Silvia Oliveira

Europa a 50 euros por dia

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Europa a 50 euros por dia | Post-índice

Aqui você encontra todos os nossos artigos do guia Europa a 50 euros por dia, carro-chefe absoluto do Matraqueando. São oito países divididos em três partes cada. Na primeira seção eu indico alguns dos melhores passeios (gratuitos ou não) pelas principais regiões do país. Na segunda parte foram pinceladas mais 15 dicas especiais. Já na terceira você encontra sugestões de onde ficar e onde comer sem gastar os tubos. Preços e horários podem sofrer alterações. Restaurantes fecham e hostels mudam de dono. Para evitar aborrecimentos informe-se antes de ir!

INTRODUÇÃO
Entenda a série Europa a 50 euros por dia
Europa a 50 euros por dia: manual do usuário

DICAS ESSENCIAIS
Europa barata: 10 dicas para economizar com dignidade
Europa barata: hospedagem, alimentação e transporte

ALEMANHA A 50 EUROS POR DIA
Alemanha – Parte 1
Alemanha – Parte 2
Alemanha – Parte 3

ESPANHA A 50 EUROS POR DIA

Espanha – Parte 1
Espanha – Parte 2
Espanha – Parte 3

FRANÇA A 50 EUROS POR DIA
França – Parte 1
França – Parte 2
França – Parte 3

GRÉCIA A 50 EUROS POR DIA
Grécia – Parte 1
Grécia – Parte 2
Grécia – Parte 3

HOLANDA A 50 EUROS POR DIA
Holanda – Parte 1
Holanda – Parte 2
Holanda – Parte 3

INGLATERRA A 50 EUROS POR DIA
Inglaterra – Parte 1
Inglaterra – Parte 2
Inglaterra – Parte 3

ITÁLIA A 50 EUROS POR DIA

PORTUGAL A 50 EUROS POR DIA
Portugal – Parte 1
Portugal – Parte 2
Portugal – Parte 3

Projeto e redação: Sílvia Oliveira
Foto: Raul Mattar

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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Portugal a 50 euros por dia – Parte 3

ONDE FICAR EM PORTUGAL

Tarefa fácil. Portugal tem alguns dos melhores albergues do mundo, eleitos por sites especializados como o Hostelword.com. Caso queira fazer um up grade em hospedagem, o país é uma das melhores opção do seu roteiro. Aqui você encontra bons hotéis de 3 ou 4 estrelas pela metade do que você pagaria numa hospedagem similar, em Londres, por exemplo. Consulte o Hoteis.com e o Booking.com .

HOSPEDAGEM ECONÔMICA EM PORTUGAL

Na capital, o Lisbon Dreams Guest House tem quartos – single, duplo ou triplo – ótimos e charmosos. Fica no centro histórico, num casarão amarelo-ouro de esquina. Diárias em acomodação dupla saem a partir de € 45 com internet wi-fi grátis incluída. Detalhe: não há banheiro privativo. Já a Pensão Globo é um clássico na cidade para quem tem um escorpião no bolso. Quartos bem simples com detalhes coloridos. Fica no Bairro Alto, próxima à praça Luís de Camões. Diárias a partir de € 50. Mas na baixíssima temporada podem ficar entre € 25/30. O Travellers House  já ficou em primeiro lugar na lista dos melhores hostels do mundo. Tem cozinha equipada para o hóspede e wi-fi grátis. Os quartos com banheiros – somente três privativos – ficam num apartamento ao lado. Está na Baixa, um bairro central e descolado. Diárias nos quartos coletivos a partir de € 18 e no quarto duplo, a partir de € 60. (O site é bonito, mas pouco funcional: não traz tarifas nem dicas de como chegar.) A Rede Íbis também tem hotéis bacanas na cidade. Os mais bem localizados são o Íbis Lisboa Liberdade e o Íbis Lisboa Saldanha. Diárias para casal a partir de € 55. Café da manhã à parte: € 6 por pessoa.

Já o Porto tem recorde de hostels excelentes e baratíssimos. O Spot Hostel tem a incrível marca de 94% de aprovação no Hostelword. Está a dois minutos a pé da estação de Metrô da Trindade, linha que serve o aeroporto e a dois passos da Torre dos Clérigos e da Ribeira. Café da manhã, wi-fi nos quartos e lençóis incluídos. Diárias nos dormitórios a partir de € 16. O quarto triplo sai a partir de € 18. Não tem quarto duplo, mas se a ideia é privacidade, pelo custo-benefício, compensa pegar um triplo e, ainda assim, sai em conta! Não há banheiro privativo. No Wine Hostel  (o site está em construção) – que fica perto do centenário Café Piolho e da Torre dos Clérigos – oferece café da manhã, lençóis e wi-fi grátis nos quartos. Toalhas podem ser alugadas. Está num casarão histórico reformado. Diárias nos dormitórios a partir de € 17. Quarto duplo a partir de € 40. Todos os quartos têm banheiro privativo.

Em Coimbra, o Grande Hostel pode ser uma opção bacana. Está a cinco minutos da Praça da República. Quartos coletivos a partir de € 18 e de casal a partir de € 40. Café da manhã e internet wi-fi incluídos.

Um achado em Albufeira, no Algarve: os apartamentos Soldorio  ficam a 150 metros da praia. São aparts tipo estúdio com cozinha, TV e telefone. Tem piscina e sauna. Apartamento para duas pessoas com a incrível tarifa de € 36 – o apê, não por pessoa. Em alguns períodos do ano, há descontos especiais, como “fique sete dias e pague cinco!”. Consulte as promoções aqui.

ONDE COMER BEM E BARATO EM PORTUGAL

Eu não diria, assim, para você entrar em qualquer tasca, uma espécie de taverna-restaurantinho-botequim português, que apareça na sua frente. Mas posso afirmar que a maioria não vai fazer feio! Se você estiver caminhando, em qualquer cidade do país, e encontrar uma portinha simpática cheia de gente – principalmente se a multidão for de nativos – pode entrar. Provavelmente você vai comer muito bem pagando muito pouco. Coisa de € 4 ou 5 euros por prato bem servido.

No restaurante Ceia Minhota, em Lisboa, você poderá provar pratos típicos gastando em torno de € 9. O tradicional Cozido à Portuguesa é servido às quartas-feiras. Aaaah, o Pastel de Belém – o doce emblemático do país – feito com recheio de ovos e massa folhada. Coma onde é melhor: na fábrica dos pastéis de Belém. Custa € 0.90 cada. E, em qualquer oportunidade não deixe de provar uma tosta-quente, o misto-quente deles! Prove  a do café A Brasileira, bat-point do tudo vale à pena… Fernando Pessoa!

Em Sintra, nos arredores da capital, conheça o pequenino Tasca Mourisca. São menos de 10 mesas, onde você poderá provar um maravilhoso Bacalhau à Brás por € 8. Fica na Calçada de São Pedro, nº 28. Atende das 12 às 15h e das 19h às 23h.

No Porto comida boa e barata é no Café dos Lóios. O “Prego no Prato” – o PF deles – não sai por mais de € 5. Fica no Largo dos Lóios, 21 – próximo à Praça da Liberdade. No tradicional Mercado do Bolhão você mergulha na alma portuguesa. Compre um punhado de azeitonas para saborear com vinhos da região ou coma nos ótimos e baratos restaurantes no segundo andar.

Em Coimbra, se você for estudante com carteirinha, aproveite as cantinas – espécie de refeitórios da Universidade de Coimbra. O Prato Social custa € 3,30 (com sopa de entrada, o prato do dia, sobremesa e uma garrafa de água mineral.). Querendo pagar um pouco mais, experimente o bacalhau com natas por € 4,50. Para encontrar a cantina mais próxima entre em contato com a Universidade de Coimbra. Há diversos endereços na cidade.

SESSÃO MÃO-DE-VACA-MUQUIRANA

Conheça algumas vinícolas na região do Porto. Na cave Ramos Pinto, fundada em 1880, no município Vila Nova de Gaia (a 11 km do Porto), a visita custa € 5 e inclui degustação. Rá!

MOMENTO EXTRAVAGÂNCIA

Cê sabe que o momento extravagância de uma viagem mega-econômica como essa não pode ser irreal. Para se dar ao luxo sem ter que gastar os tubos faça uma refeição sofisticada no restaurante Eleven – o primeiro e único restaurante de Lisboa com uma estrela no guia Michelin. O chef  alemão Joaquin Koerper elabora pratos requintados a € 43 euros no almoço com o vinho incluído. No jantar são € 74 e o menu degustação sai por € 89 – ambos sem bebida. Faça reserva!

Ó QUE CURIOSO

Bicha é fila, cueca é calcinha, rapariga é apenas uma mocinha de família, porreiro é gente bacana e rabo pode ser bumbum ou final da fila. E para chamar o garçom – conhecido como empregado de mesa – experimente o sefazfavoire… o “por favor” deles.  Pois, pois, ó pá!

UM FILME PARA INSPIRAR

Capitães de Abril, de Maria de Medeiros (2000)

PORTUGAL LEMBRA

Nosso passado, Saramago, vinho do Porto, azulejo e o tio Manoel… da padaria.

MELHOR ÉPOCA PARA IR

Prefiro as estações intermediárias, outono e primavera. De dezembro a fevereiro faz frio, mas não chega a ser nada congelante. O detalhe é que chove mais nessa época. Claro que no verão todo e qualquer lugar fica mais animado. Portugal também. Mas os precinhos inflacionam fácil, fácil.

Site do país: www.visitportugal.com
Embaixada brasileira: Estrada das Laranjeiras, 144 tel.: 217 258 510 | www.embaixadadobrasil.pt

Leia também:

Europa a 50 euros por dia: introdução

Portugal – Parte 1 | Portugal – Parte 2 | Portugal – Parte 3
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Foto: Sílvia Oliveira
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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Portugal a 50 euros por dia – Parte 2

+ 15 dicas de Portugal

1. Antes de botar o pé pra fora do avião saiba que autocarro é ônibus, comboio é trem, eléctrico é bonde e telemóvel é celular. E quando você fizer uma ligação telefônica na terrinha não se assuste. Em vez de dizer um simples alô, eles se saem com essa: tô sim! ou está lá? Não me pergunte o porquê.

2. O aeroporto de Lisboa não está interligado à rede de metrô da cidade. Mas é super fácil – e barato – chegar ao centro. Se for de ônibus, há várias linhas conectando o terminal de desembarque com diversos bairros da capital. A passagem custa € 1,40. O Parque das Nações, por exemplo, está a cinco minutos do aeroporto. Você também pode optar pelo Aerobus ou Aeroshuttle (ticket a € 3,50 cada – válido por 24h também no transporte público, menos metrô). Tanto o Aerobus (cada 20 minutos) quanto o Aeroshuttle (cada 30 minutos) passam por diversos hotéis, mas seguem por rotas diferentes. Consulte aqui.


Os eléctricos de Lisboa proporcionam passeios bacanas e baratos.

3. Como as distâncias em Portugal são pequenas compensa muito fazer os trajetos entre as principais cidades de trem (Alfa Pendular ou Intercidades). São viagens rápidas e econômicas. Lisboa-Porto a partir de € 20. Lisboa-Coimbra a partir de € 16,50. Lisboa-Faro a partir de € 16. Veja preços e horários no site do Comboios de Portugal.  Se você for de carro de Lisboa para o Porto, por exemplo, só de pedágio são quase € 20.

4. Para conhecer mais do encontro entre a cultura portuguesa e asiática, visite o novo Museu do Oriente, em Lisboa. Inaugurado há dois anos, está numa construção da década de 30 chamada… Pedro Álvares Cabral.  Entrada € 4. Às sexta-feiras, das 18h às 22h, a visita é grátis. A Fundação Calouste Gulbenkian também não pode ficar de fora. É um dos centros culturais mais importantes de Portugal. O museu reúne relíquias da arte egípcia, grega e clássica. Entrada € 4.  Já a Coleção Berardo é outro novíssimo museu focado na arte contemporânea. E melhor, com entrada gratuita.

5. O centro de informações turísticas do Porto oferece – de graça – mapas e o Guia Turístico com diversas informações práticas, o Guia de Museus e a Agenda do Porto, com dicas culturais. Fica na rua Clube dos Fenianos, 25. Fone 223.393.472.

6. Na Biblioteca Municipal do Porto, em frente à Praça dos Poveiros, há internet grátis. Funciona de segunda a sexta, das 9h às 17h e aos sábados até 12h. Limite de uso: 30 minutos. Em Lisboa, o Pavilhão do Conhecimento, no Parque das Nações também oferece uma penca de computadores com acesso grátis para o visitante. Fecha às segundas-feiras.

7. A Fundação de Serralves é um daqueles pontos de visitação no Porto que – se não são obrigatórios – deveriam ser nosso dever de casa. Com projeto do badaladíssimo arquiteto português Álvaro Siza Vieira (o mesmo que fez a Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre) abriga o Museu de Arte Contemporânea – com o maior acervo do país. Metrô: Casa da Música. Museus e jardins: € 5.

8. Se você dedicar mais do que dois dias ao Porto, aproveite para fazer um bate-e-volta a Guimarães (53 km), Braga (55 km) ou Barcelos (64 km). Guimarães é o berço de Portugal, Braga tem a catedral mais antiga e em Barcelos você poderá garimpar no Centro de Artesanato, alguma espécime do Galinho de Barcelos, o representante típico do país. Para conhecer a lenda do galinho colorido, clique aqui.

9. A Igreja de São Francisco, em Évora (Patrimônio Histórico da UNESCO, a 133 km de Lisboa) reserva uma curiosidade, um tanto mórbida, é verdade. Além da bela arquitetura gótico-manuelina, ao lado da igreja está a Capela dos Ossos, com paredes e altar erguidos com ossos – restos mortais – de cinco mil monges. Entrada para a capelinha a € 2.


Praia em Cascais, a 40 minutos de Lisboa.

10. Ainda na cidade mais romana de Portugal (Évora) visite o Templo de Diana – ou Templo Romano. É uma construção do século 1 (um!). O local – com ruínas de colunas – rendem um agradável passeio. Grátis.

11. Se você pretende passar no mínimo uma semana nas grandes cidades ou uma bela temporada sabática em Portugal (presente!) alugue um apartamento. Além de ficar mais barato, você terá sua casa para voltar no fim do dia. Tente os sites Traveling To Lisbon ou Rent 4 Days.

12. Momento Romeu e Julieta: visite o Mosteiro de Santa Maria, em Alcobaça (134 km de Lisboa) – o maior do país, com teto em abóbadas, liiiindo – onde estão os túmulos dos amantes Pedro e Inês. Para quem não sabe foi uma história de amor trágica, que terminou com a morte de Inês, assassinada a mando do pai de Pedro, o então rei de Portugal. Entrada a € 5.

