Silvia Oliveira

Foz do Iguaçu

quarta-feira, 08 de abril de 2009

Foz do Iguaçu: Parque das Aves

Não sei você, mas tenho a maior dificuldade em diferenciar papagaio de arara e loro de periquito. Se bobear, confundo cisne com garça. Mas não sou tão desorientada quanto parece. Sei reconhecer tucano, flamingo e pavão. Rá. O Parque das Aves de Foz do Iguaçu passaria batido para mim se não estivesse em frente ao centro de visitantes do Parque Nacional do Iguaçu.

Como está muito próximo do maior atrativo da cidade, acaba sendo a opção de passeio à tarde – já que a maioria visita as cataratas pela manhã. O tour por aqui dura, em média, de uma a duas horas, dependendo do seu ritmo. O ingresso custa mais caro do que aquele que você comprou para chegar próximo à Garganta do Diabo. Mas a organização que administra o empreendimento destaca logo na entrada: “somos uma empresa privada e necessitamos de sua ajuda para manter o parque”.

De qualquer maneira, concordo que o projeto é bem feito. Parece mesmo que estamos no cafundó de alguma mata nativa. Somos orientados a não dar comida às aves, a não gritar, a não falar alto, a não correr. Uma trilha de nível facílimo – não precisa de guia, está tudo muito bem sinalizado – leva o visitante a um contato muito próximo com os animais. Em alguns momentos do trajeto entramos em gaiolões onde é possível conviver com tucanos e araras, que ficam ali… livres, leves e soltos. São aparentemente dóceis. E gostam de brincar com alguns objetos dos turistas, como colares, chaves ou óculos.

Nos viveiros, a ideia é tentar reproduzir alguns habitats brasileiros como o pantanal. São mais de mil animais, boa parte de aves, entre espécies nacionais e de outros países. Mas abriga também jacarés, borboletas, saguis e até uma iguana. No espaço dedicado aos flamingos algo que me chamou a atenção: diversos espelhos espalhados ao redor deles. É que os flamingos estão acostumados a viver e reproduzir em bandos de centenas ou milhares. Como são pouco mais de 20 no parque, colocaram os espelhos para que os cambitinhos se sintam mais protegidos. Arrff, filosofia freudiana.

O Parque das Aves é de um colorido carnavalesco. Mas com ritmo de samba-canção. É bonito e tranquilo. Possui programas de reprodução em cativeiro e visitas orientadas por biólogos. Nos viveiros há placas explicativas com o nome científico e da região de onde vieram. As espécies em extinção também recebem destaque. A Ararajuba, por exemplo, se reproduziu pela primeira vez em cativeiro no Parque das Aves.



No mais, evite ao máximo o uso de flash e não ultrapasse os limites da trilha. No fim do passeio há uma lojinha (sempre há uma lojinha no fim do passeio, isso é redundância) caso você queira levar DVDs, livros ou camisetas que retratam o lugar. Saí feliz de lá… ainda que me pareça quase impossível diferenciar a ema do avestruz.


Fotos: Raul Mattar

SERVIÇO:

Parque das Aves
Horário: todos os dias, inclusive domingos e feriados, das 8h30 às 17h30.
Ingresso: R$ 16,00 por pessoa.

Share
terça-feira, 07 de abril de 2009

Cataratas do Iguaçu

 Confesso, pequei. Pecado mortal na ordem celestial dos mochileiros levados à breca, dos estrangeiros descolados e dos brasileiros que sabem dar valor ao próprio país. O delito: conheci as Cataratas do Niágara em 2004 – quando visitei Toronto – mas sequer ventilava a possibilidade de passear por Foz do Iguaçu, que fica a 650 quilômetros da minha casa. But, ladies and gentlemen… neste fim de semana consegui minha redenção! Só não desci de joelhos a trilha que leva às quedas d’água porque somente o fato de decidir ir já me livrou da penitência.

  

Não é novidade para ninguém: mato, água e bicho não combinam comigo. Não faço trekking, não sou adepta a esportes náuticos e animais, apenas no zoológico… por favor. Mas longe da pequenez das minhas considerações pessoais estou, com uma certa dedicação, tornando-me uma pessoa melhor e aberta a novos desafios. A proposta de conhecer Foz num roteiro apertado – mas intenso – me motivou a passar um mês pesquisando o lugar. Não que aqui será possível encontrar alguma informação inusitada ou espetacular. Tudo o que já tinha para ser dito e escrito sobre as Cataratas do Iguaçu – Patrimônio Natural da Humanidade – você encontra num clique de mouse em qualquer googlada rápida.

