segunda-feira, 29 de março de 2010

Itália a 50 euros por dia – Parte 1


Veneza: cotidiano anfíbio. (Foto: Raul Mattar)

O que dizer de um país que concentra 60% de todos os monumentos artísticos do mundo? A Itália é pouco maior que o estado do Tocantins e, ainda assim, reserva surpresas incomparáveis de norte a sul. Poucos lugares na Europa desvendam paragens tão qualificadas que vão de ruínas romanas, passando por castelos medievais a turbulentos centros urbanos.

O próprio italiano é um capítulo à parte. Bon vivant, falante e impulsivo, há quem o considere mal-educado e grosseiro. Mas eu aposto num nativo mais bonachão e despreocupado. Questão de ponto de vista e bom humor. Somos rivais no futebol e nas pizzas. A deles é fininha e com pouco molho. Nós preferimos as grossas e com borda recheada.

Todos os países que habitam a Itália

Cada região da Itália poderia ser considerada um país diferente. A cidade mais improvável do mundo – Veneza – está aqui. Um lugar com cotidiano anfíbio, plantado sobre o oceano há 1500 anos! Durante o renascimento, Florença fez a Itália se transformar no centro cultural e científico do mundo. Leonardo da Vinci e Michelangelo foram destaques de uma era que marcou a história da humanidade.

O patrimônio de Roma e o curioso Vaticano, a cidade-estado chamada de país, convertem a capital da Itália em núcleo personalizado e único no continente europeu. Com a Toscana de enfeite – a roça chique – uma viagem pelas curvas dos vilarejos engrandecem a alma de qualquer visitante.

O BARATO DA ITÁLIA

ROMA – A cada dois passos uma ruína e alguns milhares de anos de história para contar. Toda é qualquer referência à civilização ocidental passa pela capital italiana. Assim como Paris, Roma fica mais bonita à noite, com os principais monumentos iluminados. Mas acho que é de dia que o roteiro na cidade funciona melhor – além de ser menos perigoso. Comece pelo Coliseu (o verdadeiro nome é Anfiteatro Flávio), o mais famoso e antigo monumento de Roma. Ali aconteciam as brutais lutas de gladiadores. Entrada a 13,50 euros. O ticket é válido também para o Palatino e o Fórum Romano. Lá de dentro é possível apreciar por inteiro o Arco de Constantino, construído no século 4, depois de Cristo. Uma linda vista gratuita! Aproveite para gastar a sola do sapato. O arrebatador de Roma está em qualquer esquina, em cima de qualquer calçada. A cada meio quarteirão você se depara com algum sítio arqueológico.  No momento Ben-Hur da viagem vá ao Circo Maximo (abaixo do Palatino, entre as vias del Circo Massimo e del Cerchi) – acesso livre – onde os romanos organizavam as espetaculares corridas de bigas e quadrigas, fortemente retratadas no filme protagonizado por Charlton Heston. Seguindo, percorra a Via Apia Antiga para chegar às catacumbas, antigos cemitérios subterrâneos. As Catacumbas retratam a fé dos primeiros caras que aderiram ao cristianismo, cuja crença se baseava (e ainda se baseia) na esperança de vida eterna após a morte. Quando se deparar com a Piazza di Spagna, suba a escadaria. Você conhecerá a Villa Borghese que – num clichê bem típico – é uma espécie de oásis urbano, com acolhedores jardins.  É a melhor ocasião para cumprir o ditado: em Roma faça como os romanos. Conheça Fontana di Trevi à noite – cenário do filme La Dolce Vita, de Federico Fellini. Certamente você não será o único a ter essa ideia. O local fica coalhado de turista, quase não dá para tirar uma foto decente. Gratuito. Só lembre-se de jogar uma moedinha. Reza a lenda que o ritual garante seu retorno a Roma! Para conhecer a praça mais pitoresca e típica da capital italiana vá a Piazza Navona. Fica cheia de artistas, músicos e tem alguns simpáticos cafés. Saindo daqui, cruze a Corso Vittorio Emanuele para conhecer o Campo de Fiori. Diferente da Navona, esta praça está cheia de feirantes e romanos! Na mesma região está o Pantheon – provavelmente o templo antigo mais bem preservado de Roma. Site da cidade: www.romaturismo.it


Coliseu: um dos principais atrativos turísticos de Roma. (Foto: Raul Mattar)

VATICANO – Eu nunca sei direito o que é, geograficamente falando, o Vaticano. Os livros costumam dizer que é uma cidade-estado, na verdade o menor estado independente do mundo. Para mim funciona assim: é um bairro beeeem grande da capital italiana, onde fica a casa do Papa, uma das maiores basílicas do mundo e ilustres museus. A Basílica de São Pedro é a segunda maior das igrejas católicas. Há alguns anos perdeu o título de maior igreja do mundo para a Basílica de Nossa Senhora da Paz de Yamoussoukro, na Costa do Marfim. Mas a do Vaticano é ainda a mais famosa e a mais visitada. Entrada gratuita. Perto dali está a Capela Sisitina, que faz parte dos Museus do Vaticano. Entrada a 15 euros. Fecha aos domingos, exceto o último do mês quando é gratuito. Site: www.vatican.va