13. Se você estiver em duas ou mais pessoas, não precisa ter medo de andar de táxi em Lisboa. É a única capital da Europa ocidental onde você não vai romper nosso contrato de viagem por fazer um trajeto de poucos quilômetros. A bandeirada começa em € 2 (6h às 21h) ou € 2,50 (21h às 6h). Desde que você não queira atravessar a cidade, mas optar por corridas centrais (onde está a maioria dos atrativos turísticos) não deve pagar muito mais do que € 10.

14. Em Albufeira, no Algarve, percorra o centro histórico sem pressa. Daqui vá até o alto do penhasco da Praia dos Pescadores. Vista linda!

15. Tá, essa é para matar a pau. Mas se você sair do nosso modelo 5.0 de viagem econômica, a culpa é sua, assuma! Nos arredores de Lisboa está o Freeport, o maior outlet da Europa, com quase 150 lojas das maiores marcas mundiais. Abre de domingo a quinta, das 10h às 22h e sexta, sábado e véspera de feriados das 10h às 23h. Em Lisboa pegue na Gare do Oriente os ônibus (ops, autocarros) nº 431, 432 ou 437.

MUITO BOM – De toda a série Europa a 50 euros é o país mais viável diante da nossa proposta viagens econômicas, com dignidade e mala de rodinhas.

MUITO CHATO – Não ser um Estado do Brasil. :-)

Leia também: 

Europa a 50 euros por dia: manual do usuário.
Europa barata: 10 dicas para economizar com dignidade.
Europa barata:  hospedagem, alimentação e transporte.
Alemanha – Parte 1| Alemanha – Parte 2 | Alemanha – Parte 3.
Espanha – Parte 1 | Espanha – Parte 2 | Espanha – Parte 3.
França – Parte 1 | França – Parte 2 | França – Parte 3.
Grécia – Parte 1 | Grécia – Parte 2 | Grécia – Parte 3.
Holanda – Parte 1 | Holanda – Parte 2 | Holanda – Parte 3.
Inglaterra – Parte 1 | Inglaterra – Parte 2 | Inglaterra – Parte 3
Itália – Parte 1 | Itália – Parte 2 | Itália – Parte 3
Portugal – Parte 1 | Portugal – Parte 2 | Portugal – Parte 3
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Fotos: Sílvia Oliveira | Do tempo em que máquina digital era coisa dos Jetsons.
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terça-feira, 17 de agosto de 2010

Portugal a 50 euros por dia – Parte 1


Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa: homenagem aos antigos navegadores.

Tive a honra, o prazer e o privilégio de morar por dois meses em Lisboa. Finalizar a série “Europa a 50 euros” com Portugal me dá aquele nó na garganta. De saudades… palavra tão nossa, tão portuguesa. Pois então, para os padrões europeus, Portugal é o país da pechincha.

Sendo um dos menores da Europa, é possível atravessá-lo de cima para baixo em poucas horas. São 800 quilômetros de norte a sul. Com gastronomia rica, dizem, há mais de 300 receitas de bacalhoada. Os mais variados restaurantes oferecem o prato e com preços incrivelmente acessíveis.

Um dos mais antigos países da Europa, Portugal permaneceu isolado durante cinquenta anos da ditadura de Salazar. Quando conquistou a liberdade teve que lutar contra o empobrecimento da população. A integração à União Europeia trouxe muitos investimentos ao país e transformou a terra dos fados, dos pastéis e das grandes navegações em uma preciosa – e muitas vezes esnobada pelo viajante – jóia da Península Ibérica.

Eles têm => Fernando Pessoa: o poeta que disse “tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

Eles não têm => Culpa no cartório: nós somos o que somos – para bem ou para mal – por culpa ou responsabilidade nossa. Os portugueses descobriram o Brasil há 500 anos. E isso já faz tempo, gajos! Se eles tivessem tido tanta influência assim nas nossas mazelas (ou cultura) provavelmente nossa feijoada seria à base de azeite, o samba seria “Ai bate o pé, bate o pé, bate o pé” e as nossas cores nem seriam verde e amarela e, sim, verde e… vermelha.

O português sem gerundismo

Os portugueses passaram pelo domínio árabe, foram os pais dos descobrimentos marítimos, sofreram um terremoto em 1755 que destruiu a capital do país. Tiveram um Marquês, o de Pombal, que reconstruiu a cidade – e um Salazar, o ditador que voltou, digamos, a destruí-la!

Há quem goste do moço só porque Portugal passou longe da 2ª Guerra, graças ao que chamaram de “engenhosa diplomacia portuguesa”. Desculpe, mas eu estou falando de liberdade. Ou da falta de… Hoje, moderna e democrática, busca um lugar ao sol na União Europeia.

Nos doces e vinhos temos a alma portuguesa. Escute um fado – aquele ritmo entre Roberto Carlos e Alcione – para você ver… e sentir. Os melhores albergues do mundo – segundo o Hostelword.com – estão em Portugal. Além disso, preservam o idioma com coragem.

Os portugueses não têm gerundismo. Jamais “estarão retornando a ligação” ou “estarão entrando em contato” com você. Estás a perceber? Mesmo assim, quando você começar a aprender a língua que eles falam, já vai estar quase na hora de ir embora.

O BARATO DE PORTUGAL

LISBOA – Com disposição, em dois dias é possível conhecer o básico da cidade. Comece pela Praça do Comércio, à beira do rio Tejo. Dê as costas para o rio e verá o arco da rua Augusta, o início de um calçadão cheio de lojas, cafés, bancos, casas de câmbio e floriculturas ao ar livre. No fim desta ruazona para pedestres está a Praça do Rossio com uma estátua do nosso Dom Pedro I, véio de guerra. Ao lado tem a Praça da Figueira, uma espécie de boca maldita portuguesa e daqui de baixo é possível ver as muralhas do Castelo São Jorge lááá em cima. Até agora, aproveite, tudo grátis! Afunde-se na história lisboeta. Entrada a € 5.  Do lado oposto à Praça da Figueira está a Praça dos Restauradores com um enorme obelisco erguido após a libertação de Portugal do domínio espanhol em 1640. O Chiado, vizinho à Baixa, está cheio de lojas chiques, o bairro também é sede da ancestral Livraria Bertrand, aberta desde 1732. Visita grátis. A galeria Armazéns do Chiado tem três andares de lojas óbvias, mas a visita vale a pena porque é uma construção histórica totalmente recuperada. Alfama é o ponto alto – em todos os sentidos – de uma visita a Lisboa. Subindo ladeira em direção ao Castelo de São Jorge a primeira parada é a Catedral da Sé, construída sobre uma antiga mesquita. Numa das capelas está a pia onde Santo Antônio foi batizado. Santo Antônio de Pádua, o casamenteiro, era português! Entrada grátis. € 2,50 para visitar os claustros.  Caminhado um pouco mais a gente dá de cara com o Miradouro de Santa Luzia, que promove uma daquelas vistas exuberantes da capital portuguesa. Por aqui, às terças e aos sábados acontece a Feira da Ladra, estilo mercado das pulgas. Vendem de lâmpada queimada a artesanato regional, passando por xícaras de porcelana do século 16  a reproduções do Galinho de Barcelos. Faça o trajeto com o Eléctrico 28, um clássico na cidade. Por € 1,40 você sobe as  ladeiras montado em um bonde com conservados bancos de madeiras. Belém é um bairro da capital portuguesa. Aqui, visite a Torre de Belém ( € 3 e grátis aos domingos) e o Mosteiro dos Jerônimos (gratuito aos domingos e € 4,50 para conhecer os claustros) que fica em frente. Termine sua visita – ou comece – no outro lado da cidade: no Parque das Nações, a Lisboa moderna, progressista e atual. Entrada grátis. Algumas das atrações são pagas como o Oceanário – o maior aquário da Europa. Entrada a € 11.  Site da cidade: www.visitlisboa.com

CASCAIS – A partir de Belém siga para Cascais. Bem ao lado da estação de Cascais tem um posto de informações turísticas que dá mapinha, indica as atrações do dia e oferece até cafezinho. A praia? Está logo ali. Não é a melhor do mundo para quem está acostumado com praias… brasileiras. Mas vale um fim de tarde por aqui. Pegue o trem na estação Cais do Sodré – o trajeto de 40 minutos percorre um lindo trecho do lendário Rio Tejo – e por menos de € 2 (valor da passagem) passe o dia nessa antiga vila de pescadores. A melhor e mais bonita praia da região é a do Guincho. A prefeitura oferece – de graça – biciletas para circular pela região.

SINTRA   E  ÓBIDOS – São cidades Patrimônios da Humanidade, tudo pertinho de Lisboa. Dá para ir e voltar no mesmo dia. A passagem de trem da capital para Sintra, por exemplo, custa módicos € 1,70. A viagem dura 45 minutos.

PORTO – A segunda maior cidade de Portugal está situada no alto de uma colina, cortada pelo Rio Douro. A base da economia local é o tradicionalíssimo vinho do… Porto. O cartão-postal do Porto é a Ribeira, declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO. É um conjunto de casas antigas e coloridas, arcadas, becos, fachadas de azulejos e ruas de pedra. Além de todo esse charme e originalidade é uma das cidades mais baratas do país. Site da cidade: www.portoturismo.pt

COIMBRA – Já foi capital do país e hoje abriga a universidade mais antiga do mundo, criada em 1290. Justamente por ser o ícone da cidade, a Universidade de Coimbra – que guarda a Biblioteca Joanina, com mais de 200 mil livros – torna-se passeio compulsório. São € 9 o tour completo. Não é barato, mas vale à pena. Se não quiser colocar a mão no bolso contente-se com a Sé Velha, uma das mais antigas catedrais do país. Aqui, admire – sem pressa – o claustro gótico, o mais antigo de Portugal. Entrada grátis. (€ 1,50 para visitar os claustros). Site da cidade: www.turismodecoimbra.pt

FÁTIMA – É passeio para uma tarde. Fátima está a 147 quilômetros de Lisboa e é um dos maiores centros de peregrinação católica do mundo. Recebe em torno de 4 milhões de fiéis todos os anos. (O Brasil – inteiro – recebe um pouco mais do que isso por ano). Mesmo se você não for católico, mas aprecia gigantes santuários, vai gostar. É uma visita muito agradável. (Menos em maio, quando a cidade lota. Foi nesse mês, em 1917, que a Virgem teria aparecido aos três pastorinhos.) Além da sublime Basílica, há uma delicada capela construída no local das aparições. Grátis.

ALGARVE – Meu sonho de consumo. No Algarve o sol brilha mais de 200 dias por ano. É a região que mais recebe irradiação solar em toda a Europa. Portanto, o litoral é invadido por hordas de portugueses e europeus a cada fim de semana ou feriado. De Lisboa são 40 minutos de vôo ou três horas e meia de ônibus. O bilhete rodoviário custa em torno de € 20. Como as praias estão espalhadas, o ideal seria alugar um carro para zanzar entre elas. Mas com orçamento apertado, prefira o trem e arme a barraca em Faro (a capital do Algarve) ou Albufeira (mais cosmopolita).

PARA FUGIR DO ÓBVIO

Se você não se animar muito com Fátima, corra para Tomar, a 20 quilômetros dali. Tomar é a capital dos Templários, famosa ordem religiosa dos tempos das Cruzadas. Por aqui, visite o Convento de Cristo, monumento Patrimônio Histórico da Humanidade. Foi fundado em 1162 pelo Grão-Mestre dos Templários, Dom Gualdim Pais. Mescla arquiteturas gótica, românica, barroca e manuelina. Bilhete individual a € 6. Entrada gratuita aos domingos e feriados até às 14h.

SEM MARCAR TOUCA

Existem casas da fados maravilhosas – e caras para o padrão do turista mão-de-vaca-muquirana. Para não perder a oportunidade de escutar o ritmo-marca-registrada de Portugal sem ter que passar o dia segunite à base de pão e água vá a Tasca do Chico. É uma espécie de karaokê, versão Ídolos-fase-final – ou seja, qualquer um pode ir lá e dar seu show. Mas ao contrário dos nossos karaokês tupiniquins, os “cantores” de lá são realmente bons. Eles chamam de Fado Vadio. O restaurante é super pequeno, chegue cedo se não quiser ficar em pé. Não é obrigado a consumir para assistir ao espetáculo. O Tasca do Chico fica na Rua do Diário de Notícias, 39. Tel.: 21 343 1040.

Leia também:

Europa a 50 euros por dia: manual do usuário.
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Alemanha – Parte 1| Alemanha – Parte 2 | Alemanha – Parte 3.
Espanha – Parte 1 | Espanha – Parte 2 | Espanha – Parte 3.
França – Parte 1 | França – Parte 2 | França – Parte 3.
Grécia – Parte 1 | Grécia – Parte 2 | Grécia – Parte 3.
Holanda – Parte 1 | Holanda – Parte 2 | Holanda – Parte 3.
Inglaterra – Parte 1 | Inglaterra – Parte 2 | Inglaterra – Parte 3
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Portugal – Parte 1 | Portugal – Parte 2 | Portugal – Parte 3
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Fotos: Sílvia Oliveira | Do tempo em que máquina digital era coisa dos Jetsons…
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terça-feira, 13 de julho de 2010

Itália a 50 euros por dia | Parte 3

ONDE FICAR NA ITÁLIA

Perto das estações de trem. Quase sempre há opções muito econômicas e decentes nestas regiões. Além do que, as estações costumam ser centrais, bem localizadas e com acesso fácil a outros bairros.


Detalhe do Coliseu, o ponto turístico mais visitado em Roma. (Foto: Raul Mattar)

O viajante megaeconômico tem sempre a opção dos albergues (ostello per la gioventù), com unidades em diversas cidades do país, a partir de € 16 por pessoa em quarto coletivo. Já as pensiones são alternativas parecidas, uma espécie de hotel familiar, com quartos duplos – com diárias a partir de € 35/40 – geralmente com banheiro no corredor. Valores para baixa temporada, evidentemente.

HOSPEDAGEM ECONÔMICA NA ITÁLIA

Fique atento. Pagar barato por uma hospedagem na Itália significa abrir mão de certos confortos. As construções onde estão localizados pensões e hotéis econômicos quase sempre são bem antigas, com móveis pedindo urgente uma nova mãozinha de verniz. Justamente por causa da estrutura destes ambientes, muitos só oferecem banheiro compartilhado.

Em Roma, o Hostel Alessandro Downtown  – albergue independente – fica bem próximo da estação Termini, a principal da cidade. Diárias nos dormitórios a partir de € 17 (sem banheiro) ou quarto duplo a partir de € 55 (sem banheiro) ou € 65 (com banheiro). Inclui lençóis e café da manhã. Também perto da Termini está a Pensione Fawlty Towers. Oferece internet gratuita e tem microondas e geladeira disponíveis para o hóspede. Diárias a partir de € 21 em dormitórios para quatro pessoas. Quartos duplos a partir de € 55 com banheiro. Caso você queira subir na vida – mas sem sair do nosso modelo econômico 5.0, aposte no Hotel Papa Germano. É um dois estrelas, simples, a duas quadras da estação Termini. Diárias entre € 15 e € 30 (dependendo da temporada) em dormitórios para quatro pessoas. Quarto duplo, com banheiro no corredor, a partir de € 40,00. Café da manhã incluído. Detalhe chatíssimo: nos dormitórios (quartos de 3 ou 4 pessoas) só aceitam hóspedes de até 45 anos.

