Na categoria Descubra Brasil
terça-feira, 11 de maio de 2010

Aprendo a viajar melhor ano após ano. Descobri que não preciso derriçar uma capital em dois dias – nem a Europa em 30. Avancei duas casas quando me dei conta de que não é mandatório ficar à base de pão, água (de torneira) e Mc Donald’s para chamar uma viagem de muquirana. Porque pobre-pé-rapado é quem sai de férias e não se dá o direito de ser feliz. Seja gastando muito ou pouco.
Meu desafio tem sido identificar o que realmente é importante para mim quando faço as malas. Mais do que visitar pontos turísticos interessantes – muitas vezes chamados erroneamente de obrigatórios na bíblia de alguns viajantes – eu busco experiências gastronômicas regionais. Se eu tirar uma foto no centro histórico de Olinda, por exemplo, vou poder me lembrar por muito tempo do resultado. Mas não do processo. Fica a lembrança. Nem sempre a consequência.
Já observar o preparo de uma tapioca chamejante, recheada cuidadosamente com queijo coalho e coco ralado e, em seguida, saborear o quitute – que alterna um leve crocante com recheio cremoso – marca para sempre sua história de viagem. Concordo: às vezes, o efeito da experiência não só provoca uma “consequência” na sua biografia, mas se torna quase uma sequela. Na primeira e única vez que provei uma buchada de bode, há poucas semanas em Maceió, tive um revertério. Passei o dia seguinte – forçada – comendo maçã.
É que experiências gastronômicas regionais exigem um caminho, um método, alguma técnica, um pouco de ginga. Arte. Principalmente reverência. Pode ser num restaurante sofisticado ou num bar pé-sujo. No café do museu ou à beira-mar. Vai do milho cozido ao caldinho de sururu, da moqueca capixaba ao acarajé baiano, do sanduíche de tucumã manauara ao bolinho de macaxeira potiguar, do sarapatel ao barreado paranaense, do arroz com pequi goiano ao pão de queijo mineiro. Sem esquecer a pizza de coração gaúcha! Tão tradicional quanto as ostras de Floripa.
Falamos de uma espécie de patrimônio imaterial. Uma relação delicada entre viajante e destino. O que eu chamo, meramente, de profunda amizade: ambos – cada um a seu modo – se afinam, modestos e despretensiosos, para recriar as condições adequadas que ajudam a perpetuar o sabor de cada lugar.
Foto: Bolinho de Macaxeira, em Natal. (Matraca’s Image Bank)
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Texto originalmente publicado na minha coluna “Viagens Econômicas e Inteligentes”, que sai toda semana no portal Descubra Brasil.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Viajar 100% mão-de-vaca-muquirana é deprimente. A inhaca começa quando você passa a restringir passeios importantes, abreviar os restaurantes, encurtar as saídas noturnas, diminuir o investimento em souvenires, tipassim, “corta o imã de geladeira”. Desejo sorte, mas aviso: sua viagem acaba antes mesmo de começar.
Não se trata de desrespeitar um orçamento restrito. Proponho apenas abrir a mente para entender que momentos de extravagância devem fazer parte do seu roteiro. Aprenda a identificar as experiências de luxo que mais combinam com seu estilo e expectativas de prazer. Em muitos casos, elas nem são tão caras como você poderia supor.
Ninguém está falando para deixar o salário do mês em algum restaurante estrelado para comer duas tirinhas de carne enfeitadas com um ramo de salsinha se a alta gastronomia não significa nada para você ou para sua família. O foco do momento-extravagância deve ser algo dentro da sua capacidade de investimento, mas que proporcione uma vivência singular e diferente do seu dia a dia.
Experimente almoçar no restaurante do MASP – o mais importante museu de arte da América Latina. Servem um bufê em estilo self-service com uma grande variedade de pratos – do bacalhau à anchova grelhada, do salmão ao filé mignon. Gasta-se entre R$ 25,00 e R$ 40,00. A pompa está justamente no lugar e na companhia: um acervo espetacular com grandes nomes da pintura.
Você aprecia vinhos? Ah, sei, o orçamento apertado sempre impede de trazer aquele Malbec queridinho. Eu não voltaria frustrada. Procuraria as melhores casas do ramo no meu destino e torraria logo umas cinquenta pilas num abridor alemão dois estágios – seja lá o que querem dizer com isso. Assim, eu não teria apenas uma única garrafa para compartilhar com os amigos uma única vez, mas um acessório sofisticado para exibir a vida inteira.
Não pode comprar, mas quer apurar o gosto? Pague R$ 20 por quatro horas de estacionamento na Daslu – o templo do consumo de luxo no Brasil. Já no Duty-Free você sempre lança aquele olhar lânguido e pidoncho para cima dos chocolates belgas, mas acha um absurdo pagar R$ 30,00 (algo em torno de US$ 17) em uma barra de 250 g? Peralá, pense. Por que não fazer desse investimento um momento-extravagância? Primeiro, você deseja profundamente aquilo. Segundo, vai desfrutar de forma colossal. Terceiro, você não vai ficar R$ 30 mais pobre. Vai ficar alguns anos mais feliz! Estado que, convenhamos, nenhum dinheiro pode comprar.
