-  Atualizado 11/01/2019

Istambul: a cidade de dois mundos

Publicado por: Silvia Oliveira Istambul, Turquia
Espremida entre o Mar Negro e o Mediterrâneo, a Turquia é o único lugar do mundo com um pé na Europa e outro na Ásia. O estreito de Bósforo divide a capital, Istambul, entre os dois mundos. Quem estiver do lado Ocidental é só pegar um táxi e em quinze minutinhos você está em outro continente. Não que tenha muito o que se ver no lado oriental da cidade, mas foi justamente esta localização privilegiada que transformou a terra dos sultões em território disputado por tantos povos.
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A Turquia é mais um daqueles países da antigüidade, onde todo mundo vinha, se estabelecia e fazia uso capião do lugar. Dos desconhecidos hititas, aos manjados persas até os insuperáveis conquistadores romanos (foi na Anatólia que Júlio César disse “Veni, vidi e vici”), o país só foi ter um pouco de sossego com a ousadia de Constantino (330 d.C.), que dividiu a história dessa nação em antes e depois da sua chegada. O Imperador tomou a cidade de Bizâncio, chamou-a de Constantinopla, anos mais tarde batizada de Istambul.
Depois de inúmeras inavasões dos seljuks (nome histórico do povo que a gente chama hoje de turco) houve a famosa tomada de Constantinopla, por Mehmet II, em 1453. A conquista foi tão importante para a história da humanidade, que marcou a passagem da Idade Média para os tempos modernos. Nasce Istambul e com ela o grande Palácio de Topkapi (foto abaixo), residência dos sultões e suas concubinas por quase três séculos, o que deixou a cidade mal-falada na panelinha cristã do primeiro mundo.
Imagine só, os turcos eram considerados sanguinários, devido às sangrentas batalhas que culminaram na conquista de Constantinopla e mantinham nos seus haréns escravas brancas, também chamadas carinhosamente de odaliscas. Pois esqueça essa visão hollywoodiana do filme Expresso da Meia Noite, que retrata uma Turquia violenta, desonesta e obscura. Ora, os haréns sempre foram lugares cheios de mistérios e lendas, mas consagrados com tradicão e cerimônia.
Quem vê, hoje, a cidade pipocada de suntuosas mesquitas não pode imaginar, inclusive, que um dia Istambul foi totalmente convertida ao cristianismo. Os quatro minaretes de Santa Sofia (1ª foto) disfarçam a construção concebida, originariamente pelo Imperador Justiniano, como uma Igreja dedicada à Santa Sabedoria. Ao visitar a capital turca, você vai estar em um museu a céu aberto, que reza – ao lado do alcorão – a cartilha de Mustafá Kemal, líder que levou o país à independência em 1923. O Pai dos Turcos, assim chamado, aboliu a poligamia e proclamou leis democráticas.
O esplendor dos haréns sobrevive, agora, na história do Palácio Topkapi, que se transformou no museu mais visitado de Istambul. A dinastia otomana morou no palácio por mais de 300 anos. Deixou um rico tesouro em obras de arte, pedras preciosas e a reverenciada Sala das Relíquias, que guarda objetos pessoais do profeta Maomé. Uma viagem à antiga capital do Império Otomano deve sempre começar por aqui. Você voltará no tempo, vai percorrer caminhos de glória e decadência e entenderá a opulência dessa cultura, uma civilização tida como celebridade entre os povos. História e território ornamentados com a singular riqueza do oriente.
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Fotos: do tempo em que máquina digital era coisa dos Jetsons. (Matraca´s Image Bank)