Como gerenciar seu dinheiro durante a viagem (ou quanto custa para você ser feliz?)

Publicado por: Silvia Oliveira Crônicas

Não dá para pensar em viagem – curta ou longa – de uma maneira racional. Por mais econômico que seja o seu destino, ainda assim você vai gastar em uma semana fora de casa o que provavelmente desembolsaria durante um mês ficando nela.

É como subir na vida por 15 dias. Mas se você acha que vou responder aqui à clássica pergunta “quanto devo levar de dinheiro”… pode tirar o cavalinho da chuva.

A proposta é outra: fazer você entender que quem determina seu orçamento são suas expectativas, grau de exigência e índice de tolerância.

Ô, verdade doída essa!

É bom saber que os gastos vão muito além de diárias de hotel, alimentação e transporte. Os passeios, um lanchinho, gorjetas, as comprinhas…

Investir num badulaque qualquer, eu sei, faz parte do processo psicológico ao qual somos submetidos durante uma viagem. Quando saímos de férias subimos um posto na nossa hierarquia pessoal. Ir às compras vai consagrar esse estado emergente.

O segredo é estipular um valor para os souvenires. E obedecer a planilha à risca. Lembrando que, em algum momento, você pode optar por um táxi, principalmente depois de um voo transatlântico. Acrescente este gasto na conta final.

Importante: leve um caderninho, uma agendinha, serve a calculadora do celular. Controle tudo na ponta do lápis.

Não, fazer as contas no fim do dia não é coisa de gente mão de vaca muquirana nem de pobre pé rapado. Saber quanto estamos gastando – ou melhor, investindo – é questão de organização, método e ordem.

Isso nos faz repensar as prioridades e adequar o orçamento para o dia seguinte. Deixar de controlar o dinheiro em uma viagem qualquer não é um atentado ao bolso, mas à inteligência.

Seu orçamento deve ser baseado na pergunta quanto custa para eu ser feliz?

Hospedagem | Determine quanto quer gastar para dormir, se o quarto tem que ser espaçoso, se pode ser básico ou se você não abre mão de wi-fi grátis. Se topa banheiro compartilhado ou se precisa de cama com dossel. Não custa lembrar: hotéis próximos a pontos turísticos famosos vão cobrar por isso. Precisa de café da manhã? Carregador de malas ou dá para ser feliz levando a bagagem sozinho até o elevador? Porque se não der, não há problema algum. Definir o que te faz bem na viagem é o começo de um projeto bem-sucedido. Só não se esqueça de que quanto mais comodidades e luxo, mais caro será.

Alimentação | Gosta de comer bem, mas quer gastar pouco? Contente-se com o menu do dia. Dentro do Brasil a comida é cara? Uai, você adora fuçar os mercados na Europa, por que não aqui? Sempre existem mercadinhos baratos e, em muitos lugares, até com seção gourmet. Atravessa o oceano para fazer um piquenique no Jardim de Luxemburgo. Mas aqui comer no parque é coisa de farofeiro. Oi? Diga não ao fondue de queijo engrossado com maizena que custa o valor da ponte aérea Rio-SP só para pagar de bacana em cidadezinha badalada na serra. Se for para gastar mais, que não seja para alimentar a ganância alheia.

Transporte nas cidades | Eleja o meio mais cômodo para você. O transporte público sempre será imbatível no quesito economia. Andar a pé, então… Caso prefira o táxi, só espere pagar mais por isso.

Atrações | Se a ideia é economizar verifique quais as atrações e museus grátis do dia. Apenas prepare-se para enfrentar uma baita fila  para entrar. Todo mundo tem essa mesma informação e provavelmente vai ter a mesma ideia que você. E olha, você não é obrigado a ir a toooodos os atrativos pagos da cidade só porque são famosos. Um orçamento restrito exige tomada de decisão. Escolha aquilo que realmente é significativo para a história que quer construir, não o que você acha que sua família e amigos vão gostar no facebook.

Comprinhas | Ninguém mais do que você é capaz de determinar quanto custa para ser feliz! Se investir em roupas, perfumes ou balangandãs é importante para seu momento ryykkkaaaa, apenas faça bom uso do seu dinheiro. Porque a conta chega.

Momento-extravagância | A extravagância é a experiência em si. Não exatamente quanto você vai pagar por ela. Um jantar estrelado, uma noite num hotel-castelo, um voo de helicóptero ou simplesmente um passeio de barco turístico no Rio Sena em Paris — a dois e com champã. O que pode ser simples e trivial para alguém talvez enriqueça sua biografia pessoal.

