segunda-feira, 06 de dezembro de 2010

Rota do Café resgata vocação do Norte do Paraná


Estância Guaicurus, hospedagem credenciada à rota: abriga o maior labirinto de café do mundo.

Nunca consegui entrar para a religião dos vinhos. Aliás, tenho um paladar que está longe de ser apurado para qualquer tipo de degustação gourmet. Meus veredictos geralmente são: gostei ou não gostei. Mesmo sem nenhuma vocação, há tempos resolvi dar uma chance ao café – uma bebida que agrega, acaricia e traz aconchego. Não faço a linha adicta nem sou daquelas que têm crises de abstinência progressiva só porque não há uma xicrinha fumegante à vista. Apenas aprendo a degustar, sem cobranças dogmáticas. Açúcar, se necessário for. Acompanhado de bolo de fubá? Melhor ainda.


Fazenda Monte Bello: propriedade do século passado que conserva todas as instalações  usadas na produção de café. 

Sabemos, o café tem função social. Seja em casa, no boteco, no escritório ou no museu ele serve para conciliar e reunir. É popular, de raiz. Democrático. Com a entrada dos grãos especiais, cheios de certificados de origem e divisão por estrelas a bebida entrou no cardápio oficial de quem sabe identificar minuciosamente os níveis de acidez, aroma, corpo e sabor. Melhor: apesar dos avanços pode ser apreciada principalmente por quem (presente!) não entende nada de produção, torra ou degustação.

Entre um devaneio e outro descubro a Rota do Café  – um produto turístico que resgata a vocação do norte paranaense. Mais do que isso, o projeto – desenvolvido pelo Sebrae-PR – é um dos mais completos e originais do país quando se trata de incentivo ao turismo nacional. Durante quase três anos uma equipe de consultores traçou o caminho que levaria às tradições históricas da região, de antigas fazendas cafeeiras a excitantes restaurantes rurais – passando pelo maior labirinto formado por pés de café do mundo até estâncias ecológicas. Mapearam 16 municípios de interesse e identificaram 34 atrativos, tudo dentro de um raio de 200 quilômetros de Londrina – antiga “capital mundial do café” – cidade considerada a base da empreendimento.


Fazenda Flora: propriedade histórica com 24 tulhas  secadoras e um enorme terreirão de café ainda conservados.

A proposta da Rota do Café – e aí está todo o diferencial – é facilitar experiências de vida e promover vivências pessoais. Toda a região Norte do Paraná já foi referência mundial na produção cafeeira, mas a baixa dos preços seguida por fortíssimas geadas nas décadas de 60 e 70 dizimaram plantações inteiras. Ficaram a memória e os projetos de colonização. Um olhar rápido pelos caminhos que formam a Rota do Café do Paraná você vai perceber que ela resgata não só a minha, mas também a sua história. Devota paixão e estabelece uma nova relação entre o pioneiro e a nova geração.

A rota oferece várias opções de passeios. O turista pode conhecer fazendas históricas desativadas com tulhas e terreiros de secagem do café, passar por cafeterias gourmets, interpretar a história no museu, dormir em propriedades rurais “de verdade” e, dependendo da época, pode até participar da colheita.


Não basta ser blogueira, tem que participar: passeio no carrinho que levava o café às tulhas. Repare na minha cara de paisagem.

Nós passamos um fim de semana prolongado cobrindo parte da rota. O Sebrae-PR facilitou a logística sugerindo um roteiro bem bacana para que pudéssemos aproveitar vários atrativos em quatro dias. Como Londrina é minha casa (sou pé vermeio!!!!) pensei: Rota do Café djá! Acredite: não existe nada similar no Brasil. Sem querer desabonar a rota de café mineira que, sim, tem um enorme valor – não existe no Brasil nenhum paralelo à estrutura e capacitação montada na Rota do Café do Norte do Paraná para receber o turista que queira mergulhar neste mundo cheio de aromas e lotado de causos para contar.

Fotos: Raul Mattar

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