) 3343-1608 e 8812-4576), inaugurado há pouco mais de mês. R$ 26 o quilo. Comidinha simples e caseira. O bom aqui é que você paga pelo que consome.

- Vá com roupas leves e não se esqueça do traje de banho e da máquina fotográfica. Passe muuuito protetor solar e use chapéu.

SERVIÇO

Passeio ao Cânion do Xingó: como chegar a Canindé de São Francisco vindo de Aracaju

- Carro | Pegue a BR 101 sentido Maceió. Vá em direção ao município de Areia Branca (BR 235) e siga para Itabaiana (passa por fora da cidade). Entre em Ribeirópolis e, em seguida, pela rodovia estadual SE -106, passe pelos municípios de Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora da Glória (cidadezinha com mais estrutura, restaurantes, lanchonetes, lojinhas, posto de gasolina, etc).  Siga pela rodovia SE-206 e passe por Poço Redondo e, finalmente, Canindé. São 210 quilômetros. Todo o trajeto tem placas indicativas e a estrada está relativamente boa. É difícil se perder. (Nós alugamos um carro em Aracaju). Em tempo: de Maceió são 280 km.

- Ônibus | Para chegar a Canindé de São Francisco você pega o ônibus na rodoviária velha de Aracaju. Há várias saídas diárias. Tarifa a R$ 19.

- Excursão | Caso você não queira ir por conta, várias agências (como a Nozes Tur e a Peregrinos) fazem o passeio tipo bate e volta saindo de Aracaju. (Existe também um pacote que dura dois dias e inclui os passeios ao Cânion do Xingó e à Rota do Cangaço, uma noite em hotel e o traslado por R$ 320 por pessoa. Crianças até 3 anos não pagam e de 4 a 9 anos pagam 50% deste valor).

Quanto custa: só o passeio custa R$ 70 (mais R$ 5 para pegar o barquinho até à Gruta do Talhado, trecho opcional). Eu comprei meu voucher direto no hotel (reservei com antecedência). Já os pacotes oferecidos pelas agências custam R$ 130, saindo de Aracaju. Inclui traslado ida e volta e o catamarã. (Almoço à parte).

Quanto tempo dura o passeio: 3 horas (sem contar o tempo de viagem até Canindé)

Post relacionado

Rota do Cangaço: o passeio que leva você à história do sertão nordestino | Piranhas – AL

Fotos: Raul Mattar 

__________________

Minha viagem ao Sergipe faz parte da Expedição Brasil Express II, projeto do Matraqueando que leva recortes do nosso país até você.

Share
sábado, 16 de março de 2013

Sílvia Oliveira: eleita melhor blogueira de viagem no prêmio Bloscars 2013

Há duas semanas recebi a  notícia de que havia sido eleita numa votação popular como Melhor Blogueira no Oscar dos blogs de viagens. O concurso é promovido há anos pela empresa escocesa Skyscanner, uma das maiores consolidadoras de voos do mundo.

O Bloscars é um concurso mundial e foi realizado este ano pela primeira vez no Brasil. Os vencedores nacionais concorrem com blogueiros de outros países. Ou seja, sou a Miss Brasil concorrendo ao Miss Universo dos blogs de viagem! Rá rá rá!

Eu sabia que estava disputando o título com mais quatro blogueiras brasileiras (fomos pré-escolhidas por um júri da Skyscanner), todas ótimas e queridas. Mas o que me deixou mais feliz é que eu fui a única concorrente a não fazer campanha para ganhar voto. Por absoluta falta de foco e tempo nem avisei vocês de que a votação estava rolando, não fiz post, não chamei no Twitter, nem no Facebook. Nada. Enfim, minha chance de ganhar era ínfima!

Por isso, quando recebi a notícia caí dura. Foi uma enorme e felicíssima surpresa. Só tenho a agradecer a vocês que votaram em mim, que gostam de matraquear, que compartilham nosso trabalho, que divulgam nossa história!

