CURITIBA: mais de 300 anos de transformação
Nem sempre foi assim. A ecológica Curitiba, que você tanto ouve falar como sendo o melhor lugar do Brasil para viver (quiçá do mundo!), passou por uma severa plástica. Mexeu em tudo. Foi uma espécie de Extreme Makeover das cidades. Aqui pedreira virou palco para artistas, depósito de pólvora transformou-se em teatro e fundo de vale, em parque. Não há dúvida de que as urucubacas arquitetônicas de Curitiba foram um tiro certeiro no quesito abre-alas-lerniano. 

Além disso, Curitiba acha chique ser primeira em quase tudo: a primeira Universidade Federal do país nasceu na cidade. A primeira rua brasileira projetada em espaço fechado (hoje um pouco decadente) – a Rua 24 Horas – está bem no centro da capital. Tem o único museu do mundo em forma de olho. Assinado por Oscar Niemeyer.
O pioneiro ônibus Ligeirinho, uma espécie de metrô sobre rodas, transformou a vida de quem depende do transporte coletivo. Ainda não é perfeito, eu sei. Existe superlotação em horários de pico e em alguma rotas ele é o Demoradinho. Mas o sistema é tão inovador, que cidades como Los Angeles já estão adotando o mesmo modelo.

Além do que, tem um bem maior, envolvente, diversificado, com um monte de história para contar: Tem gente! Gente de todos os cantos, de todos os tipos. Imigrantes dedicaram-se à agricultura e trouxeram a mão de obra qualificada para as indústrias. Tanto trabalho, um título: o povo com uma renda per capita 40% maior do que a média nacional. (P.S. Ninguém me entrevistou para esta pesquisa).
A fase das loiras topetudas, aquelas oxigenadas que faziam um gigante topete cheio de laquê, já passou. Há alguns resquícios, é verdade. Mas gente exagerada e excêntrica tem em qualquer lugar do mundo e aqui não é diferente. (Não existem tribos emo, grunge, punk ou gótica? Então, em Curitiba tem a tribo autóctona das loiras topetudas). Já do povo que estava aqui quando tudo começou, quase nada sobrou. Dos índios, só ficou o nome da cidade, que veio do tupi guarani: coré (pinhão) etuba (muito). Os pinheirais sem fim, que cobriam toda a cidade, são o símbolo da capital do Paraná. Até os cruzamentos e faixas de segurança são pintados em forma de pinhão.
No domingo, a disputadíssima feira do Largo da Ordem, no centro histórico da cidade, vai fazer você voltar para casa cheio de cacarecos, artesanatos mil, livros usados, antiguidades e, principalmente, com a certeza de que Curitiba é – na verdade – o melhor botox que já existiu!
29 de março: aniversário de Curitiba. Parabéns, eu amo você.
Fotos: Raul Mattar
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