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Manual de sobrevivência: o que levar ao Atacama

Há tempos concluí nossa série sobre o Chile, mas me esqueci de acrescentar esse tópico importante: o que levar na mala numa viagem ao Deserto do Atacama?  Por certo, o tipo de bagagem já é um bom começo. O único ser vivo que desembarcou em San Pedro de Atacama com uma mala de rodinhas foi a moça que vos fala. O lugar combina muito mais com mochilões ou alguma mala que você não tenha que arrastar pelas ruas empoeiradas da região.

Quem seguiu a gente acompanhou nosso périplo por lagoas salgadas e gêiseres. Passamos por lagunas altiplânicas, conhecemos o segundo maior deserto de sal do mundo, visitamos paisagens absolutamente fantásticas. Vestígios históricos e ruínas ainda conservadas completam a minha melhor viagem dos últimos três anos.

O sucesso desse passeio depende – e muito – de alguns cuidados que você deve tomar. O Atacama é o deserto mais seco e mais alto do mundo. E mesmo que você viva em alguma cidade com baixa umidade do ar vai sentir olhos, bocas e garganta ressecarem já nas primeiras horas de passeio por lá. 

Como em qualquer deserto, as temperaturas são altas durante o dia (entre 28ºC e 35ºC) e caem drasticamente à noite (entre 2ºC e 10ºC). Se você for no inverno, os dias permanecem quentes, mas as noites serão gélidas com temperaturas caindo facilmente abaixo de zero. A listinha de itens essenciais não é grande, mas fundamental para evitar aborrecimentos.

Deserto do Atacama: o que levar na mala?

1. Roupas: leve agasalhos para as noites frias do deserto. Roupas leves também são importantes, afinal quase todos os passeios são feitos de dia. Eu usei quase o tempo todo uma camiseta branca de algodão, manga longa, sob o sol escaldante. Para os passeios que saem de madrugada como o que leva aos gêiseres, coloque muito agasalho, blusa de lã, meia de lã, gorro, luvas, calça corta-vento por debaixo da roupa… e ainda assim, desculpe, você vai passar frio! É absolutamente cortante.

2. Calçados: um par de tênis ou bota de caminhadas. Não é necessário nenhum tênis especial. Eu fui com meu All Star véio de guerra. A não ser que você faça fazer algum passeio que envolva trekking. Mas de uma maneira geral não existe nenhum tour pesado no Atacama.

3. Acessórios: chapéu (imprescindível!) ou boné, óculos de sol e garrafinhas de água. Em alguns passeios, caso você queira tomar banho nas termas ou na lagoa salgada, lembre-se de levar toalhas e traje de banho.

4. Kit-sobrevivência: carregue o tempo todo com você protetor labial, protetor solar e colírio que imita a lágrima (à venda nas farmácias). Algo muuuuito bem lembrado pela Ana Carolina na caixa de comentários é o soro fisiológico para hidratar o nariz.  Passe todos esses itens várias vezes ao dia, mesmo quando não sentir necessidade.Não se esqueça do creme hidratante para depois do banho. Acredite, se você NÃO seguir essas recomendações provavelmente terá problemas. A pele fica tão ressecada que chega a rachar. Os lábios serão os primeiros a sentir caso não sejam hidratados constantemente.

Orientações gerais: beba muita água e evite comida pesada e bebida alcoólica nas noites que antecedem os passeios de grande altitude como o Salar de Tara e o Gêiseres El Tatio. O chá de coca (que eu não tomei!) ajuda a diminuir os sintomas do Soroche - o mal das alturas.

Importante: não há hospital nem pronto socorro em San Pedro de Atacama. Apenas um ambulatório que funciona de dia. Atendimento médico com mais estrutura você encontra a 100 km dali, em Calama.

Foto: Raul Mattar

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Imagem da semana: Lagunas Altiplânicas, no Atacama | Chile


Clique na imagem para ampliar.

Foto: Raul Mattar

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Onde comer em San Pedro de Atacama

Ao ficar num apart-hotel – como nós fizemos no Atacama – faz supor que alguém quer (ou precisa) usar a cozinha. (Ah, sim, voltei a falar do Chile. Sei que você já não aguenta mais essa ladainha de neruda-santiago-psico-sour-concha-y-toro-atacama-gêiseres-de-el-tatio. Calma, já estamos nos posts-finalmente da série.)

