quinta-feira, 03 de dezembro de 2009

Chile: como ir por conta à vinícola Concha y Toro

cocnha sombra

Não tenho um bom senso suficientemente aguçado para saber se este é – ou não – um passeio pega-turista. Mas já saí do Brasil com ele na pauta. E não me arrependi nem um pouco. Amei, para ser pouco exagerada.

Mesmo não conhecendo nada de vinhos, para mim era quase uma obrigação visitar alguma vinícola decente no Chile. Mais do que isso: me interesso pela história, acho interessante os processos de produção e acredito que deve ser bem bacana saber apreciar um bom vinho. (Até tento, mas ainda não alcancei esse grau do Nirvana).

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Optamos pela vinícola Concha y Toro, no Valle del Maipo – nos arredores de Santiago. Não é a maior, mas uma das mais antigas e conhecidas do país. Os brasileiros adoram passear por lá. O Valle del Maipo é uma região modelo para toda a produção de vinho no Chile.

Há muitas outras vinícolas por ali que, numa viagem específica para isso, você faz a festa sem se afastar mais do que duas horas da capital. Foi aqui a redescoberta da uva Carmenère, considerada extinta nos parrerais franceses.

Concha flores

Na Concha y Toro – localizada na cidadezinha de Pirque, a 30 quilômetros de Santiago – existem dois tours guiados: um que custa 7 mil pesos (US$ 14,00), dura 50 minutos e inclui a degustação de dois vinhos. O outro custa 16 mil pesos (US$ 32,00), dura 1h10 e inclui a degustação de quatro vinhos, mais mesa de queijos e frutos secos.

Ambos fazem o mesmo recorrido pela vinícola. A diferença está mesmo na quantidade de “copas” que vamos entornar no final. O tour pode ser em espanhol ou inglês. Você escolhe.

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O lugar é lindo, frondoso, cheio de flores. Para chegar ao casarão onde viveu o fundador, Don Melchor, há um túnel de folhagens que se entrelaçam formando uma suave sombra pelo caminho. Em seguida, o grupo conhece um dos vinhedos. Aprende sobre cepas, tipos de colheitas e importância das uvas.

Fundamental: tudo numa linguagem de humanos. Não saiu nenhum devaneio do tipo “esse vinho lembra a brisa suave do amanhecer em Paris no século 19”. Deve ter sido algo bem mastigadinho, pedagógico. Porque até eu, com todas minhas limitações, entendi tudo. Melhor, aprendi muito.

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A próxima parada era a mais esperada — pelo menos para mim: as bodegas onde estão armazenados os vinhos que chegam à sua mesa. Na parte dos barris antigos é onde você vai conhecer a historieta da bebida mais célebre da Concha y Toro e um dos vinhos chilenos mais conhecidos no mundo, o Casillero del Diablo.

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O guia apaga as luzes e uma voz começa a contar a lenda: para proteger a produção — que estava sendo surrupiada por algum empregado — Don Melchor inventou que o diabo vivia ali.

O povo, supersticioso, amarelou e os furtos acabaram. Quando termina o “show”, o guia nos leva a um cantinho com luzes vermelhas, o verdadeiro Casillero del Diablo: tem até o tal coisa ruim projetado na parede. Mas eu não tirei foto, não. Mêda!

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Por último conhecemos as bodegas atuais, cheias de tonéis de carvalho – vindos de várias partes do mundo. Cada um custa entre US$ 400 e US$ 1000 e pode ser usado inúmeras vezes, desde que seja abastecido pelo mesmo tipo de vinho. Dica importante: leve um agasalho para entrar aqui.

A temperatura média é de 12º. Uma exigência para manter a qualidade dos vinhos. Quase morri congelada. Lá fora estavam uns 28º e eu… com roupa de verão! Teve até um senhor que se retirou do tour porque considerou frio demais para ele. (Não fique com dó do véinho, ele voltou no final para bebericar.)

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Nesta etapa recebemos mais um monte de informações sobre formas de armazenagem dos vinhos e, enfim, a degustação. Claro que eu não tenho a menor possibilidade de descrever a dita cuja.

Apenas dei uma bicadinha, e para meu paladar estava amargo e seco demais. (Sim, eu sou uma daquelas — excomungadas da confraria dos enochatos — que gosta de sangria ou, no máximo, um vinho docinho.) Ah, a taça grafada com o nome da vinícola é brinde, você leva para a casa.

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Concluído o passeio oficial você pode ficar à vontade por ali. Tem um restaurante (Wine Bar) bem bonito com pratos que variam entre US$ 12 e US$ 25. Também é possível beliscar algo, comer queijos e azeitonas. Tudo, por supuesto, regado por algum vinho da Concha y Toro.

Não é preciso fazer nenhum tour para comer aqui. Na saída, como não poderia deixar de ser, há uma lojinha. A Tienda de Vinos (Wine Shop) é maravilhosa. Bonita para quem não entende nada. Completa para quem entende tudo. Aqui você encontrará todas as marcas Premium e Ultrapremium da Concha y Toro por preços bem menos proibitivos que no Brasil.

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Para os aficionados, essa parada será a mais importante. Na loja, encontram-se todas as cepas e formas de cada marca. Há uma enorme oferta de literatura vitivinícola e especializada em gastronomia. Um sommelier acompanha os compradores.

Sem falar nos acessórios, desde um elaborado saca-rolhas até termômetros digitais que verificam precisamente a temperatura do vinho. Foi tão bom e tão gostoso esse passeio que saí daqui achando ” já ganhei a viagem”. E estávamos apenas no primeiro dia!

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SERVIÇO

VINÍCOLA CONCHA Y TORO

COMO CHEGAR: é possível contratar excursões que custam entre US$ 60,00 e US$ 90,00 por pessoa. Nós fomos por conta. Pegue o metrô e desça na estação Las Mercedes (Linha azul). Do centro até à estação Las Mercedes é quase 1h15m de viagem. Na saída da estação você pode pegar um táxi por uns 3000 pesos (US$ 6,00) ou pegar o metrôbus nº 71, 73, 83 e 84. A passagem do ônibus custa 450 pesos (US$ 0,90). Do metrô até à vinícola de táxi são cinco minutos. De ônibus, em 15 minutos você está lá.

HORÁRIOS: aberto todos os dias, das 10h às 17h.

VALOR: o Tou Guiado Tradicional – nós fizemos esse – sai por 7 mil pesos (US$ 14,00) e inclui degustação de dois vinhos. O Tour Guiado Marques de Casa Concha custa 16 mil pesos (US$ 32,00) e inclui degustação de quatro vinhos, mais mesa de queijos e frutos secos.

RESERVA: Obrigatória. Você pode ligar (56 24765269) ou acessar o formulário no site.

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Fotos: Raul Mattar

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