quinta-feira, 17 de março de 2011

Tiradentes: roteiro para uma viagem bem sucedida


Matriz de Santo Antônio vista do alto do morro ao entardecer.

Quem vai a Tiradentes volta com vontade de fazer amizade com o vizinho. Bastam alguns dias na mais garbosa das cidades históricas mineiras e você vai querer ter sempre alguém para um café e doisdediprosa no fim de tarde. A cidade alimenta a alma de tal forma que converte o andar do turista em uma peregrinação serena e desanuviada.

Tiradentes é pura história. Sem ser purgante. Tem um lado rural. Mas não cheira a estábulo. Produz artesanato caipira e regional. Nunca brega. É polo gastronômico. E eu estou falando não só da boa cozinha típica, mas de cinco restaurantes estrelados. Para completar, a Inconfidência Mineira – um dos mais importantes movimentos sociais da História do Brasil – aconteceu aqui, no porão da casa do Padre Toledo, hoje transformada em museu.

Não, não vou listar os detalhes da arquitetura colonial ou os tesouros barrocos escondidos. Tiradentes não é Ouro Preto. Nem busque comparações. São alegorias distintas, com enredos diversos e evoluções diferentes. Estamos falando de um vilarejo acanhado alçado a pop-star. Certo, a Rede Globo ajudou. Muitas de suas minisséries – como JK e Hilda Furacão – foram gravadas na cidade. Recentemente, o filme que retratou a vida de Chico Xavier também teve cenas rodadas aqui.

Mas o que transformou Tiradentes na queridinha de ricos, pobres e remediados é o conjunto da obra. E isso não tem nada a ver com Aleijadinho. Refiro-me ao tilintar das charretes pelas ruas de paralelepípedos, à miragem provocada pela Serra São José durante o entardecer, aos crucifixos coloridos pendurado nas portas das casas e ao cheiro de café coado na hora em cada esquina.

O centro gravitacional de Tiradentes é o Largo das Forras, pracinha que reúne restaurantes, lojinhas e bares movimentados. Prepare-se para ser engolido por dezenas de portinhas coloridas espalhadas pela cidade vendendo toda sorte de peças feitas com fuxico, galinhas d’angola ou aquela pombinha do espírito santo em madeira.


Costela de Lata no estrelado restaurante Pau de Angu.

O que fazer em Tiradentes

1. Comer bem. Reserve um dos seus momentos de extravagância para conhecer um dos restaurantes estrelados da cidade.

2. Ver o pôr do sol no alto do morro em frente à Igreja São Francisco de Paula. O local oferece a melhor vista pra o Centro Histórico com a Matriz de Santo Antônio ao fundo.

3. Fazer uma “viagem” de Jardineira (R$ 35 por pessoa), um fofo automóvel de 1935. Durante 1h30, prepare-se para ver a cidade iluminada sob vários ângulos (o tour é noturno) e escutar os causos curiosos do motorista-guia Luiz Fernando. Reservar. Tel. (32) 9948.2370.

4. Eleja um passeio jacu: city tour de charrete (R$ 25) ou uma voltinha nos cavalos de “verdade” (R$ 5 ou R$ 10) que ficam em frente ao hotel Solar da Ponte.


O famoso Chico Doceiro e seus canudinhos de doce de leite esperando o recheio.

5. Visitar a vendinha do lendário Chico Doceiro (Tel. 32 3355.1900). Pela manhã você encontra o próprio preparando as iguarias em enormes tachos de cobre. Prove o canudinho de doce de leite. R$ 0,50 cada.

6. Reserve uma tarde para conhecer o distrito de Bichinho, a oito quilômetros de Tiradentes. É a antecâmara do céu para quem gosta de artesanato de primeira linha. Já os preços… há controvérsias.

7. Se sua idéia é comprar móveis, antiguidades e objetos de design – ou simplesmente apurar o gosto – dedique uma manhã à Rua Resende da Costa e à Rua Direita. Ambas estão pinhocadas de ateliês.

8. Visite o Chafariz de São José. Com três fontes ainda em funcionamento, é um marco da arquitetura do século 18 na cidade.

9. Não perca a apresentação de som e luz na Matriz de Santo Antônio. A igreja, ricamente adornada e com trabalhos atribuídos a Aleijadinho, promove uma espécie de roteiro narrado. Um texto de 16 minutos, gravado pelo ator Paulo Goulart, conta a história da matriz e suas curiosidades. Somente de sexta a domingo, às 20h – quando não há casamento. Custa R$ 15 para ver a apresentação (não permite fotos) ou R$ 3 para visitar a igreja de dia, das 9h às 17h.

10. Complete sua odisseia pelos santuários mineiros visitando a igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Nos altares laterais, belas representações de santos negros como São Benedito e Santo Antônio de Categeró. Entrada R$ 2. De terça a domingo, das 10h às 17h.

11. Vá de Maria Fumaça até São João del Rei. Não que eu ache que seja um passeio obrigatório, mas curioso talvez. Vai interessar mais às crianças e a quem nunca fez nenhum outro passeio de trem na vida. O trem percorre 13 quilômetros em 40 minutos. Saídas de sexta a domingo, às 13h e às 17h. Ida e volta: R$ 30. Crianças de 6 a 10 pagam R$ 15.

Dicas úteis em Tiradentes

1. Vá com calçado confortável. O calçamento é do século 18 e bastante irregular. Carrinho de bebê não combina com este tipo de pavimento. É enrosco na certa.

2. Os ateliês e lojas têm horários diferentes de funcionamento. Informe-se antes de ir.

3. O Centro Histórico é minúsculo, o que permite fazer os principais passeios a pé. Sim, tem ladeira pra dedéu. Mas é melhor deixar o carro em alguma rua próxima, para não pegar – olha só – “trânsito” em Tiradentes.


Ladeiras e ruas de paralelepípedos pedem calçados confortáveis.

4. Antes de ir, emagreça, pelo menos, uns três quilos. Para não voltar de lá deprimido uma vez que o peso será recuperado em dobro. Tiradentes é sinônimo de comilança na certa.

5. Só existem agências bancárias do Bradesco e do Itaú. Uma casa lotérica facilita para quem quiser sacar pela Caixa Econômica. Muitos locais não aceitam cartão de débito nem de crédito. Pergunte antes de comprar.

Como chegar a Tiradentes

De carro:
Saindo de Belo Horizonte: pegue a BR 040 até a saída para a BR 383 – que vai para São João del Rei. Dali, siga pela BR 265. Você já estará no acesso principal a Tiradentes.
Saindo de São Paulo: pegue a BR 381 (Rodovia Fernão Dias) até o município de Lavras (380 quilômetros de SP) e depois siga pela BR 265 (mais 110 quilômetros).
Do Rio de Janeiro: pegue a BR 040 até Barbacena (270 quilômetros). Em Barbacena pegue a BR 265 até Tiradentes. São mais 50 quilômetros.

De ônibus:
A empresa Expresso Gardênia faz o trecho São Paulo – São João del Rei por R$ 69,00. Média de oito horas de viagem. De Belo Horizonte use a Viação Sandra. São 3h30 de viagem e a passagem custa R$ 41,00. Ao chegar a São João del Rei, pegue o ônibus da Viação Presidente para ir até Tiradentes. Passagem por R$ 2,65 e 30 minutos de percurso. Se preferir vá de táxi. Corrida em torno de R$ 15,00.

De avião:
O aeroporto mais próximo é o de São João del Rei, a 15 quilômetros. A Trip liga São João del Rei a diversos destinos.

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Fotos: Raul Mattar

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