Silvia Oliveira

Buenos Aires

quinta-feira, 08 de dezembro de 2011

Buenos Aires bairro a bairro: Palermo

Há pouco mais de 100 anos, Palermo era uma espécie de zona rural de Buenos Aires. Tudo era chamado de Palermo Viejo. Ainda há um pedaço da região que se intitula assim. Mas com uma tacada marketeira-turística de mestre acabaram dividindo o bairro em dois: o que vem antes e o que fica depois da linha de trem. Agora o must da cidade está em algum destes Palermos, denominados Soho e Hollywood.

Há ainda o Palermo Chico, por onde não me embrenhei muito – e a área que forma o Parque Tres de Febrero, chamado também de Bosques de Palermo. É uma enorme área verde com pracinhas e atrações pra toda a família. Por ali você encontra o Jardim Zoológico, o Jardim Japonês, o Hipódromo, o fofo Jardim Botânico e um imenso Rosedal.

Na minha primeira vez em Buenos Aires, há quase seis anos, fiquei em Palermo Hollywood, que recebeu este nome porque abriga alguns canais de televisão e muitas produtoras de comerciais e filmes. Nossa opção foi o Solar Soler, um dos Bed & Breakfast mais charmosos da região, instalado num casarão do século 19 totalmente reformado. A hospedagem em si foi ótima. O detalhe é que Palermo Hollywood, na minha concepção, fica no fim do mundo. E eu só me dei conta disso quando cheguei lá. Estava longe de tudo o que eu queria ver na minha estreia na cidade e a palavra “táxi” – mesmo já sendo barato naquela época – estava banida do meu caderninho mão-de-vaca-muquirana. Sem contar que, apesar de ter bons lugares para comer, achei o local meio morto tanto de dia quanto à noite.

Já no SoHo portenho é onde Palermo “acontece”. Nesta porção do bairro estão as lojas moderninhas, os estilistas de vanguarda, os designers da hora, pubs temáticos, cafés literários, os descolados dos descolados e alguns dos melhores restaurantes da cidade. O afamado escritor argentino Jorge Luís Borges viveu alguns anos por aqui, na Calle Serrano, 2135. Eu gosto do clima festivo e modernex de Palermo Soho, mas circulando por ali me sinto,às vezes, num filme da década de 70 – tudo muito hippie, coloridinho e despojado demais para meu gosto. Rá!

O bairro todo é gigante. Aliás, Palermo é o maior da cidade. Merece mais do que um dia inteiro de visita. No ano que vem pretendo me hospedar pela primeira vez no Soho para poder esmiuçar mais essa região. É que nas três vezes em que estive aqui ainda não consegui descobrir a “minha Palermo”.

O QUE FAZER

Plaza Julio Cortazar (chamada também de Plaza Serrano) | É ponto de referência para quem quer circular pela região. Aos sábados e domingos há uma ferinha de artesanato com shows musicais. No meio da praça tem um parquinho infantil daqueles que as crianças adoram com escorregador, gangorra e balanço.

MALBA | Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires. Com arquitetura moderna, o prédio do Malba é uma atração em si. O museu abriga a obra-prima Abaporu, da brasileira Tarsila do Amaral. Sim, a expressão máxima do modernismo brasileiro está na Argentina!

Museo Evita | Para quem admira a personalidade feminina mais influente que a Argentina já teve, o museu é um passeio bacana. Está num belo casarão de 1906 e traz objetos pessoais, fotos, documentos, sapatos e bolsas que Evita usou. Oferece visitas guiadas.

Parque Tres de Febrero | Também conhecido como Bosques de Palermos, o parque é uma deliciosa área verde cheia de lagos. Um lindo Rosedal com milhares de espécies de rosas é atração. Se fosse para usar um clichê eu diria que é o “pulmão” da cidade.

Zoológico | Ótimo para quem gosta de bichos. Bacana para quem tem crianças. Promove visitas noturnas (é necessário reservar) de quarta a sexta.