Grave isso: viajar 100% mão de vaca é deprimente. Não se trata de desrespeitar um orçamento restrito, mas, sim, de ter a mente aberta para entender o que são verdadeiros luxos para você.

Gastar menos não significa ter que expiar os pecados durante a viagem, mas há restrições – que podem variar do hotel-pelourinho à classe chicoteia do avião, do almoço de um prato-só ao piquenique no parque.

Faça uma planilha de gastos, estipule valores diários, priorize o urgente e dê preferência ao importante. Chique é voltar para casa e debruçar nas lembranças… sem se preocupar com uma dramática conta do cartão de crédito. ¡Hay que ser muquirana, pero sin perder la dignidad jamás!

_______________

Foto: Bruno Glätsch | Pixabay.com

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20 Comentários

  1. vou repetir: adoro este blog e sou fã das séries muquirana com extravagância!

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  2. Antes da viagem eu monto uma planilha no excel detalhadinha com o roteiro, hotéis, transporte e uma previsão de passeios e alimentação. E sabe que minhas previsões são boas? A margem de erro acaba sendo bem pequena. Mas quase todo dia a gente faz um balanço, como você falou, e se gastamos menos em algum dia, nos damos um presente no outro. 😉

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    • Maria Rodrigues

      Boa tarde,

      estou indo em outubro , conheço bem Paria só não lembro qual tipo de bilhetes de metro tenho que comprar para 17 dias. Já tenho um frances bom e vou estudar aperfeiçoar. So para ir para a ula tenho que usr 4 passagens qual compro ? Vende on line ? Vou chagar em Orly e pegar o bus mas vou precisar de bilhete para me levar a residencia estudantil. Será que pode me fazer a gentileza de aljudar?

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  3. Bernardette Amaral

    Eu tambem faço isso que voce indica, reservo uma quantia por dia e fico acompanhando, como não viajo para comprar , fica mais facil controlar os gastos. reservo uma ou duas extravagancias e no resto da viagem “jeito muquirana de ser”, viajar com planejamento é viajar melhor e poder viajar mais vezes. Com as dicas do Matraquenado fica mais fácil ainda.

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  4. Marcia Kawabe

    A minha maior preocupação é sempre com os gastos diários mesmo, já que a passagem e a hospedagem já estão contabilizados quando saio de casa. E pra isso, eu sempre divido também a grana que tenho disponível pelos dias de viagem e vou tentando gastar dentro desse limite. Mas às vezes não é fácil 🙂

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  5. Caramba Silvia

    Esse post veio totalmente ao meu encontro, estou montando um roteiro para Buenos Aires super econômico e entrei para me informar sobre Bs. As. e me deparo com essas dicas de ma-de-vaca….excelente, me abriu os olhos, já que estou viajando por milhas e transporte saiu barato, mas como você diz, melhor gastar menos e viajar mais.
    Abçs

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  6. Ótimas dicas. Eu até tento seguir esses princípios, mas cartão de crédito pesado na volta da viagem é de lei. Triste são as coisinhas pequenininhas, 20 pesos, 20 reais, 20 dólares, não são nada individualmente, mas somados levam um orçamento todo pro buraco…

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  7. Sem dúvida nenhuma é necessário controlar as contas em uma viagem… Se não fosse assim ninguém aqui precisaria trabalhar, era só sair distribuindo dinheiro por aí! rsrsrsrs

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  8. Ana

    Eu também traço uma meta de gastos por dia e esse valor vai todo no VTM. Incluo também o que planejo gastar com compras no VTM e estipulo um limite. Pago tudo no debito ou em dinheiro vivo. Cartão crédito só para emergências ou para uma compra de produto caro programada anteriormente. Com esse esquema ja voltei duas vezes de NY com alguns dolares sobrando (mesmo depois de gastar no freeshop) e com o cartao de credito zerado 😉

