Silvia Oliveira

Na categoria Grécia

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Grécia a 50 euros por dia – Parte 3

ONDE FICAR NA GRÉCIA

Existe uma regra clássica que diz: quanto mais simples, inóspito, exótico (ou pobre) for o seu destino melhor deve ser a acomodação. Um hotel barato na Grécia pode não ter exatamente o mesmo charme de uma hospedagem econômica na França ou a mesma eficiência de um albergue na Alemanha. Para não se decepcionar siga a indicação de quem já foi. Pesquise nos fóruns de viajantes ou aposte em hotéis tradicionais, onde se paga bem mais, saiba. Blogs especializados estão aí para isso. Mesmo assim, o que pode ser suficiente para mim, às vezes é muito pouco ou insuportável para você. A dica é: não faça economias absurdas em território grego. O país é barato por si só. Além do que, a Grécia é o destino que evoca o prazer em seu estado puro. Não comprometa seu sonho por causa de um up grade de10 mirréis a mais na diária do hotel. Isso pode fazer toda a diferença na sua viagem para cá.


Ilhas gregas, sonho de consumo acessível. (Foto: Juan Pablo Oitana)

HOSPEDAGEM ECONÔMICA NA GRÉCIA

Eu pareço um disco arranhado: evite ir no verão. Se a época já é propicia para os preços triplicarem em qualquer lugar do mundo, imagine quando o destino é de praia e sol, caso específico da Grécia. De qualquer maneira, ficando mais do que três dias consecutivos peça desconto – em qualquer hotel ou temporada. Geralmente eles dão. Mesmo que prefira reservar pelos sites especializados da web, não deixe de consultar também diretamente o hotel.

Em Atenas, o Acropolis House está num prédio do século 19 – construção moderníssima se a gente levar em conta que a cidade já existe há alguns milhares de anos. Está a 10 minutos da Acrópole e a 3 da Praça Syntagama. O quarto – com móveis que necessitam de uma repaginada – para casal está a partir de 40 euros. Sem café da manhã. O simples e super bem localizado Hotel Nefeli pode agradar. Os quartos espartanos não negam a raça. Mas ficam no bairro Plaka, a região mais turística da capital e está entre as estações de metrô Syntagma e Acropolis. A partir de 49 euros, o casal. Para mim, o maior achado é o Hotel Economy , não exatamente pelo preço (nem é o mais barato) – mas pelo custo-benefício. Todos os quartos têm TV, ar condicionado, frigobar e secador. Nas áreas comuns há wi-fi grátis. E o café da manhã está incluído. Tudo a partir de 52 euros o casal. Ou seja, 26 mangos para cada um. Fica entre as estações de metrô Omonia e Monastiraki, não muito longe do bairro Psiri, região movimentada com bares e restaurantes.

Nas ilhas gregas, pelo menos naquelas mais turísticas, há quartos em casa de família ou pensões – no maior estilo pousadinha brasileira. Como esse tipo de hospedagem é sempre um risco, pesquise bem antes de torrar seus euros em alguma delas. Em Mykonos, o Mina Studios – a 3,5 quilômetros do centrinho – está numa casa caiada de portas azuis com flores rosáceas na frente (mais típico, impossível). Está a partir de 40 euros o casal. Café da manhã incluído. Oferece transfer gratuito de e para o aeroporto ou porto. O Kymata Pension é beeeem simples, mas todos os quartos têm banheiro e ar-condicionado. Fica próximo à Little Venice (Pequena Veneza). As diárias por pessoa estão a partir de 23 euros. Não aceita cartões de crédito. Querendo investir um pouco mais aqui, bem no coração de Chora, a capital da ilha – e a 300 metros da praia está – o Carbonaki Hotel. Um fofo! Quartos amplos, linda piscina. A partir de 66 euros o casal. Lembrando que para manter a média de 50 euros por dia na sua viagem à Grécia, ao optar por uma hospedagem mais cara nas ilhas – ou você vai ter que comer muito churrasquinho grego ou se instalar em algum albergão em Atenas.

