Silvia Oliveira

Na categoria Porto Seguro

quinta-feira, 02 de novembro de 2006

Mar e montanha em Porto Seguro

Pelo menos uma vez ao dia o mar vira sertão, em Porto Seguro. Quando a maré baixa, enormes piscinas naturais se formam lá no meio do Atlântico. Coroa Alta – a 3,5 km da costa e Recife de Fora – a 9 km – são os mais concorridos. Não precisa comprar as excursões da CVC ou da Panex, que cobram entre R$ 40 e R$ 60,00 pelo passeio. É possível ir sozinho. Existem dezenas de agências pela cidade que oferecem o mesmo percurso por R$ 15,00. Navegando pelo Rio Tiba, ao longo da ilhas de corais, que separa o rio do mar, a gente chega à Coroa Alta. Há várias piscinas naturais e é possível caminhar pelo banco de areia, que surge no meio do mar aberto. Na verdade, de areia o banco tem muito pouco, são formações milenares de detritos marinhos. Por isso, já sabe: nada de trazer “conchinha” para casa. Deixe tudo o que é de lá, lá mesmo.
 
Em Recife de Fora, a diversidade biológica é semelhante à de Abrolhos, onde são encontradas várias espécies de corais e peixes como paru, peixe-frade, moreia, arraia, budião-papagaio, além de moluscos e tartarugas. As escunas que levam aos bancos de areia e coral partem de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália. Leve máscara de mergulho e tênis para não cortar os pés nos corais. Mas se você esquecer dos apetrechos, não se preocupe. Na hora de embarcar aparecem, não se sabe de onde, dezenas de nativos que alugam – bem baratinho – tudo o que você precisa para desfrutar do passeio.
 
Andando na direção contrária, a 70 quilômetros para o interior está o Parque Nacional de Monte Pascoal. Foi o seu topo que Cabral avistou quando chegava a nossa terra. São 14 mil hectares de uma deslumbrante mata atlântica preservada. Os 535 metros de altitude se transformam numa rampa de 1,5 km, convertida em uma hora de caminhada. Em dias de chuva o Parque fica interditado para turistas, por perigo de deslizamento. Se fizer sol, não perca tempo. Passe um dia em Monte Pascoal e entenda por que Pero Vaz de Caminha não se cansou de elogiar a Terra de Vera Cruz em suas cartas para o rei de Portugal.
Foto: Trek Lens
 
 
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terça-feira, 31 de outubro de 2006

Porto Seguro, para expiar os pecados. Ou não.

Se você decidiu que qualquer dia passará suas férias – ou parte dela – em Porto Seguro deve escolher se vai para expiar seus pecados ou para passar uma semana muito agradável no paraíso. Ta certo que é um pedaço pequeno do paraíso. E anjo não é bem o que você vai encontrar por lá. Muito menos tocando harpa e comendo maçã. No entanto, dependendo da sua expectativa em relação à cidade você poderá conhecer, segundo o publicitário Ricardo Freire, o purgatório – ao vivo e a cores.

Exagero. Olha só minha descrição: as praias de águas calmas têm, às margens, uma moldura de coqueiros. Areias grossa e fina se intercalam nas Praias de Curuípe, Mundaí, Itacemirim e Taperapuã- a mais famosa. A Praia do Cruzeiro – de águas limpas, mas escuras – foge à regra devido o encontro do mar com o Rio Buranhén. O fenômeno pode ser visto por quem passa na rua, ao lado da orla. Barracas espalhadas nos cem quilômetros de areia são pontos de encontro dia e noite. Viu, que lindo! Continuando…, ao longo do areião, água de coco é a bebida oficial e o axé (toc, toc, toc, pé de pato, mangalô três vezes), o ritmo sagrado. E aí você pode procurar um padre para se confessar. (Dizem que se a gente se arrepender de todos os pecados antes de morrer, vai por céu – diretinho.)

Foto: Treak Earth

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terça-feira, 31 de outubro de 2006

A Passarela do Álcool


O casario colorido da Passarela do Álcool, um minishopping ao ar livre em Porto Seguro – abre espaço para uma infinidade de lojinhas que vendem desde as tradicionais camisetas “sogra devia ter dois dentes, um para doer e outro para abrir garrafa” até berimbaus e artesanato indígena feito de madeira, coco e argila. Aliás, ir a Porto Seguro e não comprar um berimbau é crime. O problema é onde por o trambolho quando a gente volta para casa.

É à noite que a Passarela do Álcool revela a maior concentração de bares da cidade, onde várias barracas decoradas com arranjos de fruta vendem batidas e o já tradicionalíssimo “Capeta” (ui), bebida típica que mistura vodca, mel, canela, guaraná em pó e leite condensado. Cremdospadre! As melhores opções de restaurantes também estão aqui. Moqueca por R$ 16,00. Para dois. A noite continua nas muitas barracas de praia, que se alternam na promoção dos luaus. Cada dia tem uma festa diferente à beira mar. Sempre regada à música baiana. Nativos tiram os turistas para dançar e o clima caloroso desse povo contamina até o mais tímido e desajeitado que estiver dando sopa por ali.

