terça-feira, 26 de março de 2013

São pouco mais de 20 mil habitantes distribuídos entre casinhas coloridas, mirantes e um rio 100% nacional, o São Francisco. Piranhas acabou entrando para a história brasileira por ter sido o local onde as cabeças de Lampião e seu bando ficaram expostas após a decapitação durante uma emboscada na Grota do Angico. Aliás, foi daqui que a volante comandada pelo Tenente João Bezerra saiu para caçar o homem mais procurado pela polícia nordestina na década de 30.

Conjunto arquitetônico preservado rendeu o título de Patrimônio Histórico Nacional.
Mais do que isso, o município soube preservar não só a memória, mas seu patrimônio. Piranhas tem um dos conjuntos arquitetônicos mais conservados do país, o que acabou dando ao lugar, em 2003, o título de Patrimônio Histórico Nacional, concedido pelo IPHAN. Ficamos dois dias hospedados aqui. Nossa opção foi o hotel Pedra do Sino, do mesmo dono do restaurante Flor de Cactus. Ambos ficam no alto do morro, no Mirante Secular, e oferecem a mais linda vista da cidade e do rio.

Vista do Mirante Secular, onde fica o Hotel Pedra do Sino.

Piranhas é porta de entrada para você fazer a Rota do Cangaço (o passeio sai do atracadouro da cidade) e ótima opção de pernoite para quem vem conhecer o Cânion do Xingó na vizinha Canindé de São Francisco. O município de Canindé, a 15 quilômetros, tem um hotel estruturado, o Xingó Parque, mas a cidadezinha em si não tem tanto charme. Ficar em Piranhas deixa seu passeio redondo: patrimônio, história, cânion e sertão.


Além de diversas pousadas, Piranhas tem um centro de artesanato (que funciona de quarta a domingo, 10h às 17) e uma noite agitada no fins de semana. O centrinho histórico recebe turistas e piranhenses com música ao vivo. Há vários bares e restaurantes, mas a melhor comida é a da Cachaçaria Altemar Dutra. Comemos aqui duas vezes. Oferece desde pratos regionais até massas e pizzas. (Aliás, o seresteiro que dá nome ao restaurante tem até estátua na cidade. Dizem que Altemar Dutra costumava se refugiar na região para cantar e tocar seu violão às margens do São Francisco.)

O que fazer em Piranhas
Rota do Cangaço

O passeio, de quatro horas e meia, sai do atracadouro de Piranhas. Você navega pelo leito natural do Rio São Francisco até o distrito de Entremontes, onde vai conhecer de perto o rendedê, bordado típico da região. Dali, o catamarã segue para o ponto de onde sai a trilha que leva à Grota de Angico (foto), lugar onde Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros foram mortos durante uma emboscada. Veja nosso relato completo aqui.
Museu do Sertão




São dois pequenos ambientes com peças, objetos, armas, roupas e vestimentas da época do cangaço. Murais contam a história do movimento que abalou o sertão nordestino na década de 30 e mostra uma reprodução da famosa foto de Lampião e seu bando expostas como troféu nas escadarias da prefeitura de Piranhas. Fica na antiga estação ferroviária, no centro histórico. O casarão, em si, já é a atração: tem portas em forma de arcos e lambrequins criando uma espécie de franja no telhado. Tel. (82) 3686-3013. Funciona de terça a domingo, das 8h às 17. Entrada: R$ 2
Torre do Relógio

Fica em frente ao Museu do Sertão. É a antiga torre do relógio (1879) da estação. Abriga um relógio inglês do tipo carrilhão. Dentro abriga o Café da Torre. Vale a foto.
Centro Histórico


Não foi à toa que Piranhas recebeu o título de Patrimônio Histórico Nacional. Casario colorido e preservado transformam qualquer passeio à cidade em saudades eternas. Logo na entrada do pequeno município você já pode apreciar um dos lugares mais fotogênicos do Brasil. Por onde quer que você caminhe… uma porta, uma janela, um suspiro. A estátua de Padim Ciço também está lá. Eu, viciada, neste combo casinhas-igreja-praça não queria ir mais embora.


