Na categoria Descubra Brasil
segunda-feira, 08 de março de 2010
Blogs de viagem são conversas ao pé do ouvido, sem censura prévia. É o trabalho público de gente comum como você e eu, geralmente livre de pressões políticas ou comerciais. É a necessidade de compartilhar histórias, vivências e impressões. Os blogueiros escrevem partindo de uma análise doméstica. Retratam o cenário de acordo com uma visão própria, seja ela crítica, apaixonada, indignada, complacente ou descomprometida.
Ao contrário dos meios de comunicação tradicionais – em que os produtores de conteúdo são jornalistas, articulistas, escritores, filósofos ou cronistas – a blogosfera é alimentada por qualquer um que seja alfabetizado e que tenha acesso a um computador conectado à internet. Pode ser um profissional liberal, um artesão ou uma dona de casa.
Com o aparecimento da fotografia digital os blogs se transformaram em campo fértil para o antigo diário de bordo, aqueles caderninhos nos quais eram anotados todos os detalhes do passeio e que se transformavam, com o passar dos anos, em verdadeiros alfarrábios. Mais do que isso: os sites pessoais de viagem colocam a nosso alcance informações – que vão desde dicas de utilidade pública a devaneios mochilísticos.
Não conheço nenhuma estatística a respeito, mas tenho a impressão de que – com o advento da web 2.0 (e com a ajudinha de uma ou outra companhia aérea de baixo custo, é verdade) – as pessoas passaram a viajar mais. Acompanhar os périplos de um desconhecido pela internet não só incentiva novos passeios como faz brotar dentro de nós a vontade de – inerente a qualquer um – agarrar o mundo. Se isso puder ser feito sem que a gente tenha que vender o carro na volta das férias para pagar a conta do cartão de crédito, melhor ainda.
Conheça alguns blogs que ensinam você a viajar mais, economizando ou gastando pouco:
Nova York para mãos de vaca
Tudo, tudinho o que você quiser saber para não acabar com seu salário do mês no segundo dia batendo perna em Manhattan. O site é feito por Henry Bugalho e Denise Nappi, dois brasileiros que há muitos anos vivem por lá.
Viajar mais barato
Tem seções específicas que levam você ao melhor dos voos baratos, hotéis econômicos e cruzeiros acessíveis em diversos lugares. Divulga também dicas de campismo e dá ideias que ajudam a poupar durante as viagens.
Viajando bem e barato pela Europa
É um blog cheio de dicas de como viajar com menos, sem desprezar o conforto e a segurança. O objetivo é compartilhar com os viajantes muquiranas experiências pessoais na Europa e dar dicas práticas para facilitar o planejamento do roteiro.
Viajar bem e barato
Escrito pela jornalista Rachel Verano, ex-editora da revista Viagem e Turismo, o blog revela desde onde ficar em Estocolmo sem ir falência até o que fazer em Fernando de Noronha com melhor custo-benefício.
Matraqueando
Blog da jornalista Sílvia Oliveira, essa que vos fala. Criou um guia Europa a 50 euros por dia e dá sugestões de como economizar nas viagens – inclusive nas nacionais – sem perder a dignidade. Já percorreu o Brasil, passou uma temporada em Nova York, morou dois meses em Lisboa e viveu nas Ilhas Canárias e Sevilha por conta do mestrado (em turismo!) e doutorado. Mas não entende nada do assunto e vive se metendo em roubada. Seu lema é: aquela que vai antes para você não se estrepar depois.
Texto originalmente publicado na minha coluna “Viagens Econômicas e Inteligentes”, que sai toda semana no portal Descubra Brasil .
segunda-feira, 01 de março de 2010

Temos uma moeda forte no exterior. As passagens aéreas internacionais não são exatamente uma pechincha, mas a oferta é ampla e há promoções ruidosas. Alguns países como a Argentina nunca foram tão baratos para o brasileiro como agora. Com tanto apelo fica difícil pensar em viajar pelo Brasil – que está sempre aqui, pertinho de nós.
Sei o que você está pensando. Que passar sete dias numa pousada domiciliar em Fernando de Noronha fica apenas um pouco mais em conta – ou a mesma coisa – que uma semana em Cancun, no México. Também já fiz esse tipo de comparação. Aliás, mea culpa, conheci as Cataratas do Niágara, no Canadá antes de botar os pés em Foz do Iguaçu, que está a 650 quilômetros da minha casa.