Ah, O concurso teve outras categorias como Melhor Blogueiro, Melhor Blog de Fotografias de Viagem, Melhor Blog Revelação e Blog Escolhido Pelo Público. And the Oscars goes to…

Melhor blogueira de viagemSílvia Oliveira do Matraqueando \O/ \O/

Melhor blogueiro de viagemMárcio Nel Cimatti do A Janela Laranja

Melhor blog de fotografias de viagemE-Dublin

Melhor blog revelaçãoJuliana Gois do Viajante Remediado

Blog escolhido do público: Thaísa e Thiago do Janela ou Corredor

Cada vencedor ganhava um Kindle Fire e o direito de concorrer no concurso mundial. Aliás, o resultado do nosso Miss Universo já saiu e o prêmio de melhor blogueira do mundo foi para a Alemanha. Veja os nomes dos vencedores aqui!

Obrigada, Matraquete! Mesmo! Estou cada vez mais segura de que estamos no caminho certo: poucas e boas viagens, sempre focadas em você! :D

Share
quinta-feira, 14 de março de 2013

Rota do Cangaço: o passeio que leva você à história do sertão nordestino | Piranhas-AL

Meu avô, pai do meu pai, era alagoano de Santana do Ipanema, sertão nordestino. Como todo cabra macho que nasceu ou viveu por aquelas bandas ele dizia que tinha feito parte do bando de Lampião — cangaceiro ora retratado como matador impiedoso ora como herói da caatinga!

Casario do povoado de Entremontes.

A história do cangaço, aliás, sempre me fascinou. Virgulino Ferreira da Silva é um daqueles personagens brasileiros que até hoje deixam os estudiosos do tema descabelados com tanta informação desencontrada sobre a origem e o fim do périplo bandoleiro.

Ao colocar o Sergipe na pauta da Expedição Brasil Express II descobri (amei, amei, amei!) que a partir de Aracaju era possível fazer a Rota do Cangaço, um passeio que tem base na cidade de Piranhas (Patrimônio Histórico Nacional),em Alagoas. O pequeno município fica na divisa com Canindé de São Francisco (Sergipe), de onde saem os catamarãs que levam ao Cânion do Xingó, um dos principais pontos de visitação do estado. Fechou! \O/

A Rota do Cangaço começa no atracadouro de Piranhas, às 9h, com um passeio pelo leito natural do Rio São Francisco. São 45 minutos de navegação com brisa constante — e uma vista linda do Véio Chico — até à primeira parada: o povoado de Entremontes. O vilarejo, distrito de Piranhas, é conhecido pelo trabalho das bordadeiras de rendedê, herança artesanal passada de geração em geração.

Uma associação — a Cia do Bordado de Entremontes — foi fundada para estimular e preservar essa tradição. Mulheres passam o dia com agulhas, linhas e bastidores nas mãos para criar os mais lindos desenhos em jogos americanos (a partir de R$ 16 cada), pano de prato, toalhinhas de bandeja (a partir de R$ 8) e caminhos de mesa. Aceitam cartão de crédito e débito.

Um pequeno museu na Cia do Bordado abriga peças antigas da arte do rendedê. 

A parada em Entremontes é rápida, 30 minutos. Além de comprinhas você poderá conhecer a casa onde se hospedou Dom Pedro I na passagem do imperador pela cidade e o pequeno museu (com objetos antigos de bordados) que fica dentro da associação, na pracinha principal.

Atracadouro de Entremontes, Alagoas.

De volta ao catamarã seguimos para o ponto (Restaurante Angicos) de onde sai a trilha até à Grota do Angico. Foi aqui que Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros morreram numa emboscada. Esse era o momento mais esperado (por mim) do passeio, apesar de estar consciente da caminhada desumana que faria sob um sol de 40ºC pelo sertão nordestino. Aliás, a trilha é opcional, quem não quiser percorrê-la pode almoçar ou ficar tomando banho de rio. O local tem estrutura tipo prainha.

