Silvia Oliveira
sábado, 15 de julho de 2006

Lisboa: da Baixa ao bairro Alfama

Quando viajei pela primeira vez à Europa, em 1997, Portugal nem sequer entrou na minha lista.Numa segunda tentativa, indo para o Oriente Médio, passei direto, com stop apenas em Madri. Em outra oportunidade, com destino às Ilhas Canárias, investi em uma passagem pela Alitália e fiz baldeação em Milão. Só em 2001 – e porque comprei um bilhete bem mais econômico da TAP– fui “obrigada” a descer em Lisboa. Depois disso, já voltei quatro vezes. Mais do que qualquer outra capital européia. Não, não é minha preferida. Mas é uma daquelas deliciosas surpresas como Veneza e Sevilha.

Por todos os motivos já enumerados no post Portugal: vem para cá, ó pá!, Lisboa passou a ser a minha porta de entrada no velho continente. Não é uma cidade muito grande, tem um serviço de transportes muito eficiente, come-se muito bem, paga-se muito pouco, tem um monte de história para contar (isso sim, meu ponto fraco!) e funciona 24 horas, de segunda a segunda.(Alguns shoppings de Sevilha, por exemplo, fecham aos domingos!)

Bairro a bairro

Baixa

Com disposição, em dois dias é possível conhecer o básico da cidade. Comece pela Praça do Comércio, à beira do rio Tejo. Daqui saem as barcas para a margem sul de Lisboa. Era aqui também a porta de entrada da cidade, onde desembarcavam reis, nobres e políticos importantes. Dê as costas para o rio e verá o arco da rua Augusta, o início de um calçadão cheio de lojas, cafés, bancos, casas de câmbio e floriculturas ao ar livre. No fim desta ruazona para pedestres está a Praça do Rossio com uma estátua do nosso Dom Pedro I, véio de guerra. Para eles, Dom Pedro IV. Ao lado tem a Praça da Figueira, uma espécie de boca maldita portuguesa e daqui de baixo é possível ver as muralhas do Castelo São Jorge lááá em cima. Do lado oposto à Praça da Figueira está a Praça dos Restauradores com um enorme obelisco erguido após a libertação de Portugal do domínio espanhol em 1640. Nesta praça há um excelente escritório de informações turísticas.

Chiado

O Chiado é vizinho à Baixa. Cheio de lojas chiques, o bairro também é sede da ancestral Livraria Bertrand, aberta desde 1732. Mas do que eu gosto mesmo no Chiado é o café A Brasileira, freqüentado no passado por ninguém menos que Fernando Pessoa. Tem até uma escultura em metal do poeta em tamanho natural, sentado em um banquinho por ali. Fotinho obrigatória. Entre e peça um pastel de belém (doce típico) e uma “bica”, o nosso cafezinho. São € 3, nada mais e você tal qual um lorde português. A galeria Armazéns do Chiado tem três andares de lojas óbvias, mas a visita vale a pena porque é uma construção histórica totalmente recuperada.

Alfama

Alfama é o ponto alto – em todos os sentidos – de uma visita a Lisboa. Subindo ladeira em direção ao Castelo de São Jorge
a primeira parada é a Catedral da Sé, construída sobre uma antiga mesquita. Numa das capelas está a pia onde Santo Antônio foi batizado. Não sabia? Santo Antônio de Pádua, o casamenteiro, era português! Nasceu e cresceu aqui. Só depois foi viver na Itália. É o santo padroeiro da cidade. Caminhado um pouco mais a gente dá de cara com o Miradouro de Santa Luzia, que promove uma daquelas vistas da capital portuguesa. Por aqui, às terças e aos sábados acontece a Feira da Ladra, estilo mercado das pulgas. Vendem de lâmpada queimada a artesanato regional, passando por xícaras de porcelana do século XVI a reproduções do Galinho de Barcelos.