Só estive uma vez em Milão, uma das cidades mais caras da Itália. Fui direto para o Ostello Piero Rotta, albergue filiado à rede Hostelling International. É um hostel enorme, longe do centro. Diárias a partir de € 20,50 nos dormitórios. Não tem quarto duplo. Café da manhã básico incluído. Hoje em dia eu tentaria o Hotel Trentina, super simples, mas bem perto da estação central. Diárias no quarto duplo a partir € 75. Café da manhã com cappuccino incluído. :-)

Florença tem o Academy Hostel, 7º lugar no ranking dos melhores albergues do mundo. Está ao lado da Duomo, o principal cartão postal da cidade. Diárias a partir de € 28 nos dormitórios com banheiro privado. Quarto duplo a partir de € 60. Oferece internet grátis, ar condicionado e sabonete e shampoo nos banheiros. Mas depois que a Patrícia – do blog Turomaquia – passou pelo Hotel Giada – pagando € 37,60 (quarto duplo com café da manhã!) – eu diria que não há opção melhor na cidade. Ela conta tudo aqui sobre este hotel.

Veneza já foi mais cara e proibitiva. Mesmo assim, hoje em dia, encontrar hospedagem mão-de-vaca-muquirana na cidade é tarefa árdua. Na primeira vez em que estive lá, fiquei no Ostello Venezia, albergue filiado à rede Hostelling International. É a opção mais barata da cidade. Camas em quarto coletivo saem a partir de € 21. Não há quarto duplo. Café da manhã incluído. Tem restaurante e oferece refeições a partir de € 10. Quando voltei, em 2007, fiquei no Hotel Ai Tolentini. Bem simples, com decoração cafonérrima. Quartos com TV e banheiro (que inundava quando a gente tomava banho). Diárias a partir de € 60 – quarto duplo. Sem café da manhã nem ninguém para carregar suas malas. Numa próxima oportunidade eu tentaria o Hotel Ai do Mori, econômico, a poucos metros da Piazza San Marco e muito bem avaliado no TripAdvisor  Diárias em quarto duplo a partir de € 50 na baixa temporada.

ONDE COMER NA ITÁLIA

Entre os países europeus acredito que a Itália é o que mais se aproxima do nosso conceito de fartura. (Ainda que a gente não possa comparar com a abastança de uma cozinha mineira, é verdade). Melhor ainda é que o cardápio nos é muito familiar: spaghetti carbonara, tortellini, muzzarela, capuccino, lasagna, bolognesa e… pizza, claro.


Vitrine de pães e guloseimas em Veneza. (Foto: Raul Mattar)

Em Roma, ao redor da estação Termini há restaurantes simpáticos e não tão caros. Há diversos estabelecimentos que oferecem o menu turístico – com primeiro e segundo pratos, sobremesa e vinho da casa – a partir de € 12,00. É claro que não estamos falando em alta gastronomia nem de lugares muito charmosos. Mas a comida na Itália, por tradição cultural, é sempre boa! Em muitos lugares você vai ver escrito pizza a taglio – que são pedaços de pizzas vendidas por quilo. Geralmente um fatia generosa custa € 3.

A Pizzeria da Baffetto é um clássico em Roma. Serve deliciosas massas a partir de € 7. O Gnocchi 4 formaggi (nhoque aos quatro queijos) sai por € 8. Veja o menu completo com preços aqui.  Outra pizzeria na capital que faz a gente lamber os beiços e pagar pouco é a Dar Poeta – no bairro de Trastevere. Massas a partir de € 6. O Calzone de Presunto e Queijo sai por € 8 e dá para duas pessoas. Veja menu completo com preços aqui.

Em Florença, a Osteria i’Brincello serve menu turístico, com dois pratos principais, sobremesa e bebida a partir de € 12. Não tem site. Fica na Via Nazionale, 110. Fone: 282.645. É fácil de achar. Bem central. Em qualquer taverna ou trattoria não deixem de provar a bruschetta – uma torrada com alho e óleo, acompanhada de tomate. Sem falar no gelato, o impronunciável sorvete italiano. Em média, uma bola, custa € 2.

Cuidado com o coperto, o couvert obrigatório em alguns restaurantes, que custa entre € 3 e € 6. Pergunte antes para não ter surpresinhas na hora de pagar a conta.

SESSÃO MÃO-DE-VACA-MUQUIRANA

Quando você vir a palavra panini… pare e entre. É ali mesmo que você vai poder forrar a pança com sanduichinhos simpáticos e crocantes a partir de € 3.

MOMENTO EXTRAVAGÂNCIA

Alugar um estúdio (apartamento de quarto e sala) e passar um mês na Toscana como fez a blogueira Mari Campos. Ela contou toda a experiência nesta edição da revista Viagem e Turismo.  A extravagância em si não é nem o valor do aluguel mensal, que saiu por € 890. Mas, sim, dar-se ao luxo de passar 30 dias na “roça chique” da Itália, vivendo como um deles. Para alugar apartamentos de temporada na Itália consulte o site Perfect Places, Friendly Rentals ou o VRBO.

Ó QUE CURIOSO

Comer pizza na Itália vai ser barato. Qualquer bodega (no sentido xexelento da palavra) serve uma. Só não se anime com os recheios. Lá eles dão mais valor à massa (fina, leve e crocante) do que ao que vem em cima dela. E esqueça: a de frango e catupiry com borda recheada você só encontra aqui. No Brasil.

UM FILME PARA INSPIRAR

Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore (1988).

ITÁLIA LEMBRA…

Michelangelo, Novela da Grobo (Matteo, amore mio), cornetto e macarronada da avó no domingo.

MELHOR ÉPOCA PARA IR

Uma coisa é certa: eu nunca mais volto ao país no verão italiano. Em junho já peguei 40 graus. É absolutamente insuportável (e olha que eu gosto de calor!). Faria uma opção pelas estações intermediárias outono e primavera.

Site do país: www.enit.it
Embaixada brasileira: Piazza Navona, 14 | Fone 06 683 981 | www.ambasciatadelbrasile.it

Próximo destino da série Europa Barata: PORTUGAL! Pois.

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terça-feira, 30 de março de 2010

Itália a 50 euros por dia – Parte 2

+ 15 DICAS DA ITÁLIA

1. Em Roma, para ir do aeroporto de Fiumicino ao centro a opção mais econômica é tomar o trem (€ 11,00) até a estação Termini. É mais barato do que o táxi (que deve ficar em torno de 50-60 euros, dependendo do número de malas) e também mais rápido – cerca de trinta minutos, porque evita o trânsito pesado da capital italiana. Já do aeroporto Ciampino, onde chegam muitos voos low cost, a opção é tomar um ônibus que vai até a estação Termini e custa € 8,00.

2. O principal centro de informações de Roma está na estação de trem Stazione Termini, próximo à plataforma 24 – em direção à rua. Aberto todos os dias das 8h-21h. Do lado, há um quiosque que reserva hotéis e cobra € 3,00. Em alguns casos, este valor pode ser descontado da diária. Nos centros de informação turística você pode pegar mapas gratuitos e comprar o Roma Pass – que dá descontos em várias atrações.


Detalhes de Roma. (Foto: Raul Mattar)

3. Para circular na cidade, o melhor mesmo é andar a pé. Para distâncias maiores (como o Vaticano) use metrô, bonde ou ônibus. O bilhete simples custa € 1,00 (válido por 75 minutos).

4. Os Museus do Vaticano – um conglomerado de instituições culturais da Santa Sé – podem ser considerados uma atração cara se você pensar só no valor do ticket: € 15,00. O detalhe é que reservam um acervo de valor inestimável. A Capela Sistina revela uma das mais extraordinárias obras de arte: os afrescos bíblicos de Michelangelo, que levou quatro anos para concluir o trabalho. Na parede do altar, sua obra prima O Juízo Final representa as almas reencontrando-se com Deus. É uma visão avassaladora, que só poderia ter sido reproduzida por um gênio como Michelangelo. Fique sem jantar um dia, se for preciso. Mas não perca por nada aquele que vai ser um dos maiores eventos culturais da sua viagem a Itália.

5. Ao redor da estação Termini há restaurantes simpáticos e não tão caros. Outra boa opção é a região entre a Piazza Navona e o Campo dei Fiori. É fácil  encontrar por ali o menu turístico – com primeiro e segundo pratos, sobremesa e vinho da casa – a partir de € 11,00.

6. Nos arredores de Florença, há vários outlets de grandes grifes com descontos de até 50%. O mais conhecido é o The Mall. Informe-se na rodoviária sobre os horários dos ônibus que vão de Florença para lá. Lembrando que uma bolsinha Gucci, básica, mesmo com desconto pode custar o equivalente a uma semana de hospedagem.

7. Para viajar pela Toscana procure o maior escritório de turismo da região, que está em Florença, perto da Duomo, a principal igreja da cidade. Fica na Via Cavour 1r. Aberto seg/sáb 8h30-18h30 e domingos 8h30-13h30. Oferecem mapas, informações de hotéis e dicas para viajar por todos os vilarejos que compõem o lado brejeiro da Itália.

8. Pisa – a famosa cidade da torre inclinada – está a uma hora de trem, partindo de Florença. É o bate-volta perfeito, que pode ser feito em uma manhã. Para entrar na torre são 15 pilas, digo, euros! Numa viagem com orçamento apertado, fique só com aquela foto de fora: você fingindo que está segurando a bendita! Caso queira entrar, prepare-se para enfrentar uma fila quilométrica. Se preferir, compre seu ingresso na Bilheteria On-line de Pisa. Reserva a € 2,00. Querendo comer por ali, em frente à estação de trem há (havia pelo menos) uma deliciosa e barata pizzaria que vende pizza al taglio, ou seja, por quilo.

9. Já falei no post anterior que o Roma Pass ajuda a evitar a superfila para entrar no Coliseu. Mas pior do que essa, só a que você vai enfrentar nos Museus do Vaticano, caso não compre o ingresso antecipado. Ao comprar seu ticket na Bilheteria On-line do Vaticano – além do valor da entrada (€ 15,00) – você paga uma taxa de € 4,00 pela reserva. Sim, fica bem caro. Mas eu prefiro ter um siricotico agora, do que lá na hora, três horas em pé, esperando para entrar.


Veneza: a cidade improvável da Itália. (Foto: Raul Mattar)

10. Em Florença acontece a mesma coisa. Se bobear, a gente passa mais tempo na fila do que dentro do museu. Além do que, às vezes a espera para ver sua obra de arte preferida é tanta que já entramos esgotados nas galerias. Para amenizar esse quiproquó, a cidade passou a oferecer um sistema de reserva on-line que cobra € 3,00- € 4,00 por bilhete. Como economia de tempo é sempre um bem maior nas viagens, faça sua reserva pelo site Firenze Musei. É só retirar o ticket na hora marcada.

11. Não é muito comum alguém incluir Milão numa viagem com o orçamento tão restrito. Mas caso você tenha vindo para cá, numa espécie de up grade da viagem, aproveite para fazer um bate-volta ao Lago di Como, na fronteira com a Suíça. Está a uma hora de Milão.

12. Em Milão, a forma mais econômica para ir do aeroporto Bergamo (onde chegam voos da Ryanair, uma das principais low costs europeias) ao centro é pegar o ônibus da empresa Terravision. Custa € 10,00 (ida) ou € 16,00 (ida e volta). Os ônibus saem a cada 30 minutos durante o dia e com menor frequência, à noite. A viagem dura 1h. Veja os horários aqui.

13. Se você estiver visitando Nápoles, não deixe de fazer um bate-volta a Pompéia – a antiga cidade romana destruída durante uma erupção do vulcão Vesúvio. O sítio arqueológico está a 35 minutos de distância de Nápoles. A passagem custa  € 2,40. Compre seu bilhete na estação central da cidade. A entrada nas ruínas custa € 11,00. Maiores de 65 anos não pagam.

14. Quem disse que Capri não é para seu bico? A famosésima e paradisíaca ilha está próxima do continente. Linhas regulares de barco levam você até lá. Demora de 40 minutos a 1h30 de Nápoles ou 20-40 minutos saindo de Sorrento. A passagem custa entre € 9,60 e € 16,00. Tempo de viagem e valor do bilhete dependem do tipo de embarcação: Aliscafi – uma espécie de lancha de alta velocidade ou Traghetti – embarcações menores e mais lentas. Não ouse  pensar em dormir por lá, a não ser que seja seu momento-extravagância da viagem. Mas dá para visitar a Gruta Azul, onde a luz penetra na água dando um visual interessante, um tom azul-neón. Tem gente que ama, tem gente que odeia o passeio. As excursões que saem da Marina Grande custam a partir de € 23,00 (com o ingresso incluído). Para economizar, pegue um ônibus na Anacapri por € 1,40 e pague a entrada diretamente na gruta (€ 4,00). Só não perca o retorno à Nápoles: o último barco sai às 18h.

15. Dá para conhecer a Costa Amalfitana pela janelinha do ônibus! A empresa SITA opera diversos trajetos na região, com passagens a partir de € 7,00.

AMANHÃ: Comida boa e barata na Itália. E AINDA: Hospedagem econômica em Roma, Florença, Veneza e até Milão!

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segunda-feira, 29 de março de 2010

Itália a 50 euros por dia – Parte 1


Veneza: cotidiano anfíbio. (Foto: Raul Mattar)

O que dizer de um país que concentra 60% de todos os monumentos artísticos do mundo? A Itália é pouco maior que o estado do Tocantins e, ainda assim, reserva surpresas incomparáveis de norte a sul. Poucos lugares na Europa desvendam paragens tão qualificadas que vão de ruínas romanas, passando por castelos medievais a turbulentos centros urbanos.

O próprio italiano é um capítulo à parte. Bon vivant, falante e impulsivo, há quem o considere mal-educado e grosseiro. Mas eu aposto num nativo mais bonachão e despreocupado. Questão de ponto de vista e bom humor. Somos rivais no futebol e nas pizzas. A deles é fininha e com pouco molho. Nós preferimos as grossas e com borda recheada.

Todos os países que habitam a Itália

Cada região da Itália poderia ser considerada um país diferente. A cidade mais improvável do mundo – Veneza – está aqui. Um lugar com cotidiano anfíbio, plantado sobre o oceano há 1500 anos! Durante o renascimento, Florença fez a Itália se transformar no centro cultural e científico do mundo. Leonardo da Vinci e Michelangelo foram destaques de uma era que marcou a história da humanidade.