Em Santorini a opção mais mão-de-vaca  (nem por isso menos legal) – é o Youth Hostel Oia . Tem quartos amplos e um terraço com vista para o Mar Egeu. Diárias a partir de 15 euros (17 no verão) por pessoa em quartos coletivos, a maioria com banheiro privativo. Café da manhã incluído. O Stelios Place leva o nome do dono. O Seu Stelio comanda tudo de pertinho e busca pessoalmente os hóspedes no porto ou aeroporto. O hotel está na praia de Perissa e todos os quartos têm banheiro privativo. Diárias do quarto duplo a partir de 28 euros (14 por pessoa!). Café da manhã incluído. O Delfini, na vila de Oia – aquela do por do sol imperdível – oferece diárias a partir de 45 euros em quartos sem vista para o mar. Com vista, a partir de 60 euros o casal. Café da manhã cobrado à parte: 10 euros por pessoa.

ONDE COMER BARATO NA GRÉCIA

Num país com comida tão farta, diversificada, nutritiva e barata eu gastaria um pouco mais no hotel, porque as refeições estão garantidas a preços módicos. Para abrir o apetite prove um Gyros – o nosso churrasquinho grego. Há vários pontos de venda nas ruas. Vem carne assada (carneiro, muitas vezes), com salada e molho à base de iogurte. Tudo enrolado num pão árabe em forma de cone. Não vai custar muito mais do que 3 euros.


Salada grega: acompanhamento fresco e barato. (Foto: Chimugherm)

A tradicionalíssima Moussaka – uma espécie de lasanha de berinjela com abobrinha – é o prato típico do país. Vem em pedaços generosos e pode custar de 3 a 9 euros. Para um tira-gosto no fim de tarde, experimente o Mezédes, as tapas gregas. São petiscos variados. Média de cinco euros o pratinho recheado que, geralmente, serve tranquilo duas pessoas. Outra delícia é a nossa conhecida Salada Grega: tomate, pepino, azeitona, cebola e queijo branco. Para fugir do cardápio básico escolha de vez em quando a Spanakópita, uma torta folhada de espinafre que derrete na boca. Sobremesa: iogurte com mel. Quase sempre feito com leite de ovelha e com textura que você só encontra na Grécia. Qualquer restaurante serve um. Para acompanhar seu banquete, peça o Ouzo, a bebida nacional com sabor de anis.

Em Atenas, o bairro Plaka é o mais turístico. Mas na Praça Omonia há mais restaurantes e bares com preços honestos. Para comer comida típica tente o restaurante Filipou (19, Xenokratous). Da Praça Kolonaki, pegue a rua Patriarch Ioakim até chegar na Ploutarchou. Vire à esquerda na Ploutarchou, e depois à direita. Estará na Xenokratous. (Desculpe, é grego!). Pratos a partir de 6 euros.

SESSÃO MÃO DE VACA MUQUIRANA

Caso a Grécia esteja incluída no seu cardápio europeu juntamente com outros países e não sobre tempo (ou dinheiro) para um tour pelas ilhas gregas mais famosas, não se avexe. A uma hora de Atenas, em barco rápido, você pode passar o dia em Hydra, uma das ilhas mais bonitas do arquipélago sarônico. Tem mar azul, ruas de pedra e casinhas com tetos avermelhados. É proibida a circulação de carros por aqui. Mais um motivo para você dar um passeio nos burricos gregos. O ticket do ferry está a partir de 10 euros.

MOMENTO EXTRAVAGÂNCIA

Não consigo pensar em extravagância maior do que ficar num daqueles hotéis de cinema das ilhas gregas. As diárias transitam entre 300 e 600 euros. Mas eu, particularmente, trocaria sete dias num hotelzaço desses por um mês inteiro perambulando de ilha em ilha, optando por hospedagens classe média. Porque passar 30 dias na Grécia, não tem preço.

Ó QUE CURIOSO

Para dizer “sim” em grego pronuncia-se ne – que pode confundir com a aglutinação do nosso “não é”. Já a tradução de “não” é okhi, que lembra um ok. Cuidado para não misturar as bolas.

UM FILME PARA INSPIRAR

Casamento grego (2002), de Joel Zwick

GRÉCIA LEMBRA

Minotauro, filosofia, prato quebrado, cruzeiro, Zorba e lua de mel.

MELHOR ÉPOCA PARA IR

Julho e agosto são dois meses que você deve evitar. É altíssima temporada, tudo lota e os preços triplicam (nos hotéis principalmente). Prefira maio, junho ou setembro. A temperatura é mais amena. No entanto, quanto mais próximo do inverno maior o risco de encontrar muitos estabelecimentos fechados nas ilhas.