Não é difícil de entender este raciocínio. Uma viagem internacional – até há bem pouco tempo – era coisa de gente rica, bem sucedida ou metida à besta. De qualquer forma, carimbar o passaporte sempre foi sinônimo de status, prestígio ou evolução espiritual. Mesmo a mais mochileira das viagens à Europa dará a você a reputação de gente bacana!
O detalhe é que se nos déssemos ao trabalho de descobrir todos os países que existem dentro do Brasil, iríamos considerar mais vezes as viagens nacionais. Eu tenho feito este esforço. Parei de reclamar, coloquei o Brasil na – minha – moda, aproveitei o ensejo, ignorei alguns preconceitos e decidi que o país do futuro é, na verdade, meu presente. Nos dois sentidos.
Olhe só: ainda não atravessei o Danúbio, o segundo rio mais extenso da Europa. Mas já percorri o Rio Amazonas, o maior do mundo. Não deu ainda para destrinchar todos os vilarejos da Alemanha. O bom é que já tive a oportunidade de conhecer a autêntica Pomerode, cidade catarinense onde a Rota do Enxaimel revela a mais pura herança da cultura germânica no Brasil.
Infelizmente não estive no Museu Hermitage – que abriga a maior coleção de pintura da Terra – em São Petersburgo, na Rússia. Ah, mas felizmente já passei um dia inteiro no arrebatador Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. O único, em todos os continentes, a homenagear um idioma, o nosso.
Turismo exótico? Não é necessário ir à Índia que, aliás, fica bem mais longe que dar uma esticadela, logo ali, ao Nordeste brasileiro. Em qual outro lugar do mundo – senão aqui – você provaria uma buchada de bode, dançaria um tipo de música chamada eguinha pocotó e acenderia uma vela para Deus e outra para Padim Ciço? Explorando o Brasil, certamente de bacana passaríamos a inteligentes. E de viajados, a sortudos!
Foto: Florianópolis, SC. (Raul Mattar)
Texto publicado originalmente na minha coluna “Viagens econômicas e inteligentes”, que sai toda semana no portal Descubra Brasil.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Existem tantas vantagens em viajar de carro que eu nem sei por que abandonei este gênero de passeio há anos. Estou falando daquelas expedições com tempo, cheias de contemplação em que a gente empaca onde quer, quando dá, do jeito que for.
Talvez a facilidade dos pacotes nacionais, a entrada de companhias aéreas low-cost nos país ou ainda o acúmulo de milhas me levaram mais aos aeroportos do que às estradas. Concordo, o que cobram pelo combustível é uma deselegância e há regiões com pedágios de valores indignos.
Mas viagens de carro costumam ser mais econômicas. É justamente a forma de transporte (para duas, três ou quatro pessoas peregrinando juntas) que barateia o custo final. O Brasil tem dezenas de roteiros cênicos – um mais charmoso do que o outro. Algum deles vai caber direitinho no seu bolso.
BELO HORIZONTE – OURO PRETO | Minas Gerais
Bem perto da capital mineira, você encontra um dos maiores e mais importantes conjuntos arquitetônicos e artísticos do Brasil. A viagem passa por Sabará que guarda inúmeras relíquias do período colonial. Mais adiante, em Caeté, a atração é a serra da Piedade – onde há um santuário no alto que proporciona uma suntuosa vista. Para chegar a Barão de Cocais são 30 quilômetros de estrada de terra, mas bem conservada. Uma espécie de Toscana brasileira. De Mariana – que abriga uma das catedrais mais ricas em ouro do Brasil – chega-se ao auge, em Ouro Preto, que dispensa apresentações. Dali para Tiradentes é um pulinho. Ao todo, são 167 quilômetros, num trajeto que deve ser percorrido em três ou quatro dias.
