-  Atualizado 24/08/2010

O que fazer para evitar a deportação?

Publicado por: Silvia Oliveira Mais lidos

 
 
Os agentes de imigração das aduanas internacionais partem do princípio de que todos os visitantes são culpados até que se prove o contrário. Principalmente, se o turista faz parte de algum país considerado suspeito, entre eles, o Brasil. Hoje, novamente a notícia de que 30 brasileiros foram deportados da Espanha, incluindo universitários e pós-graduandos do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ). Estavam a caminho de um congresso científico em Lisboa, mas – de acordo com as informações dos policiais – não tinham comprovantes de estadia na capital portuguesa nem da participação no tal congresso. Também foi alegado que os brasileiros levavam uma média de 250 euros, quando se exige um mínimo de 50 euros por dia de viagem.
  
Quem pensa que esse post é para falar mal dos agentes espanhóis ou para dizer que fico horrorizada com o atendimento precário dado aos deportados ou, ainda, para esbravejar contra o Itamaraty que não faz nada ou que é abominável que o pessoal da alfândega não esteja preparado para distinguir um clandestino de um turista… pode tirar o cavalinho da chuva ou mudar de blog. A questão aqui é: o que fazer para evitar que isso aconteça na sua próxima viagem.
 
As regras variam de nação para nação, por isso, entre em contato com a embaixada ou consulado do país para saber o que é necessário para entrar sem problemas. No caso da Europa, os brasileiros não precisam de visto para entrar em qualquer um dos países europeus integrantes do espaço Schengen (território sem fronteiras internas que inclui Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Itália, Islândia, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos, Portugal e Suécia), mas existem algumas formalidades válidas para todos os destinos e outras mais específicas que o turista deve saber.
 
Além do passaporte com validade superior a seis meses, o passageiro deve ter bilhete aéreo de ida e volta, com permanência máxima de 90 dias. Muitos que tentam entrar, clandestinamente, compram um bilhete de um ano – proporcionalmente mais barato – mas se esquecem de comprovar o que vão fazer lá durante os 12 meses. É volta para a casa, na certa! Alguns países exigem os vouchers de hospedagem, seguro saúde e demonstração de que possui recursos financeiros para a permanência no país durante o período desejado.
 
Veja: são formalidade EXIGIDAS pela Comissão Européia de Turismo. Lei! Alguns países, incluindo a Espanha, podem não pedir absolutamente nada disso na entrada para a maioria dos turistas. Para mim, por exemplo, nunca me perguntaram quanto estava levando em dinheiro. (Só passei por isso em Israel!). Então, se você não leva os valores mínimos recomendados, não tem comprovante de estadia, nem o seguro saúde obrigatório com cobertura de 30 mil euros (valor exigido para entrada na França, por exemplo) – e o policial aduaneiro pedir tudo isso – pode se preparar para voltar no mesmo avião em que embarcou.
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Parece-me que foi exatamente isso que aconteceu com este grupo de brasileiros e com a pós-graduanda em física pela Universidade de São Paulo, Patrícia Camargo Magalhães, que há um mês deveria só fazer uma conexão na Espanha. Ficou três dias presa no aeroporto de Madri. Sem um comprovante de estadia em Portugal e de sua inscrição na conferência, Patrícia foi impedida pela imigração espanhola de entrar no país. E mais: nos Estados Unidos se você for participar de um congresso tem de tirar visto específico de negócio para conseguir entrar, não servem só os comprovantes e o visto de turista.
 
Sim, há casos de arbitrariedade. Conheço pessoas – até uma prima – que foi com tudo certinho e acabou sendo deportada da Inglaterra. Mas isso, asseguro, é raro se você cumprir as exigências mínimas. Eu diria que, no caso dela, foi uma tremenda falta de sorte. Agora, o governo considera a possibilidade de começar a negar a entrada de espanhóis, depois desse endurecimento na liberação de brasileiros. Rá rá rá rá… Ou seja, em vez de criar condições decentes de trabalho para os brasileiros aqui no Brasil (e evitar a imigração clandestina – o que acaba gerando este preconceito) eles ainda querem afugentar os últimos turistas sobreviventes que ainda têm coragem de visitar nosso país.
 
O viajante profissional Ricardo Freire escreveu na sua coluna do jornal O Estado de São Paulo, na semana passada: “o turista estrangeiro que desembarca no Brasil é um herói. Ele resolveu ignorar, deliberadamente, tudo o que sai escrito sobre o Brasil na imprensa internacional. Ele assumiu como ficção tudo que viu nos últimos filmes brasileiros de sucesso. Ele desobedeceu o conselho da maioria de seus amigos. Ele resistiu ao mar transparente do Caribe e da Tailândia, ao colorido do México e às pechinchas da Argentina. (…) Para mim está claro que esse cara merece tapete vermelho, flores e fitinha do Bonfim – e não ameaça de deportação.”
Ei, Senhor Itamaraty, se liga, véio!
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Foto: Visto norte-americano. Caso vá participar de um congresso nos Estados Unidos é necessário tirar o visto de negócios. Se você for só com o de turista vai voltar para casa, mesmo que apresente todos os comprovantes como estadia e participação no evento. (Matraca´s Image Bank)


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3 comentários

  1. EFV
    Comentário do dia 22/12/2013 às 01:36

    Respondido

    Desde o dia 19 de julho de 2013 há uma nova exigência com relação à validade do passaporte para todos os viajantes que entram no Espaço de Schengen. Devem ter validade de 3 meses mais o período de estadia.

