Acordei pensando em Roma…
Foto: Raul Mattar
Existem tantas vantagens em viajar de carro que eu nem sei por que abandonei este gênero de passeio há anos. Estou falando daquelas expedições com tempo, cheias de contemplação em que a gente empaca onde quer, quando dá, do jeito que for.
Talvez a facilidade dos pacotes nacionais, a entrada de companhias aéreas low-cost nos país ou ainda o acúmulo de milhas me levaram mais aos aeroportos do que às estradas. Concordo, o que cobram pelo combustível é uma deselegância e há regiões com pedágios de valores indignos.
Mas viagens de carro costumam ser mais econômicas. É justamente a forma de transporte (para duas, três ou quatro pessoas peregrinando juntas) que barateia o custo final. O Brasil tem dezenas de roteiros cênicos – um mais charmoso do que o outro. Algum deles vai caber direitinho no seu bolso.
BELO HORIZONTE – OURO PRETO | Minas Gerais
Bem perto da capital mineira, você encontra um dos maiores e mais importantes conjuntos arquitetônicos e artísticos do Brasil. A viagem passa por Sabará que guarda inúmeras relíquias do período colonial. Mais adiante, em Caeté, a atração é a serra da Piedade – onde há um santuário no alto que proporciona uma suntuosa vista. Para chegar a Barão de Cocais são 30 quilômetros de estrada de terra, mas bem conservada. Uma espécie de Toscana brasileira. De Mariana – que abriga uma das catedrais mais ricas em ouro do Brasil – chega-se ao auge, em Ouro Preto, que dispensa apresentações. Dali para Tiradentes é um pulinho. Ao todo, são 167 quilômetros, num trajeto que deve ser percorrido em três ou quatro dias.
ESTRADA DA GRACIOSA | Paraná
É uma antiga trilha traçada pelos tropeiros para abrir um caminho entre planalto e litoral. Para chegar às cidades históricas do Paraná não é preciso descer, necessariamente, pela BR 277 – pagando R$ 12,70 de pedágio. A melhor opção é curtir esse pequeno e fofo trajeto. A estrada – de 33 quilômetros – passa por um trecho preservadíssimo da Mata Atlântica. É cheia de riachos, cachoeiras, bichinhos, flores e quiosques. Parte dela foi declarada Reserva da Biosfera pela UNESCO. A Estrada da Graciosa pode fazer parte de um bate-volta ou estar incluída numa viagem maior, passando por Morretes (onde você prova o prato típico do Paraná, o Barreado) e Antonina (que além do casario tem o melhor pastel de siri do estado) até chegar ao porto de Paranaguá.
LINHA VERDE | Bahia
Quem vem de Salvador deve pegar a Estrada do Coco (BA-099) até Itacimirim. Aqui começa a Linha Verde. Logo se chega a Arembepe – uma comunidade hippie que pouco mudou seu modo de vida desde que foi fundada na década de 60. A próxima parada, Praia do Forte, é um dos ápices do roteiro. Com uma vila sedutora, abriga o Projeto Tamar, um centro com vários tanques cheios de tartarugas. Ótimo para crianças. Dali até Imbassaí, um afinado vilarejo agreste cheio de coqueiros e hospedagens rústicas, são 10 quilômetros. Ao lado está o Costa do Sauípe, o primeiro resort da região. Já quem prefere o naturismo vai encontrar sua praia em Massarandupió, em Sítio do Conde. A sossegada Mangue Seco é a última parada da Linha Verde, já na divisa com o Sergipe. Foi aqui a filmagem da novela Tieta. Tem pouca estrutura, mas para os aficionados do gênero é a antecâmara do céu. Todo o percurso tem pouco mais de 200 quilômetros, mas a viagem exige pelo menos sete dias.
PARATI – RIO DE JANEIRO | Rio de Janeiro
O trecho fluminense da Rio-Santos é um dos mais harmônicos atrativos para quem se deleita com viagens cênicas. Baías, ilhas e cachoeiras serpenteiam 250 quilômetros da rodovia que forma o caminho. Depois de passar pelo centro histórico de Parati (onde é proibido circular de carro) aparece a baía de Angra dos Reis e suas mais de 300 ilhas. A 1h30 de barco de Angra está Ilha Grande, uma bem-sucedida parada antes de voltar à estrada. A região é montanhosa, com poucos trechos de ultrapassagem. Ao chegar próximo à capital, o trânsito fica mais intenso. Antes, faça uma paradinha em Grumari, uma das praias mais preservadas do Rio de Janeiro. Quatro dias de viagem, no mínimo.