Onde comer em Lisboa

O bacalhau é o prato típico, não nego. Mas ninguém agüenta comer o peixinho salgado todos os dias. Você almoça feijoada todos os dias? Então! É possível provar o delicioso queijo da Serra da Estrela ou a sopa alentejana. Não busque, necessariamente, os restaurantes turísticos ou indicados pelos guias oficiais. Boteco, bar, padaria, botequim, baiúca, bodega e taverna existem em qualquer lugar do mundo, com a grande vantagem de sempre oferecerem uma comida regional e barata!

Lembrando que….

Ônibus é autocarro, trem é comboio e bonde é eléctrico.

Seção mão-de-vaca-muquirana

Lisboa por € 1,20? Pegue o Eléctrico nº 28. Ele circula pelos principais pontos turísticos num trajeto charmoso e muito típico. Andar de bonde já é legal, imagine sentadinho ali naquela janela de madeira, circulando por ruelas estreitas vendo o melhor da cidade? Embarque na Baixa e ele vai parar lá na Alfama. Você pode comprar o bilhete diretamente com o motorista e ele vale para uma única viagem até o ponto final. Mas se quiser descer, por exemplo, na Basílica da Estrela, vale a pena. O interior da igreja é lindo. Depois retome o bonde, pague nova passagem e siga o caminho. Não serão – seguramente – estes € 1,20 a mais ou a menos que lhe deixarão mais pobre. Pelo contrário!

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sexta-feira, 14 de julho de 2006

Lisboa: Castelo São Jorge e o Tejo

Sim, acertou quem disse Castelo de São Jorge. É o nome do monumento do quiz anterior. Essa construção é tão antiga e tem tanta história que está para Lisboa assim como as Pirâmides estão para Gizé – ainda que as pirâmides sejam um pouco mais velhinhas, é verdade. Mas fenícios, gregos, cartaginenses e romanos começaram a deixar rastros por aqui no século VI antes de Cristo. No entanto, foram os árabes muçulmanos lá por volta do ano 711 depois do homem de nazaré que deram essa cara moura à construção. Quando Dom Afonso Henriques, rei de Portugal comandou a retomada do forte, durante as sangrentas cruzadas, o Castelo de São Jorge passou a ser o Paço Real, ou seja, a casa do Rei. Hoje abriga exposições, museus e eventos culturais. Está no centro histórico. De lá dá para ver toda a cidade com o lendário Rio Tejo ao fundo.

SERVIÇO

Ingresso: 3 €. Estudante paga meia. É gratuito para residentes na cidade de Lisboa, menores de 10 anos e maiores de 65 anos.

Horários: Todos os dias das 9:00 às 18:00 de novembro a fevereiro, das 9:00 às 21:00 de março a outubro. Fecha nos feriados de 01/01, 01/05 e 25/12.

Como chegar lá: Ônibus 37. Bonde 12, 28.

Telefone: (21)8800620

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domingo, 09 de julho de 2006

QUIZ | Onde está este castelo?


O castelo emoldura o centro de uma capital ocidental. A arquitetura é árabe mas o monumento recebe o nome de um santo católico.

Foi erguido sobre a mais alta colina do centro histórico e proporciona uma linda vista da cidade e do estuário de um grande e famoso rio.

Este forte muçulmano foi tomado durante a reconquista cristã em 1147 e decretado Monumento Nacional em 1910.

QUIZ MATRAQUEANDO

1. Qual o nome do castelo?

2. Em que cidade está localizado?

3. Qual o nome do rio que se vê do mirante do castelo?

Resposta no próximo post. Entre para matraquear também!
Veja a resposta aqui!

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terça-feira, 04 de julho de 2006

Portugal: vem para cá, ó pá!

porque é…

uma pechincha: a diária – com café da manhã – na Pousada da Juventude em Lisboa custa € 11 por pessoa. É o quarto (decente!) mais barato da Europa Ocidental.

rápido: você atravessa o país de cabo a rabo em poucas horas. São uns 800 quilômetros de norte a sul.

lindo: aqui tem as cidades de Sintra, Évora e Óbidos. Patrimônios da Humanidade, tudo pertinho de Lisboa. Dá para ir e voltar no mesmo dia. A passagem de trem da capital para Sintra, por exemplo, custa € 4,50.

romântico: escute um fado – aquele ritmo entre Roberto Carlos e Alcione – para você ver… e sentir.

divertido: quando você estiver começando a aprender a língua que eles falam, já vai estar quase na hora de ir embora.

porque eles têm…

comida boa: são mais de 300 receitas de bacalhoada, os mais variados restaurantes oferecem o prato e com preços incrivelmente acessíveis.