Trilha que leva à Grota do Angico: 700 metros  de caminhada sob 40ºC sem vento.

Cheguei a perguntar ao Raul — vááárias vezes — se ele não preferia ficar com a Mariana ali, à beira do São Francisco enquanto eu fazia a trilha de 700 metros. Mas ele quis ir junto e, claro, teve que levar a filhota no ombro em boa parte do caminho. O certo é que quase a Família Matraca inteira foi pras cucuias de tão absurdamente quente que é o trajeto. Fiquei com medo de passar mal, mas fui caminhando devagar, parando, tomando bastante água e imaginando quão lazarenta era a vida dos jagunços errantes pelo sertão.

Já no começo da caminhada você pode conhecer uma verdadeira casa de taipa que, segundo nossa guia, foi de Pedro Cândido, um dos coiteiros de Lampião. Quando nos embrenhamos pela mata o clima vira uma estufa. Entre mandacarus, cactos diversos e vegetação rasteira você se depara com a Caatinga, bioma que só existe no Brasil e está quase todo no Nordeste. A trilha, tecnicamente, é fácil se não fosse o calor retumbante. São 30 minutos na ida e mais 30 minutos na volta.

Ao chegar à Grota do Angico —  lugar de difícil acesso naquela época e, por isso, considerado seguro por Lampião — o guia (no nosso caso era uma moça vestida de cangaceira muito simpática e falante ) conta sobre o massacre e como se deu o fim de um dos personagens mais controversos da história nacional. Após matarem o Rei do Cangaço e parte do bando, os policiais cortaram as cabeças dos jagunços e as deixaram expostas na escadaria da prefeitura de Piranhas, dando origem a uma das fotos mais emblemáticas deste conflito brasileiro.

No lugar do acontecido, cruzes e uma placa com os nomes dos cangaceiros emboscados e de Adrião, o único soldado morto no confronto. Ou seja, não há nada demais ou visualmente surpreendente na trilha ou na Grota a não ser seu significado histórico.  O que — para mim,  repito — foi mais do que suficiente, outro sonho realizado!

Morro no meio do sertão, mas não perco a pose… nem a flor do cabelo.

Ao voltar ao ponto inicial do trajeto, o almoço que havíamos pedido antes de começar a trilha já estava à nossa espera: tucunaré frito com arroz, feijão de corda e salada (R$ 37 para dois). Mas antes de comer, o Raul e a Mariana correram para o rio e eu tomei um banho, com roupa e tudo, num chuveiro ao lado do restaurante,  tamanho era o meu desespero por causa do calor. (Moro em Curitiba, lembra?)  Já refrescados comemos o melhor peixe da viagem! Dali, o barco volta a Piranhas, onde passamos duas noites na cidade mais importante para a história do cangaço.

SERVIÇO

Rota do Cangaço

Como chegar a Piranhas vindo de Aracaju:

- Carro | Pegue a BR 101 sentido Maceió. Vá em direção ao município de Areia Branca (BR 235) e siga para Itabaiana (passa por fora da cidade). Entre em Ribeirópolis e, em seguida, pela rodovia estadual SE -106, passe pelos municípios de Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora da Glória (cidadezinha com mais estrutura, restaurantes, lanchonetes, lojinhas, posto de gasolina, etc).  Siga pela rodovia SE-206 e passe por Poço Redondo, Canindé e, finalmente, Piranhas. São 220 quilômetros. Todo o trajeto tem placas indicativas e a estrada está relativamente boa. É difícil se perder. No mapa acima não aparece Piranhas como destino final, porque o Google Maps faz uma volta enorme de Canindé a Piranhas. Mas chegando a Canindé (SE) é só atravessar uma ponte e você está em Piranhas (AL). (Nós alugamos um carro em Aracaju). Em tempo: de Maceió são 280 km.