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Texto originalmente publicado na minha coluna “Viagens Econômicas e Inteligentes”, que sai toda semana no portal Descubra Brasil.
segunda-feira, 19 de abril de 2010

De fato. Não existe lugar tão acolhedor quanto a nossa casa. Mesmo assim, o retorno não deixa de ser o momento mais ignorante do passeio. A volta é um choque anafilático.
Quase sempre vem junto com uma depressão – ou gripe – que se agrava quando você confirma todos os voos finais. Tudo conspira contra. Minha mãe provavelmente utilizaria a expressão estou na fossa para descrever o quadro.
Na ida, se você vai de São Paulo a Berlim, com escala em Londres, trata-se de conexão internacional. Na volta, o mesmo trajeto passa a ser chamado de pinga-pinga. Na ida, a classe econômica é quase uma executiva. Parece ter mais espaço, o banco reclina mais e as aeromoças são mais simpáticas. Até a comida do avião é maneira.
Já na volta parece que estamos em um teco-teco, sem classe nenhuma e toda pergunta dos comissários tipo “água ou café?” chega a ser uma grosseria. Se no começo da odisséia eu era a desbravadora de mundos agora sou um ser secundário, sem dinheiro, reduzido à insignificante figura de um viajante voltando para casa.
Ao embarcar para o novo destino o tio da alfândega é nosso camarada. Conhecido de muitos check-ins. A gente só mostra o passaporte e escuta a sonora sinfonia “boa viagem!”. Na volta, ele se transforma no homem do saco que, com certeza, vai revistar minha mala e perguntar em tom ríspido o que vou fazer com tanto azeite de oliva.
A volta é uma espécie de pelourinho. É como queimar a língua. Prender o dedo na porta. Bater o cotovelo na quina. É como nariz entupido. Torcicolo. O fim de um caso de amor. Dói. Aaah, mas como é bom abrir a porta de casa. O alento de que a gente precisa para planejar a próxima… ida.
Texto originalmente publicado na minha coluna “Viagens Econômicas e Inteligentes”, que sai toda semana no portal Descubra Brasil.
terça-feira, 30 de março de 2010

O Brasil não tem tanta tradição em viagens de trem. Pelo menos não como na Europa, onde andar sobre trilhos é mais do que um meio de transporte – é uma questão cultural. No nosso caso, falta uma malha ferroviária que cubra todo o país ou que, pelo menos, ligue centros importantes. A falta de tradição em trens de passageiros acaba ofuscando lindos trajetos que podemos fazer contemplando a paisagem, em meio a serras e rios – ao som de um lúcido piuiii.
Talvez seja por isso que qualquer passeio de maria-fumaça é um encanto à parte nos destinos que oferecem essa opção. Nem sempre é um tour barato, mas está muito longe de ser impraticável. O Brasil está cheio deles, cada um com características próprias. Escolha aquele que mais combina com você e inclua no seu repertório ói, ói o trem…
ESPÍRITO SANTO
O Trem das Montanhas Capixabas veio reacender uma zona potencialmente turística do Espírito Santo. A rota – inaugurada há três meses – começa em Viana (que está a 22 quilômetros da capital, Vitória), passa por Domingos Martins, Marechal Floriano até chegar à estação de Araguaia. São 2h40 de viagem. Uma generosa paisagem da serra, do mar e da Mata Atlântica – com pontes, túneis e cachoeiras – fazem do passeio algo imperdível para quem vai visitar o estado. O ticket custa R$ 86,00 (avulso) ou R$ 122,00 (comprando ida e volta no mesmo dia). Os capixabas têm desconto de 15%.
MINAS GERAIS
De Ouro Preto até Mariana, a Maria Fumaça percorre a serra durante uma hora. Mas antes mesmo de embarcar, é possível aprender um pouco mais sobre a história das ferrovias durante o Ciclo do Ouro em um das salas da estação. Dica: sente-se do lado direito para ver a maioria das atrações e, de preferência, no último vagão para pegar a melhor foto do trem na curva. O passeio custa R$ 30,00 (ida e volta) ou R$ 18,00 só a ida. Para voltar de ônibus são R$ 2,20. De sexta a domingo, saídas às 11h e às 16h. Não tem site. Mais informações: 31/ 3551.7705.
PANTANAL
Depois de 20 anos parado, o Trem do Pantanal voltou a transportar passageiros no ano passado. A viagem de 220 quilômetros – entre Campo Grande e Miranda – leva cerca de 11 horas. Desse tempo, desconte duas horas e meia para o almoço em Aquiduana. Há quatro categorias de vagões: econômica, turística, executiva e camarote. Há também um vagão-bar. Por enquanto, só funciona nos fins de semana e feriados. Custa R$ 39,00 por pessoa na econômica ou R$ 800,00 no camarote – valor dividido pelos oito lugares.
