Na categoria Descubra Brasil
quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas.
Receber o título de Patrimônio da Humanidade não é para qualquer um. Ou para qualquer lugar. Somente locais de extraordinária importância histórica, cultural ou natural passam a fazer parte da lista da UNESCO – órgão das Nações Unidas que fiscaliza o programa de catalogação dos sítios e certifica os escolhidos.
Os candidatos passam por um rigoroso e demorado processo de avaliação. Entre os critérios para se tornar patrimônio mundial estão apresentar uma tradição cultural única ou um conjunto arquitetônico singular e historicamente representativo ou ser uma obra-prima criativa e genial produzida pelo homem ou, por exemplo, ter um habitat natural significativo – entre outros atributos e características.
Dos 911 patrimônios mundiais, 18 estão no Brasil. Bem pouco por sinal. Só na Espanha – um tanto menor que o Brasil – são 42 locais destacados pela UNESCO. Sem contar que a preservação do Patrimônio da Humanidade deve ser constante. Só para a gente ter uma ideia, há algum tempo, o centro histórico das cidades de Ouro Preto, em Minas Gerais e de São Luís, no Maranhão corriam o risco de sair da lista oficial por falta de conservação.
Supimpa é saber que quase todos os nossos patrimônios listados são gratuitos e de fácil acesso. Veja quais são eles e inclua na sua próxima viagem temática, aquela que vai percorrer o melhor da nossa arquitetura, tradição, história e biosfera.
1. Cidade Histórica de Ouro Preto
Por que é Patrimônio da Humanidade: representa uma obra-prima do gênio criativo humano e abriga exemplares da arquitetura barroca de valor inestimável.
2. Centro Histórico de Olinda
Por que é Patrimônio da Humanidade: promoveu um intercâmbio considerável de valores humanos durante um determinado período ou em uma área cultural específica. Possui raros exemplares de construções religiosas – igrejas e conventos – do século 16.
3. Centro Histórico de Salvador
Por que é Patrimônio da Humanidade: está associado de alguma forma a acontecimentos ou tradições vivas ou com obras artísticas de significado excepcional para a humanidade. É ponto de encontro entre as culturas africanas, européias e americanas dos séculos 16 e 17.
4. Santuário de Bom Jesus de Matosinhos | Minas Gerais
Por que é Patrimônio da Humanidade: está no município de Congonhas a representação máxima do barroco mundial no Brasil. Os 12 profetas no adro da basílica e as capelas dos Passos – que representam a Paixão de Cristo – desvendam a excelência da obra de Aleijadinho.
5. Ruínas de São Miguel das Missões | Rio Grande do Sul
Por que é Patrimônio da Humanidade: é um exemplo excepcional de um conjunto arquitetônico que ilustra uma etapa significativa da história da humanidade. O consultor da UNESCO quando esteve no Brasil para visitar as ruínas, comparou a importância da construção ao Coliseu de Roma e à Acrópole, em Atenas.
6. Parque Nacional do Iguaçu | Paraná
Por que é Patrimônio da Humanidade: as cataratas são consideradas fenômenos naturais extraordinários e de importância estética e natural incomum, além do parque fazer parte de um habitat natural para a conservação da diversidade biológica.
7. Brasília | Distrito Federal
Por que é Patrimônio da Humanidade: foi a primeira cidade moderna do mundo a entrar para a lista de patrimônios da UNESCO. Destaque para a criatividade humana com exemplo de um tipo de arquitetura que ilustra uma etapa significativa da história nacional.
8. Parque Nacional da Serra da Capivara | Piauí
Por que é Patrimônio da Humanidade: revela um testemunho singular e representativo de uma civilização que desapareceu, preservando os vestígios mais antigos de ocupação humana da América do Sul.
9. Centro Histórico de São Luis | Maranhão
Por que é Patrimônio da Humanidade: testemunha de tradições culturais, exemplo significativo de conjunto arquitetônico. Cogitou-se recentemente a possível perda do título dado o abandono dos casarões coloniais.
10. Centro Histórico de Diamantina | Minas Gerais
Por que é Patrimônio da Humanidade: conseguiu promover um intercâmbio rico de valores humanos durante um determinado período histórico, no desenvolvimento das artes, monumentos e estilos arquitetônicos.