FLORENÇA – Corra para a Accademia e fique estupefato com a perfeição de Davi de Michelangelo. Só depois dessa visita você poderá entender porque o artista disse “Parla!” quando terminou a escultura. Entrada a 6,50 euros. Fecha às segundas. Já o Duomo também chamado de Cattedrale di Santa Maria Del Fiori, é o principal atrativo arquitetônico de Florença. Não é permitido entrar de bermuda ou camiseta sem manga ou decotada. Mas a visita é grátis! Para subir até a cúpula são 463 degraus e 8 euros. A recompensa: a melhor vista panorâmica da cidade. Na Galleria Degli Uffizi você encontra uma das coleções mais importantes de arte italiana. A Uffizi é o mais significativo museu sobre a Renascença, legado da família Médici. Paciência: o tempo na fila – caso não compre seu ingresso on-line – chega a durar de 2h ou 3h. Entrada a 6,50 euros. Passe uma tarde pelos arredores da Ponte Vecchio – a ponte mais antiga de Florença Atualmente abriga muitas lojas de jóias e artistas locais expondo seu trabalhos. Uma das melhores fotos de Florença você tira aqui. Site da cidade: www.firenzeturismo.it


Florença: renascimento em estado puro. (Foto: Raul Mattar)

MILÃO – Quase todo mundo que vem à Itália pela primeira vez costuma ignorar Milão. Dizem que não tem a história de Roma nem o charme da Toscana. De fato, a capital da Lombardia não é para ser comparada, mas justificada. Tome um café na Galleria Vittorio Emanuele, toda em aço, cheia de vitrais. Vai ser o café mais caro da sua vida, mas a experiência não tem preço! Ao lado da galeria está a Catedral de Milão, uma das maiores em estilo gótico da Europa. É o cartão-postal da cidade. Começou a ser construída no século 14 e demorou quinhentos anos para ficar pronta. Entrada gratuita. Do Teatro Alla Scala você já deve ter ouvido falar. Aqui se consagraram Verdi e Maria Callas. Tem um museu que conta um pouco da história glamourosa do edifício e das óperas. Eu pagaria os 5,50 euros para conhecer o interior do teatro. Para ver A Última Ceia, de Leonardo da Vinci vá a Igreja de Santa Maria delle Grazie. O acesso à igreja é gratuito. Já para admirar um dos trabalhos mais famosos de Da Vinci paga-se 6,50 euros. É necessário agendar a visita com antecedência aqui.  A surpresa final fica por conta do Castello Sforzesco. Para quem gosta daquele arzinho rural fica feliz da vida ao visitar seus pátios e jardins (gratuitos!) e os museus (a 3 euros) que ficam dentro do castelo. No meio daquele burburinho você encontra uma face da essência prosaica da Itália.

VENEZA – Sabe-se lá o que é uma cidade rodeada por 118 minúsculas ilhas, todas alinhavadas por mais de 400 pontes e canais, onde não existem carros e os ônibus são curiosas embarcações, que lembram mais uma chalana mato-grossense? Os gondoleiros, cantarolando músicas venezianas, atravessam a Ponte de Rialto, levando gente apaixonada e turista curioso. Perder-se nas ruas estreitas e quase sempre encharcadas é o programaço desta inconcebível paragem italiana: ficar andando, atravessando pontes, pulando poças, imaginando a Veneza que motivou Vivaldi a compor As Quatro Estações. Não se preocupe, todos os caminhos dão na água e levam sempre de volta à Piazza San Marco. Ali, visite a Basílica di San Marco – que reflete o estilo bizantino. Entrada a 4 euros.

TOSCANA – Florença, a capital da região, juntamente com Arezzo, San Gimignano, Cortona, Pisa e Siena formam a roça chique italiana. É uma linda zona rural. Na paisagem, há campos dourados de feno, enormes plantações de girassóis. Está toda entremeada por vilarejos que a gente só vê no cinema ou em folhetos de propaganda turística. Não se trata de desbravar pontos turísticos, mas de explorar paradas escolhidas a seu bel-prazer.

PARA FUGIR DO ÓBVIO

Já pensou em alugar um apartamento em vez de ficar nas caras hospedagens italianas? Pesquise alguns sites que oferecem apartamentos em localizações bacanas a partir de 55 euros por dia. Veja: Perfect Places, Rental in Rome e Rome City Apartments.

SEM MARCAR TOUCA

O Roma Pass custa 25 euros e dá direito a duas atrações grátis, descontos em quantas mais vocês quiser visitar em 72 horas, mais três dias de uso ilimitado de ônibus, metrô e bonde. Fica bem interessante se você gastar suas entradas grátis nas atrações mais caras como o Coliseu (o ingresso avulso custa 13,50 euros) e a Galleria Borghesi (que sai por 8,50 euros). E você ainda não enfrenta a fila no Coliseu!

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