Site do país: www.gnto.gr
Embaixada brasileira: Platia Philikis Eterias 14, 3º andar. Tel.: (30210) 7213039

Leia também:

Europa a 50 euros por dia: introdução


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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Grécia a 50 euros por dia – Parte 2


O maior barato da Grécia são as imagens que você traz de lá. (Foto: Martin Boose)

1. Quando chegar ao moderno aeroporto Eleftherios Venizelos de Atenas nem pense em pegar um táxi (a menos que você tenha vindo do Brasil – com escala em alguma cidade da Europa – para justificar os 40 euros da corrida). Caso contrário pegue o trem conectado ao metrô, que liga o aeroporto ao centro por 3 euros. O percurso dura cerca de 30 minutos.

2. Como sou muito mais história do que praia eu colocaria um dia a mais em Atenas para fazer um bate-volta ao Cabo Sounion, a 70 quilômetros de Atenas. Aqui está o Templo do Deus Posêidon (Netuno para os romanos) construído no século 7 a.C. O templo lembra em parte a Acrópole, mas a localização é uma das mais extraordinárias da Grécia. Entrada a 4 euros. Para chegar lá pegue um dos ônibus da empresa KTEL, na esquina das ruas Loulianou e Mavromatéon, próximo ao Museu Arqueológico.

3. Se tempo não for problema fique mais dois dias na península e conheça o Peloponeso, a região onde está localizada Esparta, aquela que abriu fogo contra Atenas na era clássica. Por aqui também há praias e alguns dos sítios históricos mais importantes – não só da Grécia – mas do mundo: Olímpia. O vilarejo – a 190 quilômetros de Atenas – é o berço das olimpíadas.  O Museu Olímpia abriga, além de fachadas dos antigos templos, uma maquete que reproduz como era a cidade. Entrada no sítio arqueológico mais museu a 9 euros.


Templo do Deus Poseidon, a 70 km de Atenas. (Foto: Chris Num)

4. Seu sonho é um cruzeiro pelas ilhas gregas? Pois ele cabe direitinho no nosso modelo 5.0 de viagem. A Easycruise – uma low cost dos mares – oferece, na baixa temporada, viagens de sete noites a partir de 199 euros por pessoa, em cabine dupla. Não estão incluídas alimentação nem bebidas. Pechincha! É como se fosse um up grade no seu albergue, com a vantagem de pular de ilha em ilha sem pagar o transporte. Detalhe: esse tipo de excursão, muitas vezes, não permite o slow travel – muito recomendado numa viagem a Grécia – já que visita muitos ligares em poucos dias.

5. Se for o seu caso, pergunte sempre se há descontos para estudantes, inclusive nas tarifas de barcos para as ilhas. Há várias atrações – o Parthenon, por exemplo – que podem sair de graça!

6. Existem diversas maneiras de viajar de Atenas para as ilhas: ferries, barcos rápidos e avião. Voar é a opção mais rápida (e mais interessante para quem tem pouco tempo), mas custa bem mais caro. No porto de Pireu, na capital, há várias agências com toda a grade de horários e valores. Só para ter uma idéia, uma viagem de sete a nove horas para Santorini custa em média 18 euros. O mesmo trecho de avião (50 minutos) chega a 100 euros. Mas se você comprar com antecedência – como tudo numa viagem planejada – pode encontrar tarifas bem mais acessíveis. Consulte os preços na Olympic Airlines.

7. Para chegar ao porto Skala Firon, em Santorini, você pode descer os 587 degraus desde o centro de Fira, – a “capital” da ilha. Sedentários e preguiçosos como eu, não desanimem! É possível pegar um bondinho para fazer o mesmo trajeto por 5 euros. Ou, melhor pedida, ir no lombo de um burrinho pelo mesmo valor. Dali do porto saem barcos para dois vulcões adormecidos, de fato, duas ilhotas simpáticas: Nea Kaemni e Palia Kamani. Percurso a partir de 20 euros.