Jardín Japonés | Lindo e bem preservado. Abriga mais de 300 espécies de plantas nativas japonesas, um carpário e uma ponte típica das paisagens orientais.

Barbie Store | A única loja temática da boneca mais famosa do mundo está em Buenos Aires. Para mães com meninas na fase meu-mundo-é-rosa. Tem casa de chá, área de brinquedos, cabeleireiro e manicure para as crianças. A entrada é gratuita, mas os serviços são pagos à parte.

ONDE COMER

Crizia | Restaurante contemporâneo, requintado e com excelente custo-benefício. Pelo que cobra e pelo que oferece acabou sendo uma das nossas melhores experiências gastronômicas da cidade. (Palermo SoHo)

Don Julio | Bodegón típico com atendimento familiar. Você pode escolher sua carne antes dela ir para a parilla. (Palermo SoHo)

Chori & Wine | Ambiente informal e aconchegante. O dono – e parrillero – já morou vários anos em Porto Seguro (Bahia) e fala muito bem o português. Se você não quer gastar muito e busca algo típico, talvez seja uma opção. (Palermo SoHo)

ONDE COMPRAR

Papelera Palermo | Uma papelaria super agradável, cheia de novidades e caderninhos de enlouquecer os apaixonados pelo paper-design.

Isadora | Loja de acessórios com mais de 20 endereços na cidade. São dezenas de opções em bolsas, colares, flores para o cabelo (adorei!), brincos e echarpes. Uma das poucas lojas realmente baratas de Buenos Aires. Esta filial é bem charmosinha e fica na Calle Armenia, 1789, Palermo SoHo.

Milagros | Uma recanto super delicado que vende de móveis a taças, passando por almofadas e caixas decoradas. Tudo com nuances florais e muito estilo. Fabricação própria da estilista e designer Milagros Resta. Preços amigáveis.

Tienda Malba | As lojas de museus geralmente deixam a gente babando, né? Mas a lojinha do Museo Malba é um luxo à parte. Além de ter um acervo de quase 10 mil livros de arte, ainda oferece lindos cartões-postais, cadernos e coisinhas fofas que a gente adora levar pra casa como pimenteiros e vasinhos design.

COMO CHEGAR

Linhas de ônibus: 12, 15, 29, 36, 37, 39, 41, 55, 57, 59, 60, 64, 67, 68, 93, 95, 102, 108, 111, 118, 124, 128, 130, 152, 160, 161, 166, 188.
Metrô: Estação Plaza Itália, Estação Palermo e Estação Scalabrini Ortiz (linha D). Táxi do centro até Palermo SoHo: 25 pesos ou R$ 10,00 (valores aproximados)

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Fotos: Raul Mattar e Sílvia Oliveira

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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Buenos Aires bairro a bairro: Recoleta

Quando estive em Buenos Aires pela primeira vez eu achava que Centro e Recoleta estavam mais ou menos tudo junto. Mesmo com as discrepantes diferenças visuais entre os dois bairros, a minha desordem cerebral se deu ao fato de que a região mais aristocrática da cidade está numa área central, a pouco mais de 30 minutos de caminhada da Casa Rosada.

A Recoleta traduz na íntregra os clichês que aproximam a capital portenha da Europa. Com construções no estilo belle époque, avenidas arborizadas e um conglomerado de lojas de grifes internacionais, acabou se transformando num dos bairros mais agradáveis para caminhar sem nenhuma obrigação turística. De qualquer maneira, aqui estão alguns dos principais atrativos de Buenos Aires como o cemitério que leva o nome do bairro e alguns dos melhores museus da cidade.

Na minha última incursão na cidade fiquei hospedada aqui, num apartamento de aluguel de temporada, a três quadras do Hotel Alvear (o Copacabana Palace deles), onde tomamos o célebre chá da tarde. Apesar de ser um bairro sofisticado, está longe de ser arrogante. A Recoleta oferece opções de restaurantes que vão dos estrelados aos bodegões que servem simplórias empanadas. Até a pracinha mais famosa do bairro se transforma em um encontro patropi-sei-lá-entende  com a feira de artesanato nos fins de semana.