ESTRADA DA GRACIOSA | Paraná
É uma antiga trilha traçada pelos tropeiros para abrir um caminho entre planalto e litoral. Para chegar às cidades históricas do Paraná não é preciso descer, necessariamente, pela BR 277 – pagando R$ 12,70 de pedágio. A melhor opção é curtir esse pequeno e fofo trajeto. A estrada – de 33 quilômetros – passa por um trecho preservadíssimo da Mata Atlântica. É cheia de riachos, cachoeiras, bichinhos, flores e quiosques. Parte dela foi declarada Reserva da Biosfera pela UNESCO. A Estrada da Graciosa pode fazer parte de um bate-volta ou estar incluída numa viagem maior, passando por Morretes (onde você prova o prato típico do Paraná, o Barreado) e Antonina (que além do casario tem o melhor pastel de siri do estado) até chegar ao porto de Paranaguá.
LINHA VERDE | Bahia
Quem vem de Salvador deve pegar a Estrada do Coco (BA-099) até Itacimirim. Aqui começa a Linha Verde. Logo se chega a Arembepe – uma comunidade hippie que pouco mudou seu modo de vida desde que foi fundada na década de 60. A próxima parada, Praia do Forte, é um dos ápices do roteiro. Com uma vila sedutora, abriga o Projeto Tamar, um centro com vários tanques cheios de tartarugas. Ótimo para crianças. Dali até Imbassaí, um afinado vilarejo agreste cheio de coqueiros e hospedagens rústicas, são 10 quilômetros. Ao lado está o Costa do Sauípe, o primeiro resort da região. Já quem prefere o naturismo vai encontrar sua praia em Massarandupió, em Sítio do Conde. A sossegada Mangue Seco é a última parada da Linha Verde, já na divisa com o Sergipe. Foi aqui a filmagem da novela Tieta. Tem pouca estrutura, mas para os aficionados do gênero é a antecâmara do céu. Todo o percurso tem pouco mais de 200 quilômetros, mas a viagem exige pelo menos sete dias.
PARATI – RIO DE JANEIRO | Rio de Janeiro
O trecho fluminense da Rio-Santos é um dos mais harmônicos atrativos para quem se deleita com viagens cênicas. Baías, ilhas e cachoeiras serpenteiam 250 quilômetros da rodovia que forma o caminho. Depois de passar pelo centro histórico de Parati (onde é proibido circular de carro) aparece a baía de Angra dos Reis e suas mais de 300 ilhas. A 1h30 de barco de Angra está Ilha Grande, uma bem-sucedida parada antes de voltar à estrada. A região é montanhosa, com poucos trechos de ultrapassagem. Ao chegar próximo à capital, o trânsito fica mais intenso. Antes, faça uma paradinha em Grumari, uma das praias mais preservadas do Rio de Janeiro. Quatro dias de viagem, no mínimo.
VITÓRIA – ALTO DO CAPARAÓ | Espírito Santo a Minas
Pouco conhecido pela maioria dos brasileiros, este trecho pela serra capixaba revela uma parte do país que mistura paisagem, agroturismo e imigração. Já na BR-262 – em direção a Belo Horizonte – os 25 quilômetros até Domingo Martins são lentos e cheios de curva. A cidade, colonizada por alemães e italianos, está cheia de casinhas de madeira e restaurantes típicos. Mais adiante está o distrito de Pedra Azul, com uma rocha de mesmo nome que muda de cor conforme a posição do sol. O Parque Estadual da Pedra Azul é uma das principais atrações do roteiro. A 15 quilômetros do parque está Venda Nova do Imigrante, italianíssima cidade serrana. Pule para a Rodovia Pedro Cola (ES-166), onde há fazendas de agroturismo, vendendo produtos típicos. Mais 110 quilômetros e já está na estrada mineira que leva até o Alto do Caparaó, para a famosa caminhada ao Pico da Bandeira. Os 250 quilômetros rendem melhor se feitos calmamente em quatro dias.
Foto: Estrada da Graciosa, roteiro cênico no Paraná. (Raul Mattar)
Texto originalmente publicado na minha coluna “Viagens econômicas e inteligentes”, que sai toda semana no portal Descubra Brasil.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Petiscos regionais: saborosos e baratos. (Foto: Raul Mattar)
1. Assuma sua porção muquirana
Todo mundo que viaja tem seu momento patrão. Dá ordens para o taxista. Reclama com o garçom. Solicita toalhas extras. Exige café da manhã colonial. Esbanja gorjetas. Só que estamos falando de viagens econômicas. Gastar menos não significa ter que expiar os pecados em todas as férias, mas há restrições – que podem variar do hotel-pelourinho à classe chicoteia do avião. Faça sua planilha de gastos, estipule valores diários, priorize o urgente e dê preferência ao importante. Seja nobre, mas não arrogante.
