sábado, 24 de setembro de 2011

Encontro das Águas, Manaus | Parte 1

Era minha última parada da Expedição Brasil Express. No roteiro, o Tacacá da Gisela, o reformado Palacete Provincial e, principalmente, o encontro das águas dos rios Negro e Solimões, um espantoso fenômeno que acontece nas cercanias de Manaus. Por mais de seis quilômetros as águas dos dois rios não se misturam por causa das diferenças de densidade, temperatura e velocidade. É um longo baile antes de se transformarem no imenso Rio Amazonas.

Já havia estado há 10 anos na capital do Amazonas. Naquela época foram apenas 48 horas na cidade. Ia para o Festival de Parintins e Manaus foi só uma parada estratégica. Desta vez, voltei disposta a conhecer o Encontro das Águas, um dos passeios mais famosos da região. Não pense você que essa decisão foi fácil. Morro de medo de rio, mar ou lagos profundos. Água para mim em abundância só mesmo a do banho doméstico.

Subir no barco já era todo um desafio. Mas para estimular ainda mais meu processo de superação estava previsto chuva! Imagine eu, sendo engolida pela imensidão daqueles rios debaixo de um tremendo toró? Confesso que cheguei a pensar em desistir. O dia virava noite. Se não existissem Twitter e essa cambada de redes sociais, onde a gente sai falando para todo mundo o que vai fazer, eu pegava meu chapéu e saía de fininho. Rá! Sendo assim, discretamente coloquei meu salva-vida – a única do barco – e pensei… eu sooou She-Ráááá! Seguido de um Pai-Nosso.

O viagem começa às 9h da manhã e dura o dia inteiro. É que o passeio inclui o Parque Ecológico do Januari para visita a comunidades ribeirinhas e observação de igarapés e vitórias-régias. Assim que o barco zarpa paisagens e imagens interessantes começam a aparecer. No meio do caminho… um posto de gasolina aquático. Durante o trajeto a empresa que opera o passeio oferece frutas aos passageiros, no nosso caso, uma exuberante melancia.

Há um restaurantinho a bordo. Você pode pedir algo para beliscar ou tomar enquanto não chega a grande hora: o encontro dos rios. Provei deliciosos croquetes de Tucunaré acompanhados pelo tradicional Guaraná Real, uma instituição no Amazonas. Não lembro quanto custou a porção nem o guaraná – mas não deve ter sido nenhum absurdo porque eu estava sozinha, não tinha com quem dividir e, mesmo assim, acabei comprando!

Depois de quase uma hora de navegação nos aproximamos ao apogeu. E, de fato, o que eu mais temia… aconteceu! Um baita aguaceiro caiu bem nos dois minutos da passagem ao lado do fenômeno.

Nas primeiras fotos quase não dava para ver nada. Mas de repente, não mais do que de repente, fez-se a luz. Abriu um fenda de sol que iluminou toda a região, destacando o dourado do barrento Solimões em contraponto ao Rio Negro. Fiquei impressionada com os poderes de GraySkull. Abaixo, o guia do barco mostra as diferenças de cores dos dois rios.

Já satisfeitíssima com o passeio mal sabia eu que ainda mais estava por vir. De canoa voadeira – sim, para minha aflição, você sai do barcão para um barquinho – nos embrenhamos no meio de igarapés com direito a aparição de um JACARÉ! Mas isso fica para amanhã, na parte II da epopeia matraquenha.

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SERVIÇO

Quem leva: várias operadoras fazem o passeio. Contratei a Amazon Explores.
Quanto custa: R$ 120,00 – inclui almoço em restaurante flutuante.
Duração: o dia inteiro. ( Dica: passe repelente e protetor solar.)

Fotos: Sílvia Oliveira | Matraca’s Image Bank

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Minha visita a Manaus faz parte da Expedição Brasil Express, by Matraqueando. Entenda o projeto. Para ver todas as reportagens da expedição, clique aqui.

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