Fernando Pessoa: o poeta que disse “tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

história: passaram pelo domínio árabe, foram os pais dos descobrimentos marítimos, sofreram um terremoto em 1755 que destruiu a capital do país. Tiveram um Marquês, o de Pombal, que reconstruiu a cidade – e um Salazar, o ditador que voltou a destruí-la! Hoje, moderna e democrática, busca um lugar ao sol na União Européia.

porque eles não têm…

gerundismo: os portugueses jamais “estarão retornando a ligação” ou “estarão entrando em contato” com você. Estás a perceber?

culpa no cartório: nós somos o que somos – para bem ou para mal – por culpa ou responsabilidade nossa. Os portugueses descobriram o Brasil há 500 anos. E isso já faz tempo, gajos! Se eles tivessem tido tanta influência assim nas nossas mazelas (ou cultura) provavelmente nossa feijoada seria a base de azeite, o samba seria “Ai bate o pé, bate o pé, bate o pé” e as nossas cores nem seriam verde e amarela e, sim, verde e vermelha.

havaianas: de colonizados passamos a colonizadores.

Antes de ir é bom saber que…

Bicha é fila, cueca é calcinha, Felipão é Big Phil, rapariga é apenas uma mocinha de família e rabo pode ser bumbum ou final da fila. Ou seja, não se assuste se escutar já para o rabo da bicha! 

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sábado, 01 de julho de 2006

PARINTINS: Caprichoso X Garantido

No Festival de Parintins a disputa entre os dois bois é mais perturbadora que uma final (toc, toc, toc) entre Brasil e Argentina que – graças a Deus – não vai ser desta vez. O Caprichoso, é o boi da elite – dizem. O Garantido tem a força do povão – comentam. O primeiro ousa mais, aprecia a técnica e a arte do bumbá. O segundo prefere a tradição, o popular e aposta no trivial. Seria mais ou menos como a velha rixa entre PSDB e PT – no tempo em que o PT ainda era o partido dos trabalhadores, claro.

O que faz Parintins ser o maior espetáculo da terra é a aventura de juntar – numa ilha perdida – puro folclore regional, um espetáculo intrigante e a imprensa do mundo todo. Tudo isso no meio da selva. E não no Rio de Janeiro, cidade que por si só já atrairia a mídia internacional. Abreviando a história: é uma mistura de São João com a lenda do boi que morre e ressuscita. O segredo da magia está justamente na paixão em defender uma lenda, contando uma fábula de todas as formas e com diferentes fantasias possíveis.

São três noites com três horas para cada boi. Seis horas de festa por dia. A cada noite a mesma história contada com uma apresentação diferente. É como assistir durante três dias, três apresentações diferentes da Beija-Flor e da Mangueira, (numa comparaçãozinha bem chinfrim e injusta) – porque na minha visão apaixonada o Festival de Parintins não tem mesmo nenhuma comparação!

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quinta-feira, 29 de junho de 2006

PARINTINS: buuuumba o coração!

O maior espetáculo da terra acontece aqui. Parintins (a 20 horas de barco de Manaus, no Amazonas) está, neste fim de junho, igualzinha – ou pior – a uma decisão de copa do mundo. A diferença é que os dois adversários são brasileiríssimos. De um lado o vermelho do Boi Garantido. Do outro, o azulão do Boi Caprichoso. O Festival Folclórico de Parintins é o mais importante Boi Bumbá da Amazônia. A festa divide um mesmo povo. Quem é “Garantido” nem pronuncia o nome do outro – o “Caprichoso”, que passa a ser chamado de “Contrário” e vice-versa.