11. Costa do Descobrimento | Reservas Florestais da Mata Atlântica
Por que é Patrimônio da Humanidade: tem a maior faixa contínua desse ecossistema, um dos mais ameaçados do planeta. A área é considerada habitat natural para a conservação da diversidade biológica.
12. Mata Atlântica | Reservas do Sudeste
Por que é Patrimônio da Humanidade: a Mata Atlântica é exemplo representativo de processos ecológicos e biológicos que contribuem para o desenvolvimento dos escossistemas marinhos e terrestres.
13. Parque Nacional do Jaú | Amazonas
Por que é Patrimônio da Humanidade: é o maior parque de florestas tropicais contínuas do mundo, com variedade biológica de um ecossistema único.
14. Área de Conservação do Pantanal
Por que é Patrimônio da Humanidade: localizada no município de Poconé, a região é formada por um complexo de quatro áreas preservadas com rica fauna, flora e imensa planície alagável de beleza excepcional.
15. Ilhas Atlânticas Brasileiras
Por que é Patrimônio da Humanidade: o arquipélago de Fernando de Noronha e o Atol das Rocas são os únicos pontos no Atlântico Sul com um sem fim de espécies de aves fixas e migratórias. As piscinas naturais revelam uma diversidade excepcional de peixes. Fernando de Noronha abriga, ainda, a maior concentração de golfinhos rotadores do planeta.
16. Áreas de Conservação do Cerrado | Goiás
Por que é Patrimônio da Humanidade: abrange dois parques nacionais – o da Chapada dos Veadeiros e o das Emas. Tem animais e plantas endêmicos – que não podem ser vistos (ou não existem) em outros lugares. É um dos ecossistemas mais antigos do mundo.
17. Centro Histórico da Cidade de Goiás | Goiás
Por que é Patrimônio da Humanidade: é um marco histórico e arquitetônico. Passou a ser símbolo do modo de construção europeu adaptado ao clima e topografia brasileiros. Em tempo: aqui nasceu e viveu a poetisa Cora Coralina.
18. Praça São Francisco de São Cristóvão | Sergipe
Por que é Patrimônio da Humanidade: localizada no município que foi a primeira capital do Sergipe, a praça São Cristóvão é quatrocentona e está totalmente preservada. Mantém intactas as construções coloniais com quase nenhuma deformação em sua estrutura ou estética.
Foto: Raul Mattar
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Texto originalmente publicado na minha coluna “Viagens Econômicas e Inteligentes”, que sai no portal
Descubra Brasil.
quarta-feira, 06 de outubro de 2010

Tenho mania de colecionar certificados e diplomas. Deve ser algum complexo de inferioridade ou medo de ficar – ou parecer – burra. Não que certificados e diplomas deixem a gente mais inteligente, mas estudar e conhecer nunca teve nenhuma contra-indicação.
O fato de estudar (e isso pode incluir apenas ler um bom livro ou assistir a um bom filme) só me torna uma pessoa melhor: mais centrada nos meus propósitos, voltada aos meus projetos e menos preocupada com a vida dos outros. Até que no meio dessas histórias e cursos eu resolvi começar a viajar.
Aos 14 anos fiz uma excursão com os amigos do colégio. Fui para a Serra Gaúcha. Conheci em uma semaninha Garibaldi, Bento Gonçalves, Canela, Gramado, vinícolas e um dos melhores chocolates do Brasil. Naqueles sete dias aprendi tanta coisa, vi tanta gente, conheci tanta história, tantos personagens… que matutei: quando eu crescer quero ser VIAJANTE!
Mas resolvi ser jornalista e a coisa degringolou de vez. Comecei a ter más companhias e, com outra jornalista, fiz minha primeira viagem para a Europa, depois para o Oriente Médio, África e outras tantas pelo Brasil. Até que um dia, discutindo sobre antropologia – tema que domino lhufas – com um grupo de amigos, um deles lança: pergunta para a Silvinha, ela é viajada!
Foi aí que me dei conta: ser viajada nos inclui naquele seleto grupo de pessoas que todo mundo acha que pode opinar sobre história, política, museus, astronomia, moda, horóscopo e até antropologia!!!
