Silvia Oliveira

Santiago do Chile

quarta-feira, 09 de dezembro de 2009

Santiago do Chile: bairro a bairro – 3º dia

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Largas avenidas com a cordilheira ao fundo: paisagem frequente. (Foto: Raul Mattar)

Muita gente dá a cidade de Santiago por vista em apenas dois dias. Se há um terceiro dia disponível, geralmente o turista parte para Viña del Mar ou Valparaíso, no litoral, a uma hora capital. Também tive essa dúvida. Vou ou não vou para a praia. Preferi ficar por aqui para tentar esmiuçar melhor o destino da moda para os brasileiros.


Colegiais: uniforme comportado. (Foto: Raul Mattar)

Olha, acho que me arrependi. Na verdade, esse terceiro dia, já era o meu quarto! (Lembra que no primeiro eu dei umas voltinhas e voltei ao hotel para dormir!) Bem feito para mim. Se tivesse feito a lição de casa, teria sobrado hoje para Valparaíso, por exemplo. Não tendo alternativa segui minha saga por outros bairros de Santiago.

BAIRRO PROVIDÊNCIA


Providência: o bairro executivo da cidade. (Foto: Raul Mattar)

Acabei chegando aqui em busca do Sernatur, o centro de informações turísticas nacional. Queria tirar algumas dúvida sobre o Deserto do Atacama, para onde íamos no dia seguinte. A estação do metrô Manuel Montt está quase em frente ao Sernatur. (Na Plaza de Armas tem um escritório de informações turísticas, mas é específico do município de Santiago). O bairro é empresarial, com prédios altos, comércio e restaurantes. Sem charme, na minha opinião. Há quem recomende hospedagem aqui. Não estaria de todo mal, mas eu ainda prefiro o centro. Depois de caminhar pelas largas avenidas da região conheça o Parque de Las Esculturas. Está às margens do Rio Mapocho. Tem 30 esculturas de artistas chilenos. Entrada grátis. Funciona todos os dias das 10h às 14 e das 15h às 20h. Fica entre as pontes Pedro de Valdivia e Nueva de Lyon.

BAIRRO LASTARRIA


Lastarria: ponto de encontro dos artistas descolados. (Fotos: Raul Mattar)

Fica ao lado do bairro Bellavista, que a gente já visitou. Se der tempo é melhor emendar o Lastarria lá no segundo dia. Mas eu não consegui dar conta. Por aqui vale circular para conhecer uma nova geração de designers, suas lojinhas criativas e o Museo de Artes Visuales, o Mavi . É minúsculo e uma deliciosa supresa. Abriga ainda o simpático Museo Arqueológico de Santiago. São quase 1500 obras – vídeos, esculturas, pinturas e fotografias – de artistas chilenos. Entrada a 1000 pesos (US$ 2,00), grátis aos domingos. Metrô: Bellas Artes ou Universidad Católica.


Mote con Huesillos: bebida chilena tão popular quanto nosso caldo de cana. (Foto: Raul Mattar)

Já estou quase indo embora da cidade e não havia experimentado ainda o Mote com Huesillos, o caldo de cana chileno (nada similar na aparência ou gosto), mas tão popular quanto. Em cada esquina há um carrinho vendendo a bebida: um suco caramelado com pedaços de pêssego em conserva e cheio de bolinhas de trigo desidratadas – os huesillos. Toma-se primeiro o suco e com a colher que vem junto, você saca el mote… e come os trocinhos também. Um copo de 200 ml custa em média 400 pesos (US$ 1,00). Comer em Santiago não é tão caro, mas nem de  longe espere as pechinchas de Buenos Aires.

BARRIO BRASIL

Não fui. Dava para ter ido, tranquilo. Mas não fui. Antes do entardecer voltamos ao hotel. Eu estava morta de cansaço (o Raul nem se fala, coitado!) e não queria me esgotar, afinal, no dia seguinte começava outra parte da viagem – que ia exigir bastante do nosso ritmo.

O detalhe é que quando você está muito esgotada já não consegue raciocinar direito. Acredito que este bairro – histórico – ia ser uma das minhas melhores lembranças de Santiago. O que eu li por aí: está cheio de mansões, com fachadas que vão do neoclássico à art dèco. Ruas de paralelepípedos e um casario antigo iluminado por arandelas de luz amarela. No quarteirão Concha y Toro, aqui no Barrio Brasil, viveu o irmão de Don Melchor, o fundador da famosa vinícola. Para passear sem rumo. Metrô: La República.

