Buenos Aires bairro a bairro: Centro e Monserrat

Quase não dá para perceber quando termina um e começa o outro. A região central, na verdade, é formada por microbairros (Monserrat, San Nicolás e Congresso) que se aglutinam formando a parte mais ruidosa de Buenos Aires.

Plaza de Mayo: ponto de protestos há quase 300 anos.

Casa Rosada: sede do governo argentino.
O coração político da cidade está em Montserrat. Aqui fica a emblemática Plaza de Mayo, onde mães – hoje avós – há mais de 30 anos saem em protesto contra o governo, exigindo a volta do seus filhos desaparecidos nos porões da ditadura militar.

Em frente a plaza está a Casa Rosada que – dizem os poetas – era uma referência à conciliação política já que as cores dos partidos rivais no século 19 eram branca e vermelha. Mas reza a história que a cor da Casa de Gobierno é mistura de cal e sangue de boi usada para impermeabilizar as paredes.

Catedral: piso de mosaico veneziano montado na Inglaterra.
Neste quadrilátero você encontra a Catedral Metropolitana com uma discutível fachada greco-romana. Não que seja de mau gosto. Mas parece tudo, menos igreja. Os restos mortais do líder da independência San Martín estão aqui. Na parte interna, destaque para o piso feito de mosaico veneziano.

Congresso Nacional: cúpula de bronze e biblioteca com 3 milhões de livros.
Caminhando pela Av. de Mayo em direção ao Congresso Nacional está o Café Tortoni, um entre centenas de cafés que existem na cidade. Mas era neste que se reuniam Borges, às vezes Gardel e – por um período – até García Lorca, que viveu na cidade em 1933. Foi inaugurado em 1858 e preserva tudo intacto: espelhos, cristais, lustres. Para entrar há fila e o tempo de espera pode chegar a uma hora. Oferece show de tango por 100 pesos (R$ 40).

Café Tortoni: ponto tradicional e turístico da cidade.
Quase na divisa com San Telmo está a curiosa Manzana de Las Luces (Quarteirão das Luzes). O local recebeu este nome por causa da filosofia iluminista das escolas que ocuparam o conjunto de construções históricas. A quadra compreende as ruas Alsina, Moreno, Bolívar e Peru. Há enigmáticos túneis subterrâneos que conectam igrejas e edifícios públicos.

Farmacia de la Estrella: preserva móveis, pisos e lustres há dois séculos.
Depois de bisbilhotar a Farmacia de La Estrella, a mais antiga da cidade, visite no prédio ao lado o Museo de la Ciudad com mostras permanentes e temporárias que retratam a história portenha dos séculos 18 e 19.

Galerias Pacífico: um respiro no meio da Calle Florida.
Entrando no miolinho do centro propriamente dito você cai na suvaqueira da Calle Florida, uma espécie de calçadão com trânsito exclusivo para pedestre. São 10 quarteirões de comércio popular e ambulante. Um refresco logo aparece com as Galerias Pacífico, uma mistura da galeria Lafayette de Paris com a Vittorio Emmanuele de Milão. Trata-se de um shopping lindo com afrescos no teto. O Centro Cultural Borges, no último andar, é um dos principais atrativos da galeria.

Fachada do Teatro Colón: marco na arquitetura portenha.
Já o Teatro Colón é um marco na arquitetura de Buenos Aires. Foi todo restaurado para comemorar o bicentenário da independência. É possível assistir a óperas, balé e concertos variados. Tem capacidade para mais de 3 mil pessoas. Vale à pena a visita guiada. (Aliás, só é possível visitá-lo com monitores). Todos os dias (inclusive feriados), de hora em hora. O último tour sai às 15h45. Custa 60 pesos (R$ 24) para estrangeiros.