Acontece que viajar não nos dá esse passaporte para o mundo do conhecimento, assim, de bandeja. Vai conhecer Manaus? Tem de ler sobre o ciclo da borracha. Gostaria de ver de perto o Alhambra, em Granada? Entenda o que foi o domínio árabe na Espanha. Quer ir para Blumenau? É recomendável buscar alguma informação sobre os fluxos migratórios do sul. Está interessado na Rota do Vinho chilena? Aprenda sobre taninos.
É claro, os viajados e as viajadas não estão habilitados a sair dando opinião sobre tudo ou qualquer coisa. Principalmente aqueles que viajam só em excursão, nunca pegam um metrô, não visitam as feiras livres, nem se interessam pelos personagens do lugar. Mas ainda que seja um título poético, o de viajada é o meu preferido. Afinal, não precisa nem ser rico para ter um.
Foto: Matraca’s Image Bank
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Texto originalmente publicado na minha coluna “Viagens Econômicas e Inteligentes”, que sai no portal Descubra Brasil.
terça-feira, 11 de maio de 2010

Aprendo a viajar melhor ano após ano. Descobri que não preciso derriçar uma capital em dois dias – nem a Europa em 30. Avancei duas casas quando me dei conta de que não é mandatório ficar à base de pão, água (de torneira) e Mc Donald’s para chamar uma viagem de muquirana. Porque pobre-pé-rapado é quem sai de férias e não se dá o direito de ser feliz. Seja gastando muito ou pouco.
Meu desafio tem sido identificar o que realmente é importante para mim quando faço as malas. Mais do que visitar pontos turísticos interessantes – muitas vezes chamados erroneamente de obrigatórios na bíblia de alguns viajantes – eu busco experiências gastronômicas regionais. Se eu tirar uma foto no centro histórico de Olinda, por exemplo, vou poder me lembrar por muito tempo do resultado. Mas não do processo. Fica a lembrança. Nem sempre a consequência.
Já observar o preparo de uma tapioca chamejante, recheada cuidadosamente com queijo coalho e coco ralado e, em seguida, saborear o quitute – que alterna um leve crocante com recheio cremoso – marca para sempre sua história de viagem. Concordo: às vezes, o efeito da experiência não só provoca uma “consequência” na sua biografia, mas se torna quase uma sequela. Na primeira e única vez que provei uma buchada de bode, há poucas semanas em Maceió, tive um revertério. Passei o dia seguinte – forçada – comendo maçã.
É que experiências gastronômicas regionais exigem um caminho, um método, alguma técnica, um pouco de ginga. Arte. Principalmente reverência. Pode ser num restaurante sofisticado ou num bar pé-sujo. No café do museu ou à beira-mar. Vai do milho cozido ao caldinho de sururu, da moqueca capixaba ao acarajé baiano, do sanduíche de tucumã manauara ao bolinho de macaxeira potiguar, do sarapatel ao barreado paranaense, do arroz com pequi goiano ao pão de queijo mineiro. Sem esquecer a pizza de coração gaúcha! Tão tradicional quanto as ostras de Floripa.
Falamos de uma espécie de patrimônio imaterial. Uma relação delicada entre viajante e destino. O que eu chamo, meramente, de profunda amizade: ambos – cada um a seu modo – se afinam, modestos e despretensiosos, para recriar as condições adequadas que ajudam a perpetuar o sabor de cada lugar.
Foto: Bolinho de Macaxeira, em Natal. (Matraca’s Image Bank)
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Texto originalmente publicado na minha coluna “Viagens Econômicas e Inteligentes”, que sai toda semana no portal Descubra Brasil.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Viajar 100% mão-de-vaca-muquirana é deprimente. A inhaca começa quando você passa a restringir passeios importantes, abreviar os restaurantes, encurtar as saídas noturnas, diminuir o investimento em souvenires, tipassim, “corta o imã de geladeira”. Desejo sorte, mas aviso: sua viagem acaba antes mesmo de começar.
Não se trata de desrespeitar um orçamento restrito. Proponho apenas abrir a mente para entender que momentos de extravagância devem fazer parte do seu roteiro. Aprenda a identificar as experiências de luxo que mais combinam com seu estilo e expectativas de prazer. Em muitos casos, elas nem são tão caras como você poderia supor.