VITÓRIA – ALTO DO CAPARAÓ | Espírito Santo a Minas
Pouco conhecido pela maioria dos brasileiros, este trecho pela serra capixaba revela uma parte do país que mistura paisagem, agroturismo e imigração. Já na BR-262 – em direção a Belo Horizonte – os 25 quilômetros até Domingo Martins são lentos e cheios de curva. A cidade, colonizada por alemães e italianos, está cheia de casinhas de madeira e restaurantes típicos. Mais adiante está o distrito de Pedra Azul, com uma rocha de mesmo nome que muda de cor conforme a posição do sol. O Parque Estadual da Pedra Azul é uma das principais atrações do roteiro. A 15 quilômetros do parque está Venda Nova do Imigrante, italianíssima cidade serrana. Pule para a Rodovia Pedro Cola (ES-166), onde há fazendas de agroturismo, vendendo produtos típicos. Mais 110 quilômetros e já está na estrada mineira que leva até o Alto do Caparaó, para a famosa caminhada ao Pico da Bandeira. Os 250 quilômetros rendem melhor se feitos calmamente em quatro dias.
Foto: Estrada da Graciosa, roteiro cênico no Paraná. (Raul Mattar)
Texto originalmente publicado na minha coluna “Viagens econômicas e inteligentes”, que sai toda semana no portal Descubra Brasil.
Recebo algumas dezenas de e-mails toda semana com perguntas variadas a respeito do Guia Personalizado Matraqueando – o único que trata você pelo nome!
Então, elaborei um F.A.Q. – que já está no submenu dos links do cabeçalho -com as questões mais frequentes.
1. O que é o Guia Personalizado Matraqueando?
Resposta: O Guia Personalizado Matraqueando é feito para quem tem necessidades específicas em relação a algum roteiro. Elaboramos um guia de acordo com seus anseios, tempo, dinheiro, estilo e preferência. São informações de hospedagem, comida, transporte, atrações, sites, história, arquitetura e curiosidades sobre o destino escolhido, tudo pensado conforme o dinheiro que você pode gastar e o benefício que quer obter.
2. Quem faz o guia?
Resposta: O guia é um projeto da jornalista Sílvia Oliveira, criadora e editora do site Matraqueando. O conteúdo que você vai receber é um material jornalístico, com linguagem simples e informações testadas e aprovadas pela agência de notícias VoucherPress, a única no Brasil especializada em turismo. Não se trata de um guia tradicional, mas algo estabelecido e absolutamente focado em você!
3. Como o guia é montado?
Resposta: Enviamos um briefing para desdobrar todo o roteiro. O briefing consiste numa série de perguntas para que possamos entender bem o que você quer, bem quanto quer gastar por dia, seus interesses pessoais, o que visitar, essas coisas. É um questionário rápido, fundamental para o desempenho do trabalho.
4. Qual é o formato do guia?
Resposta: O Guia Personalizado Matraqueando é entregue em formato digital (PDF) em duas versões: uma para leitura no computador e outra para impressão que sai em formato livro. É possível solicitar uma edição impressa do guia – com qualidade gráfica – mas isso tem um custo adicional.
5. Qual é o prazo de entrega?
Resposta: Mínimo de 30 dias úteis. No caso dos guias personalizados Europa a lista de espera chega a quase três meses. Solicite o seu com antecedência.
6. Quanto custa o guia?
Resposta: Por ser personalizado, isso varia de acordo com o número de países, cidades e/ou regiões que você quer incluir no guia. Geralmente o investimento está entre R$ 85,00 e R$ 260,00 reais**. Caso você esteja viajando em dupla ou grupo compensa muito. O valor pode ser dividido entre os viajantes e como o guia é entregue em formato digital (PDF) todos poderão ter uma cópia personalizada. ** Valores sujeitos a alteração sem aviso prévio.
7. Vocês vendem passagens ou pacotes?
Resposta: Não somos agentes de viagens, portanto toda a finalização de compras de passagem, hotéis ou reserva de carro deve ser feita por conta do cliente. Todo o nosso trabalho é independente. Nenhum serviço oferecido ou indicado no seu guia é propaganda disfarçada.