PARANÁ
A Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá, inaugurada no século 19, tem 150 quilômetros e percorre um lindo trecho da Serra do Mar – um pedaço do Paraná reconhecido pela UNESCO como Reserva da Biosfera. O passeio liga Curitiba-Morretes-Paranaguá. Na categoria econômica são R$ 39,00 e na classe executiva a passagem está R$ 66,00. Às segundas feiras, pessoas com mais de 60 anos ganham 50% de desconto – promoção válida nas classes turística, executiva e litorina, exceto feriados.
RIO GRANDE DO SUL
Na Serra Gaúcha a boa-praça Maria Fumaça vai de Bento Gonçalves a Carlos Barbosa, passando por Garibaldi. A locomotiva – recuperada de um depósito de sucata ferroviária – faz o trajeto de 23 quilômetros em 1h30min. O passeio é animado por músicos e oferece degustação de vinho e champanhe na parada em Garibaldi. Mais de 60 mil turistas fazem essa viagem a cada ano. Saídas quartas e sábados, às 9h e às 14h. A passagem custa R$ 55,00 (inclui ingresso para o show Epopeia Italiana). Convém reservar. Não tem site. Mais informações: 54/3455.2788.
SÃO PAULO
Em Campos do Jordão , saindo da Vila Capivari, é possível ir de trem até Santo Antônio do Pinhal. Um passeio simples, que dura 2h30. O trecho mais bonito é o do bairro Alto do Lajeado, a 1740 metros de altitude. Mas é melhor se o dia estiver limpo. Em Santo Antônio do Pinhal, a graça é provar o bolinho de bacalhau da lanchonete da estação. Em julho, alta temporada na cidade, há saídas em diversos horários, a partir das 10h (durante a semana) e das 9h30 (sábados e domingos). O passeio custa R$ 35,00 – ida e volta.
Foto: Raul Mattar
Texto originalmente publicado na minha coluna “Viagens Econômicas e Inteligentes”, que sai toda semana no portal Descubra Brasil.
O Brasil não tem tanta tradição em viagens de trem. Pelo menos não como na Europa, onde andar sobre trilhos é mais do que um meio de transporte – é uma questão cultural. No nosso caso, falta uma malha ferroviária que cubra todo o país ou que, pelo menos, ligue centros importantes. A falta de tradição em trens de passageiros acaba ofuscando lindos trajetos que podemos fazer contemplando a paisagem, em meio a serras e rios – ao som de um lúcido piuiii.
Talvez seja por isso que qualquer passeio de maria-fumaça é um encanto à parte nos destinos que oferecem essa opção. Nem sempre é um tour barato, mas está muito longe de ser impraticável. O Brasil está cheio deles, cada um com características próprias. Escolha aquele que mais combina com você e inclua no seu repertório ói, ói o trem…
ESPÍRITO SANTO
O Trem das Montanhas Capixabas (www.tremdasmontanhascapixabas.com.br) veio reacender uma zona potencialmente turística do Espírito Santo. A rota – inaugurada há três meses – começa em Viana (que está a 22 quilômetros da capital, Vitória), passa por Domingos Martins, Marechal Floriano até chegar à estação de Araguaia. São 2h40 de viagem. Uma generosa paisagem da serra, do mar e da Mata Atlântica – com pontes, túneis e cachoeiras – fazem do passeio algo imperdível para quem vai visitar o estado. O ticket custa R$ 86,00 (avulso) ou R$ 122,00 (comprando ida e volta no mesmo dia). Os capixabas têm desconto de 15%.
MINAS GERAIS
De Ouro Preto até Mariana, a Maria Fumaça percorre a serra durante uma hora. Mas antes mesmo de embarcar, é possível aprender um pouco mais sobre a história das ferrovias durante o Ciclo do Ouro em um das salas da estação. Dica: sente-se do lado direito para ver a maioria das atrações e, de preferência, no último vagão para pegar a melhor foto do trem na curva. O passeio custa R$ 30,00 (ida e volta) ou R$ 18,00 só a ida. Para voltar de ônibus são R$ 2,20. De sexta a domingo, saídas às 11h e às 16h. Não tem site. Mais informações: 31/ 3551.7705.
PANTANAL
Depois de 20 anos parado, o Trem do Pantanal (www.pantanalexpress.com) voltou a transportar passageiros no ano passado. A viagem de 220 quilômetros – entre Campo Grande e Miranda – leva cerca de 11 horas. Desse tempo, desconte duas horas e meia para o almoço em Aquiduana. Há quatro categorias de vagões: econômica, turística, executiva e camarote. Há também um vagão-bar. Por enquanto, só funciona nos fins de semana e feriados. Custa R$ 39,00 por pessoa na econômica ou R$ 800,00 no camarote – valor dividido pelos oito lugares.
PARANÁ
A Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá (www.serraverdeexpress.com.br), inaugurada no século 19, tem 150 quilômetros e percorre um lindo trecho da Serra do Mar – um pedaço do Paraná reconhecido pela UNESCO como Reserva da Biosfera. O passeio liga Curitiba-Morretes-Paranaguá. Na categoria econômica são R$ 39,00 e na classe executiva a passagem está R$ 66,00. Às segundas feiras, pessoas com mais de 60 anos ganham 50% de desconto – promoção válida nas classes turística, executiva e litorina, exceto feriados.