BAIRRO LAS CONDES | Para compras e vitrines

Não visitei nenhum shopping. Mas os principais são o Parque Arauco , o maior da cidade e o Mall Alto Las Condes,  tão grande quanto, mas – dizem – frequentado pelos mais endinheirados. Nenhum dos dois é servido pelo metrô e ficam beeem longe do centro. Fiquei com preguiça de ir. Para lojas de grifes carérrimas siga para o bairro Vitacura e marque presença nas avenidas Alonso de Córdova e Nueva Costanera.

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terça-feira, 08 de dezembro de 2009

Santiago do Chile: bairro a bairro – 2º dia

Já ambientado, você pode começar seu segundo dia na capital do Chile pela visita à vinícola Concha y Toro, uma das mais famosas e conhecidas do país e a apenas 1h30 de Santiago. Reserve o primeiro horário. A gente contou aqui todos os detalhes do passeio (ótimo!) e deu dicas de como você pode ir por conta, sem necessariamente ter que contratar uma das caras excursões que levam os turistas até lá.

BAIRRO BELLAVISTA


No Patio BellaVista você encontra simpáticos restaurantes. (Foto: Matraca’s Image Bank)

Na volta da vinícola, aproveite para almoçar em algum dos restaurantes do Pátio Bellavista, um shopping a céu aberto que reúne boa comida, lojas, cultura e entretenimento. Experimente a comida peruana do restaurante Barandiaran  ou prove algum quitute colombiano no La Casa en El Aire.  Típico do Chile mesmo, só nos arredores do bairro onde você poderá, em algum restaurantinho mal-encarado provar o Lomo a lo pobre (nosso bife a cavalo, é… nem tão típico assim) ou uma reconfortante Cazuela – uma sopa cheia de sustância. Metrô Baquedano.

CERRO SAN CRISTÓBAL


Vista do Cerro San Cristóbal: linda de qualquer ângulo. (Fotos: Raul Mattar)

O San Cristóbal é o mais famoso parque da cidade. Faz parte de um enorme conjunto de montanhas. Está a quase 900 metros de altura e de lá você verá a Santiago das fotos de revista, emoldurada por montanhas nevadas – a Cordilheira dos Andes. Na verdade, como fui perto do verão nem estavam tão nevadas assim. Mas é a melhor vista da capital do Chile. Uma enorme estátua da Vírgen Inmaculada Concepción está no ponto mais alto do cerro e pode ser vista de vários pontos da cidade.


Funicular: passeio divertido para ter a mais bela visão da cidade. (Fotos: Matraca’s Image Bank)

Para chegar ao topo é necessário pegar o funicular (um trenzinho parecido com o Trem do Corcovado, no Rio). Lá em cima há lanchonete, banheiros – pagos – e bastante espaço para você se sentar, relaxar e tirar boas fotos. O passeio seria completo se o teleférico não estivesse em manutenção por tempo indeterminado. Humpf! Ida e volta de funicular: 1600 pesos (US$ 3,20). Funciona na 2ª feira das 13h às 20h30, de 3ª a 6ª das 10h30 às 20h30 e no domingo das 10h às 21h. Metrô: Baquedano. (O cerro está a quatro quadras do metrô).

LA CHASCONA | A casa de Pablo Neruda

Eu já tinha visitado o Museo Precolombino quando cheguei para o tour guiado na La Chascona, a casa onde viveu o maior poeta chileno – o prêmio Nobel de Literatura, Pablo Neruda. Depois do mergulho histórico num bem montado museu, pensei que nada mais pudesse me surpreender, culturalmente falando. Mas a casa de Neruda estarrece. Não é permitido tirar fotos, infelizmente. Algumas imagens poderiam descrever melhor a aura mágica do universo nerudiano. Ambientes coloridos se contrapõem com móveis rústicos. O guia nos leva por todos os cômodos. Há uma miscelânea de objetos decorativos – garrafas, lâmpadas, quadros, bonecas de pano – que ajudam a compor a mente criativa do poeta. Ali, ele viveu uma história de amor com sua terceira mulher, Matilde Urrutia.

