Chile, para começar…

Nem precisa de passaporte para ir até lá. Uma viagem rápida. No lugar do oceano, você cruza a Cordilheira dos Andes. Ir ao Chile é desembarcar num país conservador – só em 2004 autorizou a lei do divórcio – mas que cresce sem parar. E não foi só. Elegeu Michelle Bachelet (divorciada!) e declaradamente agnóstica (num país católico) para presidente da república. A quarta mulher a subir ao poder pelo voto direto na América Latina.

O país é uma tripa, estreito (tem largura máxima de 175 quilômetros) e quase 4300 quilômetros de comprimento. Isso rendeu ao Chile paisagens insólitas, passando pelo deserto mais seco do mundo no norte a geleiras e fiordes no sul. Banhado pelo gelado Pacífico, tem uma variedade incrível de frutos do mar – alguns não existem em nenhum outro lugar do mundo. De exóticos a saborosos, cada um tem o seu. Sem falar nas empanadas, fritas ou assadas. Para fazer de qualquer momento mão-de-vaca-muquirana um banquete!

Da pior ditadura aos vinhos célebres, o Chile também teve seu 11 de setembro. O ano era 1973. O general Pinochet chefiou o golpe militar que levou o então presidente socialista, Salvador Allende, a fazer seu último discurso de dentro do Palácio La Moneda. “Esta será, seguramente, la última oportunidad en que me pueda dirigir a ustedes. (…) Mis palabras no tienen amargura, sino decepción, y serán ellas el castigo moral para los que han traicionado el juramento que hicieron. (…) Éstas son mis últimas palabras, teniendo la certeza de que el sacrificio no será en vano. Tengo la certeza de que, por lo menos, habrá una sanción moral que castigará la felonía, la cobardía y la traición.”
Em seguida, Salvador Allende se suicidou!
Foram 17 anos de ditadura. Pinochet chegou a ser preso. Respondeu por crimes de genocídio, tortura e terrorismo. Foi condenado, depois absolvido. Morreu em 2006 aos 91 anos, sem nunca pagar pelas barbaridades que cometeu.

Nesse meio tempo, o Chile renasceu. Cultura, arte, política e economia passaram por diversas transformações que revelam um país adorável, surpreendente, inesgotável. A luta contra a violência doméstica – um problema crônico – está por todas as ruas, nas estações de metrô e na televisão. Resultado da força e da influência feminina de Bachelet.

Nem saberia dizer quantas viagens eu teria que fazer à terra do poeta Pablo Neruda para dar conta de conhecer todo o universo que inspirou da cantora Violeta Parra à escritora Gabriela Mistral. Do formidável romancista Roberto Bolaño à best-seller Isabel Allende que, ao contrário do que imaginam, é apenas filha de um primo do presidente falecido.
Fotos: Matraca’s Image Bank (menos a última que é do Raul Mattar)







6 comentários
Que legal, boa introdução para gente entender o “espírito da coisa”. Quero fazer uma viagem de uns 20 dias pelo Chile, pegando Norte e Sul, será que dá tempo?
(Responder)
Após uma introdução como essa, já vi que você está inspirada!
O Chile tá no topo da minha listinha faz tempo, não vejo a hora de conhecer pelo menos um pouquinho desse país tão fascinante!
(Responder)
Liga não, Silvinha. O Murilo tá surtado! Concordo com a Camila… imagine o que vem por aí! Beijos!
(Responder)
Oi Silvia!
Meu nome é Karina, fui aluna da Patricia Camrgo no curso de Turismo, e através do Turomaquia, acabei descobrindo o Matraqueando, e sempre dou uma espiadinha.
Parabéns pelo blog! Com certeza é uma super referência para quem está indo viajar para um dos destinos postados!
Bjs
(Responder)
Oi Silviaaaa!!!! Que saudade!!! Estou sempre de olho no blog que AmoOoOoOo…assim fico por dentro de tuuudo e me sinto mais proxima!!! besos guapa…desde Barcelona ihullllllll…
(Responder)
realmente o chile e tudo de bom, pessoas educadas, avenidas bonitas, limpas e extensas.vc. se sente seguro. vale a pena conhece-lo. Um centro de comercio bastante pungente e uma arquitetura belissima.um pais que merece ser visitado mais de uma vez. obrigado pelas dicas… passei dez dias com minha mulher, sogra e uma amiga, foi realmente surpreendente. recomendo.
(Responder)