8. Em Santorini, garanta sua fotografia de cinema no vilarejo de Oia (pronuncia-se “ia”). A oito quilômetros ao norte de Fira, Oia se debruça sobre o Mar Egeu contrastando com casas caiadas e igrejinhas de tetos azuis. A maioria das imagens da Grécia que povoam seu imaginário saíram daqui. Aproveite para se perder pelas ruelas até a hora do por do sol, que no verão acontece quase às 22h. Apesar de opiniões diversas, dizem, é o mais bonito do mundo. Como o maior barato da Grécia são as fotos que você traz de lá, essa é sua chance! Gratuito.

9. Conheça a Pompéia da Grécia e vá a Akrotiri, o principal sítio arqueológico da ilha de Santorini. Akrotiri é uma antiga cidade que foi soterrada por uma erupção vulcânica há mais de 3500 anos. O acesso ao local estava fechado até há bem pouco tempo. É bom se informar antes de ir. De qualquer maneira, os principais tesouros do lugar você poderá ver no Museu Arqueológico, em Fira. Entrada a 3 euros. Grátis no primeiro domingo do mês, menos julho, agosto e setembro, quando a entrada franca acontece no segundo domingo.

10. Vai ser difícil encontrar areia branca em Santorini, herança da origem vulcânica – o que garante uma paragem inusitada, mas nunca feia. Para sair da trilogia casa branca-teto azul-areia preta vá para o sul da ilha e conheça a Red Beach, toda enquadrada por uma falésia vermelha, uma espécie de Canoa Quebrada grega.

11. Para circular em Santorini existem ônibus que ligam o porto à capital Fira ou à vila de Oia. Mas a locomoção fica melhor se você alugar um quadriciclo (barato e divertido!) ou uma scooter. Diárias da motoneta a partir de 15 euros na baixa temporada – dividido por dois fica melhor ainda.


A Little Venice de Mykonos. (Foto: Lorena Ven)

12. Ao chegar a Mykonos descubra a ilha a partir do bairro Alefkandra, também chamado de Little Venice (pequena Veneza), onde há uma enseada com casinhas sobre palafitas dentro do mar. É o metro quadrado mais disputado de Chora, a capital da ilha. Mas para zanzar por ali tomando um vinho local você não deve pagar mais do que 4 euros.

13. A partir de Mykonos conheça Delos, a “ilha dos deuses”. Desabitada, está a meia hora de barco daqui. O lugar é considerado um dos mais importantes sítios arqueológicos da Grécia. O trajeto está em torno de 20 euros e os barcos saem entre 9h e 12h.

14. Critério de preços na hora de escolher onde comer, principalmente nas ilhas gregas: quanto mais bonita a vista, mais caro vai ser. Isso não significa que você terá que almoçar sempre olhando para uma parede branca. Apenas fique atento para não pagar uma bufunfa tremenda porque o restaurantinho tem um terraço despencando no mar. Pesquise e você vai encontrar lugares charmosos, com comida típica, oferecendo o menu do dia por 10 euros.

15. A Grécia pode ser considerada um destino barato porque as principais atrações – natureza, mar e arquitetura – estão disponíveis a qualquer um, de graça. Nas ilhas, o que você tem de obrigatório para fazer são caminhadas relaxantes. Invariavelmente,  pipocar de praia em praia. O transporte entre elas pode encarecer seu orçamento. Se preferir, escolha uma – no máximo duas – para levantar acampamento e saia de lá chamando o país de seu.

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quarta-feira, 09 de setembro de 2009

Grécia a 50 euros por dia – Parte 1


A Acrópole abriga uma das mais importantes edificações do mundo antigo, o Partenon. (Foto: Emilio Gep)

Os gregos inventaram a aritmética e a filosofia. Organizaram as primeiras Olimpíadas. Criaram a concepção da democracia. Mesmo assim, o país está longe da disciplina e do ambiente analítico e centrado de Sócrates ou Platão. A Grécia é agitada, falante, passional e egocêntrica. Para um grego, tudo por aqui é melhor: praias, ilhas, comidas e até o vinho! Hã?

Tirando os excessos, em parte eles têm razão. Talvez essa seja a viagem que leve você mais perto do berço da história e da percepção cultural que influenciou toda a humanidade. Mesmo assim, prepare-se para ter um siricotico quando chegar a Atenas: deusas gregas e cidades espartanas não existem mais. Deixe sua visão romântica nos livros do colégio.