O QUE FAZER

Cementerio de la Recoleta  | O mais famoso cemitério da cidade abriga os mausoléus da aristocracia argentina, incluindo o túmulo da ex-primeira dama Evita Perón.

Centro Cultural Recoleta | Oferece diversas exposições de artes – grátis. Está num prédio do século 18, ao lado cemitério.

Museo Participativo de Ciencias – Prohibido No Tocar |  Fica dentro do Centro Cultural Recoleta. A proposta é levar diversas áreas do saber a crianças e adultos de forma lúdica e interativa.

Museo Nacional de Bellas Artes | Agrega a maior coleção de arte do país. Passa por esculturas de Rodin, obras de Picasso e Rembrandt, além de dedicar um andar inteiro aos artistas argentinos.

Av. Alvear | Poderia ser comparada à Via Montenapoleone, de Milão, ou à Champs-Élysées, em Paris. São sete quarteirões que reúnem grifes de luxo, diversas embaixadas e residências neoclássicas. No comecinho da Alvear (na Calle Arroyo, 1130), você encontra o Palácio Pereda, a residência do embaixador brasileiro – lindíssima – totalmente inspirada no castelo de Fontainebleau.

El Ateneo Grand Splendid | A livraria que já foi teatro e cinema oferece um dos ambientes mais agradáveis da cidade para tomar um café (montado no antigo palco) folheando os clássicos argentinos.

ONDE COMER

El Sanjuanino | O pequeno restaurante passa longe da sofisticação do bairro. Com decoração simples e poucas mesas, oferece cozinha regional argentina – com destaque para as empanadas.

La Querência | Outro local focado na cozinha regional, com ambiente bem agradável e atendimento bacana. A panqueca com dulce de leche é quase uma janta!

La Biela | Entre os vários cafés do bairro, o La Biela é um dos mais tradicionais. Fundado no século 20 por apaixonados por carros, o local tem exposição de fotos de antigos corredores.

Chá da Tarde do Hotel Alvear | O luxo acessível. Atendimento impecável, num salão belíssimo. Uma deliciosa experiência gastronômica que cabe no seu bolso.

ONDE COMPRAR

Morph  | A loja de decoração e design mais descolada de Buenos Aires tem várias filiais espalhadas pela cidade. Mas no shopping Buenos Aires Design  – que fica ao lado do Centro Cultural Recoleta – você encontra a maior delas. É uma mistura de Tok & Stok e Imaginarium – só que 30% mais em conta!

Vasalissa Chocolatier  | Um primor de loja especializada em chocolates finos e artesanais. São mais de 30 sabores de trufas. A embalagem para presente deixa o produto mais bonito e saboroso.

Tealosophy | A loja da argentina Inés Berton é uma perdição para os apaixonados por chá. Inés tem o que os especialistas consideram “olfato absoluto”, uma incrível capacidade de memorizar e reproduzir aromas. É a única mulher entre os 11 teanoses – especialistas em chá – do mundo.  A loja, que fica ao lado do Hotel Alvear, é pequena e está bem escondidinha. Lá você poderá provar e levar qualquer um dos mais de 300 aromas criados por Bertón. A latinha de 160 g sai a partir de R$ 35. (Há uma filial em Palermo).

Patio Bullrich | Para os fashionistas e/ou endinheirados. O moderno shopping está num casarão reformado do século 19 e abriga diversas grifes como Diesel, Calvin Klein, Carolina Herrera, Cheeky, Etiqueta Negra, Hugo Boss, Lancôme, Lacoste, Salvatore Ferragamo, Zara, entre outras. Tem praça de alimentação. Com McDonald’s.  :-)

MOMENTO EXTRAVAGÂNCIA

Na Recoleta você pode fazer uni-duni-tê, tantas são as opções. Mas, para uma noite memorável, me hospedaria no tradicionalíssimo Hotel Alvear. Com diárias a partir de US$ 400 você terá um mordomo para desfazer sua mala e encontrará no banheiro notáveis amenities da podre de chique marca Hermès.