RIO GRANDE DO SUL
Na Serra Gaúcha a boa-praça Maria Fumaça vai de Bento Gonçalves a Carlos Barbosa, passando por Garibaldi. A locomotiva – recuperada de um depósito de sucata ferroviária – faz o trajeto de 23 quilômetros em 1h30min. O passeio é animado por músicos e oferece degustação de vinho e champanhe na parada em Garibaldi. Mais de 60 mil turistas fazem essa viagem a cada ano. Saídas quartas e sábados, às 9h e às 14h. A passagem custa R$ 55,00 (inclui ingresso para o show Epopeia Italiana). Convém reservar. Não tem site. Mais informações: 54/3455.2788.
SÃO PAULO
Em Campos do Jordão (www.camposdojordao.com.br), saindo da Vila Capivari, é possível ir de trem até Santo Antônio do Pinhal. Um passeio simples, que dura 2h30. O trecho mais bonito é o do bairro Alto do Lajeado, a 1740 metros de altitude. Mas é melhor se o dia estiver limpo. Em Santo Antônio do Pinhal, a graça é provar o bolinho de bacalhau da lanchonete da estação. Em julho, alta temporada na cidade, há saídas em diversos horários, a partir das 10h (durante a semana) e das 9h30 (sábados e domingos). O passeio custa R$ 35,00 – ida e volta.
segunda-feira, 22 de março de 2010

Todo mercadão tem uma boa estória para contar. Apesar de não ser mais um local de pechincha como antigamente, geralmente a arquitetura já vale a visita. Quase sempre instalados em construções antigas, os mercadões acabaram virando grifes nas cidades. Até existem alguns mais fajutos, jecas, muquifos ou fuleiros do que outros. Mas eles, assim como as feiras, deveriam ser o ponto de partida da sua incursão aonde quer que vá. É que eles oferecem um desfile único de cheiros, sabores, roupas e pessoas – incluindo aí gente egocêntrica e esquisita – num inusitado tour sócio-antropológico.
No Mercadão de Curitiba, por exemplo, um olhar desavisado não vai achar nada diferente. Já uma vista disposta perceberá o mercadão da capital paranaense como único. Em vez de ficar babando nas bancas bem montadas dê uma olhadinha para cima. Lá estão elas. Placas enormes penduradas no teto com poesias de Paulo Lemenski, Helena Kolody, Alice Ruiz – entre outros poetas e escritores do estado.
Já o Mercado Municipal Adolpho Lisboa de Manaus – que atualmente passa por reformas – foi construído nos tempos áureos do Ciclo da Borracha. É todo em art nouveau, bem rococó. Foi inspirado no extinto mercado Les Halles, de Paris. Um produto vendido a rodo por aqui é o tucupi: um molho amarelo extraído da mandioca brava usado em diversos pratos da Amazônia. O armazenamento é bem informal (nesse caso, vou resmungar: informal demais para o meu gosto). O líquido fica exposto em tonéis – para você levar a granel quanto desejar ou já vem em embalagens “próprias” de garrafas pet.
Tradição, cultura popular e religião fazem do Mercado Central de Belo Horizonte um dos lugares mais agradáveis da cidade. Desde comida mineira passando por ingredientes típicos e artesanato regional, é aquele tipo de lugar onde a gente acha que encontra de tudo – ou quase tudo. O Mercado Municipal Antônio Valente de Campo Grande tem origem numa feira livre que até os anos 50 ocupou uma grande área margeando os trilhos da Noroeste entre a Avenida Afonso Pena e a Rua 7 de Setembro. É um marco na capital sul-mato-grossense e principal ponto de encontro aos domingos de manhã.
O tradicionalésimo sanduíche de mortadela do Bar do Mané – no Mercado Municipal de São Paulo custa R$ 9,00. A “iguaria” é a paixão dos paulistanos. Está para São Paulo assim como o pierogui (um tipo de pastel polonês) para os curitibanos. Mulheres de salto e homens de gravata ali, paradinhos, em pé, comendo o sandubão na hora do almoço. Vem com 300 gramas de mortadela e pão fresquinho. Quando pedi o meu, não aguentei comer o “tira-gosto” inteiro – por isso – dividido por dois, fica R$ 4,50 para cada. O pacotinho de Estomazil efervescente custa R$ 0,80. Você ainda sai no lucro.
Foto: Mercado Municipal de Curitiba (Raul Mattar)
Texto originalmente publicado na minha coluna “Viagens Econômicas e Inteligentes”, que sai toda semana no portal Descubra Brasil.
segunda-feira, 15 de março de 2010

Vira e mexe alguém me pergunta sobre como gastar menos nas férias e, em seguida, onde fazer compras – pagando pouco! Parece um contra-senso. A gente sempre supõe que lazer barato não combina com essas coisas, digamos, supérfluas. Mas comprar é um ato tão inerente ao turismo que está para as viagens assim como praia está para o verão. Sozinhos já são bons, mas se vierem acompanhados de seus pares, melhor ainda!