O patrimônio de Roma e o curioso Vaticano, a cidade-estado chamada de país, convertem a capital da Itália em núcleo personalizado e único no continente europeu. Com a Toscana de enfeite – a roça chique – uma viagem pelas curvas dos vilarejos engrandecem a alma de qualquer visitante.

O BARATO DA ITÁLIA

ROMA – A cada dois passos uma ruína e alguns milhares de anos de história para contar. Toda é qualquer referência à civilização ocidental passa pela capital italiana. Assim como Paris, Roma fica mais bonita à noite, com os principais monumentos iluminados. Mas acho que é de dia que o roteiro na cidade funciona melhor – além de ser menos perigoso. Comece pelo Coliseu (o verdadeiro nome é Anfiteatro Flávio), o mais famoso e antigo monumento de Roma. Ali aconteciam as brutais lutas de gladiadores. Entrada a 13,50 euros. O ticket é válido também para o Palatino e o Fórum Romano. Lá de dentro é possível apreciar por inteiro o Arco de Constantino, construído no século 4, depois de Cristo. Uma linda vista gratuita! Aproveite para gastar a sola do sapato. O arrebatador de Roma está em qualquer esquina, em cima de qualquer calçada. A cada meio quarteirão você se depara com algum sítio arqueológico.  No momento Ben-Hur da viagem vá ao Circo Maximo (abaixo do Palatino, entre as vias del Circo Massimo e del Cerchi) – acesso livre – onde os romanos organizavam as espetaculares corridas de bigas e quadrigas, fortemente retratadas no filme protagonizado por Charlton Heston. Seguindo, percorra a Via Apia Antiga para chegar às catacumbas, antigos cemitérios subterrâneos. As Catacumbas retratam a fé dos primeiros caras que aderiram ao cristianismo, cuja crença se baseava (e ainda se baseia) na esperança de vida eterna após a morte. Quando se deparar com a Piazza di Spagna, suba a escadaria. Você conhecerá a Villa Borghese que – num clichê bem típico – é uma espécie de oásis urbano, com acolhedores jardins.  É a melhor ocasião para cumprir o ditado: em Roma faça como os romanos. Conheça Fontana di Trevi à noite – cenário do filme La Dolce Vita, de Federico Fellini. Certamente você não será o único a ter essa ideia. O local fica coalhado de turista, quase não dá para tirar uma foto decente. Gratuito. Só lembre-se de jogar uma moedinha. Reza a lenda que o ritual garante seu retorno a Roma! Para conhecer a praça mais pitoresca e típica da capital italiana vá a Piazza Navona. Fica cheia de artistas, músicos e tem alguns simpáticos cafés. Saindo daqui, cruze a Corso Vittorio Emanuele para conhecer o Campo de Fiori. Diferente da Navona, esta praça está cheia de feirantes e romanos! Na mesma região está o Pantheon – provavelmente o templo antigo mais bem preservado de Roma. Site da cidade: www.romaturismo.it


Coliseu: um dos principais atrativos turísticos de Roma. (Foto: Raul Mattar)

VATICANO – Eu nunca sei direito o que é, geograficamente falando, o Vaticano. Os livros costumam dizer que é uma cidade-estado, na verdade o menor estado independente do mundo. Para mim funciona assim: é um bairro beeeem grande da capital italiana, onde fica a casa do Papa, uma das maiores basílicas do mundo e ilustres museus. A Basílica de São Pedro é a segunda maior das igrejas católicas. Há alguns anos perdeu o título de maior igreja do mundo para a Basílica de Nossa Senhora da Paz de Yamoussoukro, na Costa do Marfim. Mas a do Vaticano é ainda a mais famosa e a mais visitada. Entrada gratuita. Perto dali está a Capela Sisitina, que faz parte dos Museus do Vaticano. Entrada a 15 euros. Fecha aos domingos, exceto o último do mês quando é gratuito. Site: www.vatican.va

FLORENÇA – Corra para a Accademia e fique estupefato com a perfeição de Davi de Michelangelo. Só depois dessa visita você poderá entender porque o artista disse “Parla!” quando terminou a escultura. Entrada a 6,50 euros. Fecha às segundas. Já o Duomo também chamado de Cattedrale di Santa Maria Del Fiori, é o principal atrativo arquitetônico de Florença. Não é permitido entrar de bermuda ou camiseta sem manga ou decotada. Mas a visita é grátis! Para subir até a cúpula são 463 degraus e 8 euros. A recompensa: a melhor vista panorâmica da cidade. Na Galleria Degli Uffizi você encontra uma das coleções mais importantes de arte italiana. A Uffizi é o mais significativo museu sobre a Renascença, legado da família Médici. Paciência: o tempo na fila – caso não compre seu ingresso on-line – chega a durar de 2h ou 3h. Entrada a 6,50 euros. Passe uma tarde pelos arredores da Ponte Vecchio – a ponte mais antiga de Florença Atualmente abriga muitas lojas de jóias e artistas locais expondo seu trabalhos. Uma das melhores fotos de Florença você tira aqui. Site da cidade: www.firenzeturismo.it


Florença: renascimento em estado puro. (Foto: Raul Mattar)

MILÃO – Quase todo mundo que vem à Itália pela primeira vez costuma ignorar Milão. Dizem que não tem a história de Roma nem o charme da Toscana. De fato, a capital da Lombardia não é para ser comparada, mas justificada. Tome um café na Galleria Vittorio Emanuele, toda em aço, cheia de vitrais. Vai ser o café mais caro da sua vida, mas a experiência não tem preço! Ao lado da galeria está a Catedral de Milão, uma das maiores em estilo gótico da Europa. É o cartão-postal da cidade. Começou a ser construída no século 14 e demorou quinhentos anos para ficar pronta. Entrada gratuita. Do Teatro Alla Scala você já deve ter ouvido falar. Aqui se consagraram Verdi e Maria Callas. Tem um museu que conta um pouco da história glamourosa do edifício e das óperas. Eu pagaria os 5,50 euros para conhecer o interior do teatro. Para ver A Última Ceia, de Leonardo da Vinci vá a Igreja de Santa Maria delle Grazie. O acesso à igreja é gratuito. Já para admirar um dos trabalhos mais famosos de Da Vinci paga-se 6,50 euros. É necessário agendar a visita com antecedência aqui.  A surpresa final fica por conta do Castello Sforzesco. Para quem gosta daquele arzinho rural fica feliz da vida ao visitar seus pátios e jardins (gratuitos!) e os museus (a 3 euros) que ficam dentro do castelo. No meio daquele burburinho você encontra uma face da essência prosaica da Itália.

VENEZA – Sabe-se lá o que é uma cidade rodeada por 118 minúsculas ilhas, todas alinhavadas por mais de 400 pontes e canais, onde não existem carros e os ônibus são curiosas embarcações, que lembram mais uma chalana mato-grossense? Os gondoleiros, cantarolando músicas venezianas, atravessam a Ponte de Rialto, levando gente apaixonada e turista curioso. Perder-se nas ruas estreitas e quase sempre encharcadas é o programaço desta inconcebível paragem italiana: ficar andando, atravessando pontes, pulando poças, imaginando a Veneza que motivou Vivaldi a compor As Quatro Estações. Não se preocupe, todos os caminhos dão na água e levam sempre de volta à Piazza San Marco. Ali, visite a Basílica di San Marco – que reflete o estilo bizantino. Entrada a 4 euros.

TOSCANA – Florença, a capital da região, juntamente com Arezzo, San Gimignano, Cortona, Pisa e Siena formam a roça chique italiana. É uma linda zona rural. Na paisagem, há campos dourados de feno, enormes plantações de girassóis. Está toda entremeada por vilarejos que a gente só vê no cinema ou em folhetos de propaganda turística. Não se trata de desbravar pontos turísticos, mas de explorar paradas escolhidas a seu bel-prazer.

PARA FUGIR DO ÓBVIO

Já pensou em alugar um apartamento em vez de ficar nas caras hospedagens italianas? Pesquise alguns sites que oferecem apartamentos em localizações bacanas a partir de 55 euros por dia. Veja: Perfect Places, Rental in Rome e Rome City Apartments.

SEM MARCAR TOUCA

O Roma Pass custa 25 euros e dá direito a duas atrações grátis, descontos em quantas mais vocês quiser visitar em 72 horas, mais três dias de uso ilimitado de ônibus, metrô e bonde. Fica bem interessante se você gastar suas entradas grátis nas atrações mais caras como o Coliseu (o ingresso avulso custa 13,50 euros) e a Galleria Borghesi (que sai por 8,50 euros). E você ainda não enfrenta a fila no Coliseu!

AMANHÃ => + 15 dicas de como aproveitar mais e melhor a Itália.
E AINDA=> Economize tempo. Saiba como fugir das filas em Roma, Florença, Pisa e Milão, comprando seu ingresso on-line!

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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Inglaterra a 50 euros por dia – Parte 3

ONDE FICAR NA INGLATERRA

Os afamados Bed & Breakfast – espalhados por todos os cantos mundo – são patrimônio britânico. Está para a Inglaterra assim como a pensión está para a Espanha. Não significa que será a opção mais barata, mas, provavelmente, a mais típica.

Aqui, e principalmente aqui, a tradução deve ser literal: cama e café da manhã. Sem chorumelas. Você pode até encontrar lençóis engomados. Os detalhes que determinam “o” tipo de cama ou “o” tipo de café vão refletir no preço da diária.

Você vai achar B&B a partir de 25 libras. Lembre-se da regra. Ninguém faz caridade na indústria turística, muito menos o setor hoteleiro. Ao pagar pouco neste tipo de hospedagem você poderá levar algo como localização menos privilegiada, quartos claustrofóbicos ou até um serviço de segunda.


Londres: vista noturna do Parlamento britânico. (Foto: A. Schaeffer)

HOSPEDAGEM ECONÔMICA NA INGLATERRA

Para um orçamento mão-de-vaca-muquirana a opção de hospedagem barata na Inglaterra vai cair na rede dos albergues. São muitos, nas principais cidades do país, alguns com estrutura de fazer inveja a muito hotelzinho três estrelas. Mas estão entre os mais caros do continente.

Muitos dos hostels londrinos, por exemplo, dão descontos para quem reserva sete dias. Ou cobram uma tarifa menor ou dão uma noite grátis. (Dica, aliás, que vale para outros países europeus. Informe-se sempre.)

Em Londres, o novíssimo London Central, da Hostelling International levou no ano passado o prêmio de melhor hospedagem econômica da cidade, dado pela Visit London Awards 2008. Diárias a partir de 19,95 libras por pessoa em quarto coletivo. O café da manhã não está incluído, mas tem cozinha disponível para o hóspede e internet wi-fi. Metrô Great Portland. Outro da mesma rede é o London St. Paul’s. Perto da catedral. Diárias a partir de 18 libras nos dormitórios. Café da manhã incluído. Metrô: St. Paul’s.

Entre os hostels independentes da capital temos o Millenium Lodge com diárias a partir de 16 libras nos quartos coletivos. Cobram 2 libras a mais no fim de semana. Quartos para casal – um achado – a partir de 35 libras (valor em março de 2010). Agora em novembro o mesmo quarto duplo sai por 42,50 libras. Ainda assim, nada mal. Café da manhã incluído. Curiosidade: tem um restaurante com comida… brasileira. Fica em frente ao metrô Kensal Green. Se sua opção é um B&B, assim, só para dizer subi na vida – mas na verdade você não está podendo tanto, tente o Ealing Guest House. O quarto para casal está 40 libras, sem banheiro. Com banheiro, fica 55 libras. Café da manhã – simplérrimo – incluído. Os quartos são franciscanos e os banheiros não reclamariam se recebessem uma reforminha.

Em Liverpool, o Youth Hostel Liverpool é um dos mais modernos da Europa. Além de ser extremamente organizado, o café da manhã (mais britânico impossível) vale por um almoço: ovos fritos, bacon, salsinha e lombo de porco. Para ajudar, está muito bem localizado: perto do Albert Dock (região do porto recém revitalizada), Tate Modern e Museu Marítimo. Sem falar que a decoração faz toda uma referência aos Beatles. Diárias em quarto coletivo a partir de 15,95 libras. Quem for para York, uma das cidades de maior importância na história da Inglaterra, pode se surpreender com o B&B The Bar Convent , instalado dentro do convento mais antigo do país. O café da manhã – com suco, cereais, torradas, croissants, iogurtes e frutas – está incluído no preço. Quarto de casal a partir de 50 libras, sem banheiro.

No balenário de Brighton (vai fazer sol, vai fazer sol, vai fazer sol…) fique no charmosinho hostel St Christopher’s Inn’s. Bem localizado, perto da praia e das estações de ônibus e trem. Diárias em quartos coletivos a partir de 13 libras. O quarto para casal sai a partir de 41 libras. Café da manhã incluído.

ONDE COMER NA INGLATERRA


Chá de cinco: servido a partir das 14h. E não só o chá. (Foto: Sam Weng)

Assim como você come coxinha no Brasil, kebab na Grécia, salsichão na Alemanha e crepe na França você não vai escapar do fish & chips – peixe com batata frita – na Inglaterra. Mas foi-se o tempo em que a cozinha britânica era malfadada e sem classe. Hoje, só a capital londrina tem quase 40 restaurantes estrelados pelo Guia Michelin.

Claro que você, proprietário do modelo 5.0 de viagem, não vai nem passar perto de algum deles (a não ser no seu momento extravagância). Mas isso não quer dizer comer mal, comer pouco ou viver à base de rosbife.

Sinceramente? O país é tão diverso, recebe tanto imigrante, a cozinha é tão diversificada e são tantas as opções que não acho tão caro assim comer na Inglaterra, principalmente em Londres. Começando pelos supermercados, qualquer um deles será seu amigo de fé, seu irmão camarada. Tem o Tesco, o Sainsbury e o Sommerfield. O supermercado mais barato da Inglaterra é o Netto, com sucos de 200ml por 0,25 centavos de libra (juro!), massas prontas (para levar ao microondas do albergue) por 1 libra! Dificuldade: em Londres estão em zonas mais afastadas.

A rede Deep Pan Pizza tem várias unidades na cidade. Não achei o site da empresa, pode? Mas há filiais bem ali no centrinho: uma na Piccadilly Circus, outra na Trafalgar Square e outra na Leicester Square. Ou você pede só uma fatia de pizza por uma média de 3 libras cada ou opta pelo “rodízio”: pizza, massa e salada à vontade por 9 libras.

Os restaurantes da rede Stock Pot também pipocam pela cidade e estão próximos dos principais pontos de visitação. Vive lotado e você vai ter que dividir a mesa com algum estranho. O prato do dia pode ser uma cremosa sopa de camarão, peixe com massa ou um risoto por no máximo 10 libras. Cozinha de primeira pelo preço que cobra. Já a cadeia de fast food ligth Pret a Manger é uma opção tão feliz que dá para passar todo dia em alguma das várias unidades de Londres para comer um saboroso sanduíche com pasta de salmão e saladinha… por 3 libras!