O apelido La Chascona (algo como “descabelada”) era para Matilde e assim ficou conhecida a casa. Tudo é original, mas pouca coisa restou. Após o golpe de 1973, a casa foi invadida por militares que destruíram quase tudo. Neruda, amigo de Salvador Allende, morreu de câncer – e muito provavelmente de desgosto – 12 dias após o golpe. Tour em espanhol: 2500 pesos (US$ 5,00). Tour em inlgês ou francês: 3500 pesos (US$ 7,00). Não é obrigatório, mas é bom reservar. Mande um e-mail para tiendalachascona@fundacionneruda.org solicitando um horário. Funciona de 3ª a domingo, das 10h às 18h. Metrô: Baquedano. (Está a uma quadra ao pé do Cerro San Cristóbal)

SE DER TEMPO… (ou deixe para o 3º dia)

Museo Nacional de Bellas Artes

Por aqui também está o Museo Nacional de Bellas Artes, um lindo edifício, com salão neoclássico. Abriga obras de artistas de várias partes do mundo (inclusive chilenos) do século 12 ao 20. Não é permitido tirar fotos, nem entrar com bolsas ou mochila. Há um guarda-volumes disponível. Entrada a 600 pesos (US$ 1,20). Aos domingos é grátis. Funciona de 3ª a domingo, das 10h às 18h50. Metrô: Bellas Artes.

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terça-feira, 08 de dezembro de 2009

Santiago do Chile: bairro a bairro – 1º dia


Chile atual: história e modernidade se confundem. (Foto: Raul Mattar)

Quando cheguei a Santiago, me senti asfixiada. Acho que estava tão focada no Atacama que levei um baque ao começar a circular pela cidade. Tinha reservado quatro dias inteiros para a capital. Mas no primeiro saí para caminhar sem rumo… e três horas depois voltei ao hotel para dormir! Vinha de uma enorme sobrecarga de trabalho. Meu corpo pediu arrego. E eu dei. Melhor decisão, impossível. No dia seguinte saímos bem mais dispostos a desvendar tudo, bairro a bairro, como deve ser numa cidade de quase 6 milhões de habitantes.

CENTRO

Vi um monte de gente recomendando hospedagem no bairro Providência, mais empresarial e, de certa forma, tranquilo. Para mim, a melhor opção em Santiago do Chile é ficar no centro. Daqui é possível fazer muita coisa a pé, está quase tudo a 15 minutos de caminhada. 

PLAZA DE ARMAS


Plaza de Armas: rodeada de edifícios históricos, é marco zero da cidade. (Foto: Raul Mattar)

Comece pela Plaza de Armas, o marco zero. A alma santiaguina circula por esta região. Ainda que seja, quiçá, o lugar mais turístico da cidade, a impressão que se tem é de estar entre eles, ser um deles. É um vai e vem de executivos, estudantes, vendedores ambulantes e artistas alternativos. Na praça, alguns prédios coloniais como o Correio Central, a Prefeitura e o  Museo Histórico Nacional (entrada a 600 pessos – US$ 1,50 e grátis aos domingos). Imponente mesmo é a Catedral, fazendo pose ao lado da modernidade. Assisti a uma missa aqui no domingo, às 10h. Foi emocionante. Metrô: Plaza de Armas.

PASEO AHUMADA E PASEO ESTADO


A feirinha de domingo é uma delícia para um passeio sem compromisso. (Foto: Raul Mattar)

O Paseo Ahumada é um calçadão comercial, onde você vai encontrar de tudo, desde casas de câmbio, supermercados, os tradicionais cafés com piernas (garçonetes usam microvestidos) e grandes lojas de departamentos como a Falabela – o El Corte Inglés deles. No domingo, o Paseo Estado (uma rua paralela ao Paseo Ahumada)   tem uma feirinha que começa lá pelas 11h da manhã e vai até às 20h. Vai ser o melhor (e mais barato) lugar para comprar souvenirs e artesanato típico. Metrô: Universidad de Chile ou Plaza de Armas.

MUSEO DE ARTE PRECOLOMBINO


Museo de Arte Precolombino: a melhor aula de história sobre o tema. (Foto: Raul Mattar)

É um dos maiores legados artísticos de todos os povos pré-colombianos da América. A ambientação é perfeita, com mapas explicativos e sinalização adequada. São várias esculturas, vasos, obras de artes, utensílios domésticos e materiais em cobre e cerâmicas de 3000 a.C. O museu abriga, ainda, múmias mais antigas que as egípcias. Uma aula de história como eu não via há séculos. Absolutamente imperdível. Entrada a 3 mil pesos (US$ 6,00). Grátis aos domingos, sem fila. Metrô Plaza de Armas.