 

COMO CHEGAR

Ônibus: 5, 10, 17, 37, 38, 39, 41, 59, 60, 61, 62, 67, 75, 92, 93, 95, 101, 102, 106, 108, 110, 124, 130, 152. A Recoleta está longe metrô. A Linha Verde (D) é a que mais se aproxima, com as Estações Callao e Tribunales. Mas se você estiver no miolinho do bairro (saindo do cemitério, por exemplo) é necessário caminhar um bocado, umas 10 quadras, para chegar ao metrô. Táxi do centro até aqui: 20 pesos (R$ 8).

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Fotos: Raul Mattar

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quarta-feira, 02 de novembro de 2011

Livraria El Ateneo: se existir outra mais bonita na Argentina, avisem-me!

Já foi teatro. Virou cinema. Desvirou e encontrou sua verdadeira vocação como livraria. Mais do que isso, o El Ataneo Grand Esplendid é, também, ponto turístico. Um dos mais visitados em Buenos Aires.

O antigo palco do teatro, construído em 1919 pelo austríaco Max Glücksmann, se transformou em café. As poltronas cederam lugar a enormes prateleiras de livros e os camarotes, a cômodas salas de leitura. Não sei avaliar se essa seria a melhor livraria de Buenos Aires, mas seguramente é a mais aconchegante.

O local foi adaptado, mas manteve a estrutura do teatro fiel à original. E é justamente a preservação dessa arquitetura que confere à livraria El Ateneo o título de mais bonita da Argentina (segundo o Matraca’s Ibope) e uma das mais belas do mundo.

Na opinião do jornal inglês The Guardian ela é a segunda mais magnífica do planeta (perdendo apenas para a também lindíssima Boekhandel Selexyz Dominicanen, em Maastricht, na Holanda).

São cinco andares. Além do térreo, três galerias – com exposição de arte e apresentação de músicas clássicas – e o subsolo com a seção infantil. O afresco da cúpula foi pintado pelo artista italiano Nazareno Orlandi. Você poderá encontrar livros de grandes autores hispânicos, CDs e DVDs.

Se você gosta de passar uma tarde na livraria da sua cidade, prepare-se, porque aqui dá para ficar o dia todo entre uma taça de chá gelado e duas medialunas.

SERVIÇO

El Ateneo Grand Esplendid
Local: Av. Santa Fe, 1860 | A matriz (fundada em 1912) fica na Calle Florida, 340. | Buenos Aires
Funcionamento: segunda a quinta, 9h às 22h; sábado, 9h às 0h e domingo, 12h às 22h.

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Fotos: Raul Mattar

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terça-feira, 01 de novembro de 2011

La Biela: tradicional e histórico café na Recoleta

Entre os clássicos e tradicionais de Buenos Aires está o café La Biela. Na década de 20, aficionados por automóveis e corridas deram o nome de La Biela Fundida ao lugar. Mais tarde passou a ser chamado só de La Biela.

Nas paredes, uma coleção de fotos de corredores – incluindo as do pentacampeão argentino Juan Manuel Fangio – dá o tom nostálgico ao lugar. Por todos os lados você verá faróis, buzinas antigas, bielas e radiadores vintage.

O La Biela já foi frequentado por célebres escritores como Jorge Luís Borges e Julio Cortázar. O salão com capacidade para 300 pessoas não deixa ninguém em lista de espera. É chegar, sentar e comer. Como está num quadrilátero altamente turístico (em frente ao Cementerio de la Recoleta) é bastante frequentado por estrangeiros.