O Nando´s, uma rede fundada por portugueses, tem uma decoração que oscila entre o bom gosto e o esquisito. Mas sua porção philippestarckiana vai por água abaixo ao se deparar com um cardápio delicioso, original e baratíssimo. Saladas a partir de 3,70 libras. O prato da casa, frango piri-piri (com um tempero bem hot), para duas pessoas sai por 10,95 libras. Ou uma porção pequena por 3,30. De sobremesa, tortinha de côco por 1,30 libra. São várias unidades pela capital. Ainda em Londres, o charmoso Bistrô 1, com cozinha de influência mediterrânea, oferece entrada e prato principal por 7,90 libras no almoço e 10,90 no jantar. Tem três unidades no Soho e uma no Covent Garden.

Para não perder o costume de comer um pratinho exótico em Londres – herança da forte imigração asiática – experimente o restaurante Cây Tre com pratos vietnamitas todos enfeitadinhos (tipo alta gastronomia) por uma média de 7 libras. Fica em Hoxton. Bem, falamos basicamente de Londres, mas a maioria das redes e supermercados mencionados aqui está nas mais diversas cidades inglesas como Liverpool, Bath, Manchester e Brighton. Acesse os sites dos estabelecimentos para descobrir qual a filial mais perto de você.

SESSÃO MÃO-DE-VACA-MUQUIRANA

Conheça a rede Neals’yard Dairy que vende toda a sorte de queijos britânicos. Há duas unidades em Londres: uma no Convent Garden e outra no Borough Market. Ambos, clássicos mercadões da cidade. Aproveite para fazer uma boquinha na degustação gratuita de queijos para quem for conhecer a fábrica, que fica do lado da filial do Borough Market.

MOMENTO EXTRAVAGÂNCIA

Alugar um carro – cuidado, a mão é invertida – e correr (modo de falar) para o norte da Inglaterra, a quatro horas de Londres. No condado de Cumbria, quase já chegando à Escócia fica o Distrito dos Lagos. Uma região com diversas vilinhas beirando 16 lagos (vá parando por eles) que darão as melhores fotos da viagem. Não deve ficar absurdamente caro, mas qualquer slow travel para mim é um verdadeiro luxo!

Ó QUE CURIOSO

O metrô de Londres – também chamamdo de tube – é de 1863, o primeiro do mundo.


O metrô mais antigo do mundo. (Foto: Matthew Trow)

UM FILME PARA INSPIRAR

A Rainha, de Stephen Frears. (2006)

INGLATERRA LEMBRA

Charles Chaplin, soldadinho de chumbo e Diana. To be or not to be: that is the question.

MELHOR ÉPOCA PARA IR

Seria o verão. Calor, tempo mais firme. Mas também, como em toda alta temporada, os preços vão explodir. Em setembro ainda há um clima festivo com alguns eventos culturais importantes. Mas por tudo o que o país oferece, qualquer época é época em Londres.

Site do país: www.visitbritain.com
Embaixada brasileira: 32, Green Street, (44-20) 7399-9000. www.brazil.org.uk

PRÓXIMA PARADA: ITÁLIA! Tan tan ram ram (som de tarantella…)

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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Inglaterra a 50 euros por dia – Parte 2

+ 15 DICAS DA INGLATERRA
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 1. Londres tem cinco aeroportos. Vindo do Brasil – ou para voos internacionais em geral – você provavelmente descerá em Heathrow . Há um metrô na porta que lhe deixa no centro da cidade em 40 minutos. A passagem custa 4,8 4,0 libras. A Picadilly line faz o percurso. O mesmo trajeto de trem é mais rápido (15 minutos), mas também custa mais caro: 13 libras. Caso chegue à noite, quando o serviço de metrô não está mais disponível, pegue o night bus 97 que vai até a Picadilly Circus por 2 libras. De Gatwick – um aeroporto muito usado pelas companhias europeias low cost – são 30 minutos de trem por 15 libras ou uma hora de ônibus por 13 libras (ida e volta).
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2. A maneira mais rápida e eficiente de circular pela capital londrina é de metrô. Mas a passagem individual custa cabeludas 4,80 4,00 libras. No aeroporto mesmo compre o cartão Oyster, um magnético que dá 50% de desconto nas passagens. Se você carregar por uma semana sai por 28 libras para circular pelas zonas 1 e 2, onde estão as principais atrações. Caso prefira use o Day Travelcard, bilhetes que valem por um dia e que custam 6,60 libras. Oferece transporte ilimitado nas zonas 1 e 2.

3. Os célebres ônibus vermelhos de dois andares são mais em conta, mas o trânsito afobado de Londres não ajuda muito. De qualquer maneira, dar uma voltinha lááá em cima, no deck, está para uma viagem a Londres como a voltinha de camelo está para uma viagem ao Egito. Pegue as linhas 8 ou 11. Você terá um ótimo city tour, passando por vários pontos turísticos pelo custo de uma passagem: 2 libras.

4. Garanta sua Internet de graça em alguma das dezenas de bibliotecas públicas espalhadas por Londres. Quando você estiver caminhando e avistar alguma enorme construção vitoriana escrita Library na entrada, pode saber: ali tem Internet free. Só no bairro de Westminster – por onde você com certeza vai circular várias vezes – existem mais de 10 bibliotecas. Em algumas delas é possível “reservar” para usar a Internet durante sua estada na cidade. É necessário fazer uma carteirinha, mas não é cobrada nenhuma taxa pelo “membership”. Mas às vezes podem pedir comprovante de endereço e, então, você vai ficar a ver navios. Para saber qual biblioteca pública está mais perto de você acesse “What’s in London Libraries”.


As tradicionais cabines de telefone vermelhas. (Foto: Zsombor Benko)

5. A popular revista TNT traz muita informação sobre barbadas – hotéis, passeios, voos domésticos , etc – em Londres. A publicação é gratuita e você pode encontrar a sua nas principais estações de metrô da cidade. Para quem não abre mão de saber tuuudo sobre a vida cultural londrina, compre a revista Time Out, publicada às quartas-feiras. Custa 2,50 libras e é vendida em todos os cantos da cidade.

6. Já existem tantos brasileiros na Inglaterra que não para de pipocar diversas revistas em português cheias de dicas e promoções direcionadas a este público, nós! Elas ajudam muito a decifrar a cidade sob os olhos de quem – com os mesmo códigos culturais da gente – mora lá. A mais famosa é a Leros,  mas existem outras como a Revista Real  e a Brasil Net. São todas gratuitas.

7. Londres tem várias estações de trem – todas servidas pelo metrô. Da estação Victoria saem trens para o balneário de Brighton e o aeroporto de Gatwick. De Paddigton você vai até Oxford e Cornualha, da King’s Cross você parte para York ou Cambridge. Saindo de Euston você pode chegar a Liverpool ou Manchester. Importante: tenha em mente qual é a estação correta, para não perder a viagem.

8. Mais sete atrações gratuitas que você pode encaixar no seu roteiro: 1) National Portrait Gallery – quase ao lado do National Gallery. É uma galeria exclusiva de retratos, vai de desconhecidos a famosos. 2) Natural History Museum, um dos melhores museus de história natural da Europa. 3) Science Museum, ao lado do Natural History Museum. Excelente até para quem não entende nada do assunto. Oi? 4) Victoria & Albert Museum, com uma das maiores coleções de arte e decoração do mundo. 5) Museum of London, que conta a história de Londres. Bem simpático. 6) Imperial War Museum, um museu de guerra de muito bom gosto, se é que isso existe. 7) Tate Britain (não confunda com o Tate Modern). É a galeria de arte puramente britânica. Para saber os horários de funcionamento acesse os respectivos sites.

9. No Rio Tâmisa tire aquela clássica foto na Tower Bridge – uma ponte sustentada por duas torres em estilo vitoriano. Por fora ela é grátis e muito mais emblemática. Mas se quiser é possível subir. Entrada a 6 libras. Estudantes pagam 4,50.

10. Conheça dois mercados típicos em Londres: o Portobello Market, no tradicional bairro de Nothing Hill (sim, aquele do filme com Julia Roberts e Hugh Grant) vende frutas e verduras durante a semana. Aos sábados também vira feira de antiguidades. Metrô: Nothing Hill Gate. Já o Brick Lane é o mercado dos imigrantes. Você vê por aqui uma outra cidade, diferente daquela do Palácio de Buckingham. Oferece vários lugares para comer bem barato. Metrô: Aldgate East.

11. Nas redondezas conheça Greenwich, a 10 quilômetros de Londres. No Observatório Real (gratuito) está localizado o meridiano que determina as horas da Terra. Não se avexe: tire aquela foto jacu em cima da linha que separa o leste do oeste, com um pé em cada hemisfério. Para chegar lá pegue o trem Docklands Light Railway que parte da estação Tower Hill.


Castelo de Windsor: bate-volta a uma hora de Londres. (Foto: Filipe Samora)

12. Em Cambridge vale a pena comprar o Visitor Card. O passe custa 3 libras, é válido por três semanas e dá descontos em restaurantes, compras de produtos e atrações. Adquira o seu na livraria Borders ou no balcão de informações do Shopping The Grafton.

13. Estudar inglês é seu foco? A TLSI com quatro filiais em Londres oferece cursos de 3 horas por dia, durante quatro semanas a partir de 79 libras. Repetindo: pelas quatro semanas de curso, três horas por dia, você paga isso mesmo: 79 libras. Não chega a R$ 230,00. Este valor é para o horário das 12h30 às 15h30 na unidade da Finsbury Park. Caso prefira estudar no centro, opte pela unidade da Oxford Street. Aulas no mesmo horário saem por 90 libras. No período noturno sobe para 110 libras o curso completo. Pegadinha: os professores são estagiários – que estão sendo treinados – e para esta modalidade de curso a escola não fornece certificado. Para ver tabela de preços, horários e unidades, clique aqui.

14. A uma hora de Londres, em Berkshire, está o Castelo de Windsor, o maior castelo habitado do mundo. Entre tantos aposentos, este serve para o momento relax da rainha. Tem 900 anos (o castelo, não a rainha) e mil quartos. Ingresso a 15,10 libras. É possível fazer reserva on-line aqui, pagando 1,25 libras de taxa.

15. Por favor, quando der, tome um café na cafeteria mais famosa de todos os tempos: a rede Starbucks nasceu aqui. Não se esqueça de dar uma passadinha na maior loja de departamentos do mundo, a Harrod’s. Não, não estou incentivando você a gastar. É só para apurar o gosto. E para achar um Pub outro patrimônio inglês que é a sua cara acesse Pubs.com.  Clique no link Pub Finder para escolher aquele que mais combina com você.

MUITO BOM – Nem preciso dizer: os maiores museus e principais atrações são grátis.

MUITO CHATO – Chove muito no país. Não se engane: os livros chamam essa chatice de clima temperado oceânico. Mas isso quer mesmo dizer: vai chover a qualquer momento. Quando não, um nubladão para estragar a foto.

Amanhã: hospedagem econômica! Ainda: onde comer bem e barato na Inglaterra. Sim, existe.

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segunda-feira, 09 de novembro de 2009

Inglaterra a 50 euros por dia – Parte 1


Tower Bridge: você vai bater uma foto na frente dela. (Foto: Scott Liddell)

Sei, na alfândega nem sempre é assim. Mas se você cumprir as exigências necessárias e for realmente a turismo é raro que seja mandado de volta para a casa. Londres, a capital, é a cidade com mais etnias por metro quadrado do planeta. Indianos, árabes, chineses, peruanos e toda sorte e espécie de punk, góticos e emos se esbarram sem nem prestar atenção um no outro necessariamente.

Não há outro lugar no mundo em que o conceito de “aldeia global” – criado pelo sociólogo canadense Marshall McLuhan – é tão visível e presente. Pubs e chá das cinco convivem harmonicamente, cada um no seu quadrado. De Charles Chaplin aos Rolling Stones, de Hitchcock aos Beatles, sempre vai existir uma Inglaterra que cabe em você.

O VALOR DA LIBRA

Meça o valor da Inglaterra: conseguiu impor uma forma de governo obsoleta, tem religião própria e manteve a moeda – a libra esterlina – bem longe da zona do euro. Não é pouco. Os preços proibitivos do país não devem minar seus sonhos de passar uns dias aqui. Mas gastar 50 euros por dia em Londres, algo como 44 libras, pode tornar sua viagem uma expiação dos pecados se você não entrar no espírito do nosso modelo 5.0 de viagem.

Se a gente subir a conta para 50 libras, ainda assim, vai ser uma viagem modesta. Modesta, mas inesquecível. Sua cama provavelmente vai estar em algum albergue, seu almoço seguramente vai ser em algum restaurante chinês ou grego. Sua janta, o kit-salvamento-do-supermercado. Nos intervalos, fique com as praças, os parques e os museus públicos da capital do país – alguns dos melhores do mundo – que são gratuitos o ano inteiro.