Ninguém está falando para deixar o salário do mês em algum restaurante estrelado para comer duas tirinhas de carne enfeitadas com um ramo de salsinha se a alta gastronomia não significa nada para você ou para sua família. O foco do momento-extravagância deve ser algo dentro da sua capacidade de investimento, mas que proporcione uma vivência singular e diferente do seu dia a dia.
Experimente almoçar no restaurante do MASP – o mais importante museu de arte da América Latina. Servem um bufê em estilo self-service com uma grande variedade de pratos – do bacalhau à anchova grelhada, do salmão ao filé mignon. Gasta-se entre R$ 25,00 e R$ 40,00. A pompa está justamente no lugar e na companhia: um acervo espetacular com grandes nomes da pintura.
Você aprecia vinhos? Ah, sei, o orçamento apertado sempre impede de trazer aquele Malbec queridinho. Eu não voltaria frustrada. Procuraria as melhores casas do ramo no meu destino e torraria logo umas cinquenta pilas num abridor alemão dois estágios – seja lá o que querem dizer com isso. Assim, eu não teria apenas uma única garrafa para compartilhar com os amigos uma única vez, mas um acessório sofisticado para exibir a vida inteira.
Não pode comprar, mas quer apurar o gosto? Pague R$ 20 por quatro horas de estacionamento na Daslu – o templo do consumo de luxo no Brasil. Já no Duty-Free você sempre lança aquele olhar lânguido e pidoncho para cima dos chocolates belgas, mas acha um absurdo pagar R$ 30,00 (algo em torno de US$ 17) em uma barra de 250 g? Peralá, pense. Por que não fazer desse investimento um momento-extravagância? Primeiro, você deseja profundamente aquilo. Segundo, vai desfrutar de forma colossal. Terceiro, você não vai ficar R$ 30 mais pobre. Vai ficar alguns anos mais feliz! Estado que, convenhamos, nenhum dinheiro pode comprar.
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Texto originalmente publicado na minha coluna “Viagens Econômicas e Inteligentes”, que sai toda semana no portal Descubra Brasil.
segunda-feira, 19 de abril de 2010

De fato. Não existe lugar tão acolhedor quanto a nossa casa. Mesmo assim, o retorno não deixa de ser o momento mais ignorante do passeio. A volta é um choque anafilático.
Quase sempre vem junto com uma depressão – ou gripe – que se agrava quando você confirma todos os voos finais. Tudo conspira contra. Minha mãe provavelmente utilizaria a expressão estou na fossa para descrever o quadro.
Na ida, se você vai de São Paulo a Berlim, com escala em Londres, trata-se de conexão internacional. Na volta, o mesmo trajeto passa a ser chamado de pinga-pinga. Na ida, a classe econômica é quase uma executiva. Parece ter mais espaço, o banco reclina mais e as aeromoças são mais simpáticas. Até a comida do avião é maneira.
Já na volta parece que estamos em um teco-teco, sem classe nenhuma e toda pergunta dos comissários tipo “água ou café?” chega a ser uma grosseria. Se no começo da odisséia eu era a desbravadora de mundos agora sou um ser secundário, sem dinheiro, reduzido à insignificante figura de um viajante voltando para casa.
Ao embarcar para o novo destino o tio da alfândega é nosso camarada. Conhecido de muitos check-ins. A gente só mostra o passaporte e escuta a sonora sinfonia “boa viagem!”. Na volta, ele se transforma no homem do saco que, com certeza, vai revistar minha mala e perguntar em tom ríspido o que vou fazer com tanto azeite de oliva.
A volta é uma espécie de pelourinho. É como queimar a língua. Prender o dedo na porta. Bater o cotovelo na quina. É como nariz entupido. Torcicolo. O fim de um caso de amor. Dói. Aaah, mas como é bom abrir a porta de casa. O alento de que a gente precisa para planejar a próxima… ida.