O café com tostadas sai por 18 pesos (R$ 7). O La Biela também funciona como restaurante e oferece o famoso “Lomito a la Biela”– lombo com presunto, cogumelos, aspargos e batatinhas. Não sei se chega a ser o lugar ideal para fazer uma refeição inesquecível em Buenos Aires, mas para mim foi interessante no quesito cafés históricos.

SERVIÇO

La Biela
Local: Av. Quintana, 596 | Recoleta (quase em frente ao Cemitério da Recoleta)
Funcionamento: diariamente, 7h às 2h.

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Fotos: Sílvia Oliveira | Matraca’s Image Bank

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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Buenos Aires com crianças: o museu onde é proibido NÃO tocar


Centro Cultural Recoleta: sede do museu Prohibido No Tocar.

Quem conhece o enorme Museu Catavento, em São Paulo (onde crianças e adultos podem mexer em tudo e participam das mais diversas experiências) não vai se impressionar muito com o Museo Participativo de Ciencias – Prohibido No Tocar de Buenos Aires. A versão portenha é menor, mas não deixa de ser um refresco para pais e filhos.

São dois andares com exposições interativas nas áreas de percepção visual, sons, música, arte, mecânica, física, eletricidade e natureza. É possível, por exemplo, simular um tornado e descobrir de forma lúdica como se forma um relâmpago.

A sala da Matemática convida o visitante a conhecer as aplicações cotidianas da matéria mais temida pela maioria dos estudantes. O museu apresenta diversas atividades na área de ilusão de ótica, questões práticas de mecânica, explica como digerimos o alimento e, inclusive, como se produz… o arroto!

Para a Mariana a sala mais interessante foi a de Música, Ondas e Sons. Acho que pela idade da pequena os ruídos foram mais atrativos. Há uma seção específica sobre arte, onde são retratadas todas as grandes correntes artísticas do mundo.

Diquinha extra: o museo Prohibido No Tocar está no Centro Cultural Recoleta, que oferece diversas atividades culturais como exposições e concertos. Ao lado fica o Cementerio de la Recoleta e a Basílica Nuestra Señora del Pilar com claustros intocados há três séculos.

SERVIÇO

MPC – Prohibido No Tocar
Local: Calle Junín, 1930 (Centro Cultural Recoleta) | Buenos Aires
Funcionamento: terça a sexta, 10h às 17h; sábados e domingos, 15h30 às 19h.
Ingresso: 20 pesos (R$ 8). Valores aproximados. Consulte antes de ir. (Crianças menores de 4 anos não pagam)

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Fotos: Raul Mattar e Sílvia Oliveira

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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Buenos Aires bairro a bairro: Puerto Madero

Puerto Madero começou pelo avesso. A ideia – e o investimento – do rico comerciante Eduardo Madero de construir diques em frente ao centro de Buenos Aires, lá no século 19, naufragou feio. Com a chegada de barcos grandes e o aumento do fluxo das embarcações, o puerto, obsoleto, caiu em desuso. A “orla” portenha era decadente e abandonada. Só em 1989 a região passou por um bilionário projeto de reurbanização. A intervenção do gigante designer francês Phillippe Starck por aqui (ele reprojetou boa parte do bairro) deu resultado: Puerto Madero já tem o metro quadrado mais caro da Argentina, algo como 3,5 mil dólares.

Toda a região foi restaurada. Docas se transformaram em bares, restaurantes, cinemas, escritórios e até residências. Há inúmeros restaurantes de parrillas libres (mais ou menos um churrasco rodízio). Ganhou um marco arquitetônico, a Puente de la Mujer – obra do arquiteto espanhol Santiago Calatrava, o mesmo que projetou a Cidade das Artes e das Ciências de Valência e o Complexo Olímpico de Atenas.

Quando você parte pelo Rio de la Plata rumo ao Uruguai, por exemplo, o skyline que marca a cidade está em Puerto Madero. Há inúmeros arranha-céus, muitos residenciais, que emolduram a vista. Dizem os argentinos que o bairro nunca caiu no gosto dos portenhos. Quase sempre é associado pelos nativos a restaurantes turísticos e baladas para estrangeiros. Mas quer queiram quer não, Puerto Madero hoje é área nobre, moderna e centro financeiro da capital do país.