Apesar de uma ou outra restrição você está na Inglaterra. Muita gente com tempo e dinheiro não vem para cá. Porque o patrimônio que a gente busca nem mesmo a libra esterlina pode comprar. :-)


Atração gratuita em Londres: troca de guarda no Palácio de Buckingham. (Foto: Akivasha)

O BARATO DA INGLATERRA

LONDRES – O seu roteiro por Londres deve ser influenciado pelo número de dias na cidade. Partindo do pressuposto de que você é obediente e segue as regras do Matraqueando, fique – no mínimo – quatro dias inteiros por aqui. Uma semana seria o ideal. O que não quer dizer que conseguirá esgotar a capital da Inglaterra durante esse período. Comece a explorar a cidade pela tradicional Piccadilly Circus, uma área cheia de… turistas. Não torça o nariz, você é um deles, lembre-se. Ali perto está a Trafalgar Square, a praça mais popular de Londres. Em frente, o National Gallery – uma das mais importantes galerias de arte do mundo com sete século de história da arte europeia. Entrada gratuita. Do lado, na Leicester Square – outra movimentadíssima praça – você encontra o Covent Garden, um antigo mercadão que se transformou num delicioso universo londrino de bares e lojas. Tome um café por aqui. Dali você pode ir a pé – mas se preferir pegue o metrô e desça na estação Westminster ¬– para, enfim, conhecer o Big Ben, a famosa torre do relógio do Parlamento. O edifício foi construído no século 19 em estilo gótico vitoriano, seja lá o que isso signifique. Custa 12 libras para conhecer o complexo, mas as sessões parlamentares são abertas ao público. A partir daqui você já está abraçando o lendário Rio Tamisa, que corta a cidade. Poucas quadras adiante você encontra o Palácio de Buckingham, a residência oficial da família real. As visitas acontecem somente em agosto e setembro (quando a rainha sai de férias) e custam caro: a partir de 16,50 libras. Com orçamento apertado já fique muito satisfeito com a célebre troca de guarda, uma bando de soldadinhos numa coreografia que atrai milhares de pessoas todos os dias no verão e em dias alternado no inverno – sempre às 11h30. Gratuito. Chegue cedo, pelo menos com uma hora de antecedência se não quiser compartilhar o “show” com um cotovelo no seu nariz. É claro que você não vai fazer isso, mas se tivesse que escolher um único museu fique com o British Museum, um dos mais fascinantes do planeta. Guarda a Pedra de Rosetta entre outras peças absolutamente importantes para a história do mundo. Gratuitíssimo, apesar da sugestão de 2 libras como doação. Próximo do museu, nas redondezas do Soho e Chinatown você vai conhecer um bairro mais londrino (1ª opção) e uma comunidade de imigrantes típica, onde se pode comer mais em conta (2ª opção). Para bater ponto no principal endereço da arte contemporânea do país conheça o Tate Modern. Entrada gratuita, exceto para exposições temporárias. Uma das mais importantes catedrais da Inglaterra – com a segunda maior cúpula do mundo – a Catedral de St. Paul’s  cobra carésimas 10 libras. No entanto, durante as missas (7h30, 8h, 12h30 e 17h) a entrada é gratuita, mas o número de pessoas é controlado. Chegue cedo. Aqui aconteceu o funeral de Winston Churchill e o televisionado casamento do Príncipe Charles e Diana. Torço para que você pegue pelo menos um dia ensolarado e conheça o Hyde Park, o badalado parque londrino. Entrada gratuita. Entre as atrações pagas, eu ficaria com duas. A Abadia de Westminster , ao lado do Parlamento, é uma delas. Um construção do século 8 onde ocorre a coroação dos monarcas britânicos e foi ali o funeral da princesa Diana, em 1997. Entrada a 15 libras. Estudantes têm desconto. Para a melhor vista de Londres suba na London Eye, uma roda gigante de ferro com 135 metros de altura, praticamente em frente ao Big Ben, só que do outro lado do Rio Tamisa. Ingresso a partir de 17,50 libras. Se fizer a reserva antecipada pelo site, ganha 10% de desconto. Site da cidade: www.visitlondon.com

LIVERPOOL – Como sabemos, os verdadeiros reis da Inglaterra se chamam Beatles. Durante muito tempo a segunda maior cidade do país só era lembrada por causa disso. O que não é pouco, convenhamos. Mas em 2008, Liverpool foi eleita a nova capital da cultura da Europa (Liverpool08.com) o que deu uma repaginada no Albert Dock – antigo porto, por exemplo – onde está o Tate Liverpool , enorme galeria e museu de arte moderna. Entrada Gratuita. Para os beatlemaníacos: bata o cartão no Beatles Story. O ingresso do museu custa 12,25 libras . Estudantes e maiores de 60 anos pagam 8,30 libras. Ou vá no The Beatles Shop  para comprar qualquer coisa do grupo. Site da cidade: www.visitliverpool.com.

BATH – A cidade de Bath, construída em torno de termas romanas, está a 180 quilômetros de Londres. Uma hora e meia de trem. Preserva desde o século 18 um ar de pompa, quase luxuoso. Roteiro clássico: ruínas das Termas  por 11 libras e os vitrais da Abadia de Bath por módicos (para os padrões ingleses) 5 libras. Site da cidade: www.visitbath.co.uk.


O relógio mais famoso do mundo. (Foto: Domiwo)

OXFORD E CAMBRIDGE – Os principais pólos universitários, não só da Inglaterra, mas de todo o Reino Unido estão em Oxford e Cambridge. Em ambas os melhores passeios são conhecer os colleges mais famosos. Em Oxford, o maior e o mais conhecido deles é o Christ Church College. Entrada a 4,90 libras. Estudante paga 3,90. Foi fundado em 1529. Treze primeiros-ministros britânicos estudaram aqui, além do escritor Lewis Carrol, autor de Alice no País das Maravilhas. A célebre escadaria foi cenário do filme Harry Porter. De Londres a Oxford leva uma hora de trem. Passagens a partir de 12 libras. Site da cidade: www.visitoxford.org. Já de Cambridge saíram mais de 60 ganhadores do prêmio Nobel. Visite o King’s College, com uma capela ilustre. Paga-se 5,30 libras para entrar. Estudantes pagam 3,50 libras. Mas é possível entrar gratuitamente no King’s durante a apresentação do prestigiadíssimo coral do estudantes. Segunda a sábado, às 17h30. Domingos às 10h30 e 15h30. (Menos no período de férias). Apesar do espetáculo ser free, o número de pessoas é controlado. Cambridge também está mais ou menos a uma hora de trem de Londres. Site da cidade: www.visitcambridge.org.

BRIGHTON – Imagine pegar um tempo firme, quente e com muito sol na Inglaterra. Tá bom, caí da cama e acordei. Mas, ao menos que chova sem parar, não deixe de conhecer o movimentado balneário de Brighton. Descolado, cheio de estudantes e turistas – muitos brasileiros, inclusive. Passeie pela orla. Quando não, pelo menos molhe os pés na água gelada e visite um fabuloso palácio, o Royal Pavilion – todo em estilo indiano – uma espécie de Taj Mahal inglês. Entrada por 8,80 libras. Estudantes pagam 6,60.


O misterioso monumento pré-histórico de Stonehenge. (Foto: Peter Sem)

PARA FUGIR DO ÓBVIO

Eu sei que o tempo é curto. Mas não saia da Inglaterra sem conhecer o monumento pré-histórico mais célebre da Europa. Stonehenge  fez parte, provavelmente, de uma grande civilização neolítica. Foi construído entre 3000 e 1500 a.C. O misterioso conjunto de pedras fica em Salisbury, a 120 quilômetros de Londres. Ingressos a 6,50 libras. Estudantes pagam 5,60.  Mais barato do que a Torre de Londres, que não tem mistério algum.

SEM MARCAR TOUCA

O caro passe London Pass  promete acesso a diversas atrações. Geralmente secundárias no seu roteiro. Um dia custa 39 libras, dois dias saem a 54 libras e três, por 60 libras. É bem provável que não valha à pena.

AMANHÃ: Dicas de passeios nas feiras e nos mercados mais famosos, pubs, novas atrações gratuitas, castelos e como economizar no caríssimo transporte público.

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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Holanda a 50 euros por dia – Parte 3

HOSPEDAGEM ECONÔMICA NA HOLANDA


Entendeu? (Foto: Chris Gander)

O site Bed & Breakfast Holland traz opções interessantes, com quarto para casal saindo a 50 euros. Ressalva: quanto mais barato, mais simples (que pode ser traduzido também como feio, claustrofóbico ou mal localizado). Querendo mais conforto, beleza e comodidade espere gastar uns 90 euros por um quarto duplo.

Caso você faça a linha independente, mas conservadora opte pelo The Shelter Jordan, um albergue cristão, olhe só, em plena Amsterdam. Diárias por pessoa a partir de 16 euros. Café da manhã incluído. Orações todas as noites também. Com geladeira e microondas à disposição do hóspede.

Como é possível comer decentemente com pouco dinheiro na Holanda, você pode  fazer um up grade na hospedagem, optando por um hotel mais caro. Mesmo assim, vai passar um pouco da média dos nossos 50 euros diários que incluem hospedagem e alimentação. Mas se você está disposto… vamos lá: o Hotel Prinsenhof cobra 69 euros o casal com café da manhã, banheiro no corredor. Com banheiro privativo o quarto duplo sai por 89 euros. Está a três quadras da praça Rembrandt. O Hotel Van Onna tem um preço único: 45 euros por pessoa ou 90 euros pelo quarto duplo com café da manhã incluído. Está no centro do bairro Jordaan, a região descolada da cidade. Um dos prédios do hotel está numa construção de 1644. O site está em vários idiomas, inclusive em português.

ONDE COMER BARATO NA HOLANDA

A gastronomia holandesa não é, assim, uma maravilha. O que não quer dizer que você não vá comer bem. É que o país recebeu tanta influência estrangeira que acabou não tendo uma culinária tão típica como as massas italianas ou o bacalhau português.

Batatas fritas servidas em cones com maionese é o churrasquinho grego de lá. Está por toda a parte, esquina, bar e custa bem pouco, algo em torno de 2 ou 3 euros. O peixe, como na Inglaterra, é frequente nos cardápios. Experimente o arenque cru. Há muitos restaurantes de comida asiática. Destaque para a rede de comida chinesa Wok to Walk. Está espalhada por várias capitais europeias, inclusive Amsterdã, com quatro endereços na cidade. Os pratos vêm naquelas caixinhas estilo “china in box” e custam a partir de 4,90 euros. Por 2 euros a mais inclua tiras de carne. Qualquer bebida sai a 1,70 euros. Confira o cardápio com preços aqui.


Dias de sol em Amsterdam: primavera é a melhor época. (Foto: Michel Meynsbrughen)

Para aquela fominha no meio da tarde experimente os famosos croquetes – a partir de 1,20 euros – da rede de lanchonetes FEBO. Tem de carne, frango e legumes. O local parece uma pastelaria, é concorrido, popular e tem fila. Você compra uma moedinha, põe na máquina e aparece seu croquetinho. Eles também vendem hambúrguer (a partir de 1,80 euros), asinha de frango (três por 2 euros), porção de batata frita (1,50 euros) e sorvete de casquinha (0,80 centavos). Há mais de 60 unidades do FEBO na Holanda, 22 somente em Amsterdã.

Nas ruas próximas da Dam há várias pizzarias que vendem pedaços saborosos por 3,50 euros. Para as comprinhas de supermercado visite o Albert Heijn  ou o Spar. Dá para comprar lanche completo – com pão, frios, patê, suco e sorvete – gastando em média 7 euros (sete!) para duas pessoas.

Para uma refeição exótica e saborosa prove um indonesian rijsttafel, um bufê de diversos pratos indonésios. Há vários no país. No restaurante Bojo, em Amsterdam, custa a partir de 8,75 (mais simples) a 18,50, completo – quase um menu degustação. Por pessoa. Confira preços e cardápio aqui. Saborosas e recheadas panquecas você encontra na Pancakes, em Amsterdã. A partir de 5 euros sem muita firula ou 9,50 euros uma mais reforçada. Há entradinhas, saladas, iogurte e frutas a partir de 1 euro. Aprecie cardápio e preços aqui.

SESSÃO MÃO-DE-VACA-MUQUIRANA

Arrisque uma refeição alternativa nos restaurantes chamados squat, em Amsterdam. São cozinhas comunitárias  instaladas dentro de prédios abandonados. Comida saudável, orgânica quase sempre.  Acompanha cerveja e, muitas vezes, música ao vivo. Fogão comandado por voluntários. Um almoço completo sai por 6 euros. Aposte nos mais conhecidos: De Peper

MOMENTO EXTRAVAGÊNCIA

Alugue um holandês. A extravagância não é pelo preço, mas pela experiência. Na agência Like-A-Local você poderá “alugar” um nativo para conviver por um (ou mais, se quiser) dia com ele. Você almoça e/ou janta na casa de um morador. E depois sai para passear. Oportunidade de conhecer e vivenciar o que nenhum guia ou revista consegue mostrar. Os tours ficam em torno de 30 euros e as refeições saem por 20 euros. Preços por pessoa. Na Holanda, o serviço está disponível somente em Amsterdã e Utrecht.


Amsterdam: paisagem rodeada de pontes e canais. (Foto: Lindsey Lein)

Ó QUE CURIOSO

A lei europeia que proíbe o fumo em ambientes fechados entrou em vigor no ano passado na Holanda. Por outro lado, cigarros considerados ilícitos em outros países do continente, aqui seguem liberado. O que significa que na Holanda você pode fumar haxixe em lugares fechados, mas não um cigarro comum.

UM FILME PARA INSPIRAR

Moça com Brinco de Pérola, de Peter Webber (2003).

HOLANDA LEMBRA

Liberdade, tolerância, tamanquinho pontudo, jardim florido e Big Brother – inventado aqui.

MELHOR ÉPOCA PARA IR

O show de flores começa na primavera, a partir de março – período ideal para visitar os parques, moinhos e fazer rotas de bicicleta. No verão a temperatura é agradável, mas chove mais.

Site do país: www.holland.com
Embaixada brasileira: Mauritskade 19, Den Haag (Haia) Tel.: 70 302.3959.

NA SEMANA QUE VEM DESEMBARCAMOS NA INGLATERRA BARATA. É POSSÍVEL? NÃO PERCA!

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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Holanda a 50 euros por dia – Parte 2

 
+ 15 DICAS DA HOLANDA
 
1. A Holanda é menor que o estado da Paraíba. Em poucas horas você cruza o país de norte a sul, o que facilita viagens do tipo bate-volta. Comprar a passagem de ida e volta com retorno para o mesmo dia costuma sair mais barato do que adquirir os bilhetes separados. No site do sistema ferroviário holandês, o Nederlandse Spoorwegen (Dutch Railways)  é possível consultar horários, trajetos e preços da passagem. De Amsterdam para Delft, por exemplo, o trecho sai por 11,40 euros na segunda classe e a viagem dura uma hora. 

2. O moderno aeroporto Schiphol de Amsterdam fica a 18 quilômetros do centro. Para chegar à Centraal Station pegue o trem (ticket a 3,80 euros). São 15 minutos. Da estação há transporte para todos os cantos da cidade.   

3. Amsterdam é uma cidade compacta e plana. Andar a pé é gratuito. Querendo fazer como os holandeses, alugue uma magrela. Além da MacBike, citada no post anterior há outras opções como a Orange Bike (perto da praça Dam) que cobra 6 euros por 3 horas ou a partir de 8,50 euros por dia. Já na Bike City  quatro horas sai por 10 euros ou a partir de 12,50 por dia. Importante: para alugar uma bicicleta a maioria da empresas pede uma fiança de 50 euros ou um cartão de crédito, além de fotocópia do passaporte. A fiança, claro, é reembolsada na devolução da bike.  


O bicycle-taxi, uma espécie de riquixá holandês. (Foto: Brian – Ski e Epic)  

4. Se sua ideia – seja lá qual for o motivo – é utilizar muito o transporte público em pouco tempo vale adquirir os passes de um dia (7,50 euros), 2 dias (11,50 euros) e três dias (14,50 euros). Lembrando que o I Amsterdam Card, além de permitir entrada free nos principais museus, dá acesso gratuito ao transporte da cidade. Mas se você pretende andar muito talvez compense comprar os tickets avulsos. Para entrar no clima use quando puder os bicycle-taxis, o riquixá holandês. A partir de 5 euros para distâncias de curtas a médias.   

5. Se você busca a Amsterdã dos olhares curiosos, do risadinha contida e dos aficionados do gênero conheça o Museu da Cannabis que conta tudo sobre a erva como a origem, benefícios, malefícios e inclusive seus ilustres contrabandistas. Entrada a 9 euros. Crianças até 13 anos não pagam, mas só entram acompanhadas por um adulto responsável. Com tempo visite o Museu Erótico (5 euros) e o Museu do Sexo (3 euros). Este último conta a evolução do tema ao longo dos séculos.  