O belo cenário foi perfeito para os filmes Bye, Bye, Brasil (1979), de Cacá Diegues, e Baile Perfumado (1997), de Lírio Ferreira e Paulo Caldas. Este último conta a história do fotógrafo sírio-libanês Benjamin Abrahão, o único a fazer um registro iconográfico do cangaço e do próprio Lampião. A obra contou, inclusive, com a participação de ex-cangaceiros e ex-volantes que viviam em Piranhas.
Mirante Secular

O mirante foi construído no século 19. Funcionava como um pequeno farol para orientar as embarcações que navegavam pelo Rio São Francisco. No local há uma pirâmide quadrangular de 8 metros de altura que marca a passagem do século 19 para o século 20. Você pode chegar aqui de duas formas: a mais rápida – e cômoda – é de carro. Saindo de Piranhas em direção a Canindé, você entra numa estradinha de terra que indica “Restaurante Flor de Cactus”, que fica no mesmo lugar. A outra maneira é subindo os 364 degraus de uma escadaria (não, obrigada!) até o topo. Se esta for sua opção, vá com calma e leve água. Você vai estar debaixo de um sol de 40º C do sertão.
Mirante da Igreja

Esqueci o nome da igreja (se alguém souber o nome deste lugar, me ajude, não encontrei em lugar algum!). Mas é outro mirante no lado oposto do Secular. E para chegar lá, só de escada. A gente apreciou de longe!
Prainha

Local à beira do rio, próprio para banho. Tem alguma estrutura para quem quiser se refrescar do calor do sertão. (Esta foto não é da prainha em si, ela está mais à direita).
Dicas da Matraca
A cidade possui somente agências da Caixa, Banco do Brasil e Bradesco. Não há banco 24 horas. Por isso, vá prevenido.
No centro histórico não existe mercado grande, só pequenas mercearias vendendo água de 500 ml a R$ 3,50. Em Piranha Nova, parte da cidade que foi construída para abrigar os operários que trabalharam na Usina Hidrelétrica do Xingó, tem mais opções.
É melhor vir de carro para cá. Piranhas tem táxi e moto-táxi, mas o horário de funcionamento é irregular. À noite, é quase impossível conseguir um.
SERVIÇO
Como chegar a Piranhas vindo de Aracaju
- Carro | Pegue a BR 101 sentido Maceió. Vá em direção ao município de Areia Branca (BR 235) e siga para Itabaiana (passa por fora da cidade). Entre em Ribeirópolis e, em seguida, pela rodovia estadual SE -106, passe pelos municípios de Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora da Glória (cidadezinha com mais estrutura, restaurantes, lanchonetes, lojinhas, posto de gasolina, etc). Siga pela rodovia SE-206 e passe por Poço Redondo, Canindé e, finalmente, Piranhas. São 220 quilômetros. Todo o trajeto tem placas indicativas e a estrada está relativamente boa. É difícil se perder. No mapa acima não aparece Piranhas como destino final, porque o Google Maps faz uma volta enorme de Canindé a Piranhas. Mas chegando a Canindé (SE) é só atravessar uma ponte e você está em Piranhas (AL). (Nós alugamos um carro em Aracaju). Em tempo: de Maceió, capital de Alagoas, são 280 km.
- Ônibus | Você pega o ônibus na rodoviária nova de Aracaju. São 4,5 horas de viagem entre Aracaju e Piranhas. Passagem a R$ 21. Caso prefira ir a Canindé primeiro, você pega o ônibus na rodoviária velha de Aracaju. Há várias saídas diárias. Tarifa a R$ 19. (De Canindé a Piranhas você pode ir de táxi ou moto-táxi. São 10 minutinhos, no máximo).
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Fotos: Raul Mattar
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Minha viagem a Piranhas faz parte da Expedição Brasil EXpress II, projeto do Matraqueando que leva recortes do nosso país até você.