AZUL X VERMELHO

Localizada na Ilha de Tupinambarana e banhada pelo gigantão rio Amazonas, a cidade está metade azul metade vermelha. Literalmente. É surpreendente ver o que os nativos fazem para defender a bandeira do seu boi. No lado vermelho do povoado, onde está o curral do Boi Garantido até as placas de rua seguem a cor do boi do povão. Enquanto que na parte do Curral do Caprichoso a Coca-Cola (patrocinadora oficial do evento) teve que mudar a logomarca.

VERMELHÔ, O CURRAL…

Isso é o que a gente vê de dia. À noite, o Bumbódromo – lugar de apresentação dos bois – recebe 80 mil pessoas, gente do mundo inteiro. A televisão italiana vem fazer documentário, a alemã manda correspondente e eu, quando fui, fiquei hospedada no mesmo quarto dos enviados da Reuters e da Times. O Festival de Parintins ainda tem mais projeção lá fora do que aqui.

Mas o que atrai tanto? Você pode até achar que a Festa do Boi Bumbá de Parintins é uma carnaval amazonense. Nananinanô. A apresentação inclui – sim – música, puxador, fantasia, alas e alegorias. Mas é no conjunto folclórico, inspirado em lendas de pajelanças indígenas de várias tribos e costumes caboclos da amazônia, que está toda a diferença. Mulher pelada não tem vez. Só se for para representar os primeiros habitantes da ilha e olhe lá! Artista da Globo, só no camarote da Caras. Para entrar na arena, tem que ser gente daqui. Lembra do Davi Assayag, aquele cantor cego que ficou conhecido nacionalmente ao lado da Fafá de Belém cantando “Vermelhô, o curral, a ideologia do folclore avermelhou…”? Pois o homem é parintinense da gema e é o puxador oficial de toadas do Boi Garantido.

MAS A VACA É AMARELA

E porque um BOI? Tratando-se de Amazonas talvez fosse interessante incluir na festa a onça pintada ou a sucuri. Não o boi. Mas uma explicação no site oficial da festa diz que foi uma conseqüência do ciclo da borracha, quando muitos nordestinos vieram para cá trabalhar na extração do látex. Eram de uma região pecuarista e trouxeram seus costumes, como o Bumba-Meu-Boi das festas juninas.

Enquanto os jurados somente utilizam canetas de cor verde, para não haver influência no resultado por causa das cores (é ou não é pior que uma final de copa do mundo?) o turista que vem de fora fica arrebatado com a festa. Os bois têm um magnetismo fascinante e mesmo a gente, que não entende muito bem o regulamento do festival, acaba adotando um deles. O certo é que – no meio de tanta contenda – depois de três dias confinada nesta ilha é fácil compreender a principal regra do jogo: um boi não existe sem o outro.
Sem amarelar!
Tela: “Festa da Natureza”, de Glemberg Nascimento Castro, vencedor do concurso para o cartaz do Festival 2006

Entre tantas curiosidades deste festival uma me deixou petrificada. Quando o Boi Caprichoso – o azul – entra na arena, por exemplo, toda a arquibancada vermelha fica muda, calada, nem um pio. Brincam de vaca amarela e pronto. O mesmo ocorre quando o Boi Garantido – o vermelho – inicia a apresentação. Os azulões que quase perdiam os bofes de tanto gritar e torcer, simplesmente sentam e se calam. Até o fim da apresentação. São três horas para cada boi.

Nota: Todos os anos, desde sempre, o Festival de Parintins é realizado nos dias 28, 29 e 30/06. Este ano o evento mudou para os dias 30/06 e 01 e 02/07.