6. A 16 quilômetros da capital está Zaanse Schaans, uma vila do século 18 com cinco moinhos funcionando. Entrada a 4,50. Já Haarlem – a 18 quilômetros – tem um lindo centro antigo. Para os mais dispostos dá para ir de bicicleta. Os Jardins de Keukenhof,  em Lisse, tem mais de seis milhões de flores e plantações enormes de tulipas. A 26 quilômetros. Só abre em um determinado período no ano. Em 2010, será de 18 de março a 16 de maio. Entrada a 13,50 euros. Para chegar aos Jardins de Keukenhof não é necessário comprar excursões. Pegue um trem até Leiden e da estação da cidade o ônibus 54 para Lisse. O bilhete de trem está a partir de 8 euros e o do ônibus sai a 3,20 euros. 


Souvenir a 1 euro:
os famosos tamanquinhos holandeses. (Foto: Marcel Herber) 

7. O passeio de barco pelos canais não é coisa de “turista”. Você deve fazer um para se localizar melhor em Amsterdã, uma espécie de introdução à cidade. Geralmente duram em torno de uma hora e custa a partir de 12 euros. Caso prefira, alugue um pedalinho a 8 euros por hora e tenha seu momento Amyr Klink. As empresas Lovers  e Canal Company  oferecem vários tipos de passeios, alguns incluem jantar e/ou bebida e ainda parada em museus à sua escolha.  

8. Para conhecer um perfeito castelo de contos de fada com direito a fosso, torre e muralha, vá ao Muiderslot, a 13 quilômetros de Amsterdam. Entrada a 7 euros.  

9. Célebres em todo o país, especialmente em Amsterdam, os coffee-shops não são, assim, tão inofensivos como sugere o nome do estabelecimento. São neles que você pode comprar legalmente uma matulinha de maconha – para consumo próprio. (Se a polícia pegar você com mais de cinco gramas no bolso, vai dar um bafafá daqueles e provavelmente você vai ver o sol nascer quadrado). A rede Bulldog é a mais conhecida, totalmente turística. Se você fica deslocado que nem eu num lugar desses, mas gostaria de conhecer algo do gênero (digo, um coffe-shop – não a matulinha) tente o Tertulia , que parece mais uma casa de chá.  

10. Não fotografe as meninas das vitrines do Red Light District, o bairro da Luz Vermelha, em Amsterdam. O local está cheio de policial à paisana. É uma regra tão sagrada por ali que, caso desobedeça, vai ficar sem a máquina.  

11. Chove o ano inteiro no país, com mais freqüência no verão – junho, julho e agosto. Leve capa de chuva na mala.   

12. Caso vá na primavera-verão não perca o trecho entre Leiden (perto de Haia) e Haarlem, do lado de Amsterdam. São quilômetros de estrada cercada de tulipas, formando um colorido tapete gigante.  


As bicicletas são o principal meio de transporte nas cidades holandesas. (Foto: Eva Serna) 
 

13. Em Amsterdam, esqueça o metrô. Alem das bicicletas, pegue o bonde nº 20 – que faz um city tour pela cidade. Ticket a 1,60 euros.  

14. Nas bibliotecas públicas de Amsterdam (Openbare Bibliotheek)  e Rotterdam (Centrale Bibloteek) é possível acessar gratuitamente a internet por 30 minutos. Com um cadastro rápido feito na hora você também pode desfrutar da rede wi-fi do prédio, caso tenha levado seu laptop.  

15. Experimente o Walking Tour Gratuito – uma passeio a pé guiado pela cidade. Começa às 11h da manhã perto do centro de informação turística da Centraal Station. Você vai percorrer praças, canais, pontes, conhecer mais detalhes de monumentos históricos e descobrirá detalhes inusitados do Red District Ligth. Dura de três a quatro horas e pode ser muito válido para seu primeiro dia na cidade. No final, provavelmente vão pedir uma “contribuição”, que você vai acabar dando, dentro de suas possibilidades, com gosto. Não é necessário agendar.  

MUITO BOM – O país é plano. Por onde quer que vá, uma bicicleta vai esperar você. Resumo: passeios baratos garantidos.
MUITO CHATO – Com raras exceções, todas as atrações significativas são cobradas na Holanda – desde mapas a museus.  

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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Holanda a 50 euros por dia – Parte 1


Nos canais de Amsterdam um passeio de barco sai a partir de 12 euros. (Foto: Lars Brinkman)
 
Se eu perguntasse a você qual o principal cartão postal da França ou da Grécia com certeza algo muito típico e célebre viria a sua cabeça. Torre Eiffel na primeira. Quiçá a Acrópole na segunda. Já a Holanda não pode ser descortinada através de imagens consagradas. Num exercício de construção do imaginário poderíamos destacar alguns ícones como tulipas, tamancos, moinhos e bicicletas. O detalhe é que, aqui, os atributos quase sempre superam as características. O maior valor do país nem sempre sai na fotografia. Desprovida de preconceitos e altamente tolerante com as diferenças, na Holanda os direitos humanos não são motivo de discussão, mas – sim – de orgulho.  

Amsterdam, porta de entrada para a maioria dos turistas que vem ao país, foi a cidade escolhida para o famoso protesto de John Lennon e Yoko Ono, em 1962, quando passaram uma semana na cama. No quarto 902 do Hotel Hilton, para ser mais exata. No entanto, a cidade do tudo pode já foi mais liberal. Drogas e prostituição são permitidas, com restrições é bom advertir. Liberdade de expressão é algo incontestável. Mas seu direito sempre vai terminar quando o do outro começar.   

DE CASAS CUBISTAS A VACAS MALHADAS   

O holandês já nasce poliglota. O país de onde brotaram gênios como Van Gogh e Rembrandt tem um idioma impenetrável. Até um descompromissado “por favor” (algo como alstublieft) dá nó na língua. Não há com que se preocupar: a maioria fala inglês ou alemão. Eles reconhecem que a língua nativa é complexa e farão todo o esforço do mundo para ajudar você.   


Tulipa, a flor típica do país. (Foto: Cyan Li)   

Tecnicamente a Holanda tem duas capitais, o que pouca gente sabe. Amsterdam é a nominal, a que aparece nos guias de turismo e revistas de viagem como a cidade mais liberal do mundo. Mas Haia (Den Haag) é a sede do governo, portanto a capital político-administrativa do país. Mas isso você vai encontrar, provavelmente, em apostila de preparatório para vestibular só para confundir a gente.   

Metade do território holandês está abaixo do nível do mar. Aliás, se não fosse o mar, a Holanda não estaria hoje aqui para contar história, já que surrupiou boa parte da sua área do oceano Atlântico. Um inteligente sistema de diques e drenagem transformou a região numa espécie de Veneza progressista.   

O país é plano, um adorável convite a pedaladas. Só em Amsterdam são quase 600 mil bicicletas para pouco menos de um milhão de habitantes. De Rotterdam – um dos maiores portos do mundo – ao caminho entre Leiden e Haarlem, na primavera – passando por riquezas medievais como Delft, a Holanda só reserva surpresas do início ao fim do passeio.   

O BARATO DA HOLANDA   

AMSTERDAM – A primeira coisa que você deve saber ao chegar a Amsterdam é que straat significa “rua” ou “estrada” e gracht, “canal”. Não se esqueça de plein que quer dizer “praça”. Pronto, você está preparado para entender os mapas que, lamento informar, nunca saem de graça nos quiosques de informação turística. Perto da estação central (Centraal Station), a uns 400 metros, está a essência histórica da cidade onde fica a Dam – praça com a catedral Nieuwe Kerk. Caminhe pela inquieta rua Damrak – entre a Dam e a Centraal Station. Bater perna ao redor dos canais também é aquela velha sugestão para decifrar a cidade sem gastar nenhum tostão. Justamente nessas andanças você deve encontrar duas tradicionais praças, a Leidseplein e Rembrandtplein. Passeio gratuito. Ambas oferecem uma variedade enorme de bares e restaurantes. Para conhecer um bairro típico de Amsterdam circule pelo Jordaan. Cheio de casinhas, ruazinhas, lojinhas, mercadinhos e todos os “inhos” que fazem das regiões tradicionais uma delícia de passeio. Os cafés e ateliês mais descolados estão aqui. No Bairro da Luz Vermelha (Red Light District) sua porção conservadora vai por canal abaixo. Aqui, prostitutas – profissão legalizada e pagadora de impostos na Holanda – ficam expostas em vitrines. Sim, estão ali a trabalho. Não é só para turista ver. Mesmo assim, o bairro está longe de ser uma região degradada ou perigosa. Há policiais disfarçados e cabe a você estar atento para não ser incomodado por algum chato vendendo haxixe ou maconha. Além de caminhar, você pode optar pelo aluguel de uma bicicleta. Não, não é uma sugestão alternativa. A bicicleta está para a Holanda como riquixá para a Índia: todo mundo tem que dar pelo menos uma voltinha. Alugue a sua na MacBike  (perto da estação de trem). Normalmente custa entre 4 e 6 euros por três horas. Ou, em média, 10 euros por um dia. Os principais museus da cidade são pagos e quase nenhum tem dias de entrada gratuita para adultos. Se você for fanático pelo tema e com muita organização talvez compense comprar o caro I Amsterdam Card . Custa 38 euros (um dia), 48 euros (dois dias) e 58 euros (três dias). O cartão dá direito à entrada gratuita em todos os museus da cidade (menos a Casa de Anne Frank, que é particular), um passeio de barco e 25% de descontos em outras atrações, aluguel de bicicleta e alguns restaurantes. Caso opte apenas pelos museus essenciais fique com o emocionante Museu Van Gogh (12,50 euros), Museu Casa de Rembrandt (8 euros), no ateliê onde o pintor trabalhava, Museu Rijksmuseum (11 euros)  com a maior coleção de arte do país e, claro, a Casa de Anne Frank (8,50 euros) – lugar onde a menina viveu escondida e escreveu seu famoso diário durante a ocupação nazista. A maioria é gratuita para crianças até 9 ou 12 anos. Estudantes têm descontos vantajosos. Próximo ao Van Gogh Museum está o Vondelpark, o parque mais popular de Amsterdã – para seu obrigatório piquenique da tarde. Site da cidade: www.visitamsterdam.com   

ROTTERDAM – A cidade que abriga o maior porto da Europa foi uma das mais atingidas durante a Segunda Guerra mundial. A reconstrução foi resultado dos intensos bombardeios. Nasceram prédios arrojados, arquitetura progressista e fachadas inusitadas como as casas cubistas. Assim como Amsterdam, as principais atrações de Rotterdam são seus bairros: Centrum – centrinho agitado com variado comércio, entre a estação de trem e a avenida Blaak; Waterfront – ao lado do rio Mass com suas pontes contemporâneas e o Museumpark – região dos museus. Mas ao contrário do capital holandesa, o centro de informações turísticas oferece mapas gratuitos e o Use-it  (na rua Schaatsbaan 41- 45) é especialista em turismo para mochileiros. Visite a igreja Laurenskerk de 1525. Foi muito danificada na segunda guerra e reinaugurada em 1968 após uma longa e demorada reforma. Entrada gratuita. Na mesma praça da igreja está a estátua do filósofo Erasmus, nascido na cidade. Para navegar pelo porto contrate tours organizados: passeios de barco a partir de 9 euros. A 20 quilômetros daqui está Gouda, famosíssima pelo queijo de mesmo nome. No verão, especialmente às quintas-feiras, há um enorme mercado de queijos de lamber os beiços. Rotterdam está uma hora de Amsterdam. Site da cidade:  

www.holland.com/rotterdam

   


Mercado de queijos na cidade de Gouda, a 20 quilômetros de Rotterdam. (Foto: Paulo Santos) 

  

DEN HAAG (HAIA) – A cidade é menor que Amsterdam e Rotterdam, mas parece mais cosmopolita. Lembrando que Den Haag é o nome em holandês, The Hague em inglês, e Haia em português. A capital político-administrativa do país tem avenidas largas, prédios modernos e é sede da Corte Internacional de Justiça, que fica no Vredespaleis (Palácio da Paz), visitas guiadas das 10h às 16h por 5 euros. No famoso Tribunal de Haia foi julgado e condenado à morte Slobodan Milosevic – acusado de crimes de guerra na antiga Iugoslávia. Para mim, vale como um bate-volta (está a uma hora de trem de Amsterdam), aproveitando metade do seu dia para o Mauritshuis Museum  que ganhou fama depois do filme Garota com o Brinco de Pérola. Neste museu encontra-se – além das famosas telas de autoretrato de Rembrandt – o quadro de Vermeer Girl with a Pearl Earring que deu nome à película estrelada por Scarlet Johansson. Entrada a 10,50 euros. Gratuito para menores de 18 anos. Site da cidade: www.denhaag.com    

PARA FUGIR DO ÓBVIO   

Se bem que eu acho um pouco óbvio, mas nem todo turista dá a devida atenção a Delft quando vem à Holanda, principalmente se for a primeira viagem para cá. É a típica cidade holandesa com vacas malhadas, moinhos e tulipas. Está a 15 minutos de Den Haag (Haia) e serve para um dos passeios mais agradáveis do país. A praça principal, Markt, está rodeada por canais. Abriga um delicioso mercado toda quinta-feira, dia ideal para conhecer Delft. Claro que você pode visitar algum museu e a catedral anglicana, mas dedique-se a seguir os passos de Vermeer e sua “Garota com o Brinco de Peróla”. O filme, inspirado no pintor, foi rodado aqui. Site da cidade: www.delft.nl    

SEM MARCAR TOUCA   

Decida quantos dias quer passar na Holanda. Agora acrescente mais dois e visite calmamente o parque de Kinderdijk, uma aérea com 19 moinhos de vento – Patrimônio da Humanidade.  Há três cidades de onde saem ônibus até o parque: Utrecht, Rotterdam e Dordrecht.  De Rotterdam são 45 minutos. Para saber os horários dos ônibus consulte o site da Arriva, empresa que opera esta linha. Partindo de Rotterdam fica fácil de colocar os moinhos num dia e a medieval Delft no outro. Essas 48 horas a mais no seu roteiro vão fazer toda a diferença no seu scrapbooking de viagem.  

 

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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Grécia a 50 euros por dia – Parte 3

ONDE FICAR NA GRÉCIA

Existe uma regra clássica que diz: quanto mais simples, inóspito, exótico (ou pobre) for o seu destino melhor deve ser a acomodação. Um hotel barato na Grécia pode não ter exatamente o mesmo charme de uma hospedagem econômica na França ou a mesma eficiência de um albergue na Alemanha. Para não se decepcionar siga a indicação de quem já foi. Pesquise nos fóruns de viajantes ou aposte em hotéis tradicionais, onde se paga bem mais, saiba. Blogs especializados estão aí para isso. Mesmo assim, o que pode ser suficiente para mim, às vezes é muito pouco ou insuportável para você. A dica é: não faça economias absurdas em território grego. O país é barato por si só. Além do que, a Grécia é o destino que evoca o prazer em seu estado puro. Não comprometa seu sonho por causa de um up grade de10 mirréis a mais na diária do hotel. Isso pode fazer toda a diferença na sua viagem para cá.