Turismo de compras nunca foi meu forte. Mas quem não gosta de trazer uns balangandãs para casa depois de visitar um lugar bacana? Com o passar dos anos até deixei ser tão mão-de-vaca-muquirana e sempre reservo uma bufunfa para comprar uns creminhos, revistas importadas e, principalmente, uma roupinha descolada. Nem que seja uma camiseta de bom corte. Aí está o segredo para não ir à falência: determinar o valor que vai ser investido em compras – que podem variar de imãs de geladeira a óculos Armani – e não sair do orçamento.
Como ainda não consigo, durante a viagem, torrar meu salário do mês dentro das lojas aprendi a visitar os outlets, uma espécie de ponta de estoque com roupas de marcas, de qualidade e por preços acessíveis. Muitos pensam que são roupas com defeitos e por isso estão lá, nas prateleiras. Mas a verdade é que a maioria vende peças mais em conta porque simplesmente são da coleção passada. Antiga para eles, mas para nós é a última moda em Paris.
Assim como nos Estados Unidos e Europa, as grandes cidades brasileiras têm pelo menos uns três feirões de grandes grifes. A diferença é que aqui nem todo mundo que abre um empreendimento desse porte faz valer o conceito de outlet e acaba vendendo com preços iguais – ou com mínimos descontos – aos das lojas tradicionais. Tem que garimpar bem!
Na semana passada conheci o Outlet Premium São Paulo, o maior da América Latina. Está a 90 quilômetros da capital paulista. São 80 lojas vendendo mais de 100 marcas, nacionais e importadas, com descontos reais que variam de 30% a 80% em relação às lojas tradicionais. Com boa estrada de acesso (fica na Rodovia dos Bandeirantes), é uma ótima opção para quem está indo ou voltando de viagem. Ainda que abrigue diversas grifes caras – que para mim continuam os olhos da cara mesmo em promoção – o Outlet Premium São Paulo concentra uma enorme variedade de marcas num só local. Vale o passeio. Mesmo que as sacolas não saiam cheias, serve pelo menos para apurar o gosto.
Foto: Matraca’s Image Bank
Texto originalmente publicado na minha coluna “Viagens Econômicas e Inteligentes”, que sai toda semana no portal Descubra Brasil .
segunda-feira, 08 de março de 2010
Blogs de viagem são conversas ao pé do ouvido, sem censura prévia. É o trabalho público de gente comum como você e eu, geralmente livre de pressões políticas ou comerciais. É a necessidade de compartilhar histórias, vivências e impressões. Os blogueiros escrevem partindo de uma análise doméstica. Retratam o cenário de acordo com uma visão própria, seja ela crítica, apaixonada, indignada, complacente ou descomprometida.
Ao contrário dos meios de comunicação tradicionais – em que os produtores de conteúdo são jornalistas, articulistas, escritores, filósofos ou cronistas – a blogosfera é alimentada por qualquer um que seja alfabetizado e que tenha acesso a um computador conectado à internet. Pode ser um profissional liberal, um artesão ou uma dona de casa.
Com o aparecimento da fotografia digital os blogs se transformaram em campo fértil para o antigo diário de bordo, aqueles caderninhos nos quais eram anotados todos os detalhes do passeio e que se transformavam, com o passar dos anos, em verdadeiros alfarrábios. Mais do que isso: os sites pessoais de viagem colocam a nosso alcance informações – que vão desde dicas de utilidade pública a devaneios mochilísticos.
Não conheço nenhuma estatística a respeito, mas tenho a impressão de que – com o advento da web 2.0 (e com a ajudinha de uma ou outra companhia aérea de baixo custo, é verdade) – as pessoas passaram a viajar mais. Acompanhar os périplos de um desconhecido pela internet não só incentiva novos passeios como faz brotar dentro de nós a vontade de – inerente a qualquer um – agarrar o mundo. Se isso puder ser feito sem que a gente tenha que vender o carro na volta das férias para pagar a conta do cartão de crédito, melhor ainda.
Conheça alguns blogs que ensinam você a viajar mais, economizando ou gastando pouco:
Nova York para mãos de vaca
Tudo, tudinho o que você quiser saber para não acabar com seu salário do mês no segundo dia batendo perna em Manhattan. O site é feito por Henry Bugalho e Denise Nappi, dois brasileiros que há muitos anos vivem por lá.
Viajar mais barato
Tem seções específicas que levam você ao melhor dos voos baratos, hotéis econômicos e cruzeiros acessíveis em diversos lugares. Divulga também dicas de campismo e dá ideias que ajudam a poupar durante as viagens.
Viajando bem e barato pela Europa
É um blog cheio de dicas de como viajar com menos, sem desprezar o conforto e a segurança. O objetivo é compartilhar com os viajantes muquiranas experiências pessoais na Europa e dar dicas práticas para facilitar o planejamento do roteiro.