2. Pacotes X viajar por conta
Há alguns anos os pacotes eram o melhor custo-benefício para quem queria conhecer algum destino brasileiro. Ainda existem boas pechinchas do gênero. Mas com a entrada de novas companhias aéreas no país, viajar de avião ficou mais fácil e barato. Algumas empresas dividem o valor da passagem em até 36 vezes. A ampla oferta de hotéis, pousadas e hostels também abre a possibilidade de encontrar hospedagem com preços honestos e compatíveis com seu orçamento. Se puder, evite marcar bilhetes de ida e volta na sexta e segunda-feira. Os dias mais baratos para viajar são terça e quarta. Pesquise e compare antes de comprar!
3. Estude seu destino
A menos que você vá para um resort – cujo destino é o complexo em si – aprenda sobre o modus-operandi do lugar que vai visitar. Blogs, sites, revistas e guias de turismo são feitos para isso mesmo. Virar um explorador à la Marco Pólo justo no dia em que sua viagem começa vai fazer você perder tempo, o bem mais valioso em uma viagem. Quem não sabe o que ver ou fazer no destino costuma arruinar roteiros clássicos, comer mal, comprar errado e, invariável, pagar muito.
4. Utilize o transporte público
Não reclame. Até Curitiba – com um transporte público considerado modelo para muitos países – tem lá seus problemas no quesito locomoção barata. Como o próprio nome diz é um serviço de uso comum, compartilhado e, por isso, mais acessível. Use o busão de forma inteligente. Horários de pico e trajetos muito longos vão comprometer seu bom humor. Prefira metrô e ônibus para passeios depois das nove da manhã e antes da cinco da tarde. Economizar nos tours privados ajuda a monetizar sua viagem. Só apele para o ar condicionado dos táxis em caso de (muita!) chuva ou se for meio-dia e a temperatura passar dos 30ºC.
5. Caminhe
Nem só de táxi, ônibus ou metrô vive um turista. Explore roteiros que possam ser feitos a pé. São gratuitos e despojados de preconceitos. Caminhar da igreja matriz até o museu mais próximo ou da praia até a praça central sai de graça. É nesse trajeto descompromissado que você vai descolar aquele restaurantinho prosaico e econômico que nenhum guia consegue indicar. Ou vai descobrir uma rua, uma loja, um monumento que só a sua história de viagem poderá contar.
6. Conheça o supermercado local
Os grandes mercados de rede ou até aquele empório na esquina do seu hotel podem render deliciosos e econômicos lanchinhos. Sucos de caixinha, pães, bolos e frutas – tudo em porções individuais – são fáceis de carregar e enganam aquela fominha miserável que faz você gastar um bom trocado no meio da tarde. Aproveite para incluir no seu self-mão-de-vaca-service as comidinhas de rua: são típicas, baratas, aconchegantes e levam você à essência de qualquer lugar.
7. Fuja dos feriados
Quantas vezes você já ouviu esse conselho? E quantas vezes você não seguiu a recomendação? Sim, eu também tenho dias de folga justamente nos feriados prolongados, assim como você. O ideal é negociar no trabalho e com a família para que as viagens não coincidam com os fins de semana que duram quatro dias e custam cinco vezes mais. Se for inevitável viajar nesses períodos ou em alta temporada planeje e reserve tudo com muita antecedência (leia-se três meses antes, no mínimo) para tentar alguma barganha.
8. Dê preferência a hotéis com wi-fi grátis
Se você tem um computador portátil ou celular com acesso à internet vai economizar muito se seu hotel ou pousada oferecer conexão gratuita. Além de poder revisar os e-mails – para os que não conseguem viajar desplugados – é possível falar com a família através de sistemas como o Skype. Do computador para um telefone fixo ou móvel você pode fazer chamadas com tarifas simbólicas. Abra uma conta em Skipe.com.
9. Pesquise o clima da região
Alguns dias antes do embarque investigue nos sites especializados em previsão do tempo como está o clima no seu destino. Saber se vai chover, fazer muito calor ou muito frio ajuda na hora de montar a mala e evita gastos desnecessários por conta das intempéries de São Pedro.