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domingo, 25 de junho de 2006

Varig, Varig, Varig…

Sou do tempo em que viajar pela Varig era como chegar ao topo da pirâmide social de um turista. O menu era internacional. Os talheres, de prata e a passagem, a mais cara. Só por isso, qualquer voozinho de 45 minutos pela Viação Aérea Rio-Grandense nos enquadrava interinamente como “ricos”. Escolher a Varig era, também, uma decisão “inteligente”: pagava-se um pouco mais, mas o plano de milhas da companhia – associada à Star Alliance – era o melhor do mundo. Por fim, sendo a companhia brasileira que voava para mais destinos – nacionais e internacionais – dar preferência à Varig nos tornava “viajados”. E esse era o título mais simpático que a empresa poderia nos dar: afinal ser viajado é ainda bem mais interessante que ser rico ou inteligente.

Há alguns anos, numa incrível abertura do reverso, viajar pela Varig virou motivo de chacota. Os aviões foram ficando velhos e a comida – que teve até caviar! – se reduziu a sanduichinhos de presunto e queijo. O único que não mudou foi o preço dos bilhetes: sempre o mais caro. Ou seja, viajar pela Varig nos últimos tempos nos dava a denominação honorífica de acéfalo. Já o salseiro atual nos aeroportos – quando os vôos são cancelados – escreve na nossa testa exilado. De viajados passamos, por motivos de força maior, a turistas burros e expatriados.

Logo agora que fui promovida ao cartão prata do Smiles, a Varig resolve simplesmente falir! A empresa -ironicamente- não assume, o governo -sabiamente- ignora, os funcionários -discretamente- desconhecem. Na verdade, nem eu acredito. Seja lá qual for o desfecho dessa história, todo mundo sai perdendo: o Brasil que assiste ao fim de um orgulho nacional; os empregados que vão aumentar a fila do Sine; os passageiros que engrossarão a lista do Procon e eu, que provavelmente perderei minhas milhas acumuladas e, conseqüentemente, algumas viagens de graça. Que graça tem isso? Definitivamente, não acredito.

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segunda-feira, 19 de junho de 2006

SEVILHA: nem todos são toureiros!

Abra o leque. Prepare as castanholas. Peça uma sangria. Aqui, mais do que em qualquer lugar da Espanha, você pode gritar: oooolééé! A capital da Andaluzia transpira aquele tradicional conceito arraigado na nossa cabeça de que todos os espanhóis são toureiros e de que todas as espanholas dançam o flamenco, baile típico andaluz. É mais ou menos como achar que todo brasileiro sabe sambar ou que todo argentino termina suas noites em uma casa de tango.
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Um grande amigo meu, professor, doutor e muito viajado me disse que sua cidade eleita na Espanha é Sevilha. Eu ainda prefiro Barcelona, mas reconheço a força desta paragem andaluza, que representa uma região inteira de puro sangue quente! Não falo só da explosão do temperamento. Mas também da paixão pela música Flamenca e da adrenalina aterrorizadora das Touradas.

Não é difícil compreender porque Sevilha acabou se transformando em um ícone espanhol. É justamente aqui que podemos confirmar todos os nossos estereótipos em relação à Espanha: praias, touradas, sevilhanas, pueblos de casas brancas, tapas (petisco espanhol), vinho xerez e infinitas procissões religiosas.

Sevilha ferve! O ano inteiro. É a 4ª maior cidade espanhola, depois de Madri, Barcelona e Valencia. Moura, dourada e às margens de um rio de nome complicado, o Guadalquivir, a cidade traz em cada esquina sete séculos de domínio árabe. Guada, que significa rio, vem do árabe wadi e dá origem a muitas palavras espanholas. Guadalquivir quer dizer “rio grande”. (Guadalajara, por exemplo, significa “rio das pedras”.)

Não dá para entender Sevilha sem saber um pouquinho de história. A Andaluzia foi conquistada no ano 711 d.C. pelos árabes que levaram para o sul da Espanha a rica arquitetura moura, deixando parte de sua harmonia musical na origem do flamenco.

Obviamente, com a reconquista pelos cristãos parte desta herança foi mitigada. Mesmo assim, metade da cidade é declarada Patrimônio da Humanidade. Só por isso já valeria uma visita de, pelo menos, três dias! Eu fiquei dois meses.