- Ônibus | Você pega o ônibus na rodoviária nova de Aracaju. São 4,5 horas de viagem entre Aracaju e Piranhas. Passagem a R$ 21. Caso prefira ir a Canindé primeiro, você pega o ônibus na rodoviária velha de Aracaju. Há várias saídas diárias. Tarifa a R$ 19. (De Canindé a Piranhas você pode ir de táxi ou moto-táxi. São 10 minutinhos, no máximo).

- Excursão | Caso você não queira ir por conta, várias agências (como a Nozes Tur e a Peregrinos) fazem o passeio tipo bate e volta saindo de Aracaju. (Existe também um pacote que dura dois dias e inclui os passeios  Cânion do Xingó e Rota do Cangaço, uma noite em hotel e o traslado por R$ 320 por pessoa. Crianças até 3 anos não pagam e de 4 a 9 anos pagam 50% deste valor).

Quanto custa: só o passeio custa R$ 50 (mais R$ 5 para fazer a trilha até à Grota do Angico, trecho opcional). Eu comprei meu voucher direto no hotel (reservei com antecedência). Já os pacotes oferecidos pelas agências custam R$ 115. Inclui traslado ida e volta e o catamarã. (Almoço à parte).

Quanto tempo dura o passeio: 4,5 horas.

Dica da Matraca |  Não esqueça o traje de banho. Para fazer a trilha do cangaço vá com roupas leves, confortáveis e tênis. Passe muito protetor solar e use chapéu. Leve água fresca e bom humor. O trecho é cruel, mas fica pra sempre na sua história.

Fotos: Raul Mattar e Sílvia Oliveira

__________________

Minha viagem ao Sergipe faz parte da Expedição Brasil Express II, projeto do Matraqueando que leva recortes do nosso país até você.

Share
quarta-feira, 06 de março de 2013

Diquinha básica: confirme seus voos um dia antes de viajar para evitar perrengues

Tenho um ritual na véspera das minhas viagens: preparar minha pastinha de documentos referentes às reservas  e às informações do passeio. Vai do voucher do hotel  ao bilhete do voo, ambos impressos. Os ambientalistas (escutem as vaias!) ficarão horrorizados com tamanho desperdício de papel.

Mas eu ainda não consigo confiar 100% na tecnologia. Sim, está tudo lá no meu e-mail devidamente registrado. Aliás, hoje em dia já dá até para mostrar o bilhete eletrônico pela tela do celular. Mas vai que… a bateria acaba, não tenho conexão wi-fi, o iPad some…  enfim!

Costumo inclusive ligar no hotel para confirmar se eles “enxergam” minha reserva e se está tudo certinho para a minha chegada. O check-in do voo, sempre que possível, também faço pela web e já imprimo o cartão de embarque. O detalhe é que quando se viaja com criança não dá para fazer o check-in antecipado, só no totem de auto-atendimento ou direto no balcão.

Por conta disso, não fiz o web check-in antes e, MARQUEI TOUCA, também não confirmei os horários dos vôos Curitiba – Aracaju. Sim, queridos, horários de voos mudam sem que a companhia aérea venha avisar você!

É comum até que a gente lembre de fazer este tipo de confirmação em viagens internacionais, mas nem todo mundo está atento que alterações também podem ocorrer – e vêm ocorrendo com frequência – nas rotas domésticas. Eu sempre dou uma olhadinha até porque costumo emitir os bilhetes com muita antecedência.

Pois bem , o inesperado – mas não improvável – aconteceu. Cheguei ao aeroporto, ontem, às 8h para pegar o vôo das 8h58… mas a malha aérea havia sido mudada e a rota, antecipada para às 7h43. Perdemos o avião. A GOL jura que me enviou um e-mail avisando e eu, claro, tenho certeza de que não recebi nada.