10. Vá às compras com moderação
Já aprendi – por experiência própria – que não adianta dizer: fuja das compras! Investir num badulaque qualquer faz parte do processo psicológico ao qual somos submetidos durante uma viagem. Quando saímos de férias subimos um posto na nossa hierarquia pessoal. Por mais econômico que seja o seu passeio você vai gastar em uma semana fora de casa o que provavelmente gastaria durante um mês ficando nela. É como subir na vida por 15 dias. Ir às compras vai consagrar esse seu estado emergente. O segredo é estipular um valor para os souvenires. Ninguém mais do que você é capaz de determinar quanto custa para ser feliz!
Texto publicado originalmente na minha coluna “Viagens econômicas e inteligentes”, que sai semanalmente no portal Descubra Brasil.
segunda-feira, 08 de fevereiro de 2010

É certo. Na França ninguém perde um crepe de esquina. Se o destino for Grécia, todo mundo quer experimentar o gyros – o nosso churrasquinho grego. Ao circular pela Alemanha, qualquer salsichão é bem-vindo. No Brasil, se você sai para comer um bolinho de bacalhau, ali no bar daquele tiozinho perto do seu trabalho, todo mundo vai dizer: óóó, cuidaaado!
Comidinhas de rua sempre tiveram fama – seja pela diversidade, preço baixo ou risco de provocar um desarranjo inconveniente. Verdade seja dita. São irresistíveis. O segredo está em encontrar uma comidinha boa-pinta, com seguro de origem (a indicação de alguém, por exemplo) e garantia de saída. Lugares cheios significam que o quitute é novinho já que o rodízio de gente é grande.
Se seu amigo estrangeiro viesse ao Brasil e quisesse provar algum pitéu ou petisco típicos daqui o que você recomendaria? Pão de queijo? Mandioca frita? Fariam sucesso. Agora, arrisque mais. Em qual outro lugar do mundo você encontra coxinha de frango com catupiry? Imagine oferecer uma iguaria dessas por apenas R$ 2,50? Passando por qualquer feira ao ar livre, o pastel de carne (com caldo de cana!) sempre dá samba e para o gringo não sai mais do que US$ 2,00.
Sem falar no espetinho, assado na hora. Sim, aquele que muita gente desconfia de que seja feito com carne de gato. Por que quando você está fora do Brasil não faz as mesmas suposições? Gato existe em qualquer lugar do mundo. Pois é, trate de deixar o preconceito trancado dentro da mala. Aposto que quando você pede na Holanda aquele cone de batatas fritas cheio de maionese nem pensa que isso, de fato, pode dar uma tremenda desconjuntura e acabar com sua viagem.
Imagino, algum receio você teve na Bahia quando pensou duas vezes antes de provar o acarajé – uma das especialidades gastronômicas mais típicas do país. Por módicos R$ 3,00 é possível mergulhar na culinária local e provar uma massa suave feita de feijão-fradinho, frita em azeite de dendê e recheado com uma pasta de vatapá, camarão seco, pimenta (a gosto!) e salada. Daí para a pamonha são dois pulos. Geralmente vendida na beira da estrada, ao lado do curau – outro acepipe com a cara do Brasil – o manjar de milho cuidadosamente embalado numa palha deveria virar patrimônio imaterial.
Provemos, então, o afamado sanduíche de pernil, oferecido nas melhores casas do ramo. Pão crocante, carne desfiada e levemente tostada. Alguns acompanham pedacinhos de abacaxi. Mais tupiniquim do que isso só o queijo coalho – feito na hora, em baldes improvisados pelos vendedores ambulantes espalhados pelas principais praias do Brasil. Custa entre R$ 1,50 e R$ 3,00 – quando muito caro. Aliás, não só na praia. O melhor queijo coalho que comi foi na Rua 25 de Março, em São Paulo. Uma temeridade, eu sei. Mas, como podem ver, sobrevivi para contar história.
Foto: Queijo coalho na Rua 25 de Março, em São Paulo. (Raul Mattar)
Texto publicado originalmente na minha coluna “Viagens econômicas e inteligentes”, que sai semanalmente no portal Descubra Brasil.