Dançar faz parte da alma dessa terra. É música o tempo todo, por todos os lados. Mesmo que você tenha vindo para cá, jurando que odeia axé (toc toc toc, sai di mim mizifio!), vai levar um susto se – de repente – já estiver mexendo o pezinho ou batendo os dedos na mesa, acompanhando o compasso contagiante. Um ritmo, que mistura o bom humor e o prazer de uma gente que adora ver você por aqui. Amém.

Foto: Treak Earth
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domingo, 22 de outubro de 2006

Porto Seguro é a nossa história

Nem mesmo Cabral podia imaginar as belezas que encontraria nessa pequena faixa de terra do litoral baiano quando gritou “Terra à Vista”. O navegador português inaugurou aqui a história do Brasil e fez de toda essa região a chamada Costa do Descobrimento. O marco zero do país, quem diria, só foi oficializado três anos depois da chegada da frota de naus e caravelas lusitanas. Trazido pela expedição de Gonçalo Coelho, em 1503, o pequeno obelisco – batizado de Marco de Posse – está, hoje, no modesto centro histórico de Porto Seguro.

A cidade continuou primitiva até pouco tempo e foi redescoberta por turistas do mundo todo a partir dos anos 70. Porto Seguro, com 100 quilômetros de praia, é sol e mar o ano inteiro. Carrega com todo orgulho, a igreja mais antiga do Brasil, fundada em 1526. A primeira missa, reza a história, foi a 22 quilômetros dali, no município de Cabrália. Mas tudo bem, é tudo pertinho. E ai de quem ousa contrariar e dizer que não foi ali ou foi mais para lá. Cada povoado da região disputa o local exato onde tudo aconteceu. Não importa. A verdade é que começou por aqui, em algum lugar.

Fotos: Raul Mattar

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domingo, 22 de outubro de 2006

Certidão de nascimento do Brasil

Senhor (…) Vossa Alteza:

(…) Houvemos vista de terra! (…) ao qual monte alto o capitão pôs o nome de o Monte Pascoal e à terra A Terra de Vera Cruz!

(…)Já lá estavam dezoito ou vinte. Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Traziam arcos nas mãos, e suas setas. (…)
Mostraram-lhes uma galinha; quase tiveram medo dela, e não lhe queriam pôr a mão. Depois lhe pegaram, mas como espantados. Deram-lhes ali de comer: pão e peixe cozido, confeitos, fartéis, mel, figos passados. Não quiseram comer daquilo quase nada; e se provavam alguma coisa, logo a lançavam fora. Viu um deles umas contas de rosário, brancas; fez sinal que lhas dessem, e folgou muito com elas,(…) e acenava para a terra e novamente para as contas e para o colar do Capitão, como se dariam ouro por aquilo.
(…)
Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente.
(…)
Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500.

Pero Vaz de Caminha

Imagem: Biblioteca Nacional Digital de Lisboa

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quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Porto Seguro, embarque imediato

 
Concordo. Porto Seguro está mesmo démodé e faz tempo. Depois dele já vieram Trancoso, Itacaré e Caraíva.

Destino legal é aquele que primeiro só vão os birutas (que a gente chama carinhosamente de hippies), depois chegam as celebridades (que acabam montando um restaurante ou uma pousadinha da hora) depois o lugar é abraçado pelos farofei…, quer dizer – por nós – os mortais. Estive lá três vezes, bem depois dos excêntricos e dos artistas, é verdade.
O destino, pelo custo benefício, é o melhor do Brasil. A minha veia muquirana não resiste: pacotes de 7 dias, com hotel, avião (a-vi-ão!), traslado e city tour por 8 x R$ 66,00 para ficar refestelada numa praia baiana???!!! Isso porque não é sóóó uma praia baiana.
 
Tem gente que viaja meio mundo para ver ruínas pré-colombianas, atravessa um quarto de Europa para conhecer a casa de Dalí ou se embrenha no deserto para ver pirâmides misteriosas e não vai a Porto Seguro conhecer de pertinho onde o Frei Henrique de Coimbra rezou a primeira missa do Brasil.
Não pelo fato de ser a primeira missa. Podia ser o primeiro rito de candomblé ou a primeira oração do Pastor Coimbra. O que importa é que ali – ou mais ou menos naquela região – está onde tudo começou.
 
 
Foto: Raul Mattar
 
 
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MATRAQUEANDO - Viagens e Comidinhas | Por Sílvia Oliveira | Jornalista | Curitiba, BR

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