Viajar bem e barato
Escrito pela jornalista Rachel Verano, ex-editora da revista Viagem e Turismo, o blog revela desde onde ficar em Estocolmo sem ir falência até o que fazer em Fernando de Noronha com melhor custo-benefício.
Matraqueando
Blog da jornalista Sílvia Oliveira, essa que vos fala. Criou um guia Europa a 50 euros por dia e dá sugestões de como economizar nas viagens – inclusive nas nacionais – sem perder a dignidade. Já percorreu o Brasil, passou uma temporada em Nova York, morou dois meses em Lisboa e viveu nas Ilhas Canárias e Sevilha por conta do mestrado (em turismo!) e doutorado. Mas não entende nada do assunto e vive se metendo em roubada. Seu lema é: aquela que vai antes para você não se estrepar depois.
Texto originalmente publicado na minha coluna “Viagens Econômicas e Inteligentes”, que sai toda semana no portal Descubra Brasil .
segunda-feira, 01 de março de 2010

Temos uma moeda forte no exterior. As passagens aéreas internacionais não são exatamente uma pechincha, mas a oferta é ampla e há promoções ruidosas. Alguns países como a Argentina nunca foram tão baratos para o brasileiro como agora. Com tanto apelo fica difícil pensar em viajar pelo Brasil – que está sempre aqui, pertinho de nós.
Sei o que você está pensando. Que passar sete dias numa pousada domiciliar em Fernando de Noronha fica apenas um pouco mais em conta – ou a mesma coisa – que uma semana em Cancun, no México. Também já fiz esse tipo de comparação. Aliás, mea culpa, conheci as Cataratas do Niágara, no Canadá antes de botar os pés em Foz do Iguaçu, que está a 650 quilômetros da minha casa.
Não é difícil de entender este raciocínio. Uma viagem internacional – até há bem pouco tempo – era coisa de gente rica, bem sucedida ou metida à besta. De qualquer forma, carimbar o passaporte sempre foi sinônimo de status, prestígio ou evolução espiritual. Mesmo a mais mochileira das viagens à Europa dará a você a reputação de gente bacana!
O detalhe é que se nos déssemos ao trabalho de descobrir todos os países que existem dentro do Brasil, iríamos considerar mais vezes as viagens nacionais. Eu tenho feito este esforço. Parei de reclamar, coloquei o Brasil na – minha – moda, aproveitei o ensejo, ignorei alguns preconceitos e decidi que o país do futuro é, na verdade, meu presente. Nos dois sentidos.
Olhe só: ainda não atravessei o Danúbio, o segundo rio mais extenso da Europa. Mas já percorri o Rio Amazonas, o maior do mundo. Não deu ainda para destrinchar todos os vilarejos da Alemanha. O bom é que já tive a oportunidade de conhecer a autêntica Pomerode, cidade catarinense onde a Rota do Enxaimel revela a mais pura herança da cultura germânica no Brasil.
Infelizmente não estive no Museu Hermitage – que abriga a maior coleção de pintura da Terra – em São Petersburgo, na Rússia. Ah, mas felizmente já passei um dia inteiro no arrebatador Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. O único, em todos os continentes, a homenagear um idioma, o nosso.
Turismo exótico? Não é necessário ir à Índia que, aliás, fica bem mais longe que dar uma esticadela, logo ali, ao Nordeste brasileiro. Em qual outro lugar do mundo – senão aqui – você provaria uma buchada de bode, dançaria um tipo de música chamada eguinha pocotó e acenderia uma vela para Deus e outra para Padim Ciço? Explorando o Brasil, certamente de bacana passaríamos a inteligentes. E de viajados, a sortudos!
Foto: Florianópolis, SC. (Raul Mattar)
Texto publicado originalmente na minha coluna “Viagens econômicas e inteligentes”, que sai toda semana no portal Descubra Brasil.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Existem tantas vantagens em viajar de carro que eu nem sei por que abandonei este gênero de passeio há anos. Estou falando daquelas expedições com tempo, cheias de contemplação em que a gente empaca onde quer, quando dá, do jeito que for.
Talvez a facilidade dos pacotes nacionais, a entrada de companhias aéreas low-cost nos país ou ainda o acúmulo de milhas me levaram mais aos aeroportos do que às estradas. Concordo, o que cobram pelo combustível é uma deselegância e há regiões com pedágios de valores indignos.
Mas viagens de carro costumam ser mais econômicas. É justamente a forma de transporte (para duas, três ou quatro pessoas peregrinando juntas) que barateia o custo final. O Brasil tem dezenas de roteiros cênicos – um mais charmoso do que o outro. Algum deles vai caber direitinho no seu bolso.
BELO HORIZONTE – OURO PRETO | Minas Gerais
Bem perto da capital mineira, você encontra um dos maiores e mais importantes conjuntos arquitetônicos e artísticos do Brasil. A viagem passa por Sabará que guarda inúmeras relíquias do período colonial. Mais adiante, em Caeté, a atração é a serra da Piedade – onde há um santuário no alto que proporciona uma suntuosa vista. Para chegar a Barão de Cocais são 30 quilômetros de estrada de terra, mas bem conservada. Uma espécie de Toscana brasileira. De Mariana – que abriga uma das catedrais mais ricas em ouro do Brasil – chega-se ao auge, em Ouro Preto, que dispensa apresentações. Dali para Tiradentes é um pulinho. Ao todo, são 167 quilômetros, num trajeto que deve ser percorrido em três ou quatro dias.