Então, como eu ia dizendo, nosso foco não era exatamente conhecer todos os restaurantes do lugar. Até porque, já sabíamos, tudo era muito caro para os nossos padrões mão-de-vaca-muquirana. Como visitamos os mercadinhos e compramos frango assado com batata frita vááárias vezes na única asaduría de pollos da cidade (Calle Toconao, nº 424-B. Tel.: 55/851914) até não gastamos muito no quesito comida. Lembrando que nosso apart tinha um delicioso café da manhã e muitos dos passeios ou incluem o café ou o almoço ou ambos.

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No dia anterior ao tour que levava aos Gêiseres El Tatio, o recomendado era comer pouco, não tomar álcool e dormir cedo. Decidimos pelo simpático restaurante Milagro e pedimos o menú del día: tagliatelle ao pesto com queijo de cabra. A entrada era uma salada e a sobremesa, crepe com sorvete de creme. Incluía uma bebida não alcoólica. O banquete custava 7 mil pesos ou US$ 14,00 – por pessoa. Mas nós pedimos somente um e comemos os dois juntos para não encher muito a pança. Ainda assim, ficamos extremamente satisfeitos.

Do que eu não gostei neste lugar, mas só percebi quando estava lá dentro, é que a área de fumantes invade a de não fumantes porque o espaço é todo aberto. O cheiro de cigarro me incomodou um pouco. Mas a decoração era fofa. Tudo à meia-luz, havia uma lareira no meio (para aquecer as noites frias do deserto) e alguns lustres traziam poemas do poeta chileno Pablo Neruda.

Já no restaurante mais famoso de San Pedro de Atacama, o Café Adobe, fomos apenas petiscar. Caríssimo e lotado. Ou seja, o problema provavelmente não era deles e, sim, nosso – que não ganhamos em euros como a maioria dos clientes refestelados às mesas. Aqui, um risoto de quinoa (um grão super nutritivo típico dos Andes)  custava, em média, US$ 18 dólares! Lá eu provei uma quesadilla de queijo de cabra e tomate (eu estava fissurada no tal queijo de cabra) e o Raul investiu na Tabla Carnívora (lombo de porco, frango, batata e champignon).

Os dois pratinhos (as porções são modestas) para “beliscar” custaram quase 10 mil pesos, algo em torno de US$ 20,00. Não são valores absurdos se você está na… Europa, digamos. Mas o lugar é muito agradável, com decoração típica atacamenha e não tem o cheirim de tabaco do outro. :mrgreen:

Fotos: Raul Mattar

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Hospedagem em San Pedro de Atacama

Acredito que há poucos lugares no mundo com uma oferta tão democrática de hospedagem numa área tão pequena e inóspita como San Pedro de Atacama. Ao longo da calle Caracoles – a principal da cidade – há algumas dezenas de albergues e pousadinhas que cobram a partir de US$ 10,00 por um quarto coletivo. Não muito longe dali aparecem os hotéis que variam de meia-boca à categoria luxo.

Optamos pelo Parina Atacama, o primeiro apart-hotel de San Pedro, inaugurado há pouco mais de um ano. Está a 10 minutos caminhado do centrinho. As acomodações são duplex. Na parte de baixo, cozinha equipada, sala e banheiro com toalhas felpudas. Em cima, uma espaçosa e confortável cama. Tem televisão, wi-fi grátis e uma bicama, portanto acomoda até quatro pessoas, que são cobradas à parte. Diárias para casal a partir de US$ 120,00.  O café da manhã – servido no quarto – está incluído. Tudo novinho e atendimento absolutamente personalizado. Quando chegamos fomos recepcionados com bolo típico e suco. Fofo!

Para o meu padrão mão-de-vaca-muquirana pagar mais do que US$ 100,00 na hospedagem é quase um acinte a minha inteligência. Mas como se tratava de um deserto no fim do mundo – na minha concepção urbanóide – eu é que não ia ficar num pardieiro qualquer. Entenda: uma espelunca em Paris pode ser chamada de “casarão do século 16”. Já um muquifo no meio do deserto só pode ser chamado de… muquifo! Ficar hospedada num local padrão quatro estrelas contou muitos pontos para o êxito da minha viagem.

