Silvia Oliveira

Curitiba

quinta-feira, 29 de março de 2007

CURITIBA: mais de 300 anos de transformação

Nem sempre foi assim. A ecológica Curitiba, que você tanto ouve falar como sendo o melhor lugar do Brasil para viver (quiçá do mundo!), passou por uma severa plástica. Mexeu em tudo. Foi uma espécie de Extreme Makeover das cidades. Aqui pedreira virou palco para artistas, depósito de pólvora transformou-se em teatro e fundo de vale, em parque. Não há dúvida de que as urucubacas arquitetônicas de Curitiba foram um tiro certeiro no quesito abre-alas-lerniano.
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Pouco assediada por turistas brasileiros e estrangeiros até os anos 70, a cidade foi – mais do que depressa – para a mesa de cirurgia. Sem as cataratas da conterrânea Foz do Iguaçu, apelou para uma enorme cachoeira (de mentira) no Parque Tanguá – construído em uma antiga área degradada. Hoje, é um charme a foto que a gente pode levar de lá.
Já concorrer com a vizinha Serra do Mar, um dos últimos remanescentes da mata atlântica, seria perda de tempo e de dinheiro. Afinal, botar uma serra no meio da cidade não seria nada fácil (e estético). Os técnicos em planejamento, entre eles o então Diretor do IPPUC, o arquiteto Jaime Lerner – que depois veio a ser governador do estado um par de vez – começaram a aproveitar todo e qualquer cantinho verde da cidade para criar parques.
E conseguiram. São lindos e aos montes: a maior concentração de parques por metro quadrado do planeta deve estar na capital paranaense. Mais uma vez o bisturi funcionou. O município carrega, orgulhosamente, a marca de 55 m2 de área verde por habitante.

Além disso, Curitiba acha chique ser primeira em quase tudo: a primeira Universidade Federal do país nasceu na cidade. A primeira rua brasileira projetada em espaço fechado (hoje um pouco decadente) – a Rua 24 Horas – está bem no centro da capital. Tem o único museu do mundo em forma de olho. Assinado por Oscar Niemeyer.

O pioneiro ônibus Ligeirinho, uma espécie de metrô sobre rodas, transformou a vida de quem depende do transporte coletivo. Ainda não é perfeito, eu sei. Existe superlotação em horários de pico e em alguma rotas ele é o Demoradinho. Mas o sistema é tão inovador, que cidades como Los Angeles já estão adotando o mesmo modelo.

À primeira vista, essa delineada capital pode incomodar o turista que não gosta de silicone, que busca freneticamente lugares cheios de belezas naturais ou que prefere um ambiente menos artificial. Mas Curitiba deu certo. Nem do frio posso reclamar mais. Porque a cidade está cada ano mais quente.
Além do que, tem um bem maior, envolvente, diversificado, com um monte de história para contar: Tem gente! Gente de todos os cantos, de todos os tipos. Imigrantes dedicaram-se à agricultura e trouxeram a mão de obra qualificada para as indústrias. Tanto trabalho, um título: o povo com uma renda per capita 40% maior do que a média nacional. (P.S. Ninguém me entrevistou para esta pesquisa).

A fase das loiras topetudas, aquelas oxigenadas que faziam um gigante topete cheio de laquê, já passou. Há alguns resquícios, é verdade. Mas gente exagerada e excêntrica tem em qualquer lugar do mundo e aqui não é diferente. (Não existem tribos emo, grunge, punk ou gótica? Então, em Curitiba tem a tribo autóctona das loiras topetudas). Já do povo que estava aqui quando tudo começou, quase nada sobrou. Dos índios, só ficou o nome da cidade, que veio do tupi guarani: coré (pinhão) etuba (muito). Os pinheirais sem fim, que cobriam toda a cidade, são o símbolo da capital do Paraná. Até os cruzamentos e faixas de segurança são pintados em forma de pinhão.

No domingo, a disputadíssima feira do Largo da Ordem, no centro histórico da cidade, vai fazer você voltar para casa cheio de cacarecos, artesanatos mil, livros usados, antiguidades e, principalmente, com a certeza de que Curitiba é – na verdade – o melhor botox que já existiu!

29 de março: aniversário de Curitiba. Parabéns, eu amo você.

Fotos: Raul Mattar

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sábado, 10 de março de 2007

CURITIBA: um ponto, dois dias.

Vim para Curitiba há sete anos. Nesse meio tempo estive na Espanha fazendo o mestrado. Voltei e aqui fiquei. Já se passaram mais de 360 finais de semana na capital do Paraná. Em pelo menos uns trezentos deles eu devo ter ido à feirinha do Largo da Ordem. O passeio começa no sábado.