ESTRADA DA GRACIOSA | Paraná
É uma antiga trilha traçada pelos tropeiros para abrir um caminho entre planalto e litoral. Para chegar às cidades históricas do Paraná não é preciso descer, necessariamente, pela BR 277 – pagando R$ 12,70 de pedágio. A melhor opção é curtir esse pequeno e fofo trajeto. A estrada – de 33 quilômetros – passa por um trecho preservadíssimo da Mata Atlântica. É cheia de riachos, cachoeiras, bichinhos, flores e quiosques. Parte dela foi declarada Reserva da Biosfera pela UNESCO. A Estrada da Graciosa pode fazer parte de um bate-volta ou estar incluída numa viagem maior, passando por Morretes (onde você prova o prato típico do Paraná, o Barreado) e Antonina (que além do casario tem o melhor pastel de siri do estado) até chegar ao porto de Paranaguá.
LINHA VERDE | Bahia
Quem vem de Salvador deve pegar a Estrada do Coco (BA-099) até Itacimirim. Aqui começa a Linha Verde. Logo se chega a Arembepe – uma comunidade hippie que pouco mudou seu modo de vida desde que foi fundada na década de 60. A próxima parada, Praia do Forte, é um dos ápices do roteiro. Com uma vila sedutora, abriga o Projeto Tamar, um centro com vários tanques cheios de tartarugas. Ótimo para crianças. Dali até Imbassaí, um afinado vilarejo agreste cheio de coqueiros e hospedagens rústicas, são 10 quilômetros. Ao lado está o Costa do Sauípe, o primeiro resort da região. Já quem prefere o naturismo vai encontrar sua praia em Massarandupió, em Sítio do Conde. A sossegada Mangue Seco é a última parada da Linha Verde, já na divisa com o Sergipe. Foi aqui a filmagem da novela Tieta. Tem pouca estrutura, mas para os aficionados do gênero é a antecâmara do céu. Todo o percurso tem pouco mais de 200 quilômetros, mas a viagem exige pelo menos sete dias.
PARATI – RIO DE JANEIRO | Rio de Janeiro
O trecho fluminense da Rio-Santos é um dos mais harmônicos atrativos para quem se deleita com viagens cênicas. Baías, ilhas e cachoeiras serpenteiam 250 quilômetros da rodovia que forma o caminho. Depois de passar pelo centro histórico de Parati (onde é proibido circular de carro) aparece a baía de Angra dos Reis e suas mais de 300 ilhas. A 1h30 de barco de Angra está Ilha Grande, uma bem-sucedida parada antes de voltar à estrada. A região é montanhosa, com poucos trechos de ultrapassagem. Ao chegar próximo à capital, o trânsito fica mais intenso. Antes, faça uma paradinha em Grumari, uma das praias mais preservadas do Rio de Janeiro. Quatro dias de viagem, no mínimo.
VITÓRIA – ALTO DO CAPARAÓ | Espírito Santo a Minas
Pouco conhecido pela maioria dos brasileiros, este trecho pela serra capixaba revela uma parte do país que mistura paisagem, agroturismo e imigração. Já na BR-262 – em direção a Belo Horizonte – os 25 quilômetros até Domingo Martins são lentos e cheios de curva. A cidade, colonizada por alemães e italianos, está cheia de casinhas de madeira e restaurantes típicos. Mais adiante está o distrito de Pedra Azul, com uma rocha de mesmo nome que muda de cor conforme a posição do sol. O Parque Estadual da Pedra Azul é uma das principais atrações do roteiro. A 15 quilômetros do parque está Venda Nova do Imigrante, italianíssima cidade serrana. Pule para a Rodovia Pedro Cola (ES-166), onde há fazendas de agroturismo, vendendo produtos típicos. Mais 110 quilômetros e já está na estrada mineira que leva até o Alto do Caparaó, para a famosa caminhada ao Pico da Bandeira. Os 250 quilômetros rendem melhor se feitos calmamente em quatro dias.
Foto: Estrada da Graciosa, roteiro cênico no Paraná. (Raul Mattar)
Texto originalmente publicado na minha coluna “Viagens econômicas e inteligentes”, que sai toda semana no portal Descubra Brasil.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Petiscos regionais: saborosos e baratos. (Foto: Raul Mattar)
1. Assuma sua porção muquirana
Todo mundo que viaja tem seu momento patrão. Dá ordens para o taxista. Reclama com o garçom. Solicita toalhas extras. Exige café da manhã colonial. Esbanja gorjetas. Só que estamos falando de viagens econômicas. Gastar menos não significa ter que expiar os pecados em todas as férias, mas há restrições – que podem variar do hotel-pelourinho à classe chicoteia do avião. Faça sua planilha de gastos, estipule valores diários, priorize o urgente e dê preferência ao importante. Seja nobre, mas não arrogante.