Outras opções de hospedagem em San Pedro de Atacama

Hospedagem Muquirana
Hostelling San Pedro
Albergue filiado à rede Hostelling International. Oferece camas em quartos coletivos a partir de US$ 10,00. Quartos duplos com banheiro compartilhado ficam em torno de US$ 36,00. Preços para associados à rede internacional de albergues. Café da manhã e lencóis incluídos. Só tenho coragem de indicar este porque foi o único albergue que visitei. A recepção é assustadora de tão feia. Mas os quartos são ajeitadinhos. Para conhecer outros hostales em San Pedro de Atacama, clique aqui.

Hospedagem Classe Média
Além do apart-hotel Parina Atacama (onde nos hospedamos) achei uma graça o Hotel Kimal. Bem próximo da rua principal, oferece um certo luxo sem cobrar valores de resort. O hotel, com café da manhã estilo buffet , recria a arquitetura atacamenha. Tem restaurante e piscina. Quarto duplo a partir de US$ 185,00.

Momento extravagância
Hotel Explora
Um luxuosíssimo complexo para deixar qualquer fresco/a deslumbrado/a. (Alguém chamou?) Três noites em quarto duplo saem por US$ 1920,00. Obviamente, tudo incluído – desde café da manhã, wi-fi e os principais passeios. No Brasil, eles disponibilizam um telefone para tirar dúvidas e maiores informações: (11) 8266 8110

Fotos: Matraca’s Image Bank

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Atacama: 5º dia | Gêiseres El Tatio

O que uma pessoa do meu naipe – que só conhece o bom humor acima dos 22 graus – vai fazer em um passeio que começa de madrugada, chega a muitos graus abaixo de zero e, ainda por cima, a 4.300 metros de altitude? Fiquei tensa desde a noite anterior. Escutei mil recomendações. Faça um jantar leve, não beba, durma cedo. O tour ao Gêiseres El Tatio é considerado o mais cruel pela maioria dos visitantes. A estrada que leva até o campo geotérmico é perigosa, cheia de curvas e sem sinalização. Além de sentir o mal das alturas (também chamado de soroche), alguns turistas ficam enjoados com a descompostura da van, que chacoalha sem parar.

Pois então… não senti nada (além de frio, claro!) O guia passou para nos pegar às 4h da madrugada. Entrei no veículo e dormi até o destino final. Os gêiseres do Atacama estão localizados na cordilheira andina, a 100 quilômetros de San Pedro – cidade base para explorar toda a região. São quase duas horas de viagem até lá. O fenômeno começa bem cedinho, mais ou menos às 6h da manhã. Enormes fumarolas escapam através de buracos e fendas no solo. Lençóis subterrâneos de água entram em contato com rochas quentes, provocando pequenas explosões. Alguns jatos chegam a 10 metros de altura, a quase 80ºC.

Na entrada do campo geotérmico – onde você compra o ingresso – há um termômetro. No dia em que fomos marcava 8 graus abaixo de zero. Uma espécie de “veranico”, digamos assim. No inverno pode chegar a 30 graus negativos. Obviamente que ao ver a temperatura já fui afetada psicologicamente e quase me atrevo a não sair do carro. Mas ao me aproximar da área, uma extensão de três quilômetros, com aquela visão que a gente tem só quando vê filmes do tipo Avatar entendi porque é considerado “o” principal passeio pela maioria.

É uma experiência sensorial. Você desce da van, encaranga devido ao frio, respira com dificuldade por causa da altura. Cinco passos são suficientes para observar a fotografia que o lugar proporciona. Começa tudo cinza.  As primeiras fotos do post não estão em preto e branco. Essa é a luz do local pouco antes do amanhecer. A composição é gerenciada pelo sol. Quando ele começa a aparecer, os gêiseres entram em ação com mais força. Há várias placas indicativas alertando para não se aproximar muito do fenômeno. Em menos de 20 minutos, o quadro ganha cores. O céu azulíssimo em contraste com as montanhas douradas. Ao redor desmedidas fumarolas brancas. (Aliás, tudo no Deserto do Atacama é enorme, colossal, gigantesco, imenso … desculpe-me se sou repetitiva).

Quarenta minutos após a nossa chegada os guias começam a preparar o café da manhã, servido ali mesmo. Em seguida, todos partem para uma piscina termal que fica no próprio campo geotérmico. Não há nenhuma infra-estrutura. Os interessados em dar um mergulhinho num bacião a 40ºC (lembrando que estamos abaixo de zero!) devem ir com o traje de banho por baixo da roupa. Eu? Se ainda houvesse exame médico no local para atestar que ninguém tem micose, frieira, pereba ou chulé… nem morrrrrta, santa!