8. Como é a forma de pagamento?
Resposta: Via depósito bancário, antecipado. O seu investimento será feito em nome de VoucherPress – Agência de Notícias.
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As informações contidas no Guia Personalizado Matraqueando provêm de várias fontes. Embora todos os esforços de checagem sejam feitos, não nos responsabilizamos por divergências ou incorreções contidas nestes dados, nem temos responsabilidade civil por danos de qualquer tipo causados por erros ou omissões. É terminantemente proibido, sem limitações, vender ou reproduzir qualquer texto ou foto contidos na publicação.
Essa é o tipo de dica que só quem mora aqui conhece. Para começar, trata-se de um restaurante chinês. Portanto, não dá para entrar em qualquer um se não houver recomendação. Ao seguir a filosofia mundial dos estabelecimentos que vendem comida chinesa, o Restaurante Fonk, em Curitiba, segue à risca seus conterrâneos: comida boa, farta e barata.
O ambiente é simplérrimo, mas abriga uma enorme televisão LCD para você assistir ao jornal do meio-dia enquanto mata as lombrigas. Apesar de não ter luxo nenhum na decoração (aliás, pelo contrário, aqueles quadros de dragão são um horror!) é perfeito para quem está passando por ali ou trabalha no centro da cidade. Serve pelo sistema buffet – come-se à vontade – com diversos pratos quentes (camarão todo dia!), saladas, massas, sushi e banana caramelada de sobremesa.
De segunda a sexta custa R$ 7,90 – por pessoa. E nos fins de semana, a “fortuna” de R$ 8,90. Horário de atendimento: 11h30-15h. Fica na Rua Comendador Araújo, nº 276. Centro. Tel.: 41/3024.0661.
Fotos: Matraca’s Image Bank
Foi há 14 anos para ser mais exata. (Impressão minha ou o Raul estava mais magro?) A gente se conheceu no SBT, em Maringá, no meu primeiro emprego como jornalista. Ele já trabalhava lá há tempos e foi designado para ajudar a foca de madeixas longas que nem sabia direito segurar o microfone. Casamos no dia 23 de fevereiro de 2006, no mesmo dia em que completávamos 10 anos de… namoro! Sim, eu sou persistente. O final da história você já conhece.
No domingo passado – ao descer a Estrada da Graciosa para ver o Carnaval de Antonina – paramos, primeiro, em Morretes. Já era tarde, quase oito da noite. Fomos com um casal de amigos, Alessandro e Conchita.
Ao chegar a Morretes, uma das charmosas cidades históricas do Paraná, nos demos conta de que estava tudo fechado e vazio. Todo mundo já tinha zarpado para a vizinha Antonina.
Ficamos por ali uma meia hora e o Alessandro posicionou a máquina fotográfica dele num dos cantinhos mais pitorescos da cidade. Uma ruela cheia de arandelas, com a igreja ao fundo. Estava trovejando e caíam muitos raios. Num dos clarões, o Alessandro conseguiu este clique – dando luz ao céu, naquela altura, totalmente apagado. Ficou lindo e ele, gentilmente, cedeu a imagem para o Matraqueando!
Foto: Alessandro Pradela
Para ver esta ruela de dia, dê uma espiada no nosso post sobre Morretes.
Bolinho de Macaxeira: iguaria nordestina. (Foto: Matraca’s Image Bank)
1. Assuma sua porção muquirana
Todo mundo que viaja tem seu momento patrão. Dá ordens para o taxista. Reclama com o garçom. Solicita toalhas extras. Exige café da manhã colonial. Esbanja gorjetas. Só que estamos falando de viagens econômicas. Gastar menos não significa ter que expiar os pecados em todas as férias, mas há restrições – que podem variar do hotel-pelourinho à classe chicoteia do avião. Faça sua planilha de gastos, estipule valores diários, priorize o urgente e dê preferência ao importante. Seja nobre, mas não arrogante.
2. Pacotes X viajar por conta
Há alguns anos os pacotes eram o melhor custo-benefício para quem queria conhecer algum destino brasileiro. Ainda existem boas pechinchas do gênero. Mas com a entrada de novas companhias aéreas no país, viajar de avião ficou mais fácil e barato. Algumas empresas dividem o valor da passagem em até 36 vezes. A ampla oferta de hotéis, pousadas e hostels também abre a possibilidade de encontrar hospedagem com preços honestos e compatíveis com seu orçamento. Se puder, evite marcar bilhetes de ida e volta na sexta e segunda-feira. Os dias mais baratos para viajar são terça e quarta. Pesquise e compare antes de comprar!