2. Pacotes X viajar por conta
Há alguns anos os pacotes eram o melhor custo-benefício para quem queria conhecer algum destino brasileiro. Ainda existem boas pechinchas do gênero. Mas com a entrada de novas companhias aéreas no país, viajar de avião ficou mais fácil e barato. Algumas empresas dividem o valor da passagem em até 36 vezes. A ampla oferta de hotéis, pousadas e hostels também abre a possibilidade de encontrar hospedagem com preços honestos e compatíveis com seu orçamento. Se puder, evite marcar bilhetes de ida e volta na sexta e segunda-feira. Os dias mais baratos para viajar são terça e quarta. Pesquise e compare antes de comprar!
3. Estude seu destino
A menos que você vá para um resort – cujo destino é o complexo em si – aprenda sobre o modus-operandi do lugar que vai visitar. Blogs, sites, revistas e guias de turismo são feitos para isso mesmo. Virar um explorador à la Marco Pólo justo no dia em que sua viagem começa vai fazer você perder tempo, o bem mais valioso em uma viagem. Quem não sabe o que ver ou fazer no destino costuma arruinar roteiros clássicos, comer mal, comprar errado e, invariável, pagar muito.
4. Utilize o transporte público
Não reclame. Até Curitiba – com um transporte público considerado modelo para muitos países – tem lá seus problemas no quesito locomoção barata. Como o próprio nome diz é um serviço de uso comum, compartilhado e, por isso, mais acessível. Use o busão de forma inteligente. Horários de pico e trajetos muito longos vão comprometer seu bom humor. Prefira metrô e ônibus para passeios depois das nove da manhã e antes da cinco da tarde. Economizar nos tours privados ajuda a monetizar sua viagem. Só apele para o ar condicionado dos táxis em caso de (muita!) chuva ou se for meio-dia e a temperatura passar dos 30ºC.
5. Caminhe
Nem só de táxi, ônibus ou metrô vive um turista. Explore roteiros que possam ser feitos a pé. São gratuitos e despojados de preconceitos. Caminhar da igreja matriz até o museu mais próximo ou da praia até a praça central sai de graça. É nesse trajeto descompromissado que você vai descolar aquele restaurantinho prosaico e econômico que nenhum guia consegue indicar. Ou vai descobrir uma rua, uma loja, um monumento que só a sua história de viagem poderá contar.
6. Conheça o supermercado local
Os grandes mercados de rede ou até aquele empório na esquina do seu hotel podem render deliciosos e econômicos lanchinhos. Sucos de caixinha, pães, bolos e frutas – tudo em porções individuais – são fáceis de carregar e enganam aquela fominha miserável que faz você gastar um bom trocado no meio da tarde. Aproveite para incluir no seu self-mão-de-vaca-service as comidinhas de rua: são típicas, baratas, aconchegantes e levam você à essência de qualquer lugar.
7. Fuja dos feriados
Quantas vezes você já ouviu esse conselho? E quantas vezes você não seguiu a recomendação? Sim, eu também tenho dias de folga justamente nos feriados prolongados, assim como você. O ideal é negociar no trabalho e com a família para que as viagens não coincidam com os fins de semana que duram quatro dias e custam cinco vezes mais. Se for inevitável viajar nesses períodos ou em alta temporada planeje e reserve tudo com muita antecedência (leia-se três meses antes, no mínimo) para tentar alguma barganha.
8. Dê preferência a hotéis com wi-fi grátis
Se você tem um computador portátil ou celular com acesso à internet vai economizar muito se seu hotel ou pousada oferecer conexão gratuita. Além de poder revisar os e-mails – para os que não conseguem viajar desplugados – é possível falar com a família através de sistemas como o Skype. Do computador para um telefone fixo ou móvel você pode fazer chamadas com tarifas simbólicas. Abra uma conta em Skipe.com.
9. Pesquise o clima da região
Alguns dias antes do embarque investigue nos sites especializados em previsão do tempo como está o clima no seu destino. Saber se vai chover, fazer muito calor ou muito frio ajuda na hora de montar a mala e evita gastos desnecessários por conta das intempéries de São Pedro.
10. Vá às compras com moderação
Já aprendi – por experiência própria – que não adianta dizer: fuja das compras! Investir num badulaque qualquer faz parte do processo psicológico ao qual somos submetidos durante uma viagem. Quando saímos de férias subimos um posto na nossa hierarquia pessoal. Por mais econômico que seja o seu passeio você vai gastar em uma semana fora de casa o que provavelmente gastaria durante um mês ficando nela. É como subir na vida por 15 dias. Ir às compras vai consagrar esse seu estado emergente. O segredo é estipular um valor para os souvenires. Ninguém mais do que você é capaz de determinar quanto custa para ser feliz!
Texto publicado originalmente na minha coluna “Viagens econômicas e inteligentes”, que sai semanalmente no portal Descubra Brasil.