Texto originalmente publicado na minha coluna “Viagens Econômicas e Inteligentes”, que sai toda semana no portal Descubra Brasil.
terça-feira, 30 de março de 2010

O Brasil não tem tanta tradição em viagens de trem. Pelo menos não como na Europa, onde andar sobre trilhos é mais do que um meio de transporte – é uma questão cultural. No nosso caso, falta uma malha ferroviária que cubra todo o país ou que, pelo menos, ligue centros importantes. A falta de tradição em trens de passageiros acaba ofuscando lindos trajetos que podemos fazer contemplando a paisagem, em meio a serras e rios – ao som de um lúcido piuiii.
Talvez seja por isso que qualquer passeio de maria-fumaça é um encanto à parte nos destinos que oferecem essa opção. Nem sempre é um tour barato, mas está muito longe de ser impraticável. O Brasil está cheio deles, cada um com características próprias. Escolha aquele que mais combina com você e inclua no seu repertório ói, ói o trem…
ESPÍRITO SANTO
O Trem das Montanhas Capixabas veio reacender uma zona potencialmente turística do Espírito Santo. A rota – inaugurada há três meses – começa em Viana (que está a 22 quilômetros da capital, Vitória), passa por Domingos Martins, Marechal Floriano até chegar à estação de Araguaia. São 2h40 de viagem. Uma generosa paisagem da serra, do mar e da Mata Atlântica – com pontes, túneis e cachoeiras – fazem do passeio algo imperdível para quem vai visitar o estado. O ticket custa R$ 86,00 (avulso) ou R$ 122,00 (comprando ida e volta no mesmo dia). Os capixabas têm desconto de 15%.
MINAS GERAIS
De Ouro Preto até Mariana, a Maria Fumaça percorre a serra durante uma hora. Mas antes mesmo de embarcar, é possível aprender um pouco mais sobre a história das ferrovias durante o Ciclo do Ouro em um das salas da estação. Dica: sente-se do lado direito para ver a maioria das atrações e, de preferência, no último vagão para pegar a melhor foto do trem na curva. O passeio custa R$ 30,00 (ida e volta) ou R$ 18,00 só a ida. Para voltar de ônibus são R$ 2,20. De sexta a domingo, saídas às 11h e às 16h. Não tem site. Mais informações: 31/ 3551.7705.
PANTANAL
Depois de 20 anos parado, o Trem do Pantanal voltou a transportar passageiros no ano passado. A viagem de 220 quilômetros – entre Campo Grande e Miranda – leva cerca de 11 horas. Desse tempo, desconte duas horas e meia para o almoço em Aquiduana. Há quatro categorias de vagões: econômica, turística, executiva e camarote. Há também um vagão-bar. Por enquanto, só funciona nos fins de semana e feriados. Custa R$ 39,00 por pessoa na econômica ou R$ 800,00 no camarote – valor dividido pelos oito lugares.
PARANÁ
A Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá, inaugurada no século 19, tem 150 quilômetros e percorre um lindo trecho da Serra do Mar – um pedaço do Paraná reconhecido pela UNESCO como Reserva da Biosfera. O passeio liga Curitiba-Morretes-Paranaguá. Na categoria econômica são R$ 39,00 e na classe executiva a passagem está R$ 66,00. Às segundas feiras, pessoas com mais de 60 anos ganham 50% de desconto – promoção válida nas classes turística, executiva e litorina, exceto feriados.
RIO GRANDE DO SUL
Na Serra Gaúcha a boa-praça Maria Fumaça vai de Bento Gonçalves a Carlos Barbosa, passando por Garibaldi. A locomotiva – recuperada de um depósito de sucata ferroviária – faz o trajeto de 23 quilômetros em 1h30min. O passeio é animado por músicos e oferece degustação de vinho e champanhe na parada em Garibaldi. Mais de 60 mil turistas fazem essa viagem a cada ano. Saídas quartas e sábados, às 9h e às 14h. A passagem custa R$ 55,00 (inclui ingresso para o show Epopeia Italiana). Convém reservar. Não tem site. Mais informações: 54/3455.2788.
