segunda-feira, 19 de julho de 2010

Meu primeiro mochilão pela Europa | Parte 1


Ao lado dos famosos táxis pretos de Londres.

Isso não é um relato. Mas um testemunho. Prova de que – se não posso servir de exemplo – que pelo menos sirva de lição. Rá!

Na verdade não foi um mochilão. Nem uma mala. Foi uma bolsa de alça de nylon que eu comprei nas Lojas Americanas e acoplei a um… carrinho de feira. Dessa forma, eu poderia “puxar” a minha bagagem metrô acima. (Pra você ver, eu já era uma pessoa beeem inteligente e descolada naquela época.)


Troca de guarda, em frente ao Palácio de Buckingham, em Londres.

As malas de rodinhas já davam o ar da graça por aqui. Mas elas eram muito caras para o meu padrão mão-de-vaca-muquiraníssimo de quase 13 anos atrás. Então tivemos essa ideia brilhante do puxador de mala que, além de tudo, vejam só, era dobrável. Parecia a compra perfeita.

Estávamos em meados de 1997 – minha amiga e eu – vinte e poucos anos e US$ 50 disponíveis para gastar por dia. Incluindo tudo: hospedagem, alimentação, transporte e souvenirs. Compramos uma passagem pela finada VASP e embarcamos sem reservar nada. Só sabíamos que íamos ficar em albergues da juventude o que deixou minha avó horrorizada, até ela entender que não se tratavam de albergues noturnos, desses que recolhem andarilhos em situação de risco.


Fiz todos os trajetos de um país para o outro com os atuais sem-noção-passes-de-trem.

Como achei que a Europa podia sair do lugar, incluí logo oito países em 30 dias: Espanha, França, Inglaterra, Escócia, Bélgica, Grécia, Itália e Suíça. Foram 14 cidades, desbravadas com um passe de trem – desses que não fazem mais sentido algum depois da entrada das low costs no continente europeu.

Sabendo que as malas são seres vivos com vontade própria, a minha começou a arriar já na primeira parada: Londres. Mesmo assim não perdi a pose. Como todo pobre de pai, mãe e parteira que coloca o pé no velho continente pela primeira vez, eu queria ser chique, não mochileira. Não dei muito importância aos primeiros rasgadinhos no bolsão.


Minha amiga e eu, com nosso tecnológico carrinho de feira, puxador de mala. E minha calça de couro.

O mais importante era o que estava dentro dele: uma calça de couro chiquééérrima, que usei na viagem Londres-Paris, pelo Eurostar – o trem que passa por debaixo do Canal da Mancha. Nada é tão ruim que não possa piorar: a bota era nova (um fascínio para as bolhas que viriam dias depois). Com um agravante… eu tinha os cabelos pela cintura.

Não “perdam” as cenas do próximo capítulo!

Leia também:

Meu primeiro mochilão pela Europa | Parte 1
Meu primeiro mochilão pela Europa | Parte 2
Meu primeiro mochilão pela Europa | Parte 3

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