Puente de la Mujer: única obra do arquiteto espanhol Santiago Calatrava na América Latina.

A beira do canal tem uma espécie de calçadão que permite caminhadas ao ar livre. Para os endinheirados, Puerto Madeiro abriga três hotéis cinco estrelas como o Hilton, o Faena Hotel e o Hotel Madero (antigo Sofitel), sem contar enormes áreas verdes totalmente dedicadas ao lazer.

O QUE FAZER

Museo Fortabat | É um dos mais recentes museus de Buenos Aires. Inaugurado há menos de três anos, exibe a coleção de arte da empresária Amalia Lacroze de Fortabat. Há obras de renomados artistas argentinos como Xul Solar, Fernando Fader, Emilio Petorutti e Prilidiano Pueyrredón. Visita guiada de terça a domingo, às 15h e às 17h – incluída no valor do ingresso de 20 pesos (R$ 8). Fecha às segundas.

Reserva Ecológica Costanera Sur | São 360 hectares que abrigam rica fauna com extensa biodiversidade característica dos pampas. Existem mirantes, pontos de observação e lugares para descanso. A reserva pode ser percorrida a pé ou de bicileta. Promove visitas guiadas noturnas uma vez por mês. (Tem que agendar). Grátis.

Puente de la Mujer | Se você observar, as principais ruas e boulevares de Puerto Madero receberam o nome de uma mulher. A ponte de pedestres projetada pelo arquiteto espanhol Calatrava – sua única obra na América latina – fecha o pacote. Teria sido inspirada em um casal dançando tango. É um marco na paisagem do bairro. Fica no Dique 3, entre as avenidas Macacha Guemes e Azucena Villaflor.

ONDE COMER

Chila | Uma opção às inúmeras – e caras – parrilas libres do bairro. Também não é barato, mas oferece charmosa cozinha de autor em ambiente sofisticado. Combina mais com casais, o que não impede o local de receber bem a família toda. Você poderá provar um dos melhores risotos da sua biografia, como o Risoto Negro con Lagostins, Vieiras, Mexilhões e Ovas de Salmão por 160 pesos (R$ 64).

La Parolaccia del Mare | Tem oito endereços na cidade. Oferece cardápio italiano e é feito sob medida para quem quer comer bem, num lugar agradável, mas sem gastar os tubos. Esta unidade fica num ponto estratégico de Puerto Madero, próximo à Puente de la Mujer. No almoço peça o menu executivo (que inclui uma massa, salada e sobremesa) por 57 pesos (R$ 23). Está sempre lotado, por isso, não espere o atendimento mais eficiente do mundo.

ONDE COMPRAR

Winery | São mais de 10 lojas espalhadas pela cidade, incluindo esta em Puerto Madero. A Winery é considerada uma grife para quem busca os melhores vinhos argentinos. A loja é super agradável e o atendimento, idem. Mais do que bons preços, o atrativo aqui é a variedade de marcas. Há rótulos de mais de 80 bodegas argentinas.

MOMENTO-EXTRAVAGÂNCIA

Hotel Faena + Universe | Uma noite no cinco estrelas decorado pelo designer Philippe Starck é uma experiência que não deve custar menos do que US$ 400 a diária. Mas ali você tem os experience managers, uma espécie de mordomo particular que cuida de tudo: da escolha do seu quarto aos passeios na cidade.

COMO CHEGAR

Ônibus: 20, 22, 33, 64, 74, 109, 140, 143, 152, 159. A região não é propriamente servida pelo metrô, mas fica a algumas quadras da Estação Bolívar (Linha E), Estação Peru (Linha A), Estação L.N. Alem (Linha B). Táxi do centro até aqui: 10 pesos (R$ 4).