Nosso último passeio, supostamente, acabava ali - no Piscinão de Ramos do Atacama. Mas como tudo no deserto reserva uma surpresinha no final, ao regressar dos gêiseres El Tatio conhecemos Machuca – um pueblo atacameño praticamente desabitado. Na única rua do vilarejo, o clássico da região: casas de barro, teto de palha e uma igrejinha ao fundo.

A meia dúzia de moradores dali espera ansiosa pelos visitantes diários que vão abocanhar os (carésimos) espetinhos de carne de lhama (2.500 pesos cada, cerca de US$ 5,00) e as empanadas de queijo de cabra (700 pesos ou US$ 1.50). Comi dois churrasquinhos e uma empanada – que era imensa – sozinha. O Raul não arriscou nem um, nem o outro. (Depois eu é que sou a fresca, né!)

Fotos: Raul Mattar (menos as do espetinho de lhama e a da empanada de queijo de cabra que pertencem ao Matraca’s Image Bank)

SERVIÇO:

Contratamos todos os passeios na agência Lickan Antay.
A desgramada não tem site. Fica na c/ Caracoles, 419 – Tel.: (+56) 55 591799 e 55 591800.
Valor do tour: 15 mil pesos (US$ 30,00)- por pessoa. Inclui café da manhã.
Valor da entrada: 3.500 pesos (US$ 7,00).

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Atacama: 4º dia | Lagunas Altiplânicas

Já disse aqui que o Salar de Tara é um dos passeios mais completos, mas o que leva às Lagunas Altiplânicas foi o meu preferido. Vamos percorrer pequenos povoados altiplânicos, ingressar no Salar de Atacama e conhecer as lagunas Miscanti e Meñiques, as mais chocantes de todo o deserto. Era para ter dado errado. Neste dia – nosso penúltimo aqui – a van contratada não apareceu para nos pegar no hotel. Um erro interno da agência. Sorte que eu tinha o telefone celular do dono da Lickan Antay, o amável Señor Jesús. Para resumir minha uma hora e meia de espera: acabaram enviando um motorista particular para o nosso passeio. (Você acha que eu gostei ou não?) :-)

A apenas 39 quilômetros de San Pedro está Toconao, a primeira parada. O vilarejo é quase um desatino na região mais seca do mundo. Rodeado por água doce – sem arsênico – se transformou num grande produtor de frutas e hortaliças. Os moradores de Toconao têm origem pré-hispânica, como quase todo mundo por essas bandas. Na arquitetura da cidade – que mais parece uma aldeia – é típica a liparita, uma pedra vulcânica branca, extraída de uma pedreira que fica a dois quilômetros dali. Na pracinha, uma igreja com o campanário do século 18 em frente, alguns cactos e lojinhas de artesanato.

Em quase todos os passeios você encontrará enormes regiões com salares. Mas existe o específico Salar de Atacama, onde fica a Laguna Chaxa – nosso segundo stop. Ao redor, uma abissal crosta de cristais de sal produzidos pela evaporação de águas salinas subterrâneas. É o segundo maior salar da Terra. Só perde para o Uyuni, o salar boliviano. Aqui é o lugar perfeito para observar flamingos – quase o tempo inteiro com o bico dentro da água procurando comida – e as gaivotas andinas.

Subindo mais um pouco, a quase 3.000 metros de altitude, está Socaire – outro povoado atacameño. Já foi uma cidade importante por causa das enormes minas de oro. Hoje tem apenas 380 habitantes e uma igreja feita de barro e argila, tombada pelo patrimônio nacional. Esta conhecido na região por oferecer comida típica. No meio do caminho encontramos com o Zorro Culpeo, uma raposinha em extinção. Na volta do passeio, nosso almoço foi aqui: cazuela de vacuno. Trocando em miúdos: sopa de carne com legumes. Sopa? No deserto? Meu filho, às duas horas da tarde você come até os dedos. Inclusive o Raul – que é bem chato em relação à comida – a-d-o-r-o-u!

Bem, depois de quatro dias já não tenho mais adjetivos nem criatividade para descrever o despautério que é esse lugar. Mas a 4.000 metros de altitude e a 18 quilômetros de Socaire, o encontro com elas – as lagunas Miscanti e Meñiques. Até o Raul deixou a máquina de lado e se sentou para observar o que parecia mais um delírio da natureza. Simples assim: uma erupção vulcânica do Meñiques, há um milhão de anos, provocou o estancamento das águas criando essas lagunas de intenso azul e margens brancas. Toda a região, para ajudar, é cercada por um matinho dourado (conhecido como paja brava), vicunhas e patos endêmicos. A descrição fica por sua conta.