Restaurante da Manzana de las Luces: toca música barroca.
O QUE FAZER
Plaza de Mayo | Há quase 300 anos é palco das manifestações populares em Buenos Aires. Todas as quintas-feiras, às 15h30, as Madres de la Plaza de Mayo andam em círculo com lenços brancos na cabeça em memória aos filhos desparecido na ditadura militar argentina.
Casa Rosada | É sede do poder executivo. Tem um museu com objetos de ex-presidentes. Há troca de guarda de 2 em 2 horas, das 7h às 19h. A visita guiada (sáb. e dom., 10h às 18h) faz uma paradinha estratégica na célebre sacada que imortalizou os discursos de Evita. Grátis.
Manzana de las Luces | Conhecido como Quarteirão das Luzes por receber pensadores do Iluminismo. A Igreja San Ignacio (1675) – a mais antiga de Buenos Aires – faz parte do complexo. O pátio é um antigo claustro jesuíta do século 18 para armazenar mercadorias das missões. Sob o pátio é possível vislumbrar algumas partes dos túneis coloniais que, dizem, conectavam a construção com a Catedral e o Cabildo. Para conhecer a parte interna somente com visitas guiadas.
Catedral | É uma espécie de Paternon no centro de Buenos Aires. A fachada lembra um templo grego. Se não me falassem jamais imaginaria que ali estivesse uma igreja católica. Tem púlpito talhado em prata e piso veneziano. Está em frente à Plaza de Mayo.
Congresso | Fica num prédio bonito e imponente com uma enorme cúpula de cobre – lembra um pouco o congresso nacional americano. Abriga uma biblioteca com 3 milhões de livros. Oferece visitas guiadas grátis.
Teatro Colón | Já recebeu de Maria Callas a Stravinsky. Tem orquestra e filarmônica. A enorme escadaria de mármore e o candelabro central de sete metros impressionam. Para conhecer somente com visita guiada.
Obelisco | Com 67 metros de altura é uma espécie de marco zero da cidade. É um daqueles monumentos feiosos do tipo ame-o ou deixe-o.

Na Av. 9 de Julio uma homenagem ao escritor argentino Ernesto Sabato, falecido em abril deste ano.
ONDE COMER
Café Tortoni | Um clássico na cidade. Ponto de encontro de intelectuais e boêmios famosos, o Tortoni preserva todo o mobiliário original desde a inauguração, em 1858. O Café Continental – tostadas, manteiga, geleia, doce de leite, café e um suco – sai por 30 pesos (R$ 12).
El Palacio de la Papa Frita | Com mais de 50 anos de tradição, oferece as tradicionais batatas soufflé. São pedaços de batatas infladas, crocantes por fora e macias por dentro. Tem menu turístico com entrada, prato principal, sobremesa e bebida (incluindo vinho) por 95 pesos (R$ 38) por pessoa.
Ivan Express | Um quiosco ajeitado bem no meio da muvuca-arruaça da Calle Florida. É uma mistura de padaria com lanchonete com decoração típica portenha. Para um lanchinho rápido ou uma empanada quentinha.
ONDE COMPRAR
Calle Florida | É uma das principais artérias do centro comercial de Buenos Aires. Por ali você encontra dezenas de lojas vendendo de cosmético a eletrônicos. Algumas grifes como Lacoste, Christian Dior e Brooksfield deixam a rua menos feia. A Falabella, a maior loja de departamento da Argentina, fica bem próxima da Zara, ambas na altura do nº 600. A Galerias Pacífico é um shopping completo, bonito, com diversos lojas e praça de alimentação.
COMO CHEGAR
Ônibus: 22, 24, 28, 29, 64, 86, 105, 111. Metrô: Para a Plaza de Mayo desça nas Estação Plaza de Mayo (Linha A) ou Estação Catedral (Linha D). Para sair exatamente em frente ao Tortoni desça na Estação Piedras (Linha A). Já para ficar próximo à Manzana de las Luces sua opção é a Estação Bolívar (Linha E).
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Fotos: Raul Mattar






Casa Mínima: construção com a menor fachada da cidade.

















