-  Atualizado 24/08/2010

Reforma ortográfica: que viagem!

Publicado por: Silvia Oliveira Matraqueando
Eu ainda nem aprendi a usar direito as regras do hífen e elas já vão mudar. A tal Reforma Ortográfica, prevista para entrar em vigor em janeiro de 2008 quer (além de me embananar ainda mais com a utilização daquele traço-de-união) a abolição definitiva do trema e de acentos em algumas palavras como vôo e baiúca. A última reforma no Brasil ocorreu em 1971. Naquela época tolheram o emprego do trema nos hiatos átonos: nossos avós escreviam saüdar, com esses pinguinhos em cima da letra u. Um luxo!

As novas mudanças foram discutidas entre os oito países que usam a língua portuguesa – mais de 230 milhões de pessoas. O objetivo é aquela balela de aproximar as culturas. (Não adianta, os portugueses não vão incluir a feijoada no cardápio de sábado, nem eu vou passar a escutar ó bate o pé, bate o pé, bate o pé no toca CD do carro.)

A pergunta que não quer calar: porque no lugar de acabar com o trema (que nunca fez mal a ninguém) não resolvem de um vez por todas essa confusão que a gente faz com o “ç”, “ss” e “xc”??? Fale, qual é a diferença entre pensão e penção? Excelente ou eçelente?

E o portuglish? Experimente fazer uma viagem, qualquer uma que envolva um vôo (escrito assim, com chapeuzinho, porque ainda leva acento) e um hotel. Você terá de fazer, de cara, um check-in no aeroporto. Quando chegar ao destino, prepare-se para o city tour. Se for pela CVC, a operadora sempre inclui um by nigth, uma festa ou passeio noturnos como cortesia.

Ah, mas se você for daqueles chique no úrtimo, poderá desembarcar em qualquer resort all-inclusive, um sistema que inclui no valor da diária todas as comidas e bebidas consumidas durante a estada. Ou então dá para optar por um fly and drive, um pacote que dá direito a uma locação de carro no destino, pagando só a passagem aérea.

.
Poderia ser bem mais fácil. Por exemplo, a gente diz que deu overbooking quando a companhia aérea vende mais bilhetes do que assentos. Mas isso, poderia ser chamado simplesmente de estelionato. Quando você for reservar um apartamento standard, não se engane, vai ser o quarto mais simples e barato do hotel.

É a eterna americanização das palavras – que nunca, nunquinha esse país se preocupou em deter. Não, nos casos acima isso não acontece porque se trata de turismo ou de internacionalização de termos. Em Portugal, check-in ainda é “conferência de chegada” e vôo non-stop é simplesmente “vôo direto”, sem escalas no trajeto.


Sei não, mas acho que os caras que se preocupam demais em fazer essas reformas deviam mesmo é buscar um upgrade e fazer um transfer para bem longe. Check-out neles!
.
Foto: Praça da República, São Paulo. (Raul Mattar)


Newsletter

Digite seu e-mail e receba gratuitamente nossas novidades


11 comentários

  1. Malu Bueno - Flórida
    Comentário do dia 31/8/2007 às 09:25

    Deviam acabar tambem com aquela confusão do "por que" separado, do "porque" junto, do "porquê" junto com acento… quem entende isso?

    Malu

    (Responder)

  2. SÍLVIA OLIVEIRA
    Comentário do dia 31/8/2007 às 13:58

    Ai, nem me fale. E e o uso das vírgulas, então???? Quem conhece um mínimo de português, ao ler qualquer texto meu, já vai se dar conta que não manjo nada do tema. Não manjo e me recuso a manjar.

    Uso o macetinho da professora Conceição: quando estiver lendo e tiver de respirar, coloque vírgula!

    (Responder)

  3. muricando
    Comentário do dia 31/8/2007 às 17:16

    whahahaha, essa da vírgula foi boa!
    Eu acho que a gente devia abolir o "s" e os "ss". Devia tudo ser escrito com cedilha… A letrinha é mais simpática e são poucos os idiomas que tem "ç". Nem o espanhol tem… Ficaria tudo assim, sem perigo de errar:
    Por favor, paçem mais tarde para çaber sobre o paçeio na çerra do mar. Çerá um prazer reçebê-lo.

    (Responder)

  4. SÍLVIA OLIVEIRA
    Comentário do dia 31/8/2007 às 19:01

    Puxa, que idéia boa: meu nome ficaria Çilvia! Que lindo! E como eu não daria fim no trema, ficaria mais lindo ainda: Çilviä.

    (Responder)

  5. Sirlene
    Comentário do dia 31/8/2007 às 23:17

    Meu problema mesmo é a tal da "colocação pronominal", aquilo de ênclise, mesóclise, etc.. Até os nomes são assustadores. Porque existe "pagar-se-á" se ninguém fala assim????

    (Responder)

  6. Sirlene
    Comentário do dia 31/8/2007 às 23:18

    Ah, apóio a campanha do cedilha. meu nome seria: ÇIRLËNE, com trema claro!

    (Responder)

  7. SÍLVIA OLIVEIRA
    Comentário do dia 01/9/2007 às 23:22

    Quando eu leio algo assim como "pagar-se-á" "queixar-me-ia", "dir-lhe-ei"… o meu cérebro simplesmente não consegue processar o texto, pensa que está lendo em curdo!

    (Responder)

  8. Gisela Garcia
    Comentário do dia 02/9/2007 às 15:03

    e a maldita crase? Uf!

    (Responder)

  9. fernanda freitas braga
    Comentário do dia 03/9/2007 às 11:36

    Bom, nisso (ou isso) eu não tenho muito que falar, pois eu não sei escrever mesmo.
    Mas estas (ou serão essas) dicas que vcs colocaram eu adorei todas.

    (Responder)

  10. SÍLVIA OLIVEIRA
    Comentário do dia 05/9/2007 às 19:40

    Fernanda, não se avexe: eu sou uma profisisonal das "letras" e meu livro de cabeceira é uma gramática portuguesa.

    (Responder)

  11. SÍLVIA OLIVEIRA
    Comentário do dia 05/9/2007 às 19:42

    Gisela, podemos começar uma campanha: NÃO A CRASE!
    assim, sem crase no "a"!

    (Responder)

Comente você também

Seu e-mail ficará em sigilo. Campos obrigatórios estão marcados com *

Comentários do Facebook

Matraqueando - Blog de viagem | Por Sílvia Oliveira

Todos os direitos reservados. 2006-2017 © VoucherPress | Agência de Notícias.
Está proibida a reprodução, sem limitações, de textos, fotos ou qualquer outro material contido neste site, mesmo que citada a fonte.
Caso queira adquirir nossas reportagens, entre em contato.

Desenvolvido por Dintstudio
×Fechar