Resultado prático:  deram um tíquete de alimentação no valor de R$ 18 para cada e fomos reacomodados num voo mais tarde. Chegamos a Aracaju no começo da noite enquanto que a previsão inicial (com o voo anterior) era chegar bem mais cedo.

Lições:

1.  Um dia antes de viajar entre no site da companhia  e, caso não possa ou não consiga fazer o check-in antecipado, pelo menos consulte seu voo para ver se houve alguma alteração. Em último caso, ligue na Central de Atendimento.

2.  Taí a prova de que os dias de chegada e partida não devem ser incluídos nunca no seu roteiro de viagem. Eles são uma espécie de café-com-leite, simplesmente não devem ser considerados. Para quem pensava em dar uma volta na orla da praia ao chegar à capital sergipana só restou jantar e ir dormir.

Fotos: Sílvia Oliveira

Share
terça-feira, 05 de março de 2013

Valendo um Guia Matraqueando: proconvô? (Veja quem acertou!)

Rumbora!!! Começo, daqui a pouco, a percorrer mais um trecho da Expedição Brasil Express II, projeto do Matraqueando que leva recortes do nosso país até você. Nesta segunda edição já passamos por São Luis, Alcântara, Raposa, Lençóis Maranhenses, João Pessoa e Litoral Sul da Paraíba!

Quando você estiver lendo este post talvez eu já tenha até embarcado, mas só chego hoje à tarde ao meu destino. O que me levou a incluir esse estado no nosso projeto foi, a princípio, um museu nada tradicional inaugurado há pouco tempo e que já é considerado um dos mais incríveis do Brasil. Mas a gente vai passar também por praia e sertão. E pertinho da capital temos uma praça Patrimônio da Humanidade! (Ish, agora entreguei!)

Quem responder corretamente PRIMEIRO na caixa de comentários deste post às seguintes perguntas (todas) leva um Guia Matraqueando à sua escolha:

1. Para qual estado eu vou?

2. Qual o nome do museu e a cidade onde fica?

2. Qual o nome da praça Patrimônio da Humanidade e cidade onde fica?

Valendo! :mrgreen:

RESULTADO:

E o Guia Matraqueando goes to…  Lana Cristina, que foi a primeirona a publicar a resposta corretíssima.

1. Isso, vim para Sergipe.

2. O Museu da Gente Sergipana, em Aracaju, foi considerado a atração do ano pelo Guia 4 Rodas.

3. E no município de São Cristóvão, a 30 quilômetros de Aracaju, temos a Praça São Francisco declarada Patrimônio da Humanidade pelo seu valor histórico e arquitetônico.

Obrigada a todos que participaram, muita gente acertou, mas pena que o prêmio só valia para o primeirão que desse a resposta correta! ;) (E isso que eu nem mencionei que havia um “cânion” no meio da história. Siiim, vamos para o Cânion do Xingó!) Aguardem notícias!

Valeu, Matraquetes!

Share
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Hotel Ibis em João Pessoa: hospedagem econômica na praia de Cabo Branco

Praia de Cabo Branco: em frente ao hotel Ibis.

Muita gente pensa que reservar um hotel Ibis é garantia de ter o mesmíssimo padrão em todas as unidades da rede. Não é bem assim — e logo abaixo explico o porquê.

Antes, abro um parêntese. Há algum tempo me associei ao Le Club Accor Hotéis, o programa de fidelidade da rede. O programa é válido nos hotéis Sofitel, Pullman, MGallery, Grand Mercure, Novotel, Suite Novotel, Mercure, Adagio (exceto Adagio Access), Thalassa Sea & Spa,  Ibis e Ibis Styles. (O Ibis Budget, antigo Formule 1 , não entra). Sua estadia se converte em pontos que podem ser trocados por vouchers de desconto ou tarifas reduzidas em vários lugares do mundo. Fecho o parêntese.