Até há bem pouco tempo, a capital do país parecia uma aglomeração de choupanas toscamente construídas. Do alto, a visão da cidade é de um favelão perdido na própria biografia. O metrô só tinha duas linhas: uma que ia e outra que vinha. Tudo mudou – para muito melhor – quando o país sediou as Olimpíadas em 2004. Grandes reformas e injeção de alguns zilhões de euros transformaram o portão de entrada do país em um dos melhores anfitriões do continente.

Apesar da importância secular de Atenas, todo mundo costuma passar rapidinho por aqui para ficar mais tempos nelas, as – cantadas em prosa e verso – ilhas gregas. O arquipélago das Cíclades é o mais popular. Abriga as famosas Santorini e Mykonos. Mas existem Creta e Rhodes que equilibram paisagem e arquitetura antiga e Paros e Naxos, menos populares, só que igualmente fascinantes.

FALANDO GREGO…

É fato, a Grécia está economicamente melhor do que há alguns anos, mas continua sendo um dos países mais pobres da Europa. O que não significa que esteja uma pechincha. Ainda é mais barato viajar para cá do que para a Itália, é verdade. Só que preços módicos você vai encontrar se pesquisar muito e, principalmente, fugir dos meses de alto verão.

Ao contrário da Holanda – onde todo mundo nasce bilíngue – o grego tem algumas restrições em relação ao inglês. Mas diferentemente da França (que sofre das mesmas limitações, mas por motivos políticos), no caso da Grécia é falta de incentivo nas escolas. Mesmo depois das Olimpíadas, ainda é comum encontrar plaquinhas com os nomes de ruas escritas somente em grego (calma, nos pontos mais turísticos já há tradução para o inglês).

Uma amostra do ufanismo e da preservação idiomática sem precedentes: o alfabeto grego – apesar de ser mais do que milenar – não é usado em nenhum outro lugar do mundo, a não ser na Grécia. Se você arranha o inglês vai se virar bem. Sempre há um simpático grego também esfolando um çênquiu para você.

O BARATO DA GRÉCIA

ATENAS – A capital da Grécia é uma metrópole, mas não muito cosmopolita. Não, ela não lembra Roma e passa longe da organização de outros integrantes da União Européia. Mas sem comparações. Nenhuma outra cidade do continente carrega tamanha importância (e responsabilidade) na civilização ocidental. Para compreender a odisséia histórica comece sua visita pelo Museu Arqueológico Nacional. (Sei, você vai chegar e querer subir correndo para a Acrópole. Sangue frio, a gente já chega lá.) Além das relíquias dos templos gregos, você se aproxima da colossal cabeça de Zeus, das estátuas de mármore de Poseidon e outras tantas obras tão antigas quanto a história da Grécia. E isso quer dizer que estamos falando de algo bem antes da Era Cristã. Entrada a 7 euros. Estudante paga 3. Gratuito no primeiro domingo de cada mês – menos em julho, agosto e setembro, meses em que o museu abre as portas gratuitamente no segundo domingo do mês. E de novembro a março, entrada free em todos os domingos. Partindo para a Acrópole, o cartão postal do país, conheça o novo Museu da Acrópole. Todo envidraçado, tem vista para o complexo arqueológico e a entrada custa apenas 1 euro. Fecha às segundas. Bem, chegamos lá: eis a Acrópole, um complexo de templos erguidos no alto de uma colina. Aqui fica o Parthenon, construído em homenagem à deusa Atena. Pode ser visto de toda a cidade. A entrada custa 12 euros, vale por três dias e dá direito a entrada gratuita em todos os monumentos arqueológicos da cidade: Ágora Antiga, Ágora Romana, Templo de Zeus, Teatro de Dionísio e Keramikos. Chegou a hora de percorrer a cidade. Em Plaka, bairro turístico e cheia de becos e ruelas – estão muitos restaurantes e bares. É o centro histórico de Atenas. Conectada à região de Plaka pelas ruas Filellinon e Nikis, a Praça Syntagma é o centrinho financeiro, cheio de hotéis de luxo, banco e cafés convidativos. Pegue a rua Stadiou para chegar à Omonia – a praça mais agitada da cidade. Durante o caminho pare no Mercado Central, cheio de pistaches, amêndoas e doces gregos. Perto da Praça Monastiraki há um mercado de pulgas, onde você encontra toda sorte de badulaques a preços imbatíveis. Nem pense em alugar carro. O trânsito é infernal e os pontos turísticos são razoavelmente próximos. Para um ou outro ponto mais distante abuse do metrô que, depois das Olimpíadas, virou uma atração à parte em Atenas. Site da cidade: www.atheninfoguide.com