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Fotos: Matraca´s Image Bank
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domingo, 11 de junho de 2006

ESPANHA: o idioma do ¡poquito!

Na Espanha você precisa saber que pelado é um homem careca, que exquisito (com “x”) é algo muito gostoso, que largo é comprido e que caray é só uma interjeição que quer dizer vixe maria! É que não existe brasileiro a quem você pergunte ¿Hablas español?, que ele não responda: ¡Poquito! Todos nós temos essa falsa sensação de saber falar um pouco o espanhol e não nos damos conta (até a começar a estudar o dito cujo de verdade) que é uma língua complexa, cheia de manhas, exceções e parece que nasceu para pregar peças em brasileiros desavisados. E não se iluda: você até pode compreender o que eles dizem – desde que falem bem devagar – mas eles (quase) nunca poderão compreender você.

Para piorar – ou deixar mais excitante – a Espanha tem outros três idiomas oficiais: catalão (uma mistura de espanhol com francês), o galego (bem parecidinho com o português) e o euskara (só um estudioso de hieróglifos para decifrar). Este último acho que é uma mistura de russo com alemão mais um dialeto próprio. Na verdade nunca sei. Mas sei que é impenetrável. Não existe diferença entre castellano e español. É o mesmo idioma, o que muda são os regionalismos. Assim, como o português de Portugal e o português do Brasil.

Já o Catalão você vai conhecer quando andar pela Catalunha, cuja capital é ninguém menos que a vedete da Espanha: Barcelona. O Galego é possível escutar (e até falar um pouquinho) na Galícia, no norte do país onde está a cidade de Santiago de Compostela, ponto final dos peregrinos que fazem o caminho cristão. Já o Euskara, você vai encontrar no País Basco. Falei que esse último era meio esquisito. (Não confunda: esquisito com “s” é em português e significa algo muito estranho, desconhecido ou exótico). Olha só: galego vem da Galícia, catalão da Catalunha e o Euskara vem do País Basco. País Basco? Não combina. Devia ser algo assim como basquiano ou basquemês. Né, não?

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quinta-feira, 08 de junho de 2006

ESPANHA: la siesta nuestra

A siesta é o maior patrimônio zen-erudito-cultural da Espanha. É uma espécie de meditação ibérica que ocorre sempre depois do almoço e vai até umas cinco da tarde. Ou seja, depois de forrar a pança os espanhóis ficam em um estado sonolento – nem alfa, nem ômega – em que se dão o direito de dormir ou descansar por, pelo menos, uma horinha antes de voltar ao batente.

Nem todas as lojas e escritórios fecham no período de siesta como antigamente, mas é tão cultural tirar essa sonequinha no meio da tarde que boa parte do comércio baixa as portas das 14h às 17h. Os espanhóis adotaram esta tradição como uma forma prática de lidar com o calor intenso do verão europeu. Eu, como notívaga assumida, não perco por nada esse momento yoga-de-ser do espanhol.

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quinta-feira, 01 de junho de 2006

ESPANHA: venha para cá se…

… você gosta de presunto com marca, selo de origem e divisão por estrelas;

… você tem fascínio pelos pintores cubistas, surrealistas e pela arquitetura moderna;

… você gosta de Goya e Velásquez e de arquitetura antiga;

… você gosta dos filmes de Pedro Alomodóvar;

… você não gosta dos filmes de Pedro Almodóvar, porque tem outros tipos de loucos por aqui também. De um deles você tem que gostar. Salvador Dalí, por exemplo;

… você gosta de praias de cartão postal com mar azul-turquesa-esverdeado-quase-transparente;

… você gosta de praias com areias negras formadas pela lava dos vulcões e que prometem fazer milagres pela sua pele;

… você gosta de história, de tradição e festa popular;

… você gosta de eco-turismo – o país tem 13 parques nacionais;

… você gosta de caminhar… muito. O Caminho de Santiago de Compostela oferece uns 800 km para isso;

… você ama sangria, tinto verano (indicação da minha amiga Pati) e, sobretudo, vinho de primeira;

… você admira a historia de Dom Quixote de La Mancha (e aquela gracinha do Sancho Pança), a obra de Miguel de Cervantes que inaugurou a literatura moderna;

… o seu coração dispara ao escutar o barulho das castanholas;

… você adora uma tourada;

… você odeia uma tourada. Invariavelmente tem sempre alguém torcendo pelo touro;

… você é apaixonado pelo simples fato de viajar e encontrar gente feliz!