O que acontece é que alguns Ibis estão totalmente reformados (ou são novos) e têm excelente localização para quem vai pegar o primeiro voo no dia seguinte, por exemplo, como é o caso do Íbis Aeroporto de Porto Alegre. (Passamos uma noite lá vindo de Gramado.) Outros, embora sejam satisfatórios, precisam de um retoquezinho — ou a localização pode não ser a melhor para o turista — talvez esse seja o caso do Ibis de João Pessoa. Vejamos:

Reserva: pelo site da rede Accor. Pegamos a tarifa web, mais barata, só que não dá direito a reembolso ou cancelamento. Só faça essa opção se tiver certeza de que vai viajar naquele período.

O quarto: mais apertado do que outros Íbis que conhecemos. Mas os equipamentos estavam bem conservados e a ducha era excelente. A única ressalva eram os corredores do hotel, com carpete (CARPETE!) em pleno Nordeste e de frente para a praia. (Desculpe, não tiramos nenhuma foto do  quarto!)

Wi-fi: grátis e funcionava bem.

Localização: está no finalzinho da praia de Cabo Branco, sem nada perto — nem padaria, mercado ou farmácia.  Há uns dois restaurantes por ali. Já a praia é linda e sossegada. O hotel está a quase 4 quilômetros do centrinho turístico, a Praia de Tambaú.

Check-in: rápido, sem problemas. A tarifa, assim como o café da manhã, estava paga antecipadamente.

Check-out: também foi tranquilo. Pagamos o que consumimos no restaurante do hotel.

Atendimento: cordial.

Vantagem: a tarifa para acomodar dois adultos e uma criança (R$ 103) foi a principal vantagem para nós que, além disso, acumulamos pontos no Le Club Accor Hotéis. O hotel está localizado em um trecho bem calmo da praia e tem uma linda vista na hora de tomar o café da manhã. Nós voltaríamos!

Desvantagem: está longe do burburinho da cidade (mas tem ponto de ônibus em frente). Nossa locomoção era o ônibus. Mas se você preferir o táxi e embutir isso no valor da sua diária, a tarifa econômica do hotel já não vai compensar.

Preço: diária para casal (e uma criança de até 5 anos) a partir de R$ 103 (tarifa web). Café da manhã à parte por R$ 14 por pessoa (sem tapioca ou bolo de macaxeira. Nhé!)

SERVIÇO

Ibis João Pessoa

Av. Cabo Branco, 4350.

Tel.: (83) 2108-9200

Posts relacionados

Hotel Soft Inn: hospedagem econômica e novíssima na orla de São Luís

Hospedagem boa e barata em Olinda (PE)

Hospedagem boa e barata em Natal (  RN)

Guia de hospedagem em Curitiba: opções para as classes alta, média e muquirana

Leia também

João Pessoa: com o ir do aeroporto ao centro ou à orla da cidade

As praias do Litoral Sul de João Pessoa

Tambaú: a mais famosa praia urbana de João Pessoa

Corais, peixinhos coloridos e piscinas naturais de Picãozinho

Estação Cabo Branco, projeto de Niemeyer: ciência, cultura e artes em João Pessoa

Centro Histórico de João Pessoa: modo de usar

Pôr do sol na Praia do Jacaré: passeio clássico do turista que vai a João Pessoa

Fotos: Raul Mattar (praia) e Sílvia Oliveira (café da manhã).

____________________

Minha viagem à Paraíba faz parte da Expedição Brasil Express II, projeto do Matraqueando que leva recortes do nosso país até você.

Share
MATRAQUEANDO - Viagens e Comidinhas | Por Sílvia Oliveira | Jornalista & Blogueira | Curitiba, BR

Todos os direitos reservados. 2006-2013 © VoucherPress | Agência de Notícias.
Está proibida a reprodução, sem limitações, de textos, fotos ou qualquer outro material contido neste site, mesmo que citada a fonte.
Caso queira adquirir nossas reportagens, entre em contato.

Desenvolvido por Dintstudio
Content Protected Using Blog Protector By: PcDrome.