PALÁCIO LA MONEDA


Palácio La Moneda: a casa da atual presidente é um marco histórico no país. (Foto: Raul Mattar)

Para mim, é a principal atração turística – do ponto de vista histórico – do Chile. Foi cenário para o golpe militar liderado por Augusto Pinochet, em 1973. O prédio foi bombardeado. Depois de um discurso antológico, Salvador Allende (o então presidente, humilhado e constrangido) se matou. Atualmente é o palácio do governo e residência de Michele Bachelet, a atual. Dia sim, dia não, sempre às 10h há troca de guarda. É possível visitar os lindos pátios internos. Entrada grátis. No subsolo está o Centro Cultural Palácio La Moneda, com exposição de arte e uma loja da Fundación de Artesanías de Chile. Metrô: La Moneda.

QUARTEIRÃO PARIS-LONDRES


O pequeno quarteirão “Paris-Londres”: oásis colonial no centro moderno. (Foto: Raul Mattar)

A região é formada pelo encontro de tão somente duas ruas: a Paris com a Londres.Um pequeno quarteirão, o mais charmoso da cidade.Todo de paralelepípedo, com edifícios e casarões coloniais, rodeados por alguns bares e restaurantes. Aqui está a Igreja de São Francisco, a construção mais antiga da capital, de 1586. Do lado tem o Museo de San Francisco, bem bonitinho – mas não obrigatório. No sábado, fim da tarde, é possível ver hermosas noivas aproveitando aquele cenário insólito em uma das maiores metrópoles da América Latina. Metrô: Universidad de Chile.

MERCADO CENTRAL


Mercado Central: os mariscos mais exóticos do mundo. (Foto: Raul Mattar)

Não é um lugar dos mais charmosos, mas, sim, um passeio curioso. Se você não suporta cheiro de peixe, nem vá. Mas se quiser conhecer alguns dos mariscos que só aparecem na região do Chile, não perca! Drible os chatos dos garçons arrebanhando turistas e observe aquele monte de bicho (vivo!) que vai para sua panela, sem fazer cara do nojo. (Juro, me comportei direitinho!) Funciona todos os dias das 7h às 15h. Metrô Puente Cal y Canto.

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segunda-feira, 07 de dezembro de 2009

Chile, para começar…

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Nem precisa de passaporte para ir até lá. Uma viagem rápida. No lugar do oceano, você cruza a Cordilheira dos Andes. Ir ao Chile é desembarcar num país conservador – só em 2004 autorizou a lei do divórcio –  mas que cresce sem parar.  E não foi só. Elegeu Michelle Bachelet (divorciada!) e declaradamente agnóstica (num país católico) para presidente da república. A quarta mulher a subir ao poder pelo voto direto na América Latina.

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O país é uma tripa, estreito (tem largura máxima de 175 quilômetros) e quase 4300 quilômetros de comprimento. Isso rendeu ao Chile paisagens insólitas, passando pelo deserto mais seco do mundo no norte a geleiras e fiordes no sul. Banhado pelo gelado Pacífico, tem uma variedade incrível de frutos do mar – alguns não existem em nenhum outro lugar do mundo. De exóticos a saborosos, cada um tem o seu. Sem falar nas empanadas, fritas ou assadas. Para fazer de qualquer momento mão-de-vaca-muquirana um banquete!

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Da pior ditadura aos vinhos célebres, o Chile também teve seu 11 de setembro. O ano era 1973. O general Pinochet chefiou o golpe militar que levou o então presidente socialista, Salvador Allende, a fazer seu último discurso de dentro do Palácio La Moneda. “Esta será, seguramente, la última oportunidad en que me pueda dirigir a ustedes. (…) Mis palabras no tienen amargura, sino decepción, y serán ellas el castigo moral para los que han traicionado el juramento que hicieron. (…) Éstas son mis últimas palabras, teniendo la certeza de que el sacrificio no será en vano. Tengo la certeza de que, por lo menos, habrá una sanción moral que castigará la felonía, la cobardía y la traición.”

Em seguida, Salvador Allende  se suicidou!

Foram 17 anos de ditadura. Pinochet chegou a ser preso. Respondeu por crimes de genocídio, tortura e terrorismo. Foi condenado, depois absolvido. Morreu em 2006 aos 91 anos, sem nunca pagar pelas barbaridades que cometeu.