Além disso, o site do Parque Nacional do Iguaçu é completíssimo: informa e tira dúvidas. Cabe a mim, então, tentar passar o que significa chegar tão perto do que eu jamais consegui imaginar que poderia ser… sem antes estar lá.  Foi tudo muito mais, muito melhor e muito maior do que o esperado. A chegada ao centro de visitantes já impressiona. A estrutura é dos grandes parques europeus e parece que existem mais estrangeiros do que brasileiros por ali. Aliás, nunca vi tanta gente importada em uma cidade patropi. Nem no Rio, nem em Salvador, nem em Manaus. Eu mesma conversei (ou troquei informações) durante as duas horas de caminhada com uma israelense, depois com um francês, em seguida com um casal de alemães e, de quebra, gastei meu castelhano com um grupo de espanhóis.

A porta de entrada do centro é bonita, limpa e bem sinalizada. Tem loja de souvenir e balcão de informações. Compramos as entradas – que têm preços diferenciados para brasileiros e gringos – e embarcamos em um dos ônibus coloridos (e decorados com a fauna do lugar) que levam os turistas à trilha mais próxima das Cataratas. São 11 quilômetros e o trajeto dura 15 minutos. Quando você desce do ônibus descobre que tem mais 1200 metros e 500 degraus para chegar lá. Já comecei a chamar Jesus de Genésio e urubu de meu louro. Qualquer escada com mais de 10 lances me paralisa. Fiquei cansada só de pensar.

Por outro lado, eu tinha que me redimir. Estava ali para isso. Para provar para mim mesma que posso, que sou capaz de ter um contato feliz com a natureza. Trilha vai, trilha vem e aparecem umas quedinhas de água lááá longe, ralinhas, ralinhas. Estamos na época da seca e víamos mais rocha do que cascata. Êita, decepção! Não é possível, serão as Cataratas esse visu mais chocho do mundo? Mas graças ao meu anjo da guarda, mochileiro da gema, alguns metros mais e aparece a Garganta do Diabo, a maior de todas as quedas e a top dos cartões postais.

 

 

Em cinco minutos, de desenxabida passei a tiritar. De bitolada passei a considerar a minha inteligência. E a super queda d’água, de bagaceira, se transformou no velho chavão, mas muito apropriado: um espetáculo da natureza! O bochicho começa, porém, quando alguém – nós, por exemplo – resolve conhecer também as Cataratas no lado argentino. E sai falando que lá é melhor.

Não é bem assim. Sendo diplomata e muito puxa-saco do Brasil eu diria que um lado não vive sem o outro. A visão do lado brasileiro é ampla e panorâmica. Não há dúvida, aqui é melhor para fazer fotos gerais e apreciar todos os saltos. Mas foi no lado argentino que eu quase desmaiei. Não é força de expressão, estou falando de desmaio mesmo, falta de ar, medo, emoção, taquicardia. Depois de pegar um trenzinho dentro do Parque Nacional Iguazu desembarcamos na passarela de 1100 metros de distância que nos leva à cabeceira de la Garganta del Diablo.

É muito barulho, muita água (e ainda se fala em estiagem!), uma força estranha, excêntrica, inexplicável. Nenhuma foto consegue retratar o tamanho desse passeio. Talvez tenha sido por isso que me surpreendi tanto. Por mais que você leia, veja imagens… não é possível imaginar a delícia que é estar ali. A roupa encharca, os óculos embaçam. Mas nada que impeça de ver o arco íris que vai e vem. De olhar lá para baixo e ver o fim do mundo. Ou um mundo sem fim. Literalmente, debaixo dos seus pés.

Fotos: Raul Mattar

SERVIÇO:

Parque Nacional do Iguaçu
Horário: aberto diariamente, das 9h às 17h (ou até às 18h no horário de verão)
Ingresso: R$ 13,65 para brasileiros. Estrangeiro paga um pouco mais e quem vive nas redondezas paga um pouco menos. Veja tabela completa  de preço aqui.

Parque Nacional Iguazu
Horário: no verão, das 9h às 19h (01 de outubro a 28 de fevereiro) e no inverno das 9h às 18h (01 de março a 30 de setembro)

Ingresso: $ 30 (pesos argentinos) para brasileiros.
IMPORTANTE: pra entrar na argentina é necessário fazer imigração apresentando passaporte válido ou carteira de identidade com até 10 anos. E na hora de comprar a entrada só aceitam pesos.
  