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  9. Anaildo

    O carro Focus da Ford é um dos carros que concede ao usuário aquele “Status” de “eu sou o cara”.Por outro lado o Fiesta, também da mesma montadora, não oferece a mesma massagem ao ego do condutor. Detalhe, existe uma peça no Focus que custa 1008,00 reais, só que a mesma peça com a mesma referência existe no Fiesta e custa apenas 135,00, ou seja, se você tem um Focus pode pagar 1000,00 e se você tem um Fiesta só pode pagar 135,00. Qual a importância disto com relação ao assunto viagem? Simples, seja turista e aquela comprinha num calçadão famoso, ou numa esquina qualquer custará o dobro ou até mesmo o triplo. No entanto se abordarmos o vendedor com naturalidade sem aquela “pompa” de pode cobrar que eu sou turista e estou pronto pra gastar, com certeza faremos uso do dinheiro de forma inteligente. Sou da região Nordeste e frequento bastante a cidade de Natal, uma linda cidade com um litoral belíssimo, e com vendedores pronto para sugar o turista. Dica, ao visitar Natal e um vendedor de rede oferecer uma por 80,00, simplesmente tire 30,00 da carteira e a mesma será sua, fiz isto e levei rsrsrsrs claro ele me pediu para não contar a outros pois já tinha “capturado um turista”.

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    • Boa! De fato, eu já paguei R$ 40 por uma rede em Maceió que me ofereciam, a princípio, por R$ 120!

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  10. Jessica K

    Adorandooo o blog! Parabéns pelo excelente trabalho.
    To planejando minha primeira viagem internacional e entrando em todos os blogs de viagens possíveis. Sou estudante de Jornalismo e adoro o seu texto leve e com uma pitada de humor.
    Quero poder blogar minhas experiências de viagem.

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    • Silvia Oliveira

      Vá fundo! Boa sorte! 🙂

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  11. Luiz Antonio Alcântara Madureira

    é sempre bom mesmo controlar os gastos dia a dia para não faltar dinheiro no final da viajem….luiz!!!!!!!!!

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  12. Ivin Lais

    Eu me agradeço por ser super organizada, tudo para mim é na ponta do lápis, surpresas ruins de ultima hora não dá.

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  13. Gi

    Eu não acho que controlar é ser mão de vaca, mas sim, organizada. Eu sempre anoto tudo que compro (claro que uma bala não vai precisar ser anotado) tanto no meu dia a dia quanto nas viagens. Assim, me controlo e não tenho a sensação de que o dinheiro sumiu (ou foi roubado para quem é mais neurótico).
    Desta forma, vc se permite gastar um pouco mais com alguma coisa e pode economizar em outras se for o caso. Além disso, anotando parece que vc se sente feliz pelos gastos sem a sensação de “cadê meu dinheiro”. Quem permite gastar sem precisar economizar pode também anotar.
    Além disso, são pouquíssimas as pessoas mega ricas que 500 reais no final da viagem nem faz diferença. Com 500 reais, faço a festa ehhehe ou até uma outra viagem! Além disso, posso comparar onde é mais caro, lojas e restaurantes mais em conta.

    Não conhecia seu blog. Gostei!

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  14. Silvia, seu site é ótimo! E amei o jeito que você escreve. Entrei aqui por um motivo e acabei de entretendo de tal maneira que fui passeando de página em página. Cai nesta aqui sobre o dinheiro nas viagens. Como tive uma experiência de viajar por oito meses, concordo plenamente que planejar é fundamental. Já dizia a música, dinheiro na mão é vendaval. Mas o mais legal é saber com o que vc quer gastar. Depois de algum tempo da viagem, eu comecei a ver o que mais me faz feliz e, muitas coisas não custam muito. No meu caso, andar muito pelas ruas e me surpreender com detalhes. Se eu eu fosse pensar numa dica sobre essa questão do dinheiro é: gaste com o que te faz feliz, não é porque alguém disse que você TEM que ir para algum lugar. E às vezes é o inverso, você gasta muito mais do que precisa no dia-a-dia e depois de algumas semanas na estrada sua vida pode ficar mais barata porque vc seleciona o que realmente vale a pena. Li há algum tempo um blog do um americano bem legal sobre isso! http://www.raptitude.com/2010/07/your-lifestyle-has-already-been-designed/?fb_action_ids=10151245274746114&fb_action_types=og.likes&fb_source=aggregation&fb_aggregation_id=246965925417366
    Adorei seu blog! Dá vontade de trocar ideias nesses comentários.

    responder
    • Silvia Oliveira

      Valeu, Juliana! Obrigada por suas considerações e dicas! 😉

      responder
  15. Janice

    Boa tarde, Silvia! A pergunta é perfeita “quanto custa para ser feliz?” Temos que identificar o que realmente faz bem e não seguir só a manada, mas o nosso coração. Um abraço!

    responder
    • Silvia Oliveira

      Se a gente sempre se fizesse esta pergunta antes de decidir roteiros, destinos e o que fazer em cada lugar, teríamos quase sempre um índice de satisfação altíssima em relação às nossas viagens! 🙂

      responder

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