Ilhas gregas, sonho de consumo acessível. (Foto: Juan Pablo Oitana)

HOSPEDAGEM ECONÔMICA NA GRÉCIA

Eu pareço um disco arranhado: evite ir no verão. Se a época já é propicia para os preços triplicarem em qualquer lugar do mundo, imagine quando o destino é de praia e sol, caso específico da Grécia. De qualquer maneira, ficando mais do que três dias consecutivos peça desconto – em qualquer hotel ou temporada. Geralmente eles dão. Mesmo que prefira reservar pelos sites especializados da web, não deixe de consultar também diretamente o hotel.

Em Atenas, o Acropolis House está num prédio do século 19 – construção moderníssima se a gente levar em conta que a cidade já existe há alguns milhares de anos. Está a 10 minutos da Acrópole e a 3 da Praça Syntagama. O quarto – com móveis que necessitam de uma repaginada – para casal está a partir de 40 euros. Sem café da manhã. O simples e super bem localizado Hotel Nefeli pode agradar. Os quartos espartanos não negam a raça. Mas ficam no bairro Plaka, a região mais turística da capital e está entre as estações de metrô Syntagma e Acropolis. A partir de 49 euros, o casal. Para mim, o maior achado é o Hotel Economy , não exatamente pelo preço (nem é o mais barato) – mas pelo custo-benefício. Todos os quartos têm TV, ar condicionado, frigobar e secador. Nas áreas comuns há wi-fi grátis. E o café da manhã está incluído. Tudo a partir de 52 euros o casal. Ou seja, 26 mangos para cada um. Fica entre as estações de metrô Omonia e Monastiraki, não muito longe do bairro Psiri, região movimentada com bares e restaurantes.

Nas ilhas gregas, pelo menos naquelas mais turísticas, há quartos em casa de família ou pensões – no maior estilo pousadinha brasileira. Como esse tipo de hospedagem é sempre um risco, pesquise bem antes de torrar seus euros em alguma delas. Em Mykonos, o Mina Studios – a 3,5 quilômetros do centrinho – está numa casa caiada de portas azuis com flores rosáceas na frente (mais típico, impossível). Está a partir de 40 euros o casal. Café da manhã incluído. Oferece transfer gratuito de e para o aeroporto ou porto. O Kymata Pension é beeeem simples, mas todos os quartos têm banheiro e ar-condicionado. Fica próximo à Little Venice (Pequena Veneza). As diárias por pessoa estão a partir de 23 euros. Não aceita cartões de crédito. Querendo investir um pouco mais aqui, bem no coração de Chora, a capital da ilha – e a 300 metros da praia está – o Carbonaki Hotel. Um fofo! Quartos amplos, linda piscina. A partir de 66 euros o casal. Lembrando que para manter a média de 50 euros por dia na sua viagem à Grécia, ao optar por uma hospedagem mais cara nas ilhas – ou você vai ter que comer muito churrasquinho grego ou se instalar em algum albergão em Atenas.

Em Santorini a opção mais mão-de-vaca  (nem por isso menos legal) – é o Youth Hostel Oia . Tem quartos amplos e um terraço com vista para o Mar Egeu. Diárias a partir de 15 euros (17 no verão) por pessoa em quartos coletivos, a maioria com banheiro privativo. Café da manhã incluído. O Stelios Place leva o nome do dono. O Seu Stelio comanda tudo de pertinho e busca pessoalmente os hóspedes no porto ou aeroporto. O hotel está na praia de Perissa e todos os quartos têm banheiro privativo. Diárias do quarto duplo a partir de 28 euros (14 por pessoa!). Café da manhã incluído. O Delfini, na vila de Oia – aquela do por do sol imperdível – oferece diárias a partir de 45 euros em quartos sem vista para o mar. Com vista, a partir de 60 euros o casal. Café da manhã cobrado à parte: 10 euros por pessoa.

ONDE COMER BARATO NA GRÉCIA

Num país com comida tão farta, diversificada, nutritiva e barata eu gastaria um pouco mais no hotel, porque as refeições estão garantidas a preços módicos. Para abrir o apetite prove um Gyros – o nosso churrasquinho grego. Há vários pontos de venda nas ruas. Vem carne assada (carneiro, muitas vezes), com salada e molho à base de iogurte. Tudo enrolado num pão árabe em forma de cone. Não vai custar muito mais do que 3 euros.


Salada grega: acompanhamento fresco e barato. (Foto: Chimugherm)

A tradicionalíssima Moussaka – uma espécie de lasanha de berinjela com abobrinha – é o prato típico do país. Vem em pedaços generosos e pode custar de 3 a 9 euros. Para um tira-gosto no fim de tarde, experimente o Mezédes, as tapas gregas. São petiscos variados. Média de cinco euros o pratinho recheado que, geralmente, serve tranquilo duas pessoas. Outra delícia é a nossa conhecida Salada Grega: tomate, pepino, azeitona, cebola e queijo branco. Para fugir do cardápio básico escolha de vez em quando a Spanakópita, uma torta folhada de espinafre que derrete na boca. Sobremesa: iogurte com mel. Quase sempre feito com leite de ovelha e com textura que você só encontra na Grécia. Qualquer restaurante serve um. Para acompanhar seu banquete, peça o Ouzo, a bebida nacional com sabor de anis.

Em Atenas, o bairro Plaka é o mais turístico. Mas na Praça Omonia há mais restaurantes e bares com preços honestos. Para comer comida típica tente o restaurante Filipou (19, Xenokratous). Da Praça Kolonaki, pegue a rua Patriarch Ioakim até chegar na Ploutarchou. Vire à esquerda na Ploutarchou, e depois à direita. Estará na Xenokratous. (Desculpe, é grego!). Pratos a partir de 6 euros.

SESSÃO MÃO DE VACA MUQUIRANA

Caso a Grécia esteja incluída no seu cardápio europeu juntamente com outros países e não sobre tempo (ou dinheiro) para um tour pelas ilhas gregas mais famosas, não se avexe. A uma hora de Atenas, em barco rápido, você pode passar o dia em Hydra, uma das ilhas mais bonitas do arquipélago sarônico. Tem mar azul, ruas de pedra e casinhas com tetos avermelhados. É proibida a circulação de carros por aqui. Mais um motivo para você dar um passeio nos burricos gregos. O ticket do ferry está a partir de 10 euros.

MOMENTO EXTRAVAGÂNCIA

Não consigo pensar em extravagância maior do que ficar num daqueles hotéis de cinema das ilhas gregas. As diárias transitam entre 300 e 600 euros. Mas eu, particularmente, trocaria sete dias num hotelzaço desses por um mês inteiro perambulando de ilha em ilha, optando por hospedagens classe média. Porque passar 30 dias na Grécia, não tem preço.

Ó QUE CURIOSO

Para dizer “sim” em grego pronuncia-se ne – que pode confundir com a aglutinação do nosso “não é”. Já a tradução de “não” é okhi, que lembra um ok. Cuidado para não misturar as bolas.

UM FILME PARA INSPIRAR

Casamento grego (2002), de Joel Zwick

GRÉCIA LEMBRA

Minotauro, filosofia, prato quebrado, cruzeiro, Zorba e lua de mel.

MELHOR ÉPOCA PARA IR

Julho e agosto são dois meses que você deve evitar. É altíssima temporada, tudo lota e os preços triplicam (nos hotéis principalmente). Prefira maio, junho ou setembro. A temperatura é mais amena. No entanto, quanto mais próximo do inverno maior o risco de encontrar muitos estabelecimentos fechados nas ilhas.

Site do país: www.gnto.gr
Embaixada brasileira: Platia Philikis Eterias 14, 3º andar. Tel.: (30210) 7213039

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Europa a 50 euros por dia: introdução


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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Grécia a 50 euros por dia – Parte 2


O maior barato da Grécia são as imagens que você traz de lá. (Foto: Martin Boose)

1. Quando chegar ao moderno aeroporto Eleftherios Venizelos de Atenas nem pense em pegar um táxi (a menos que você tenha vindo do Brasil – com escala em alguma cidade da Europa – para justificar os 40 euros da corrida). Caso contrário pegue o trem conectado ao metrô, que liga o aeroporto ao centro por 3 euros. O percurso dura cerca de 30 minutos.

2. Como sou muito mais história do que praia eu colocaria um dia a mais em Atenas para fazer um bate-volta ao Cabo Sounion, a 70 quilômetros de Atenas. Aqui está o Templo do Deus Posêidon (Netuno para os romanos) construído no século 7 a.C. O templo lembra em parte a Acrópole, mas a localização é uma das mais extraordinárias da Grécia. Entrada a 4 euros. Para chegar lá pegue um dos ônibus da empresa KTEL, na esquina das ruas Loulianou e Mavromatéon, próximo ao Museu Arqueológico.

3. Se tempo não for problema fique mais dois dias na península e conheça o Peloponeso, a região onde está localizada Esparta, aquela que abriu fogo contra Atenas na era clássica. Por aqui também há praias e alguns dos sítios históricos mais importantes – não só da Grécia – mas do mundo: Olímpia. O vilarejo – a 190 quilômetros de Atenas – é o berço das olimpíadas.  O Museu Olímpia abriga, além de fachadas dos antigos templos, uma maquete que reproduz como era a cidade. Entrada no sítio arqueológico mais museu a 9 euros.


Templo do Deus Poseidon, a 70 km de Atenas. (Foto: Chris Num)

4. Seu sonho é um cruzeiro pelas ilhas gregas? Pois ele cabe direitinho no nosso modelo 5.0 de viagem. A Easycruise – uma low cost dos mares – oferece, na baixa temporada, viagens de sete noites a partir de 199 euros por pessoa, em cabine dupla. Não estão incluídas alimentação nem bebidas. Pechincha! É como se fosse um up grade no seu albergue, com a vantagem de pular de ilha em ilha sem pagar o transporte. Detalhe: esse tipo de excursão, muitas vezes, não permite o slow travel – muito recomendado numa viagem a Grécia – já que visita muitos ligares em poucos dias.

5. Se for o seu caso, pergunte sempre se há descontos para estudantes, inclusive nas tarifas de barcos para as ilhas. Há várias atrações – o Parthenon, por exemplo – que podem sair de graça!

6. Existem diversas maneiras de viajar de Atenas para as ilhas: ferries, barcos rápidos e avião. Voar é a opção mais rápida (e mais interessante para quem tem pouco tempo), mas custa bem mais caro. No porto de Pireu, na capital, há várias agências com toda a grade de horários e valores. Só para ter uma idéia, uma viagem de sete a nove horas para Santorini custa em média 18 euros. O mesmo trecho de avião (50 minutos) chega a 100 euros. Mas se você comprar com antecedência – como tudo numa viagem planejada – pode encontrar tarifas bem mais acessíveis. Consulte os preços na Olympic Airlines.

7. Para chegar ao porto Skala Firon, em Santorini, você pode descer os 587 degraus desde o centro de Fira, – a “capital” da ilha. Sedentários e preguiçosos como eu, não desanimem! É possível pegar um bondinho para fazer o mesmo trajeto por 5 euros. Ou, melhor pedida, ir no lombo de um burrinho pelo mesmo valor. Dali do porto saem barcos para dois vulcões adormecidos, de fato, duas ilhotas simpáticas: Nea Kaemni e Palia Kamani. Percurso a partir de 20 euros.

8. Em Santorini, garanta sua fotografia de cinema no vilarejo de Oia (pronuncia-se “ia”). A oito quilômetros ao norte de Fira, Oia se debruça sobre o Mar Egeu contrastando com casas caiadas e igrejinhas de tetos azuis. A maioria das imagens da Grécia que povoam seu imaginário saíram daqui. Aproveite para se perder pelas ruelas até a hora do por do sol, que no verão acontece quase às 22h. Apesar de opiniões diversas, dizem, é o mais bonito do mundo. Como o maior barato da Grécia são as fotos que você traz de lá, essa é sua chance! Gratuito.

9. Conheça a Pompéia da Grécia e vá a Akrotiri, o principal sítio arqueológico da ilha de Santorini. Akrotiri é uma antiga cidade que foi soterrada por uma erupção vulcânica há mais de 3500 anos. O acesso ao local estava fechado até há bem pouco tempo. É bom se informar antes de ir. De qualquer maneira, os principais tesouros do lugar você poderá ver no Museu Arqueológico, em Fira. Entrada a 3 euros. Grátis no primeiro domingo do mês, menos julho, agosto e setembro, quando a entrada franca acontece no segundo domingo.

10. Vai ser difícil encontrar areia branca em Santorini, herança da origem vulcânica – o que garante uma paragem inusitada, mas nunca feia. Para sair da trilogia casa branca-teto azul-areia preta vá para o sul da ilha e conheça a Red Beach, toda enquadrada por uma falésia vermelha, uma espécie de Canoa Quebrada grega.

11. Para circular em Santorini existem ônibus que ligam o porto à capital Fira ou à vila de Oia. Mas a locomoção fica melhor se você alugar um quadriciclo (barato e divertido!) ou uma scooter. Diárias da motoneta a partir de 15 euros na baixa temporada – dividido por dois fica melhor ainda.


A Little Venice de Mykonos. (Foto: Lorena Ven)

12. Ao chegar a Mykonos descubra a ilha a partir do bairro Alefkandra, também chamado de Little Venice (pequena Veneza), onde há uma enseada com casinhas sobre palafitas dentro do mar. É o metro quadrado mais disputado de Chora, a capital da ilha. Mas para zanzar por ali tomando um vinho local você não deve pagar mais do que 4 euros.

13. A partir de Mykonos conheça Delos, a “ilha dos deuses”. Desabitada, está a meia hora de barco daqui. O lugar é considerado um dos mais importantes sítios arqueológicos da Grécia. O trajeto está em torno de 20 euros e os barcos saem entre 9h e 12h.

14. Critério de preços na hora de escolher onde comer, principalmente nas ilhas gregas: quanto mais bonita a vista, mais caro vai ser. Isso não significa que você terá que almoçar sempre olhando para uma parede branca. Apenas fique atento para não pagar uma bufunfa tremenda porque o restaurantinho tem um terraço despencando no mar. Pesquise e você vai encontrar lugares charmosos, com comida típica, oferecendo o menu do dia por 10 euros.

15. A Grécia pode ser considerada um destino barato porque as principais atrações – natureza, mar e arquitetura – estão disponíveis a qualquer um, de graça. Nas ilhas, o que você tem de obrigatório para fazer são caminhadas relaxantes. Invariavelmente,  pipocar de praia em praia. O transporte entre elas pode encarecer seu orçamento. Se preferir, escolha uma – no máximo duas – para levantar acampamento e saia de lá chamando o país de seu.

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Matraqueando - Blog de viagem | Por Sílvia Oliveira

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