3. Estude seu destino
A menos que você vá para um resort – cujo destino é o complexo em si – aprenda sobre o modus-operandi do lugar que vai visitar. Blogs, sites, revistas e guias de turismo são feitos para isso mesmo. Virar um explorador à la Marco Pólo justo no dia em que sua viagem começa vai fazer você perder tempo, o bem mais valioso em uma viagem. Quem não sabe o que ver ou fazer no destino costuma arruinar roteiros clássicos, comer mal, comprar errado e, invariável, pagar muito.
4. Utilize o transporte público
Não reclame. Até Curitiba – com um transporte público considerado modelo para muitos países – tem lá seus problemas no quesito locomoção barata. Como o próprio nome diz é um serviço de uso comum, compartilhado e, por isso, mais acessível. Use o busão de forma inteligente. Horários de pico e trajetos muito longos vão comprometer seu bom humor. Prefira metrô e ônibus para passeios depois das nove da manhã e antes da cinco da tarde. Economizar nos tours privados ajuda a monetizar sua viagem. Só apele para o ar condicionado dos táxis em caso de (muita!) chuva ou se for meio-dia e a temperatura passar dos 30ºC.
5. Caminhe
Nem só de táxi, ônibus ou metrô vive um turista. Explore roteiros que possam ser feitos a pé. São gratuitos e despojados de preconceitos. Caminhar da igreja matriz até o museu mais próximo ou da praia até a praça central sai de graça. É nesse trajeto descompromissado que você vai descolar aquele restaurantinho prosaico e econômico que nenhum guia consegue indicar. Ou vai descobrir uma rua, uma loja, um monumento que só a sua história de viagem poderá contar.
6. Conheça o supermercado local
Os grandes mercados de rede ou até aquele empório na esquina do seu hotel podem render deliciosos e econômicos lanchinhos. Sucos de caixinha, pães, bolos e frutas – tudo em porções individuais – são fáceis de carregar e enganam aquela fominha miserável que faz você gastar um bom trocado no meio da tarde. Aproveite para incluir no seu self-mão-de-vaca-service as comidinhas de rua: são típicas, baratas, aconchegantes e levam você à essência de qualquer lugar.
7. Fuja dos feriados
Quantas vezes você já ouviu esse conselho? E quantas vezes você não seguiu a recomendação? Sim, eu também tenho dias de folga justamente nos feriados prolongados, assim como você. O ideal é negociar no trabalho e com a família para que as viagens não coincidam com os fins de semana que duram quatro dias e custam cinco vezes mais. Se for inevitável viajar nesses períodos ou em alta temporada planeje e reserve tudo com muita antecedência (leia-se três meses antes, no mínimo) para tentar alguma barganha.
8. Dê preferência a hotéis com wi-fi grátis
Se você tem um computador portátil ou celular com acesso à internet vai economizar muito se seu hotel ou pousada oferecer conexão gratuita. Além de poder revisar os e-mails – para os que não conseguem viajar desplugados – é possível falar com a família através de sistemas como o Skype. Do computador para um telefone fixo ou móvel você pode fazer chamadas com tarifas simbólicas. Abra uma conta em Skipe.com.
9. Pesquise o clima da região
Alguns dias antes do embarque investigue nos sites especializados em previsão do tempo como está o clima no seu destino. Saber se vai chover, fazer muito calor ou muito frio ajuda na hora de montar a mala e evita gastos desnecessários por conta das intempéries de São Pedro.
10. Vá às compras com moderação
Já aprendi – por experiência própria – que não adianta dizer: fuja das compras! Investir num badulaque qualquer faz parte do processo psicológico ao qual somos submetidos durante uma viagem. Quando saímos de férias subimos um posto na nossa hierarquia pessoal. Por mais econômico que seja o seu passeio você vai gastar em uma semana fora de casa o que provavelmente gastaria durante um mês ficando nela. É como subir na vida por 15 dias. Ir às compras vai consagrar esse seu estado emergente. O segredo é estipular um valor para os souvenires. Ninguém mais do que você é capaz de determinar quanto custa para ser feliz!
Texto publicado originalmente na minha coluna “Viagens econômicas e inteligentes”, que sai semanalmente no portal Descubra Brasil.