Fotos: Raul Mattar (menos a última em que ele aparece fotografando que pertence ao Matraca’s Image Bank).

SERVIÇO:

Contratamos todos os passeios na agência Lickan Antay.
A desgramada não tem site. Fica na c/ Caracoles, 419 – Tel.: (+56) 55 591799 e 55 591800.
Valor do tour: 27 mil pesos (US$ 54,00)- por pessoa. Inclui café da manhã e almoço.
Valor da entrada na Laguna Chaxa (Salar de Atacama): 2 mil pesos (US$ 4,00)
Valor da entrada nas Lagunas Altiplânicas: 2 mil pesos (US$ 4,00)

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Atacama: 3º dia | Tarde: Lagunas Cejar e Tebinquiche

Toda e qualquer vaidade vão areia abaixo no terceiro dia no Deserto do Atacama. Não dá nem mais para pentear o cabelo. O chapéu toma conta. No rosto, camadas brancas de protetor solar. Nem o esmalte consegue esconder mais o encardido das unhas. Eu, que levo pouquíssima roupa na bagagem, tive que apelar para as lavanderias locais (depois entendi porque há tantas espalhadas por San Pedro de Atacama) para ter o que usar no resto da semana. Era a Cascuda em pessoa.

Depois do Tour Arqueológico na parte da manhã, nosso terceiro dia foi brindado com as Lagunas Cejar e Tebinquiche na parte da tarde. Quem diria, mas há lagoas (aos montes) no meio do deserto mais árido do mundo. A maioria é formada pela água de degelo das montanhas ou por lençóis subterrâneos. A Laguna Cejar é prima-irmã do Mar Morto em Israel – onde estive há 10 anos. De tão salgada, o corpo não afunda. As margens estão cristalizadas pelo sal e a água é verdinha, cercada por matinhos dourados e com o vulcão Licancabur ao fundo. (Aliás, ele sempre está emoldurando as paisagens aonde quer que você vá.)

Os mais atrevidos, despojados, intrépidos e corajosos arriscaram boiar na Laguna Cejar. Eu? Não, obrigada. Já tive essa experiência no Mar Morto. Ademais, uso lentes de contato. Qualquer gota daquela água salgada nos olhos seria um desastre para mim. Ah, tá bom. Arranjei uma desculpa. Foi preguiça mesmo. Como pude boiar em Israel, sei que é uma delícia. O efeito da gravidade provocado pelo excesso de sal causa um enorme relaxamento. Mas verifique se a agência contratada vai levar litros de água doce para você se enxaguar depois. O sal gruda no corpo e fica pinicando se não for retirado totalmente.

A parada na Laguna Cejar dura quase uma hora e meia. É recomendável não andar descalço nas margens. As crestas de sal são afiadas e podem cortar os pés. Avançamos mais um pouco e chegamos aos Ojos del Salar ou Ojos de Tebinquiche. Duas crateras enormes de água doce. Ninguém sabe ao certo como elas se formaram. Há os que arriscam que meteoros teriam caído ali há milhões de anos. (Adooro teoria conspiratória, sem pé nem cabeça). Quem não conseguiu retirar todo o sal do corpo com os galõezinhos de água levados pelos guias, tem uma nova oportunidade aqui.

Em seguida vamos à Laguna Tebinquiche, onde está previsto mais um por-do-sol acompanhado de snacks e pisco sour (bebida típica chilena que lembra nossa caipirinha) – oferecidos pelas agências. Como quase todos os lagos da região, o Tebinquiche depende do degelo das montanhas. O grande diferencial é que sua borda de sal é absurdamente grande e ao cair o sol um tom amarelado toma conta da paisagem. Com o Licancabur fazendo pose, ali atrás, claro.

Fotos: Raul Mattar (menos a penúltima em que ele aparece fotografando, que pertence ao Matraca’s Image Bank).

SERVIÇO:

Contratamos todos os passeios na agência Lickan Antay.
A desgramada não tem site. Fica na c/ Caracoles, 419 – Tel.: (+56) 55 591799 e 55 591800.
Valor do tour: 10 mil pesos (US$ 20,00). Inclui snacks, com refrigeremnate, suco e pisco sour.
Valor da entrada: 2 mil pesos (US$ 4,00)

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