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Espanha combina com:

PORTUGAL

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quinta-feira, 25 de maio de 2006

ESPANHA: doutorado em Sevilha

Primeiro decidi fazer um doutorado. Depois escolhi a cidade em que gostaria de passar uma temporada. Em seguida, o curso e a universidade. Nem precisei procurar muito: Sevilha, Universidade Pablo de Olavide, Programa de Doutorado em Desigualdades e Intervenção Social. E aqui estou, na Andaluzia, Sul da Espanha.

Uma novidade no mundo das teses e apoiado pela lei espanhola este programa é desenvolvido em dois anos através de módulos intensivos: 2 meses e meio em 2006 e o mesmo período em 2007. A universidade, que é pública, cobra uma taxa por cada módulo/crédito feito. Não sai barato para os bolsos brasileiros, mas é uma bagatela tratando-se de um doutorado internacional. Vale a pena? Dependendo do que você busca para sua vida pessoal, profissional e acadêmica pode ser o investimento mais bem feito da sua biografia.

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quarta-feira, 24 de maio de 2006

Seção mão-de-vaca-muquirana

Sempre alguém me pergunta se não tenho um hotelzinho para indicar não sei onde. “Bom, bonito e barato”, frisam. Acho engraçado. Assim como não existe a mais remota possibilidade de eu discorrer sobre golfe, mergulho, turismo radical, de aventura, nem dar dicas para escalar picos, descer rio em cima de bóia ou fazer compras em lojas de departamento – eu não saberia indicar um hotel que não fosse simples e econômico. Sou mão-de-vaca mesmo. Sobre os hotéis em que fico quando estou a trabalho? São fantásticos. Muito bons e, obviamente, os olhos da cara! Mas estes eu não preciso indicar. Qualquer guia tradicional faz isso.

O Matraqueando, apesar de não ser um guia, é feito também para que você realmente economize, sobretudo, na hospedagem e na alimentação. Sem falar que você vai descobrir aqui muitas atrações gratuitas, museus com entrada franca, rotas que fazem você conhecer muito, economizando também o tempo (outro bem precioso numa viagem).

É possível também encontrar alguma sugestão de Extravagância. Mas não se engane. A extravagância aqui é proporcional a minha pão-durice, ou seja, qualquer pousadinha que passe de 30 dólares a diária, para mim, é extravagância, um lu-xo! Enfim, falo de uma extravagância ou outra para aquele momento “eu quero” ficar neste hotel ou comer neste restaurante. Porque 30 dias à base de Mc Donalds, dormindo em trem – vamos combinar – ninguém merece!

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terça-feira, 23 de maio de 2006

Trancoso, Bahia: menos é mais!

Eu já fui várias vezes à Bahia. Passei pelo delicioso Deus-nos-acuda de Salvador e até me meti num daqueles resortões carésimos, o Costa do Sauípe, na Linha Verde. Mas eu queria mesmo era conhecer Trancoso, a míseros 30 quilômetros de Porto Seguro. Já tinha ido duas vezes à região do descobrimento (qualquer dia prometo escrever sobre Porto Seguro, o destino mais barato do Brasil) e não conhecia ainda a ilustre Trancoso. Pois, in-crí-vel: quando conheci, quis sair correndo. 🙂 Trancoso é mais ou menos assim: tudo simples, rústico, meio agreste, hippie, new age, alternativo e CARO. Entendeu? Eu não. Por ser tudo tão tô nem aí, imaginava que poderia desfrutar de uma agradável semana sem entrar no cheque especial. Pois foi difícil. Por certo, como toda viagem é uma falência temporária – já discutida no primeiro post – coloquei o passeio na mão de Nossa Senhora D‘Ajuda, padroeira do arraial ao lado, aliás tão caro e mitificado quanto!