Vila de Oia, em Santorini. (Foto: Artupe´s)

SANTORINI – É uma das ilhas gregas mais famosas. Igrejinhas brancas com cúpulas azuis vão inundar sua máquina fotográfica. Areias negras e água transparente finalizam o pacote. Por atrair milhares de turistas e converter-se em destino desejado de 10 entre 10 turistas do mundo paga-se caro por aqui. Mas nada que uma acomodação muquirana aliada a refeições modestas não faça da sua estadia um luxo inteligente. O nome oficial da ilha é Thira. A capital Fira fica no topo da Caldera – uma enorme cratera de um vulcão ainda em atividade. Tem museus arqueológicos e, dizem, um bonito por do sol. Está a nove horas de barco de Atenas. Site: http://www.santorini.com

MYKONOS – Cheia de ruelas e labirintos, Mykonos faz a gente se perder não só pela desarranjada – e belíssima – arquitetura, mas principalmente pelo seu estilo inóspito de ser. Não dá para imaginar que um lugar tão árido e seco possa ser tão agradável e com uma graça ímpar. Apesar de contar com dois museus arqueológicos e um marítimo, o maior atrativo de Mykonos é a movimentada vida noturna. Para quem busca balada ela vai ser sua opção, enquanto Santorini acondiciona melhor momentos a dois. No entanto, qualquer agência, excursão ou guias metidos como o nosso indicam as duas numa tacada só. Caso queira conhecer um pouco mais da história do lugar visite o Museu Arqueológico de Mykonos. A entrada custa 2 euros. Gratuito todo primeiro domingo do mês, exceto em julho, agosto e setembro – quando o segundo domingo passa a ter entrada franca. Você vai entender boa parte do período helenístico nas peças do acervo. A ilha está a seis horas de barco de Atenas. Site: http://www.mykonos.gr

CRETA – A única floresta de palmeiras tropicais da Europa está em Creta. Mas não é bem isso que vai atrair você para a maior das ilhas gregas. Aqui é possível encontrar resquícios de uma das mais antigas civilizações do continente, os minoanos – provavelmente dizimados após uma enorme erupção vulcânica em Santorini, por volta de 1500 a.C. Está tão longe de Atenas (8 a 10 hora de barco) que acabou desenvolvendo até uma língua própria. Aproveite para entrar na lenda do Minotauro: aquele ser da mitologia – meio homem meio touro – era cretense. Aproveite as praias e faça sua imersão na história em estado puro.

RHODES – Está no arquipélago do Dodecaneso – o mais distante, próximo quase à Turquia. Possui paisagem diversificada e ruínas medievais. Minaretes de antigas mesquitas confundem-se com castelos dos cruzados. Eu viria para cá por tudo isso, mas principalmente para conhecer a terra que teria guardado até 237 a.C. o célebre Colosso de Rhodes – uma estátua de bronze de 35 metros de alturas, considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.

PARA FUGIR DO ÓBVIO


Mosteiros pendurados nos penhascos de Meteora. (Foto: Chimugherm)

Em vez de correr para o mar (ou além de…) vá para o centro do país e conheça Meteora, na região da Tessália – a 350 quilômetros de Atenas. A cidade abriga um enorme complexo de mosteiros fincados no topo de rochedos de arenitos. O acesso aos mosteiros era feito por guindaste e somente em 1920 construíram estradas de acesso. O menor pico em que se localiza um mosteiro está a 305 metros de altura. Os retiros ortodoxos passaram a ser conhecido por “meteoros”, que em grego significa “suspenso no ar”. Os mosteiros de Meteora são Patrimônio Mundial da Humanidade.

SEM MARCAR TOUCA

Caso queira ligar para o Brasil (e você não use o Skype, por exemplo) compre cartões telefônicos internacionais nos quiosques do centro de informações turísticas (na Praça Syntagma em Atenas há um). Vai ficar mais em conta do que adquirir chips locais para o seu celular GSM. As companhias gregas geralmente não têm boas tarifas, nem planos interessantes para países da América Latina.

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MATRAQUEANDO - Viagens e Comidinhas | Por Sílvia Oliveira | Jornalista & Blogueira | Curitiba, BR

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