O Largo da Ordem abriga as construções mais antigas da cidade e o meu ponto fraco: casario colorido. Toda vez que passo por aqui me sinto uma turista naïf. Aqui está a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, de 1737. É o passeio mais divertido e barato da cidade. Admirar não custa nada.

Mas já é fato: o centro histórico de Curitiba entrou para todos os guias mais por causa de uma das maiores feiras de artesanato da América Latina do que por seu conjunto arquitetônico. Domingão, faça chuva ou faça sol, e lá está ela!


É um grande mercado ao ar livre em que você encontra de tudo um pouco: pinturas, esculturas, bordados, lápiz de madeira, tricô, vela, bijuteria, cestas, chinelos, bolsas, flores, cortinas, toalhas, guardanapos, bonsai, mandalas, tapetes, bonecas, redes, e muitos etecéteras.

Só que o mais rico da feirinha são as pessoas. Desde os artesãos, passando pelos turistas e chegando até nós, gente simples e descontraída. Sem falar nos tipos curiosos que por ali aparecem: o cantor de ópera, o tio da sanfona, os irmãos cegos que cantam moda de viola, a estátua viva, a moça do tererê e o rapaz da massinha.

Lei nº 1: chegue cedo. A feira começa às 9h e nesse horário já está móóó balbúrdia. Lota, mas lota mesmo. São mais de mil expositores e 15 mil visitantes a cada domingo. No meio daquela muvuca, olhe para cima. Você verá o colorido dos edifícios históricos fazendo contraste com o céu azul. É uma visão extraordinária (no meu olhar matraca-apaixonado).

Lei nº 2: não leve muito dinheiro. A feirinha do Largo da Ordem tem o estranho poder de desencadear um transtorno obsessivo compulsivo por compras. É tudo tão baratim, facim, rapidim, bonitim que quando a gente vê está trazendo metade da feira para casa. Eu já não sei mais o que faço com tanto guardanapo e bonequinho de biscuit.
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Como toda boa feirinha ao ar livre que merece ser visitada, a do Largo da Ordem tem uma ampla “praça” de alimentação. Confirmando a tradição emigrante da cidade são diversas barracas vendendo todas aquelas delícias proibidas durante a semana, como empanada, pierogui, acarajé, pamonha, bolachinhas, doces cristalizados, tacos mexicanos, espetinho de carne e os reis da festa: pastel de carne com caldo de cana.


Será que a gente se encontra por lá amanhã?

SERVIÇO:

Feira do Largo da Ordem
Local: Praça Coronel Enéas e Praça Garibaldi – São Francisco.
Horário: Domingo – 9h às 14h
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Fotos: Raul Mattar
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sábado, 27 de janeiro de 2007

Para o fim de semana: Serra da Graciosa

O que mais recebo é e-mail de gente pedindo dicas de roteiros econômicos para o fim de semana. Isso é a nossa cara: pouco tempo e necas de dinheiro. (Quando digo nossa cara, me refiro a nós brasileiros, a nós trabalhadores, a nós gente interessada em conhecer, passear, descansar, sem ter que gastar o 13º de 2007 já no primeiro mês do ano). Para sorte de todos os navegantes e matraqueadores sempre há uma rota pertinho de casa. Já perdi as contas das vezes que desci a Serra da Graciosa, uma estradinha histórica a 37 km de Curitiba.
O caminho era uma antiga trilha utilizada pelos índios para levar pinhão até o planalto e atravessa o trecho mais preservado de Mata Atlântica do país. Hoje, é uma das rotas mais conhecidas dos turistas que vêm à capital paranaense.

Ao longo do trajeto – que dura mais ou menos 1 hora – existem vários quiosques para descanso, banheiros, churrasqueiras, cascatinhas e algumas lanchonetes. Sabe aquilo tudo que engorda? Tem lá. Pamonha, pastel, caldo de cana, cachaça e – no fim do percurso – desembocando em Morretes, o famigerado Barreado.

Para mim é a viagem perfeita para um fim de semana. Além da Graciosa (que por si só já valeria o passeio), as cidades históricas do Paraná vêm de brinde no pacote: Morretes e Antonina (foto abaixo). No fim da estrada, andando mais alguns quilômetros aparece aquele quarteto infalível para fotos e lembranças deliciosas: casinhas coloridas, comida típica, ruínas históricas, artesanato e gente tranqüila.

Fotos: Matraca´s Image Bank

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MATRAQUEANDO - Viagens e Comidinhas | Por Sílvia Oliveira | Jornalista | Curitiba, BR

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