Posts relacionados:
Cataratas do Iguaçu
Sobrevoando as Cataratas do Iguaçu
Itaipu: circuito especial
Itaipu: iluminação monumental da barragem
Itaipu:mentes brilhantes
Parque das Aves
Passaporte Iguassu
Restaurante Porto Canoas
Imigrando para o Paraguai
Estando em Foz, como chegar à Ciudad del Este
Compras no Paraguai: lojas, imposto e chipa
Compras na Argentina: Duty Free Shop
Hospedagem em Foz do Iguaçu
Imagens das Catarats em documentário de 1920
Share
domingo, 05 de abril de 2009

Sobrevoando as Cataratas do Iguaçu

O passeio mais famoso (e um dos mais caros) para quem visita as cataratas é o Macuco Safári. Um bote inflável leva os turistas pelas corredeiras do rio Iguaçu e chega bem próximo à Garganta do Diabo, a queda mais alta.

Prestenção! Alguém aí consegue me imaginar com colete salva-vida, capacete laranja e ainda por cima dentro de um bote inflável? Não, nunca, jamé! Meu irmão – que esteve aqui no mês passado – até tentou me convencer: o circuito é básico e seguro. Nananinanô.

Tenho medo de água e nenhuma vocação para boia-cross. Outra opção – um pouco mais cara que o Macuco – é a voltinha de helicóptero. Dura 10 minutos e custa R$ 220,00 por pessoa. Momento extravagância, que fique claro! Eu tive que escolher: uma máquina fotográfica nova na Ciudad del Este ou a vista panorâmica. Sem dúvida, maquininha compacta eu compro em qualquer lugar de Curitiba. Em 10 vezes, se for o caso.

O passeio parece curto, mas não é. O piloto segue o leito do rio e dá duas voltas sobre as cataratas. Para fotografar é melhor sentar no banco de trás. A vazão está pequena. Há 30 dias não chove na região. O helicóptero voa bem alto (exigência do IBAMA para não interferir no ecossistema com poluição e ruídos). Portanto, não espere rasantes. O que significa que aquelas fotografias da secretaria de turismo você não vai ter. Mesmo assim, é faustoso…

É verdade que nada substitui ver as quedas de pertinho pelas passarelas instaladas nos parques, tanto do lado brasileiro quanto do lado argentino. Mas aqui, além de percorrer por outro ângulo – mais do que as imagens capturadas – o que vale é a experiência: inusitada e singular. Provavelmente você vai ser um dos poucos a ter essa história para contar!

SERVIÇO:

Empresa: Helisul Táxi Aéreo
Embarque: ao lado do Centro de Visitantes do Parque Nacional do Iguaçu
Preço: US$ 100,00 ou R$ 220,00. E não dá para dividir no cartão.

Fotos: Raul Mattar, que – ao contrário de mim – morre de medo de avião. Tinha preferência pelo bote, mas não resistiu ao apelo do sobrevoo que proporciona uma das melhores vistas das Cataratas do Iguaçu.

Share
sexta-feira, 03 de abril de 2009

Próxima parada: Foz do Iguaçu

Tempo bom. Faz sol. 30 graus. E não são nem 9h da manhã.

Fim de semana entre Cataratas, Itaipu e compritchas, por supuesto.

Primeira viagem pós parto sem Mariana.

O ritmo vai ser intenso. Pouco tempo para ver muita coisa.

Viemos de avião. Mas para quem prefere pegar estrada, acompanhe a viagem de carro Curitiba-Foz que a Patrícia do Turomaquia fez e já deu um monte de dicas sensacionais aqui.

Voltamos a qualquer momento.

Tan tan tanttattaann. (musiquinha do plantão)

Share
Páginas:123
MATRAQUEANDO - Viagens e Comidinhas | Por Sílvia Oliveira | Jornalista | Curitiba, BR

Todos os direitos reservados. 2006-2012 © VoucherPress | Agência de Notícias.
Está proibida a reprodução, sem limitações, de textos, fotos ou qualquer outro material contido neste site, mesmo que citada a fonte.
Caso queira adquirir nossas reportagens, entre em contato.

Desenvolvido por Dintstudio
Content Protected Using Blog Protector By: PcDrome.