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Nesse meio tempo, o Chile renasceu. Cultura, arte, política e economia passaram por diversas transformações que revelam um país adorável, surpreendente, inesgotável. A luta contra a violência doméstica – um problema crônico – está por todas as ruas, nas estações de metrô e na televisão. Resultado da força e da influência feminina de Bachelet.

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Nem saberia dizer quantas viagens eu teria que fazer à terra do poeta Pablo Neruda para dar conta de conhecer todo o universo que inspirou da cantora Violeta Parra à escritora Gabriela Mistral. Do formidável romancista Roberto Bolaño à best-seller Isabel Allende que, ao contrário do que imaginam, é apenas filha de um primo do presidente falecido.

Fotos: Matraca’s Image Bank (menos a última que é do Raul Mattar)

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segunda-feira, 07 de dezembro de 2009

Da janelinha do avião, a Cordilheira dos Andes

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A primeira providência que você deve tomar quando for ao Chile  é escolher o lado do avião onde vai se sentar, quer dizer, ocupar assento. (Sentar é um termo muito sofisticado na companhia laranjinha). 

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Na ida escolha o lado esquerdo. Na volta, o direito. A Cordilheira dos Andes é a maior cadeia de montanhas do mundo em comprimento. São 8 mil quilômetros ao longo da América do Sul. Vai da Venezuela à Patagônia.

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A paisagem se repete durante mais de uma hora de voo. Mas nunca parece a mesma coisa. Ou a gente acha que não. Você torra um cartão de dois giga clicando a mescla de nuvens e picos nevados. De repente… mais nuvens e picos nevados. Um processo que hipnotiza.

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A altitude média da cordilheira é de 4 mil metros, sendo que o Pico do Aconcágua é o ponto culminante com 6900 metros, o mais alto do continente americano. 

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Não se preocupe, você não vai se sentir jacu ao fotografar pela janelinha do avião. Todo mundo faz isso. E quem estiver do lado errado é capaz de pedir uma licencinha para você… pra ver melhor!

Fotos: Matraca’s Image Bank

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quinta-feira, 03 de dezembro de 2009

Chile: como ir por conta à vinícola Concha y Toro

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Não tenho um bom senso suficientemente aguçado para saber se este é – ou não – um passeio pega-turista. Mas já saí do Brasil com ele na pauta. E não me arrependi nem um pouco. Amei, para ser pouco exagerada. Mesmo não conhecendo nada de vinhos, para mim era quase uma obrigação visitar alguma vinícola decente no Chile. Mais do que isso: me interesso pela história, acho interessante os processos de produção e acredito que deve ser bem bacana saber apreciar um bom vinho. (Até tento, mas ainda não alcancei esse grau do Nirvana).

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Optamos pela vinícola Concha y Toro, no Valle del Maipo – nos arredores de Santiago. Não é a maior, mas uma das mais antigas e conhecidas do país. Os brasileiros adoram passear por lá. O Valle del Maipo é uma região modelo para toda a produção de vinho no Chile. Há muitas outras vinícolas por ali que, numa viagem específica para isso, você faz a festa sem se afastar mais do que duas horas da capital. Foi aqui a redescoberta da uva Carmenère, considerada extinta nos parrerais franceses.

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Na Concha y Toro – localizada na cidadezinha de Pirque, a 30 quilômetros de Santiago – existem dois tours guiados: um que custa 7 mil pesos (US$ 14,00), dura 50 minutos e inclui a degustação de dois vinhos. O outro custa 16 mil pesos (US$ 32,00), dura 1h10 e inclui a degustação de quatro vinhos, mais mesa de queijos e frutos secos. Ambos fazem o mesmo recorrido pela vinícola. A diferença está mesmo na quantidade de “copas” que vamos entornar no final. O tour pode ser em espanhol ou inglês. Você escolhe.

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O lugar é lindo, frondoso, cheio de flores. Para chegar ao casarão onde viveu o fundador, Don Melchor, há um túnel de folhagens que se entrelaçam formando uma suave sombra pelo caminho. Em seguida, o grupo conhece um dos vinhedos. Aprende sobre cepas, tipos de colheitas e importância das uvas. Fundamental: tudo numa linguagem de humanos. Não saiu nenhum devaneio do tipo “esse vinho lembra a brisa suave do amanhecer em Paris no século 19”. Deve ter sido algo bem mastigadinho, pedagógico. Porque até eu, com todas minhas limitações, entendi tudo. Melhor, aprendi muito.

