domingo, 18 de abril de 2010

Mais do que compreender questões históricas, os momentos mais importantes nas minhas viagens são os pontos geográficos. Talvez por ser uma pessoa sem absoluta orientação mapística – confundo até hoje a ordem dos estados do nordeste, nunca sei quem vem antes de baixo para cima, se Pernambuco ou Paraíba – tenho absoluto fascínio por verificar in loco tudo aquilo que a tia da escola me ensinava… e parecia tão longe. Ou inatingível.


Estou segura de que muita gente sabe onde ficam os Lençois Maranhenses, mas nunca havia escutado falar neste passeio ao Delta do Rio São Francisco. Eu, ao contrário, descobri os tais lençois lendo alguma destas revistas especializadas há poucos anos. Já o Chicão, é meu amigo do peito, meu irmão camarada desde 1983, quando cursei a quarta série do primário. Um encontro esperado há quase 27 anos, imagine só!



Então, para ficar fácil de entender: o passeio à foz do Rio São Francisco é uma espécie de Lençois Maranhenses… das Alagoas! Em dias de sol, as águas do rio ficam verdinhas, o que faz um contra-ponto perfeito com as dunas que aparecem no meio do caminho, pouco antes do encontro com o mar. Antes disso, o Velho Chico atravessa serras e cânions, banha cidades históricas e gera riqueza às comunidades ribeirinhas. (Tô louca para chamar de “Nilo Brasileiro”, mas acho que minha cota de chavão e clichê da semana já se esgotou.)


Quando a escuna começa a entrar naquela imensidão, explicam que em caso de despressurização da cabine devemos usar o colete salva-vida e… tampar o nariz. Na embarcação – com capacidade para 80 pessoas – há água, refrigerante e cerveja à venda. Durante o trajeto são servidas frutas frescas (de grátis!) aos passageiros. Ah, havia 68 pessoas a bordo. Contei, por via das dúvidas.



O condutor do barco, Seo Manoel – assim como todas as embarcações que percorrem o trajeto – faz uma parada estratégica nos bancos de areia, as dunas do São Francisco. Mesmo com tempo nublado, chuvoso e com as águas do rio escuras por conta do aguaceiro que caia na região nos últimos dias, descobre-se uma das mais lindas paisagens do Brasil. Piscinas naturais se formam entre as dunas, recheadas de coqueiros e… turistas. Eu, feliz e privilegiada entre eles, claro!




A parada dura 1h30. Existem vários vendedores a postos com suas cocadas (uma por R$ 3, duas por R$ 5), bolo de aipim (idem!) e artesanato representando a imagem do santo que deu nome ao rio. Até arrisquei molhar os pés no Chicão (já contei aqui meu momento-superação) e percorri sem parar aquele areião sem fim. Lugar tão singular que só aqui você encontra imagens inusitadas como um siri… à beira do rio.



Mais adiante, o encontro: o rio deságua no Oceano Atlântico e é engolido pelo mar. A escuna não se aproxima muito por motivos de segurança. O zoom da camerazinha tômatica também não ajuda. Então, agilizei umas três, quatro fotos e, de sobra, fiquei observando aquele fenômeno, lembrando-me – eternamente agradecida – da tia da escola. Na caixa de som do barco começa propositalmente aquela música principal do filme “1492”. (Desculpe, não deu para não rir!) Eu teria preferido ouvir o hino nacional, com todas as restrições a sua letra e música. Mas valeu. A trilha sonora foi o momento-ronald-golias do passeio.


A volta foi silenciosa. Já não sei se era a fome, o encanto ou o cansaço. Chegamos por volta das 14h em Piaçabuçu, onde um buffet de comidas regionais esperava os turistas que compraram o pacote completo (traslado + barco + almoço). Provei o bobó de camarão e um revirado de carne seca, que lá eles chamam de carne de sol. Regressamos para Maceió às 15h30. Com a certeza de que vou voltar!

SERVIÇO:
Quando ir
Melhor no verão. De abril a julho chove mais.
Como chegar
Várias agências oferecem pacotes saindo de Maceió e cobram entre R$ 60 e R$ 70. Inclui o traslado, o passeio de barco até a foz e o almoço. Bebidas à parte. Algumas fazem só o traslado por R$ 35,00. Caso queira alugar um carro, o acesso até Piaçabuçu – a 130 quilômetros – se dá pela AL -101. Comprado à parte, o tour de barco sai a partir de R$ 20,00. Do cais até a foz são 50 minutos, mas o passeio todo dura umas três horas. A viagem de Maceió até Piaçabuçu dura cerca de 1h40.
Recomendação
Leve água, protetor solar e traje de banho.
Fotos: Matraca’s Image Bank
Passeio à Foz do Rio São Francisco | Parte 1
Passeio à Foz do Rio São Francisco | Parte 2
O passeio à foz do Rio São Francisco faz parte da Expedição Brasil Express, by Matraqueando. Entenda o projeto.