terça-feira, 01 de março de 2011

Ilha do Mel: é do Paraná! (o que fazer, como chegar, dicas úteis)

Gostaria de começar este texto de uma forma mais original, com alguma informação de impacto sobre esse naco fascinante do litoral do Paraná. Mas quando a gente fala em Ilha do Mel é bom ir direto logo ao assunto: é o pedaço mais lindo – e com as praias mais preservadas – do estado. Ponto. Na ilha não entram carros. O número de visitantes é controlado. As ruas são pequenas trilhas de areia. E, à noite, uma lanterninha deve ser item obrigatório na sua sacola.

Mas não pense você que só de bicho-grilo ou de farofeiro rastaqüera vive a ilha. Muito pelo contrário. Cada vez mais aumenta a estrutura do lugar, apesar de toda a rusticidade. Pousadas com TV, ar-condicionado, cama box e internet wi-fi nos quartos pululam dia após dia. Sem contar os restaurantinhos charmosos que aportam por lá.

Com quase três mil hectares de mata preservada, a Ilha do Mel foi transformada em estação ecológica pela UNESCO. O título ajudou a promover uma área de geografia singular cheia de mangues, morros, costões, trilhas e alguns atrativos históricos como a Fortaleza Nossa Senhora dos Prazeres – construída no século 18 para proteger a Baía de Paranaguá.

Outras atrações tombadas pelo Patrimônio Artístico e Histórico do Paraná são o Farol das Conchas e a Gruta das Encantadas. A gruta é formada por uma enorme fenda num rochedo e está ao nível do mar. Por isso, só pode ser visitada na maré baixa. Fica a 10 minutos caminhando do trapiche do vilarejo de Encantadas.

Quem não tiver medo de enfrentar os 150 degraus que dão acesso à base do Farol das Conchas vai conhecer a mais bela vista da ilha. (Passeio grátis!). Quando estive aqui pela primeira vez, botei os bofes para fora e subi. Desta vez mandei o marido pagar os pecados e fiquei lá embaixo, fazendo castelinho de areia  com a Mariana – minha filhota.

Certo, chega de nhém nhém nhém. 10 entre 10 turistas desembarcam na ilha em busca das praias. Desertas, agitadas, boas para surf, com águas calmas ou cheias de piscinas naturais… não importa. É mar para todos os gostos. A praia Encantadas ferve na temporada. Abriga muitos restaurantes e pousadas. Na maré baixa – além de dar acesso à gruta – é possível chegar à praia de Nova Brasília por uma trilha que dura 2 horas. Sem contar que a cinco minutos da gruta está a praia de Fora das Encantadas, onde fica uma espécie de “Praça de Alimentação”. Um enorme barracão cheio de restaurantinhos e quiosques – com um banheiro imundo para os clientes, lamentavelmente.  Consegui escolher a única chimbica do lugar que não aceitava cartão de débito (mas só descobri na hora de pagar a conta) e que nos serviu o peixe e o camarão mais salgado e gordurento da minha vida.

Já a praia da Fortaleza – a maior da ilha – tem 4 quilômetros de extensão e abriga, claro, a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres. De Nova Brasília são 40 minutos a pé (só faça o trajeto na maré baixa) ou 10 minutos de barco. Há serviços de táxi náutico. Mas ainda tem a praia do Limoeiro (semi-deserta), a praia Grande (preferida dos surfistas), a do Farol (agitadinha) e a de Fora (com pequenas piscinas naturais na maré baixa).

A ilha transpira tranquilidade.  Aonde quer que você vá, uma surpresinha. De um lado, gente fazendo yoga. Do outro,  pescadores preparando as redes. Um universo ara quem quer descansar, sem abrir mão do forrozinho noturno. Rá!

OUTROS PASSEIOS

Baía dos Golfinhos: para observar os “botos” é necessário contratar um passeio. Os barcos saem dos trapiches de Nova Brasília ou de Encantadas. Os preços variam de R$ 25 a R$ 50. Converse diretamente com os barqueiros ou contrate um tour na Lua Cheia.

DICAS ÚTEIS

1. Deixe o Totó em casa. A lei não permite a entrada de animais domésticos na ilha.

2. Existe posto de atendimento médico (para pequenas emergências), mas não há farmácias. Portanto, leve seus remedinhos de estimação, sem se esquecer dos clássicos antitérmicos, comprimidos contra enjoo, gel muscular, antiácido, curativos tipo Band-aid, protetor labial e protetor solar.

3. A Ilha do Mel é dividida em três vilinhas: Nova Brasília, Encantadas e Fortaleza. Desembarque no trapiche mais próximo da sua hospedagem. Lembrando que na ilha somente é possível circular a pé, de bicicleta ou de barco. O aluguel de bicicleta fica em torno de R$ 35 por dia. Os trechos de barco entre uma vila e outra estão em torno de R$ 8 por pessoa.

4. Nos trapiches (píer) de Nova Brasília e Encantadas existem diversos carregadores de mala que com pequenos carrinhos de mão transportam sua bagagem do local do desembarque até o seu hotel. Os preços variam de R$ 20 a R$ 45 – dependendo do trajeto a ser percorrido.

COMO CHEGAR  À ILHA DO MEL

A partir de Curitiba desça  a Serra do Mar pela BR 277 até Paranaguá ou Pontal do Sul. Caso vá de carro, você deve deixar o veículo estacionado no continente (em média R$ 15 por dia) e pegar um barco para fazer a travessia. De Pontal do Sul as saídas acontecem de 30 em 30 minutos na temporada e de hora em hora na baixa estação  – entre 8h e 17h. A viagem dura cerca de 30 minutos e custa R$ 23 – ida e volta. De Paranaguá, o número de saídas diárias varia muito de acordo com a época e o percurso é mais longo: duas horas para chegar a ilha. São R$ 28 ida e volta. Antes de ir ligue na ABALINE (41 3455.2616), empresa marítima responsável pelo percurso para confirmar os horários.

Fotos: Raul Mattar

Leia também:

Hospedagem: onde ficar na Ilha do Mel

Alimentação: onde comer na Ilha do Mel

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