Fiquei analisando, cá com meus botões, como um conceito de turismo pode encarecer tanto um destino. Sabe aquela história “Trancoso é um povoado localizado no Sul da Bahia que se originou de uma aldeia jesuíta fundada há quase 500 anos. Por seu primitivismo e natureza exuberante atrai gente de todo o mundo”. Sem dúvida sou essa gente de todo o mundo que sempre cai nas armadilhas turísticas do exótico, do excêntrico e do esquisito. Minha dica: vá a Porto Seguro por quinhentão (incluindo avião, hotel, traslado e city tour) e de lá para Trancoso (pacotes diretamente para Trancoso, em pousadinha razoável, não saem por menos de R$ 1.200,00). Fique dois dias no povoado. Vai dar para conhecer as praias (realmente lindas!) e o famoso “Quadrado”, a (única) praça do lugarejo. Este centrinho é abraçado por um conjunto de casas com uma igreja ao fundo, de onde se vê o mar. Em algumas destas casas vivem nativos e em todas as outras estão fincadas lojinhas de decoração, arte, bugigangas e quinquilharia espantosamente inflacionadas!

Eu, que perco o amigo mas não a viagem, tratei de curtir aquela extravagância a meu modo: comi no único e prosaico self service do lugar, era freqüentadora assídua do mercadinho e fiz até compras!!!!! Umas pulseirinhas por R$ 2,00 cada. Vendidas pelos hippies. Para todos os efeitos agora eu tenho pulseirinhas de sementes nativas, veja só, de Trancoso!!! Voltei feliz da vida para casa.

Trancoso combina com

PORTO SEGURO
ARRAIAL D´AJUDA

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quinta-feira, 11 de maio de 2006

Veneza: cotidiano anfíbio

Acredite, fora o mar Adriático que insiste em dar um passeio de vez em quando pela Piazza San Marco, Veneza não mudou um só preguinho de lugar desde sua fundação.

Sabe-se lá o que é uma cidade rodeada por 118 minúsculas ilhas, todas alinhavadas por mais de 400 pontes e canais, onde não existem carros e os ônibus são curiosas embarcações, que lembram mais uma chalana mato-grossense?Arf! São mais de 1600 anos de história e a fotografia, a geografia, as construções (!), TODAS, são as mesmas!

Decidi abrir meus posts internacionais com Veneza porque essa é a cidade mais surreal que já conheci. Não é nem a minha preferida de todas, mas a mais surpreendente.Entre todos os estereótipos criados para os casais apaixonados que elegem esta cidade para passar a lua de mel, andar de gôndola (uma espécie de canoa sofisticada), é o maior deles.

Os gondoleiros, cantarolando músicas venezianas, atravessam a Ponte de Rialto, levando gente apaixonada e turista curioso. Perder-se nas ruas estreitas e quase sempre encharcadas é o programaço desta inconcebível paragem italiana: ficar andando, atravessando pontes, pulando poças, imaginando a Veneza que motivou Vivaldi a compor As Quatro Estações.Não se preocupe, todos os caminhos dão na água e levam sempre de volta à Piazza San Marco.

Depois de uma manhã circulando em Veneza passei pelos mesmos canais, vi as mesmas obras, senti os mesmo cheiros e, provavelmente, até toquei as mesmas construções que inspiraram as pinturas de Rafael e Giotto.

A cidade, em si, é seu principal monumento. Lembra da Ponte dos Suspiros?Fica em Veneza. E do conquistador Casanova? Nasceu aqui.

Não sei se nem mesmo o lunático e criativo Júlio Verne teria tanta imaginação para tirar do fundo do mar uma cidade como esta, única no mundo, plantada sobre um oceano, com um cotidiano anfíbio, absolutamente intocada há mais de 16 séculos.

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Matraqueando - Blog de viagem | Por Sílvia Oliveira

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