sexta-feira, 27 de março de 2009

O que se aprende com uma viagem?

Mala jenny w.

Cresci com as viagens. Ainda falta muito para chegar ao Nirvana, admito. Mas cresci. Ampliei horizontes, melhorei conhecimentos, adquiri novas habilidades, aprendi outros idiomas, vivenciei a diversidade, encontrei a tolerância.

Amadureci. Tenho algumas crises, verdade. Mas amadureci com as viagens. Conheci pessoas, ignorei o preconceito, experimentei o desconhecido, reconheci minha insignificância, desenvolvi um certo bom senso, fiquei mais humilde.

Progredi. Nada, nem de longe, comparado a um lama tibetano. Mas progredi. Parei de reclamar, aproveitei oportunidades, explorei caminhos, avancei sobre minha mediocridade, recuei quando a persistência virou teimosia e até melhorei meus parcos conhecimentos em geografia.

Poucos se dão conta. Mas viajar exige muito. Custa caro. Demanda tempo e, fundamentalmente, força de vontade. Eu mesma, apesar de todas as obras de melhorias, ainda não me animo muito com trilhas, campos de golfe e rapel.

Qualquer viagem envolve um processo dinâmico de estruturação, pesquisa e organização. Requer percepção ativa (por exemplo, se  não gosto de neve não devo ir a Chillán, apesar do apelo da Revista Caras…) e promove atitudes objetivas que nem de longe teríamos se permanecêssemos “vegetando num cantinho do planeta a vida inteira“, parafraseando Mark Twain.

Encare suas férias, por exemplo, como um projeto empresarial. Não, não vai ficar chato. Vai ficar melhor. Compreenda que quando engajamos a ação de ir e vir nos envolvemos em vários departamentos como o administrativo (quem vai organizar?), o financeiro (quem vai pagar a conta?), o logístico (como vou me locomover?), o de marketing (para quem vou mostrar minhas fotos?), o de recursos humanos (quem vai comigo?) e o de comunicação (como faço para abrir um blog e contar para o mundo o que vi e vivi?). E todo o conhecimento que vem antes, durante e depois da viagem fica para o resto da vida. Como:

TOMADA DE DECISÃO
A escolha do destino adequado, de acordo com seu tempo disponível, conforme sua renda e moldada aos seus gostos e preferências talvez seja o momento mais difícil do processo. Analise (e descarte) opções, peça a opinião dos outros, se necessário. Siga sua intuição. É julho – você não gosta de frio – mas está todo mundo indo a Campos do Jordão. Ora, voe para o Maranhão. Talvez ainda dê tempo de ver as lagoas dos Lençóis Maranhenses.

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO
Defina seus objetivos. Selecione os programas do passeio. Leve em conta as variáveis: sol, chuva, calor frio, montanha, praia, cidade pequena, cidade grande. Considere os pontos positivos e negativos do lugar. Busque oportunidades: vá aonde ninguém quer ir.

TRABALHO EM EQUIPE
Não fale mal de ninguém, nem de lugar nenhum. Mesmo que você viaje sozinho precisará de pessoas. Pessoas para dar informação. Pessoas para compartilhar uma roubada. Pessoas para dividir uma mesa. Quando se viaja acompanhado, o trabalho é dobrado. Seja tolerante, respeite os limites dos outros, ofereça ajuda e esteja preparado para o imprevisto. Na verdade, os imprevistos são testes. Resta saber como você passará por eles.

SUPERAÇÃO DE DESAFIOS
Quem não viaja, geralmente tem sua desculpa: falta de tempo, de dinheiro, não gosta. Mas na minha opinião, quem não viaja, tem medo! Medo do desconhecido. Não sabe arriscar e foge do que não pode dominar. Acredite, as viagens são boazinhas. E até aquelas que não saem exatamente como você planejou têm seu valor. Quando você erra, invariavelmente, aprende!

LIDERANÇA
Seja líder da sua viagem. Aprenda a conduzir seu roteiro – e a readequá-lo ou revê-lo, se isso for imperativo. Influencie positivamente seu acompanhante.  Motive seu grupo. Não fique mal humorado, nem desconte em ninguém o excesso de curry do almoço. Seja justo e saiba ouvir. Dê exemplos de respeito, disciplina e compromisso com o projeto.

RESILIÊNCIA
Resilientes são capazes de vencer dificuldades, de aprender com a adversidade e – através de soluções criativas – de superar qualquer problema. Repito, viajar não é fácil. Perde-se o passaporte, o trem, o avião. Dá overbooking.  O hotel – que custou os tubos – tem barata. A comida – naquele restaurante estrelado – está sem sal. Chove sem parar. Dá diarréia. Ou enxaqueca. Supere e pronto. Ria da situação e acredite que faz parte. Lembre-se,  você não precisa servir de lição. Mas pode ser exemplo para muita gente.

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Foto: Jenny W. | Freeimages.com

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