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Fotos: Raul Mattar

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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Buenos Aires bairro a bairro: Centro e Monserrat

Quase não dá para perceber quando termina um e começa o outro. A região central, na verdade, é formada por microbairros (Monserrat, San Nicolás e Congresso) que se aglutinam formando a parte mais ruidosa de Buenos Aires.


Plaza de Mayo: ponto de protestos há quase 300 anos.


Casa Rosada: sede do governo argentino.

O coração político da cidade está em Montserrat. Aqui fica a emblemática Plaza de Mayo, onde mães – hoje avós – há mais de 30 anos saem em protesto contra o governo, exigindo a volta do seus filhos desaparecidos nos porões da ditadura militar.

Em frente a plaza está a Casa Rosada que – dizem os poetas – era uma referência à conciliação política já que as cores dos partidos rivais no século 19 eram branca e vermelha. Mas reza a história que a cor da Casa de Gobierno é mistura de cal e sangue de boi usada para impermeabilizar as paredes.


Catedral: piso de mosaico veneziano montado na Inglaterra.

Neste quadrilátero você encontra a Catedral Metropolitana com uma discutível fachada greco-romana. Não que seja de mau gosto. Mas parece tudo, menos igreja. Os restos mortais do líder da independência San Martín estão aqui. Na parte interna, destaque para o piso feito de mosaico veneziano.


Congresso Nacional: cúpula de bronze e biblioteca com 3 milhões de livros.

Caminhando pela Av. de Mayo em direção ao Congresso Nacional está o Café Tortoni, um entre centenas de cafés que existem na cidade. Mas era neste que se reuniam Borges, às vezes Gardel e – por um período – até García Lorca, que viveu na cidade em 1933. Foi inaugurado em 1858 e preserva tudo intacto: espelhos, cristais, lustres. Para entrar há fila e o tempo de espera pode chegar a uma hora. Oferece show de tango por 100 pesos (R$ 40).


Café Tortoni: ponto tradicional e turístico da cidade.

Quase na divisa com San Telmo está a curiosa Manzana de Las Luces (Quarteirão das Luzes). O local recebeu este nome por causa da filosofia iluminista das escolas que ocuparam o conjunto de construções históricas. A quadra compreende as ruas Alsina, Moreno, Bolívar e Peru. Há enigmáticos túneis subterrâneos que conectam igrejas e edifícios públicos.


Farmacia de la Estrella: preserva móveis, pisos e lustres há dois séculos.

Depois de bisbilhotar a Farmacia de La Estrella, a mais antiga da cidade, visite no prédio ao lado o Museo de la Ciudad com mostras permanentes e temporárias que retratam a história portenha dos séculos 18 e 19.


Galerias Pacífico: um respiro no meio da Calle Florida.

Entrando no miolinho do centro propriamente dito você cai na suvaqueira da Calle Florida, uma espécie de calçadão com trânsito exclusivo para pedestre. São 10 quarteirões de comércio popular e ambulante. Um refresco logo aparece com as Galerias Pacífico, uma mistura da galeria Lafayette de Paris com a Vittorio Emmanuele de Milão. Trata-se de um shopping lindo com afrescos no teto. O Centro Cultural Borges, no último andar, é um dos principais atrativos da galeria.


Fachada do Teatro Colón: marco na arquitetura portenha.

Já o Teatro Colón é um marco na arquitetura de Buenos Aires. Foi todo restaurado para comemorar o bicentenário da independência. É possível assistir a óperas, balé e concertos variados. Tem capacidade para mais de 3 mil pessoas. Vale à pena a visita guiada. (Aliás, só é possível visitá-lo com monitores). Todos os dias (inclusive feriados), de hora em hora. O último tour sai às 15h45. Custa 60 pesos (R$ 24) para estrangeiros.


Restaurante da Manzana de las Luces: toca música barroca.

O QUE FAZER

Plaza de Mayo | Há quase 300 anos é palco das manifestações populares em Buenos Aires. Todas as quintas-feiras, às 15h30, as Madres de la Plaza de Mayo andam em círculo com lenços brancos na cabeça em memória aos filhos desparecido na ditadura militar argentina.