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A próxima parada era a mais esperada – pelo menos para mim: as bodegas onde estão armazenados os vinhos que chegam à sua mesa. Na parte dos barris antigos é onde você vai conhecer a historieta da bebida mais célebre da Concha y Toro e um dos vinhos chilenos mais conhecidos no mundo, o Casillero del Diablo.

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O guia apaga as luzes e uma voz começa a contar a lenda: para proteger a produção – que estava sendo surrupiada por algum empregado – Don Melchor inventou que o diabo vivia ali. O povo, supersticioso, amarelou e os furtos acabaram. Quando termina o “show”, o guia nos leva a um cantinho com luzes vermelhas, o verdadeiro Casillero del Diablo: tem até o tal coisa ruim projetado na parede. Mas eu não tirei foto, não. Mêda!

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Por último conhecemos as bodegas atuais, cheias de tonéis de carvalho – vindos de várias partes do mundo. Cada um custa entre US$ 400 e US$ 1000 e pode ser usado inúmeras vezes, desde que seja abastecido pelo mesmo tipo de vinho. Dica importante: leve um agasalho para entrar aqui. A temperatura média é de 12º. Uma exigência para manter a qualidade dos vinhos. Quase morri congelada. Lá fora estavam uns 28º e eu… com roupa de verão! Teve até um senhor que se retirou do tour porque considerou frio demais para ele. (Não fique com dó do véinho, ele voltou no final para bebericar.)

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Nesta etapa recebemos mais um monte de informações sobre formas de armazenagem dos vinhos e, enfim, a degustação. Claro que eu não tenho a menor possibilidade de descrever a dita cuja. Apenas dei uma bicadinha, e para meu paladar estava amargo e seco demais. (Sim, eu sou uma daquelas – excomungadas da confraria dos enochatos – que gosta de sangria ou, no máximo, um vinho docinho.) Ah, a taça grafada com o nome da vinícola é brinde, você leva para a casa.

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Concluído o passeio oficial você pode ficar à vontade por ali. Tem um restaurante (Wine Bar) bem bonito com pratos que variam entre US$ 12 e US$ 25 dólares. Também é possível beliscar algo, comer queijos e azeitonas. Tudo, por supuesto, regado por algum vinho da Concha y Toro. Não é preciso fazer nenhum tour para comer aqui. Na saída, como não poderia deixar de ser, há uma lojinha. A Tienda de Vinos (Wine Shop) é maravilhosa. Bonita para quem não entende nada. Completa para quem entende tudo. Aqui você encontrará todas as marcas Premium e Ultrapremium da Concha y Toro por preços bem menos proibitivos que no Brasil.

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Para os aficionados, essa parada será a mais importante. Na loja, encontram-se todas as cepas e formas de cada marca. Há uma enorme oferta de literatura vitivinícola e especializada em gastronomia. Um sommelier acompanha os compradores. Sem falar nos acessórios, desde um elaborado saca-rolhas até termômetros digitais que verificam precisamente a temperatura do vinho. Foi tão bom e tão gostoso esse passeio que saí daqui achando ” já ganhei a viagem”. E estávamos apenas no primeiro dia!

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SERVIÇO:

VINÍCOLA CONCHA Y TORO

COMO CHEGAR: é possível contratar excursões que custam entre US$ 60,00 e US$ 90,00 por pessoa. Nós fomos por conta. Pegue o metrô e desça na estação Las Mercedes (Linha azul). Do centro até à estação Las Mercedes é quase 1h15m de viagem. Na saída da estação você pode pegar um táxi por uns 3000 pesos (US$ 6,00) ou pegar o metrôbus nº 71, 73, 83 e 84. A passagem do ônibus custa 450 pesos (US$ 0,90). Do metrô até à vinícola de táxi são cinco minutos. De ônibus, em 15 minutos você está lá.

HORÁRIOS: aberto todos os dias, das 10h às 17h.

VALOR: o Tou Guiado Tradicional – nós fizemos esse – sai por 7 mil pesos (US$ 14,00) e inclui degustação de dois vinhos. O Tour Guiado Marques de Casa Concha custa 16 mil pesos (US$ 32,00) e inclui degustação de quatro vinhos, mais mesa de queijos e frutos secos.

RESERVA: Obrigatória. Você pode ligar (56 24765269) ou acessar o formulário no site.

Fotos: Raul Mattar

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Páginas:123
MATRAQUEANDO - Viagens e Comidinhas | Por Sílvia Oliveira | Jornalista | Curitiba, BR

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