SÃO PAULO
Em Campos do Jordão , saindo da Vila Capivari, é possível ir de trem até Santo Antônio do Pinhal. Um passeio simples, que dura 2h30. O trecho mais bonito é o do bairro Alto do Lajeado, a 1740 metros de altitude. Mas é melhor se o dia estiver limpo. Em Santo Antônio do Pinhal, a graça é provar o bolinho de bacalhau da lanchonete da estação. Em julho, alta temporada na cidade, há saídas em diversos horários, a partir das 10h (durante a semana) e das 9h30 (sábados e domingos). O passeio custa R$ 35,00 – ida e volta.
Foto: Raul Mattar
Texto originalmente publicado na minha coluna “Viagens Econômicas e Inteligentes”, que sai toda semana no portal Descubra Brasil.
O Brasil não tem tanta tradição em viagens de trem. Pelo menos não como na Europa, onde andar sobre trilhos é mais do que um meio de transporte – é uma questão cultural. No nosso caso, falta uma malha ferroviária que cubra todo o país ou que, pelo menos, ligue centros importantes. A falta de tradição em trens de passageiros acaba ofuscando lindos trajetos que podemos fazer contemplando a paisagem, em meio a serras e rios – ao som de um lúcido piuiii.
Talvez seja por isso que qualquer passeio de maria-fumaça é um encanto à parte nos destinos que oferecem essa opção. Nem sempre é um tour barato, mas está muito longe de ser impraticável. O Brasil está cheio deles, cada um com características próprias. Escolha aquele que mais combina com você e inclua no seu repertório ói, ói o trem…
ESPÍRITO SANTO
O Trem das Montanhas Capixabas (www.tremdasmontanhascapixabas.com.br) veio reacender uma zona potencialmente turística do Espírito Santo. A rota – inaugurada há três meses – começa em Viana (que está a 22 quilômetros da capital, Vitória), passa por Domingos Martins, Marechal Floriano até chegar à estação de Araguaia. São 2h40 de viagem. Uma generosa paisagem da serra, do mar e da Mata Atlântica – com pontes, túneis e cachoeiras – fazem do passeio algo imperdível para quem vai visitar o estado. O ticket custa R$ 86,00 (avulso) ou R$ 122,00 (comprando ida e volta no mesmo dia). Os capixabas têm desconto de 15%.
MINAS GERAIS
De Ouro Preto até Mariana, a Maria Fumaça percorre a serra durante uma hora. Mas antes mesmo de embarcar, é possível aprender um pouco mais sobre a história das ferrovias durante o Ciclo do Ouro em um das salas da estação. Dica: sente-se do lado direito para ver a maioria das atrações e, de preferência, no último vagão para pegar a melhor foto do trem na curva. O passeio custa R$ 30,00 (ida e volta) ou R$ 18,00 só a ida. Para voltar de ônibus são R$ 2,20. De sexta a domingo, saídas às 11h e às 16h. Não tem site. Mais informações: 31/ 3551.7705.
PANTANAL
Depois de 20 anos parado, o Trem do Pantanal (www.pantanalexpress.com) voltou a transportar passageiros no ano passado. A viagem de 220 quilômetros – entre Campo Grande e Miranda – leva cerca de 11 horas. Desse tempo, desconte duas horas e meia para o almoço em Aquiduana. Há quatro categorias de vagões: econômica, turística, executiva e camarote. Há também um vagão-bar. Por enquanto, só funciona nos fins de semana e feriados. Custa R$ 39,00 por pessoa na econômica ou R$ 800,00 no camarote – valor dividido pelos oito lugares.
PARANÁ
A Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá (www.serraverdeexpress.com.br), inaugurada no século 19, tem 150 quilômetros e percorre um lindo trecho da Serra do Mar – um pedaço do Paraná reconhecido pela UNESCO como Reserva da Biosfera. O passeio liga Curitiba-Morretes-Paranaguá. Na categoria econômica são R$ 39,00 e na classe executiva a passagem está R$ 66,00. Às segundas feiras, pessoas com mais de 60 anos ganham 50% de desconto – promoção válida nas classes turística, executiva e litorina, exceto feriados.
RIO GRANDE DO SUL
Na Serra Gaúcha a boa-praça Maria Fumaça vai de Bento Gonçalves a Carlos Barbosa, passando por Garibaldi. A locomotiva – recuperada de um depósito de sucata ferroviária – faz o trajeto de 23 quilômetros em 1h30min. O passeio é animado por músicos e oferece degustação de vinho e champanhe na parada em Garibaldi. Mais de 60 mil turistas fazem essa viagem a cada ano. Saídas quartas e sábados, às 9h e às 14h. A passagem custa R$ 55,00 (inclui ingresso para o show Epopeia Italiana). Convém reservar. Não tem site. Mais informações: 54/3455.2788.