Casa Rosada | É sede do poder executivo. Tem um museu com objetos de ex-presidentes. Há troca de guarda de 2 em 2 horas, das 7h às 19h. A visita guiada (sáb. e dom., 10h às 18h) faz uma paradinha estratégica na célebre sacada que imortalizou os discursos de Evita. Grátis.

Manzana de las Luces | Conhecido como Quarteirão das Luzes por receber pensadores do Iluminismo. A Igreja San Ignacio (1675) – a mais antiga de Buenos Aires – faz parte do complexo. O pátio é um antigo claustro jesuíta do século 18 para armazenar mercadorias das missões. Sob o pátio é possível vislumbrar algumas partes dos túneis coloniais que, dizem, conectavam a construção com a Catedral e o Cabildo. Para conhecer a parte interna somente com visitas guiadas.

Catedral | É uma espécie de Paternon no centro de Buenos Aires. A fachada lembra um templo grego. Se não me falassem jamais imaginaria que ali estivesse uma igreja católica. Tem púlpito talhado em prata e piso veneziano. Está em frente à Plaza de Mayo.

Congresso | Fica num prédio bonito e imponente com uma enorme cúpula de cobre – lembra um pouco o congresso nacional americano. Abriga uma biblioteca com 3 milhões de livros. Oferece visitas guiadas grátis.

Teatro Colón | Já recebeu de Maria Callas a Stravinsky. Tem orquestra e filarmônica. A enorme escadaria de mármore e o candelabro central de sete metros impressionam. Para conhecer somente com visita guiada.

Obelisco | Com 67 metros de altura é uma espécie de marco zero da cidade. É um daqueles monumentos feiosos do tipo ame-o ou deixe-o.


Na Av. 9 de Julio uma homenagem ao escritor argentino Ernesto Sabato, falecido em abril deste ano.

ONDE COMER

Café Tortoni |  Um clássico na cidade. Ponto de encontro de intelectuais e boêmios famosos, o Tortoni preserva todo o mobiliário original desde a inauguração, em 1858. O Café Continental – tostadas, manteiga, geleia, doce de leite, café e um suco – sai por 30 pesos (R$ 12).

El Palacio de la Papa Frita |  Com mais de 50 anos de tradição, oferece as tradicionais batatas soufflé. São pedaços de batatas infladas, crocantes por fora e macias por dentro. Tem menu turístico com entrada, prato principal, sobremesa e bebida (incluindo vinho) por 95 pesos (R$ 38) por pessoa.

Ivan Express | Um quiosco ajeitado bem no meio da muvuca-arruaça da Calle Florida. É uma mistura de padaria com lanchonete com decoração típica portenha. Para um lanchinho rápido ou uma empanada quentinha.

ONDE COMPRAR

Calle Florida | É uma das principais artérias do centro comercial de Buenos Aires. Por ali você encontra dezenas de lojas vendendo de cosmético a eletrônicos. Algumas grifes como Lacoste, Christian Dior e Brooksfield deixam a rua menos feia. A Falabella, a maior loja de departamento da Argentina, fica bem próxima da Zara, ambas na altura do nº 600. A Galerias Pacífico é um shopping completo, bonito, com diversos lojas e praça de alimentação.

COMO CHEGAR

Ônibus: 22, 24, 28, 29, 64, 86, 105, 111. Metrô: Para a Plaza de Mayo desça nas Estação Plaza de Mayo (Linha A) ou Estação Catedral (Linha D). Para sair exatamente em frente ao Tortoni desça na Estação Piedras (Linha A). Já para ficar próximo à Manzana de las Luces sua opção é a Estação Bolívar (Linha E).

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Fotos: Raul Mattar

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MATRAQUEANDO - Viagens e Comidinhas | Por Sílvia Oliveira | Jornalista & Blogueira | Curitiba, BR

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