    Como funcionava antes: o passaporte deveria ser válido durante a estada.
    Como funciona agora: o passaporte deverá ser válido por mais 3 meses a contar da data de saída do passageiro do Espaço de Schengen.

    segundo o site: http://www.falandodeviagem.com.br/viewtopic.php?f=10&t=6507

    (Responder)

    Resposta de Silvia Oliveira

    É isso, mesmo! 😉

    (Responder)

  2. Leonardo Oliveira
    Comentário do dia 18/11/2014 às 00:34

    Olá Silvia, boa noite!
    Cheguei de Madrid no último sábado (15), depois de ter meu visto negado… Apesar de estar com tudo em ordem (seguro, carta convite, dinheiro, etc), cometemos, eu e a agência de viagens, o vacilo de emitir as passagens pra Lisboa com retorno para 6 meses 🙁
    Minhas dúvidas: o que significa “(C+E)” escrito abaixo do carimbo de entrada em Barajas?
    Devido a essa recusa corro o risco de ser novamente barrado? Pretendo comprar novas passagens com partida no início de dezembro e retorno para 3 meses. Mesmo sendo mais caras, vou direto de Salvador-BA pra Lisboa, meu destino final!
    PS: minha intenção é, próximo dos 90 dias de estadia, ir ao SEF solicitar a prorrogação do visto de turista por mais 3 meses. Nunca pretendi ficar ilegal em Portugal!!
    Obrigado.
    Seu blog está cada vez melhor 🙂 Parabéns!!

    (Responder)

    Resposta de Leonardo Oliveira

    Sílvia, boa tarde!
    Já soube, junto ao consulado português em Salvador, que não há problema algum com meu passaporte, no sentido de qualquer impedimento, em vista do carimbo que foi colocado (negação de entrada) 🙂
    Outra dúvida: como pretendo passar 3 meses em casa de amigos, preciso de uma CARTA CONVITE ou TERMO DE RESPONSABILIDADE emitida pelo SEF? Tal termo não pode ser enviado por email. Foi o que me informaram em Madrid!
    Ou basta uma carta informal com os dados do cidadão português que irá me receber???
    Abraço e obrigado!!!

    (Responder)

    Resposta de Silvia Oliveira

    Até onde eu sei, Leonardo, é necessária uma carta-convite formal (com reconhecimento em cartório deles, ou polícia federal, não saberia informar). E deve ser enviada pelo correio para você. Você deve chegar com a carta original. Abs e boa sorte!

    (Responder)

    Resposta de LEONARDO OLIVEIRA

    Olá Silvia!
    Realmente há, até onde consegui apurar, divergência entre a exigência em España e em Portugal. Diferente de los hermanos, que cobram 100 euros pela referida carta e só entregam depois de 15 dias (!!!), os tugas a fazem de graça e entregam no mesmo dia 🙂
    Como foi muito complicado ter essa confirmação, faço questão de averiguar assim que estiver em solo português.
    Dessa forma dou minha pequena contribuição ao seu belo blog que tanto tem me auxiliado e acompanhado nas viagens pela Europa.
    Um grande abraço!!!

    Resposta de Silvia Oliveira

    Obrigada, Leonardo! Depois volte para contar como foi! Boa sorte! 😉

    Resposta de Tallys

    Aproveito para dar meus parabéns pelo site e a atenção dispensada aos comentários!
    É sempre bom verificar as leis específicas de cada país, dar uma olhada no site do consulado do(s) país(es) que pretende visitar.
    Essa carta de acolhimento que o Leonardo falou, na França por exemplo, o seu contato de lá terá que providenciar na prefeitura da comuna onde ele mora.
    Sobre outras coisas que li mais acima, nunca entrei pela Espanha, mas evito Portugal pq além dos documentos comuns (passaporte válido, passagem de volta comprada, comprovante financeiro e de estadia e seguro saúde) eles tb exigem (na teoria) comprovação de vínculos com o Brasil, tipo vc tem um emprego e está de férias, mas teria que levar algum documento comprovando.
    Na Inglaterra tb pedem isso, e tive que contar toda a minha vida para o fiscal da alfândega, até ele se convencer que eu não estava pretendendo imigrar e me liberar, pois tinha todos os documentos exigidos, menos esse.
    Na França só me pediram o passaporte, carimbaram e voilà! Mas é bom sempre preparar tudo antes de comprar as passagens.
    No mais, aconselho estar tranquilo, ser educado e evitar a informalidade comum no Brasil. Se um fiscal tiver preconceito com a nossa nacionalidade (muitas vezes pelas experiências que ele já teve na profissão) vc sempre pode mostrar uma exceção.
    Documentos servem para demonstrar realidades, mas o ser humano absorve informações de várias maneiras.

  3. Comentário do dia 04/8/2015 às 11:42

    Excelente artigo! Vejam também estas informações adicionais: http://negocios.umcomo.com.br/articulo/como-evitar-ser-deportado-20756.html

    (Responder)

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