SÃO PAULO
Em Campos do Jordão (www.camposdojordao.com.br), saindo da Vila Capivari, é possível ir de trem até Santo Antônio do Pinhal. Um passeio simples, que dura 2h30. O trecho mais bonito é o do bairro Alto do Lajeado, a 1740 metros de altitude. Mas é melhor se o dia estiver limpo. Em Santo Antônio do Pinhal, a graça é provar o bolinho de bacalhau da lanchonete da estação. Em julho, alta temporada na cidade, há saídas em diversos horários, a partir das 10h (durante a semana) e das 9h30 (sábados e domingos). O passeio custa R$ 35,00 – ida e volta.
segunda-feira, 22 de março de 2010

Todo mercadão tem uma boa estória para contar. Apesar de não ser mais um local de pechincha como antigamente, geralmente a arquitetura já vale a visita. Quase sempre instalados em construções antigas, os mercadões acabaram virando grifes nas cidades. Até existem alguns mais fajutos, jecas, muquifos ou fuleiros do que outros. Mas eles, assim como as feiras, deveriam ser o ponto de partida da sua incursão aonde quer que vá. É que eles oferecem um desfile único de cheiros, sabores, roupas e pessoas – incluindo aí gente egocêntrica e esquisita – num inusitado tour sócio-antropológico.
No Mercadão de Curitiba, por exemplo, um olhar desavisado não vai achar nada diferente. Já uma vista disposta perceberá o mercadão da capital paranaense como único. Em vez de ficar babando nas bancas bem montadas dê uma olhadinha para cima. Lá estão elas. Placas enormes penduradas no teto com poesias de Paulo Lemenski, Helena Kolody, Alice Ruiz – entre outros poetas e escritores do estado.
Já o Mercado Municipal Adolpho Lisboa de Manaus – que atualmente passa por reformas – foi construído nos tempos áureos do Ciclo da Borracha. É todo em art nouveau, bem rococó. Foi inspirado no extinto mercado Les Halles, de Paris. Um produto vendido a rodo por aqui é o tucupi: um molho amarelo extraído da mandioca brava usado em diversos pratos da Amazônia. O armazenamento é bem informal (nesse caso, vou resmungar: informal demais para o meu gosto). O líquido fica exposto em tonéis – para você levar a granel quanto desejar ou já vem em embalagens “próprias” de garrafas pet.
Tradição, cultura popular e religião fazem do Mercado Central de Belo Horizonte um dos lugares mais agradáveis da cidade. Desde comida mineira passando por ingredientes típicos e artesanato regional, é aquele tipo de lugar onde a gente acha que encontra de tudo – ou quase tudo. O Mercado Municipal Antônio Valente de Campo Grande tem origem numa feira livre que até os anos 50 ocupou uma grande área margeando os trilhos da Noroeste entre a Avenida Afonso Pena e a Rua 7 de Setembro. É um marco na capital sul-mato-grossense e principal ponto de encontro aos domingos de manhã.
O tradicionalésimo sanduíche de mortadela do Bar do Mané – no Mercado Municipal de São Paulo custa R$ 9,00. A “iguaria” é a paixão dos paulistanos. Está para São Paulo assim como o pierogui (um tipo de pastel polonês) para os curitibanos. Mulheres de salto e homens de gravata ali, paradinhos, em pé, comendo o sandubão na hora do almoço. Vem com 300 gramas de mortadela e pão fresquinho. Quando pedi o meu, não aguentei comer o “tira-gosto” inteiro – por isso – dividido por dois, fica R$ 4,50 para cada. O pacotinho de Estomazil efervescente custa R$ 0,80. Você ainda sai no lucro.
Foto: Mercado Municipal de Curitiba (Raul Mattar)
Texto originalmente publicado na minha coluna “Viagens Econômicas e Inteligentes”, que sai toda semana no portal Descubra Brasil.